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Relatório do Minghui: Os 20 anos de perseguição ao Falun Gong na China
Primeira edição em português
Copyright © 2020 Minghui.org & Minghui Publishing Center Corporation
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou utilizada de nenhuma forma sem autorização escrita do proprietário do direito de cópia, exceto para a utilização como citação em livros que revisem o tema.
Edição original em português publicada pela primeira vez no pt.minghui.org em junho de 2020
ISBN 978-1-7334819-3-9 (e-book)


SUMÁRIO

Sobre este relatório 

Sumário executivo

Introdução

Parte 1: Perseguição ao Falun Gong

Capítulo 1: Instalações de detenção

1.1 Centros de lavagem cerebral
1.2 Campos de trabalho forçado
1.3 Hospitais psiquiátricos
1.4 Sistema judicial de endosso automático
1.5 Os direitos dos praticantes presos são violados

Capítulo 2: Negação de emprego, educação, habitação e segurança econômica

2.1 O papel do sistema escolar na perseguição
2.2 Negação de oportunidades de emprego e apreensão de bens pessoais

2.3 Sem lugar para viver

2.4 Casas saqueadas

2.5 Extorsão

2.6 Retenção de aposentadoria
2.7 O Estado Orwelliano atual
2.8 Famílias se voltam contra os praticantes 

Capítulo 3: O sofrimento dos filhos dos praticantes do Falun Gong 

3.1 Lavagem cerebral nas crianças
3.2 Mortes prematuras

3.3 Órfãos

3.4 Famílias separadas

3.5 Levados à insanidade

3.6 Violência e brutalidade

3.7 Detenção

3.8 Estupro

Capítulo 4: Métodos de tortura 

4.1 Espancamento 
4.2 Alimentação forçada 

4.3 Posições estressantes

4.4 Bombardeamento sensorial

4.5 Restrição de necessidades básicas

4.6 Choques elétricos

4.7 Afogamentos e sufocamentos

4.8 Confinamento solitário

4.9 Estupro, agressão sexual e humilhação sexual

Capítulo 5: Mortes decorrentes da perseguição

5.1 Autoridades retiram suporte de vida de mulher presa sem o consentimento da família
5.2 Mulher de Liaoning falece 13 dias após sua admissão na prisão

5.3 Mulher de Hebei morreu ao cair tentando escapar de ser presa

5.4 Morte de Jin Shunnu

5.5 Outros casos de morte

Capítulo 6: Lesões físicas e trauma mental

6.1 Consequências de tortura e agressões físicas
6.2 Condições das famílias: em suas próprias palavras

Capítulo 7: Extração de órgãos: um crime sem precedentes

7.1 Disponibilidade abundante de órgãos com curtos períodos de espera, apesar de escassez de fontes legais
7.2 Praticantes do Falun Gong desaparecidos
7.3 Envolvimento dos militares

7.4 Exames de sangue forçados

7.5 Relatos de testemunhas

7.6 Acesso a investigações telefônicas

Capítulo 8: Perseguição estendida para fora da China continental

8.1 Violência e ameaça contra os praticantes no exterior
8.2 Perseguição em outros países e repatriação de praticantes para a China

