(Minghui.org) Comecei a praticar Falun Dafa há 30 anos, quando tinha dez anos. Sinto cada vez mais que o Mestre sempre esteve ao meu lado e, enquanto eu continuar trilhando o caminho que ele arranjou, serei capaz de superar qualquer provação ou tribulação.
Sempre senti o quão extraordinário é o Falun Dafa; e desapegar-me de coisas humanas e sentimentalismo não é mais doloroso — em vez disso, sinto-me feliz.
Eu estava ouvindo música enquanto dirigia para buscar minha filha na escola. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e meu coração foi profundamente tocado pela música “Quando o Dafa se espalha amplamente, todas as coisas se renovam”.
Percebi imediatamente que as lágrimas vinham do meu lado iluminado, porque eu realmente havia me desapegado do ressentimento em relação ao meu marido, e a compaixão que cultivei no Dafa pode ter eliminado também as coisas ruins que interferiam na vida dele. Senti-me extremamente grata ao Mestre pela orientação e sabedoria que me concedeu, as quais me permitiram libertar-me da angústia de um casamento muito infeliz.
Durante muito tempo, senti-me angustiada com o meu relacionamento com o meu marido. Ele me agredia verbalmente — geralmente sem motivo. Muitas vezes questionava-me como os casais podiam tratar um ao outro com respeito e cortesia, como faziam nos tempos antigos, uma vez que o meu marido e eu nos estávamos nos distanciando e éramos como inimigos.
Cada vez que o meu marido me agredia, eu simplesmente tolerava e permanecia em silêncio. Lembrava-me de que sou uma praticante do Dafa e que devo sempre olhar para dentro e continuar a desenvolver a minha capacidade de ter mais paciência e compreensão. Assim, durante anos, fiz o meu melhor para manter a família unida e não discutia com ele.
Por vezes, os nossos filhos intercediam por mim, e eu dizia-lhes sempre para não culparem o pai. Dizia que devíamos tratá-lo ainda melhor, porque as velhas forças tentam sempre nos manter separados. Contudo, por mais que eu me esforçasse, mesmo quando parecia não haver brechas nesse aspecto, a distância entre meu marido e eu aumentava.
Pensei ter me desapegado da vida cotidiana, pois tenho minhas próprias aspirações e propósito na vida. Além de cuidar dos meus filhos, eu estava ocupada com o trabalho. Como nunca me irritava quando meu marido perdia a paciência, ele se tornou quieto. Mas vivíamos como estranhos — cada um seguia sua vida separadamente.
Eu sabia que essa situação não era normal, pois eu não conseguia nem mesmo tratar meu marido com respeito, como faziam os antigos, muito menos atender aos padrões de um verdadeiro praticante do Dafa. O que eu estava fazendo de errado?
Certa noite, enquanto lia poemas do Hong Yin com meu filho, dois poemas me marcaram profundamente. Um deles era:
“Saltar fora dos Três Reinos
Não se importar com amargura ou alegria humanas
É um cultivador
Não apegado ao ganho ou perda no mundo
Um Arhat”
(Hong Yin)
O outro era:
“Distinção entre humanos e Seres Iluminados
O que é humano?
Sentimentos e desejos preenchem o corpo.
O que é imortal?
Mentalidades humanas não existem.
O que é Buda?
Benevolência e virtude colossais.
O que é Tao?
Um ser verdadeiro, puro e tranquilo.”
(Hong Yin)
Eu achava que, quando meu marido me tratava mal, o melhor que eu podia fazer era não discutir — eu não o tratava com gentileza genuína. Quando ele parava de falar comigo, eu não tinha mais nada a dizer. Muitas vezes eu pensava: “Eu me doei tanto ao longo dos anos, e ele nem sequer reconhece o que eu fiz.” Percebi que ainda tenho muitos apegos humanos. Fiquei chocada com essa constatação.
Um dia, minha filha ficou muito chateada comigo e disse que eu a tinha magoado. Ela reclamou aos prantos com o pai. Estávamos visitando a avó dela naquele dia. Meu marido se importava muito com a mãe dele e não queria fazer uma cena. Então, ele apenas me encarou com raiva e disse em voz baixa e cortante: “Se você não pedir desculpas à minha filha, eu vou…” O olhar dele dizia: “Eu vou te matar.”
Continuei dobrando as roupas calmamente, como se estivesse assistindo a um espetáculo no mundo humano — as pessoas eram manipuladas por suas emoções, fossem elas de amor ou ódio, e perdiam o senso de si mesmas. As emoções são inconstantes — mudam num piscar de olhos. Quando as pessoas amam, esquecem tudo; quando odeiam, tornam-se frias e cruéis. As emoções fazem as pessoas rirem ou chorarem e, no fim, as transformam em tolas.