8.3 Intimidação de oficiais estrangeiros e organizações cívicas

8.4 Censura de meios de comunicação internacionais

8.5 Pressão sobre negócios fora da China

8.6 Infiltração em instituições acadêmicas

8.7 Restrição da liberdade dos praticantes de viajar

8.8 Coerção de praticantes para espionarem para o PCC

Parte 2: Principais perpetradores da perseguição

Capítulo 9: Principais perpetradores

9.1 O papel de Jiang Zemin
9.2 Outros perpetradores principais

Capítulo 10: Organizações líderes da perseguição

10.1 Liderança e recursos compartilhados
10.2 Controle sobre a polícia, o poder judiciário e o sistema penal

10.3 A Agência 610

Capítulo 11: Cúmplices da perseguição

11.1 Autoridades no nível comunitário
11.2 Empresas estrangeiras e organizações de mídia

11.3 Oficiais chineses que ajudaram a implementar a perseguição

Capítulo 12: Mais de 200 mil queixas-crime foram apresentadas contra Jiang Zemin

12.1 Exemplos de queixas-crime contra Jiang Zemin
12.2 Estatísticas resumidas
12.3 Retaliação contra os praticantes

12.4 Aumento do apoio do público

Parte 3: Situação atual do Falun Gong

Capítulo 13: Combatendo a perseguição dentro da China

13.1 Apelos e protestos iniciais
13.2 Falando pessoalmente com as pessoas

13.3 Distribuição de informação e exibição de cartazes e pôsteres

13.4 Escrita de cartas pessoais aos perpetradores

13.5 Divulgação de informações através de telefonemas e internet

Capítulo 14: Aumento da conscientização fora da China

14.1 Protestos em embaixadas e consulados da China
14.2 Manifestações e petições

14.3 SOS Walk e Ride to Freedom
14.4 Aumento da conscientização em eventos comunitários e pontos turísticos

14.5 Exibições internacionais de artes

14.6 Documentários
14.7 Partidos internacionais trabalham para assegurar a libertação dos praticantes na China

Capítulo 15: Novas pessoas descobrem e adotam o Falun Gong apesar da perseguição

15.1 China: relato de uma ex-presidiária sobre seu aprendizado do Falun Gong durante sua detenção
15.2 Escolas tibetanas na Índia dão as boas-vindas ao Falun Dafa
15.3 Indonésia: 500 estudantes de escola secundária e professores aprendem os exercícios do Falun Gong
15.4 Estados Unidos: A jornada espiritual de um desenvolvedor de software
15.5 Turistas chineses vão à procura dos fatos sobre o Falun Gong durante suas viagens no exterior
15.6 Taiwan: o Falun Dafa ajuda novo praticante a recuperar uma vida vibrante
15.7 Seul, Coreia do Sul: novos praticantes compartilham as suas experiências
15.8 Manhattan: Livraria Tianti oferece uma maneira conveniente de aprender o Falun Gong

Capítulo 16: Apoio da comunidade internacional

16.1 Oficiais chineses são processados em outros países
16.2 Ações de governos nacionais
16.3 Ações por organizações não-governamentais
16.4 Resoluções, proclamações e cartas de apoio
16.5 Resposta internacional à extração forçada de órgãos

Apêndices: Três fatos principais sobre a perseguição ao Falun Gong

Apêndice 1: Manifestação pacífica de 25 de abril de 1999

A1.1 Visão geral
A1.2 Fatos resumidos
A1.3 Análises

A farsa da autoimolação na Praça Tiananmen

A2.1 Visão geral
A2.2 Fatos resumidos
A2.3 Análises

Apêndice 3: 1.400 mortes alegadas

A3.1 Visão geral
A3.2 Análise

Sobre o Falun Dafa

Gráficos e fotos

Maio de 1992 a julho de 1999
Julho de 1999 até hoje

Referências


Sobre este relatório

 O Partido Comunista Chinês (PCC) tem uma longa história de demonização de grupos seletos, como as purgas políticas violentas da Revolução Cultural e o massacre na Praça Tiananmen, tratando esses grupos como ameaças ao país e mobilizando a população da China para atacá-los. Dessa maneira, o Partido desvia efetivamente a atenção de sua própria crise.

 No final de 1990, o então líder do PCC, Jiang Zemin voltou seus olhos para a cada vez mais popular disciplina espiritual e de meditação do Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong. O que se seguiu foi uma campanha brutal que levou a milhares de mortes confirmadas, centenas de milhares de casos de tortura documentados e dezenas de milhões de praticantes da meditação pacífica privados de suas liberdades mais básicas. 

 Um grupo de voluntários norte-americanos lançou o Minghui.org, em 25 de junho de 1999, pouco antes do início oficial da repressão na China, em 20 de julho. Desde então, o Minghui, com o corajoso e altruísta suporte dos praticantes do Falun Gong na China, relatou um massivo volume de informações em primeira-mão sobre a campanha de repressão violenta, apresentou os esforços mundiais dos praticantes para combater a perseguição e forneceu uma plataforma para a comunidade de cultivadores do Falun Gong compartilharem experiências e materiais informativos. 

 Durante os últimos 20 anos, o Minghui também publicou mais de dez periódicos. Todas as sextas-feiras, os praticantes na China que se voluntariam nos “locais de produção de material” baixam, imprimem e distribuem esses materiais em suas áreas locais. As publicações do Minghui ajudam os praticantes na China a aprender como proteger os seus direitos, progredir no autocultivo e combater a perseguição. Essas revistas, livretos e programas de vídeo e de rádio também permitem aos praticantes ajudar os seus vizinhos e amigos a entenderem melhor o Falun Gong.

 Apesar da censura da internet imposta pelo PCC e da esmagadora propaganda que ataca o Falun Gong, as pessoas na China ainda podem ter acesso a informações confiáveis, completas e atualizadas sobre o Falun Gong graças à perseverança dos praticantes, mesmo estando sob risco de perseguição. Entre aqueles que passaram a entender que “o Falun Dafa é bom” e se identificam com os seus princípios Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍), alguns começaram a praticar o Falun Gong. Outros ganharam melhora da saúde e das relações com a família.

 Ao publicar diariamente notícias sobre o Falun Gong e compartilhar experiências, produzir programas de rádio e organizar uma conferência anual on-line para todos os praticantes na China, a plataforma gratuita do Minghui permite aos praticantes inspirarem-se mutuamente para continuamente elevar o seu caráter moral e caminhar em direção à perfeição espiritual.

 Com a crescente rede de voluntários na China, o Minghui tem sido a única organização de mídia no mundo que pode superar a censura on-line para divulgar informações em primeira mão em meio à contínua perseguição. Até o momento, o Minghui construiu um banco de dados com mais de 112 mil casos de perseguição e 105.500 perpetradores. Sem nenhum financiamento externo e dependendo inteiramente da dedicação e da contribuição de voluntários em termos de tempo, conhecimento e experiência ao longo dos anos, o Minghui estabeleceu-se como a fonte oficial de informação do Falun Gong.

 A campanha do PCC para erradicar o Falun Gong falhou fundamentalmente e os perpetradores serão responsabilizados. Apesar de sua crueldade e complexidade sem precedentes, a perseguição provou ser inútil desde o início e no final trará o colapso do próprio PCC. A minuciosa documentação do Minghui sobre a perseguição em tempo real, permite que a comunidade internacional responda de forma oportuna para diminuir e finalmente acabar com essa atrocidade. Como 2019 marcou o 20º ano dos esforços dos praticantes para combater a perseguição, nós apresentamos este relatório, de marco histórico, para ajudar os tomadores de decisão a melhor reconhecerem as violações dos direitos humanos cometidas contra os praticantes do Falun Gong e encontrarem maneiras de apoiar os princípios universais Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍).

Sumário executivo

 O Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong, é uma antiga prática de meditação e disciplina espiritual baseada nos valores universais Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍). Ensinado pela primeira vez em 1992 pelo Sr. Li Hongzhi, o Falun Gong tornou-se popular na China em apenas alguns anos, após seus praticantes haverem experimentado melhoras profundas em sua saúde e bem-estar e o terem difundido aos seus amigos e familiares.

 Embora o governo chinês tenha inicialmente promovido o Falun Gong por muitas das mesmas razões, o medo e a desconfiança começaram a se instalar nos níveis mais altos do Partido Comunista Chinês alguns anos depois. Tanto a crescente popularidade do Falun Gong como os seus valores morais foram considerados incompatíveis com os da doutrina de violência e luta do Partido e, portanto, foram entendidos como potenciais ameaças ao regime autoritário.

Repressão violenta construída sobre incitação de ódio

 Em 1996, a mídia controlada pelo Estado começou a atacar o Falun Gong através de campanhas coordenadas. Locais de prática de exercícios do Falun Gong, em parques públicos ao redor do país, totalmente lotados com pessoas tranquilas em meio a uma música serena, começaram a ser vigiados por agentes do governo e policiais à paisana. A publicação dos livros do Falun Gong – best-sellers nacionais na época – foi banida de repente.

 Em abril de 1999, praticantes do Falun Gong reuniram-se do lado de fora do escritório de uma revista para conversar sobre os erros em um artigo recentemente publicado que atacava o Falun Gong.

 Eles foram agredidos e presos. Depois das autoridades dizerem aos praticantes do Falun Gong que apelassem ao governo central em Pequim para que fossem libertados, cerca de 10 mil praticantes ficaram em silêncio do lado de fora do escritório de apelação nacional, conforme instruído. As suas preocupações foram atendidas naquela noite, depois de uma conversa com o então primeiro ministro Zhu Rongji. Esse evento ficou conhecido como o “Apelo de 25 de abril” (explicado com mais detalhes noApêndice 1).

 No entanto, a liderança do Partido, mais tarde, caracterizou o apelo pacífico como um “cerco” ao complexo do governo central e utilizou-o para justificar o lançamento de uma campanha nacional para erradicar o Falun Gong, em 20 de julho de 1999. Coordenadores voluntários de locais de prática dos exercícios foram presos durante a noite, enquanto outros foram levados sob custódia nos dias seguintes.

 Para solicitar ao governo o direito constitucional de praticar a sua fé, os praticantes viajaram às centenas de milhares para Pequim, para se reunirem no escritório de apelação nacional e levantarem faixas na Praça Tiananmen, mas foram presos em massa. Aqueles que revelaram suas identidades foram entregues às autoridades locais de suas cidades natais. Alguns recusaram-se a fazer isso para proteger suas famílias e colegas da política implicatória do PCC, e muitos desses praticantes foram transferidos para outros lugares e, desde então, encontram-se desaparecidos.

 Uma sofisticada campanha de propaganda logo se seguiu, quando a mídia controlada pelo Estado divulgou falsas alegações de que a prática do Falun Gong havia levado a 1.400 mortes. Como o apoio público para a repressão foi inicialmente fraco, o regime, mais tarde, realizou uma encenação na Praça Tiananmen, na qual várias pessoas que diziam ser praticantes do Falun Gong atearam fogo em si mesmas. Embora o evento da “autoimolação” tenha sido rapidamente desmascarado como uma farsa, o dano havia sido causado: a partir daí, grande parte da população chinesa colocou-se firmemente contra o Falun Gong e aceitou tacitamente a repressão violenta do Partido Comunista Chinês contra o grupo.