Continuei enviando pensamentos retos em silêncio para eliminar a interferência. Minha filha foi se acalmando aos poucos, e eu também senti que estava me libertando gradualmente dos sentimentos humanos.
Como não me abalei com as agressões verbais do meu marido, os demônios da emoção tentaram interferir em mim de outra forma, plantando pensamentos como: “Meu marido conversa com uma sócia todos os dias, e eles estão sempre brincando e rindo – parece que nunca acaba.”
Lembrei-me de alguns versos do poema do Mestre “No Tao”:
“(…)
Olhar sem ver —
Não perdido nem tentado.
Ouvir sem escutar —
Uma mente difícil de perturbar.
(…)”
(Hong Yin)
Eu estava determinada a não me deixar abalar por emoções e apegos humanos e a me desapegar completamente deles.
Como permaneci impassível durante o dia, a infidelidade do meu marido invadiu meus sonhos. Ao acordar, senti-me um pouco perturbada emocionalmente, mas logo recuperei a lucidez, pensando: “Serei meu verdadeiro eu, aquele que controla minha vida. Nada pode me influenciar ou me afetar.”
Pensei: “Jamais saberei quanta coisa ruim o Mestre eliminou para mim e quantas dívidas cármicas ele carregou por mim. Ao longo de incontáveis vidas, acumulei imensas dívidas cármicas. Se não fosse pela infinita compaixão do Mestre, eu jamais teria conseguido me libertar dessas dívidas nesta vida.” O Dafa me deu força e sabedoria, e eu me senti ficando mais alta e mais forte.
Passei a ser mais carinhosa com meu marido. Depois de preparar o café da manhã, bati de leve na porta do quarto dele e disse: “Preparei o café da manhã, pode se servir quando acordar”. Na hora do almoço, liguei para ele e perguntei se ele gostaria de almoçar comigo.
Quando almoçávamos juntos, eu sempre falava sobre como eu educava nossos filhos e como eles estavam indo bem na escola, porque eu sabia que ele se importava muito com eles. Ele ouvia e às vezes ria. Então eu dizia: “Fique à vontade, preciso ir agora”. Ele assentia com a cabeça. Tudo estava indo bem.
Uma tarde, ele veio ao meu escritório. Enquanto eu organizava alguns documentos, ele começou a falar sobre o quanto tinha feito pela família e como eu o havia decepcionado. Disse que queria o divórcio.
Dessa vez, eu não cedi e disse a ele com calma e firmeza: “Tudo o que você disse é do seu ponto de vista. É verdade que não ganho tanto dinheiro, mas isso não significa que não tenha feito tanto pela família. Ao longo dos anos, dediquei tudo o que tinha ao cuidado dos nossos filhos.
“Não lhe pedi dote quando nos casamos. Quando compramos a nossa casa, ofereci 100.000 yuans como entrada. Isso foi logo depois da minha formatura, e era toda a minha poupança na época. Mais tarde, quando compramos o carro, novamente, dei-lhe tudo o que tinha como entrada.
“Sou praticante do Dafa e não me importo muito com essas coisas. No entanto, os nossos filhos ainda não são maiores de idade e é minha responsabilidade protegê-los. Não me divorciarei, não até que sejam adultos.”
Continuei trabalhando depois de dizer isso. Naquele momento, senti verdadeiramente que havia me desapegado das minhas emoções humanas e não guardava mágoas nem ressentimentos. Era uma sensação muito agradável de total calma e paz.
Meu marido ficou em silêncio por um longo tempo, depois disse suavemente: “Vou buscar nosso filho esta tarde e você pode buscar nossa filha.”
“Claro, sem problema. Vou buscá-la”, assegurei-lhe.
A caminho de buscar minha filha, senti muita pena do meu marido. Esse sentimento de compaixão me encorajou a ser verdadeiramente gentil com ele, pois seu verdadeiro eu talvez estivesse pedindo minha ajuda. O mundo humano contaminado o transformou no que ele é, e ele não consegue desfrutar da verdadeira felicidade e do afeto entre as pessoas, porque está preso aos seus apegos à fama e ao ganho. Senti infinita compaixão por ele, e as lágrimas não paravam de correr pelo meu rosto enquanto eu ouvia “Quando o Dafa se espalha amplamente, todas as coisas são renovadas”.
À medida que continuo a me aprimorar e a me corrigir, finalmente entendo como tratar meu marido: devo respeitá-lo sinceramente. Cada um de nós é um indivíduo único e devo respeitá-lo com apreço e dignidade, demonstrando as qualidades admiráveis de uma praticante do Falun Dafa. Ao agir assim, também conquistarei o respeito dos outros.
Essas são algumas das minhas compreensões atuais. Por favor, indiquem qualquer coisa inadequada.
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