Campanha de “transformação” através da tortura

 A essência da perseguição ao Falun Gong gira em torno de uma campanha de “transformação”, ou seja, força os praticantes a renunciar à sua crença. Os métodos variam de uma gentil persuasão, à lavagem cerebral sistemática e à tortura física e psicológica. Aos praticantes que concordam em escrever “declarações de garantia” para renunciar ao Falun Gong, então lhes são oferecidas libertações antecipadas, embora muitos sejam obrigados a participar na transformação de outros praticantes.

 Essa campanha é coordenada por Jiang Zemin através da Agência 610, um órgão extralegal criado pela liderança central do Partido Comunista Chinês especificamente para erradicar o Falun Gong. Para realizar essa tarefa, a Agência 610 recebeu o controle sobre o judiciário, o executivo, o sistema penal e outras autoridades em todos os níveis de governo.

 Os praticantes do Falun Gong em toda a China são sistematicamente perseguidos, presos e levados a centros de lavagem cerebral (conhecidos oficialmente como “centros de educação legal”), prisões negras ( blackjails ou prisões ilegais), campos de trabalho forçado (até serem fechados em 2013), prisões, centros de detenção, instalações de reabilitação de drogas e hospitais psiquiátricos. Enquanto estão sob custódia, são rotineiramente assediados e torturados por guardas e presos que são instigados para tal pelas autoridades. Métodos comuns de tortura incluem espancamento, alimentação forçada, restrição física em posições excruciantes, bombardeio sensorial, choques elétricos, afogamento simulado e asfixia, confinamento solitário e agressão sexual. Além disso, os praticantes são frequentemente privados de necessidades básicas, incluindo o sono, a alimentação, a água e o acesso ao banheiro.

 A morte de mais de 4.300 praticantes foi confirmada como resultado da perseguição. Muitos mais praticantes foram mortos para abastecer a indústria de transplantes de órgãos da China. Muitos sobreviventes de tortura ficam com lesões permanentes, deficiências, paralisia, trauma mental e, nos casos mais extremos, insanidade. As famílias dos praticantes foram dilaceradas, devido ao constante medo das autoridades que continuam a assediar pais, filhos e parentes dos praticantes.

 Além de sofrerem danos físicos, aos praticantes também são negados emprego, educação, moradia e segurança econômica. Enfrentam rotineiramente multas e extorsão da polícia, bem como a suspensão das suas aposentadorias. Muitos foram demitidos dos seus empregos ou expulsos das suas escolas simplesmente por causa de sua crença. Essa discriminação também foi estendida aos seus familiares: em algumas áreas, as autoridades ameaçaram abertamente a educação e a carreira dos filhos dos praticantes para forçá-los a renunciar à sua fé. 

 A perseguição tem sido estendida a todas as crianças na China.Começando na escola primária, os alunos são doutrinados com propaganda contra o Falun Gong em seus livros didáticos e também com atividades de denúncia obrigatória. Alguns filhos de praticantes morreram jovens após serem separados à força dos pais, e alguns foram agredidos ou mesmo torturados até à morte pelas autoridades por praticar o Falun Gong. Alguns ficaram órfãos depois de perderem os seus pais na perseguição e outros foram levados à loucura depois de serem forçados a ver os seus pais sendo torturados.

 Tendo em vista que a perseguição contra os praticantes do Falun Gong por causa de sua crença não tem base legal, os procedimentos legais são contornados ou abertamente violados a cada passo, desde a detenção até a prisão. A polícia saqueia as casas dos praticantes sem mandados de busca. Os tribunais realizam julgamentos de fachada e proferem sentenças predeterminadas, enquanto negam aos advogados acesso aos arquivos do caso, reunir-se com os seus clientes, e a defesa no julgamento. Os advogados rotineiramente enfrentam intimidações e até agressões e torturas por defenderem os direitos dos praticantes do Falun Gong. Mesmo depois de cumprirem sua sentença na prisão, alguns praticantes são levados diretamente para um centro de lavagem cerebral para sofrerem mais abusos, em vez de serem libertados.

 O regime comunista chinês também estendeu a sua campanha de perseguição para fora da China continental. Tem realizado e instigado táticas físicas contra os praticantes do Falun Gong que trabalham para aumentar a conscientização sobre a perseguição. O regime também pressionou governos e forças policiais estrangeiras para ilegalmente obstruir, prender ou negar a entrada de manifestantes do Falun Gong enquanto as autoridades chinesas estão em visita no exterior. Organizações e indivíduos ligados ao PCC também assediam os praticantes e intimidam turistas chineses para evitar que saibam sobre a perseguição.

O Falun Gong ganha apoio e novos praticantes apesar da perseguição

 Para resistirem à perseguição e aumentar a conscientização sobre sua brutalidade, apesar da censura e da vigilância, os praticantes do Falun Gong na China têm trabalhado incansavelmente para informar o público pessoalmente, distribuindo panfletos e outros informativos, exibindo cartazes em áreas públicas, escrevendo cartas para funcionários, fazendo ligações telefônicas e enviando mensagens on-line.

 São particularmente notáveis os pequenos, mas onipresentes, locais de produção de material que os praticantes criaram em suas casas para produzir materiais informativos para o público, usando designs baixados do site Minghui.org.

 Os praticantes de fora da China complementaram estes esforços fazendo telefonemas para dissuadir os perpetradores envolvidos na perseguição na China, produzindo softwares para romper a censura e permitir que as pessoas na China tenham acesso livre às informações, e montando cabines informativas em destinos turísticos ao redor do mundo. Além de encontrar os praticantes reunidos em eventos comunitários, o público conheceu o Falun Gong através de exposições de arte e documentários sobre o assunto.

 Organizações de direitos humanos, funcionários públicos e órgãos legislativos ao redor do mundo também se manifestaram e aprovaram resoluções para pedir o fim da perseguição na China. Tribunais na Espanha e na Argentina indiciaram altos funcionários do PCC por tortura e genocídio. O Departamento de Estado dos EUA e a Comissão Executiva do Congresso dos EUA sobre a China destacaram a perseguição ao Falun Gong em seus relatórios anuais e apelaram para o fim da perseguição.

 Devido a esses esforços combinados, muitos cidadãos chineses começaram a educar-se e adotar uma perspectiva renovada sobre o Falun Gong. Alguns policiais e oficiais do governo na China deixaram de participar na perseguição e até mesmo começaram a proteger os praticantes ao seu redor. O número de prisões e sentenças impostas aos praticantes na China tem diminuído nos últimos anos. A proibição da publicação dos livros do Falun Gong foi discretamente removida em 2011, embora os praticantes na China tenham impresso os seus próprios livros durante toda a perseguição para atender à demanda. No entanto, a política geral de perseguição do regime e a maquinaria implementada em 1999 continuam a operar.

 Quando o ex-líder do Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin, lançou a perseguição, ele jurou “aniquilar” o Falun Gong em três meses. Entretanto, a prática espiritual só continuou a crescer ao longo dos últimos 20 anos. Os praticantes na China têm persistido em sua fé, apesar da pressão e da tortura, e muitos que foram forçados a assinar renúncias na prisão, mais tarde, quando foram libertados recusaram-se a reconhecer a validade de suas declarações quando foram libertados. Um fluxo constante de recém-chegados começou a praticar o Falun Gong através de oficinas de instrução e também de estudo autodidata. Hoje, as pessoas praticam o Falun Gong em mais de 80 países e os livros da prática já foram traduzidos para mais de 40 idiomas.

Líderes internacionais tomam medidas

 Muitos processos recentes focaram-se em responsabilizar os perpetradores da perseguição. Desde 2015, mais de 200.000 praticantes do Falun Gong apresentaram queixas-crime contra Jiang Zemin junto ao Supremo Tribunal da China; petições para levar Jiang Zemin à justiça têm recolhido milhões de assinaturas.

 Em 2019, o governo dos Estados Unidos anunciou um controle mais rigoroso dos vistos para aqueles que violam os direitos humanos, incluindo oficiais chineses que participaram na perseguição ao Falun Gong. O Minghui.org começou a compilar informações sobre tais criminosos, incluindo as suas identidades, membros da família e bens, para serem submetidas ao governo dos Estados Unidos.

 Na Segunda Reunião Ministerial para Avanço da Liberdade Religiosa realizada pelo Departamento de Estado dos EUA de 16 a 18 de julho de 2019, os atuais e ex-legisladores discutiram as violações dos direitos humanos na China, inclusive como as empresas ocidentais trabalham com o regime chinês para desenvolver tecnologias usadas na repressão a grupos religiosos, tais como a tecnologia de vigilância em massa e a inteligência artificial. O presidente Trump reuniu-se com sobreviventes de perseguição religiosa, incluindo uma praticante do Falun Gong cujo marido permanece preso na China.

 Em 20 de julho de 2019, que marcou o 20º ano da perseguição, a Comissão Executiva do Congresso dos EUA sobre a China emitiu uma declaração exortando o Partido Comunista Chinês a parar com os “terríveis e inaceitáveis abusos dos direitos humanos” que tem cometido contra os praticantes do Falun Gong. Além disso, 22 senadores e representantes dos EUA enviaram cartas elogiando os esforços dos praticantes durante as duas últimas décadas. O Escritório Federal de Relações Exteriores da Alemanha também emitiu uma declaração pedindo o fim da perseguição e solicitando investigações independentes sobre a extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong executada pelo regime.

Introdução

A política genocida de Jiang Zemin

 Em 20 de julho de 1999, o ex-secretário geral do PCC, Jiang Zemin, lançou a perseguição ao Falun Gong para “aniquilar o Falun Gong em três meses”. Ele emitiu uma ordem para “arruinar suas reputações, levá-los à falência financeira e destruir seus corpos físicos”.

 Os praticantes do Falun Gong na China não só têm negados os seus direitos constitucionais à liberdade de crença, de expressão e de reunião, como também à moradia, ao emprego, à educação e ao direito à vida. Assim que alguém é reconhecido como praticante do Falun Gong, perde sua posição na sociedade e sua vida e propriedades são comprometidas. Os praticantes do Falun Gong estão sujeitos a detenções arbitrárias, extorsão, confisco de propriedade, expulsão do trabalho ou da escola, negação de aposentadorias, saques às suas casas, falta de acesso a serviços públicos. Muitos têm sido detidos e torturados em prisões, campos de trabalho forçado, centros de lavagem cerebral, centros de detenção, centros de reabilitação de drogas, ou hospitais psiquiátricos, resultando em morte, incapacidade ou desordem mental. Alguns praticantes também foram estuprados ou agredidos sexualmente sob custódia.

 Nas duas últimas décadas, Jiang Zemin e sua gangue têm instigado ódio contra os praticantes do Falun Gong, difamando-os e intimidando-os através de subornos e infiltrando-se no público em geral. O PCC tem uma história quase centenária de escolher um grupo para perseguir a cada dez anos, em média, para aliviar as suas próprias crises e paranoias. Jiang Zemin seguiu o mesmo roteiro e começou rotulando o Falun Gong como um “culto maligno” para justificar a perseguição. Esse rótulo não é factual ou legalmente apoiado. No entanto, a campanha do PCC tornou os praticantes do Falun Gong o grupo mais oprimido da sociedade chinesa.

Visão geral da perseguição

  De acordo com as informações coletadas pelo Minghui.org, entre 20 de julho de 1999 e 10 de julho de 2019, houve pelo menos 2,5 milhões a 3 milhões de prisões de praticantes do Falun Gong (alguns já foram presos várias vezes).

 Essas prisões encaixam-se em quatro categorias: 1) detenção administrativa, baseada na Lei de Punição da Administração de Segurança Pública da República Popular da China; 2) detenção ilegal em centros de lavagem cerebral, que são geralmente rotulados como “centros de educação legal” e concebidos para conduzir uma “reforma de pensamento” dos praticantes do Falun Gong; 3) detenção em campos de trabalho, agora extintos; 4) detenção criminal baseada na Lei do Processo Penal da República Popular da China.

 Além disso, mais dez milhões de praticantes anônimos do Falun Gong foram presos por apelarem pelas suas crenças e levados para campos de concentração secretos, onde se tornaram cobaias em pesquisas científicas do PCC e fontes de doações involuntárias de órgãos. Um número desconhecido morreu e os seus corpos foram cremados sem o conhecimento das suas famílias.

 Esses praticantes são anônimos porque recusaram-se a revelar as suas identidades enquanto presos para protegerem as suas famílias, os seus vizinhos ou seus empregadores. Não temos informações sobre esses praticantes; por isso, os fatos de qualquer perseguição a que tenham sido submetidos não estão no nosso resumo das violações dos direitos humanos. Confiamos que quando o genocídio chegar ao fim, mais chineses irão dar um passo à frente para testemunhar contra o PCC. Também trabalhamos para coletar e compilar casos de praticantes do Falun Gong que foram submetidos à extração de órgãos e testes clínicos em humanos.

 A perseguição ao Falun Gong é feita pelo Partido Comunista Chinês, pelo governo, pelos militares, pelo sistema de saúde, pelo executivo, pela procuradoria (um órgão estatal para supervisão e acusação legal) e pelo judiciário, trabalhando juntos. A fim de proteger os seus interesses particulares, cada uma dessas entidades tenta encobrir os seus crimes e censurar a informação. Portanto, a informação que o Minghui.org é capaz de recolher é apenas a ponta do iceberg. Mesmo assim, o Minghui.org tem conseguido coletar uma grande quantidade de dados em primeira mão ao longo dos últimos 20 anos. Devido a limitações de espaço, este relatório cobre apenas uma pequena parte da vasta coleção de casos de perseguição contidos no site.

 Os casos cobertos por este relatório indicam que a perseguição ao Falun Gong é nacional e cobre tanto áreas urbanas quanto rurais. Os praticantes têm sido perseguidos em cada uma das 31 províncias da China e cidades controladas centralmente, incluindo Anhui, Pequim, Chongqing, Fujian, Gansu, Guangdong, Guangxi, Guizhou, Hainan, Hebei, Heilongjiang, Henan, Hubei, Hunan, Mongólia interior, Jiangsu, Jiangxi, Jilin, Liaoning, Ningxia, Qinghai, Shaanxi, Shandong, Shanxi, Sichuan, Tianjin, Tibete, Xangai, Xinjiang, Yunnan e Zhejiang.

 As vítimas da perseguição são de todas as classes sociais, incluindo funcionários do governo, militares, policiais, juízes, promotores, advogados, professores, estudantes, empreendedores, engenheiros, artistas, profissionais da saúde, gestores de empresas, analistas, funcionários de serviços, domésticas, agricultores, aposentados, autônomos, desempregados, monges budistas e taoístas.

 Eles trabalham em educação, ciências, governo, agricultura, silvicultura e pecuária, hardware, iluminação, cerâmica, plásticos, artesanato, têxteis, transporte, finanças, seguros, serviços públicos, automóveis, aço, eletrônica, alimentos e bebidas, correios, mídia, aviação, militar, energia, minas, entretenimento, literatura e arte.

 As vítimas também incluem pessoas de todas as idades e sexos, desde bebês até idosos na faixa dos 90 anos. Mulheres grávidas e os deficientes tampouco foram poupados. Dos relatos coletados, o Minghui.org resumiu mais de 100 métodos de tortura usados nos praticantes do Falun Gong, incluindo espancamento, choques com bastões elétricos, alimentação forçada, privação de sono, pendurar os praticantes em diferentes posturas, fome, proibição de acesso ao banheiro, aborto forçado, serem queimados e escaldados com água quente, com ferros ou com óleo quente, arrastamento, agressão sexual, açoitamento, trabalho forçado e regime em prisão solitária.

 A perseguição causou uma tremenda perda de vidas. Em 10 de setembro de 2019, o Minghui.org confirmou 4.343 casos de praticantes perseguidos até a morte. Isso é muito menos do que o número de mortes reais, já que muitos casos – especialmente aqueles concernentes à extração de órgãos feita em vivos – têm permanecido ocultos. Os corpos de muitos praticantes falecidos também foram cremados à força para destruir provas. 

 O Minghui.org também confirmou que até 10 de julho de 2019, pelo menos 86.050 praticantes foram presos em algum momento; 28.143 passaram períodos em campos de trabalho forçado; 17.963 foram condenados à prisão; 18.838 foram levados a centros de lavagem cerebral; e 809 foram internados em hospitais psiquiátricos. Também foram documentados 519.040 casos de tortura. Um número não contabilizado de praticantes sofreu discriminação, rescisão de contrato de trabalho, perda de rendimentos, trauma mental, teve a família desfeita, ferimentos, incapacidade ou morte durante as duas últimas décadas de perseguição.

Parte 1: Perseguição ao Falun Gong

Destaques principais

 Os praticantes do Falun Gong têm sido sistematicamente mantidos em prisões, centros de lavagem cerebral, campos de trabalho forçado, hospitais psiquiátricos e outras instalações de detenção por se negarem a desistir da sua fé.

 Enquanto encarcerados, os praticantes são submetidos a lavagem cerebral, trabalho forçado e tortura. O automatismo do sistema judicial da China aplica sentenças predeterminadas, embora a prática do Falun Gong não viole lei alguma. 

 Fora da prisão, aos praticantes são negados emprego, educação, moradia e segurança econômica, somente por causa de sua fé. As autoridades extorquíram dinheiro dos praticantes, suspenderam suas aposentadorias e confiscaram seus bens à vontade. Os praticantes também tiveram negados cartões de identidade e passaportes, e eles são constantemente controlados através de reconhecimento facial, telecomunicações e outras tecnologias de vigilância. 

 São negados aos filhos dos praticantes a educação, o emprego e o cuidado dos pais. Alguns ficaram órfãos, foram agredidos por policiais, ou enlouqueceram depois de serem obrigados a ver os pais sendo torturados. Campanhas de lavagem cerebral foram estendidas às suas atividades e livros escolares obrigatórios, incitam o ódio contra o Falun Gong em toda uma geração.

 A tortura de praticantes levou a mais de 4.300 mortes confirmadas e incontáveis vidas marcadas por lesões, incapacidades, doenças mentais e traumas.

 Métodos comuns incluem espancamentos, alimentação forçada, constrangimento de vítimas em posições excruciantes, bombardeio sensorial, restrição de necessidades básicas, choques elétricos, afogamento e sufocamento, confinamento solitário de longo prazo e tortura sexual.

 O regime chinês tem estendido a perseguição para fora da China continental, através das embaixadas e organizações ligadas a ele para interromper os esforços de conscientização sobre a perseguição, realizados pelos praticantes ao público ao redor do mundo. O PCC instigou a violência contra os praticantes nas ruas, recrutou informantes para espionar os praticantes e pressionou governos estrangeiros para restringir ilegalmente o direito dos praticantes de se manifestarem pacificamente durante as visitas das autoridades chinesas.

Capítulo 1: Instalações de detenção

 O regime comunista chinês tem usado prisões, campos de trabalho, centros de lavagem cerebral e outras instalações para deter praticantes do Falun Gong desde que lançou sua campanha em todo o país contra o Falun Gong em julho de 1999.

 O sistema prisional formal é usado para encarcerar os praticantes do Falun Gong, que são condenados por manter a sua fé após o julgamento. Havia 681 prisões em toda a China em 2012, de acordo com um relatório do Ministério da Justiça da China. Vale a pena notar que o sistema judicial chinês tem servido como um autômato na perseguição ao Falun Gong, isto é, apenas aprova os processos para realizar julgamentos de fachada antes de proferir sentenças predeterminadas.

 O agora extinto sistema de campos de trabalho forçado permitiu que as autoridades detivessem os praticantes por até quatro anos sem julgamento. Em um relatório de 2009 do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a delegação chinesa descreveu seu sistema de reeducação através do trabalho como “semelhante ao de serviços correcionais em outros países” que eram “aplicados a pessoas que cometeram crimes que não justificam sentença criminal”. O relatório estimou que havia 320 campos de trabalho com 190.000 pessoas em todo o país.

 Como os campos de trabalho estavam, de fato, acostumados a deter prisioneiros de consciência que não haviam cometido crime algum, o regime chinês enfrentou pressão crescente da comunidade internacional e fechou esse sistema no final de 2013. No entanto, a detenção de praticantes do Falun Gong não parou, pois o regime intensificou, desde então, o uso de centros de lavagem cerebral extrajudicial.

1.1 Centros de lavagem cerebral1

 Para sermos mais precisos, nenhuma unidade de detenção na China é explicitamente rotulada como centro de lavagem cerebral; pelo contrário, são oficialmente chamadas de “centros de educação legal” ou “centros de reabilitação de drogas”. Ao contrário dos campos de trabalho forçado (um sistema de punição administrativa) e das prisões (um sistema de punição criminal formal), os centros de lavagem cerebral não são legalmente obrigados a seguir nenhum procedimento administrativo ou criminal. A Agência 610, um órgão extralegal estabelecido em 10 de junho de 1999, especificamente para perseguir o Falun Gong, criou centros de lavagem cerebral em 2001 e todas as agências subordinadas em toda a China seguiram o exemplo. 

 Quando a lavagem cerebral falha em abalar a fé dos praticantes do Falun Gong, o PCC recorre à tortura, causando nos praticantes sofrimentos ferimentos físicos irreparáveis e traumas mentais ou tiram suas vidas.

1.1.1 Um ramo extrajudicial do sistema de detenção multitentacular da China

 A lavagem cerebral tem sido uma tática usada há muito tempo pelo PCC em sua tentativa de reformar dissidentes políticos e outros grupos de cidadãos que considera uma ameaça ao seu governo. A perseguição ao Falun Gong tem se centrado na lavagem cerebral de praticantes que vivem baseados nos princípios Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍), em uma tentativa de forçar os praticantes a renunciarem à sua fé. Sob a diretiva da Agência 610, qualquer nível de governo, ou comitê de bairro, empresa ou mesmo escola pode estabelecer centros de lavagem cerebral em qualquer local, até mesmo em hotéis ou residências particulares. Os centros de detenção formais, como delegacias de polícia, centros de detenção, campos de trabalho e prisões, muitas vezes têm seus próprios centros de lavagem cerebral.

 Seja o seu estabelecimento ou o seu funcionamento, esses centros de lavagem cerebral existentes são ilegais. Alguns oficiais afirmam que são um tipo de prisão domiciliar. No entanto, uma prisão domiciliar deve ser aprovada por um tribunal; por outro lado, não é necessário qualquer procedimento legal ou documentação para deter alguém em um centro de lavagem cerebral.

 Além disso, os agentes e guardas nestas instalações têm mais autoridade do que os agentes comuns da lei. Eles podem prender, deter e libertar os praticantes à vontade. Também não há um limite para o tempo que uma pessoa pode permanecer presa. Os responsáveis monitoram de perto as necessidades humanas básicas: falar, comer, dormir e ter acesso a um banheiro, e privam os seus detentos à vontade. Eles podem bater, alimentar à força e dar choques com bastões elétricos nos seus detentos sem repercussões.

 Existem centros de lavagem cerebral em toda a China, em quase todas as cidades e condados e em muitas comunidades. A sua duração vai de dias a anos. Assim, é difícil determinar o número exato de centros de lavagem cerebral e nem há uma contagem oficial. No entanto, o Minghui.org tem coletado dados sobre o número de praticantes enviados aos centros de lavagem cerebral.

 Embora sejam de natureza extrajudicial e extralegal, os centros de lavagem cerebral têm sido consistentemente financiados pelo governo. Muitos agentes da lei, empregadores e comunidades residenciais têm sido incentivados a criar seus próprios centros de lavagem cerebral ou a enviar praticantes para os centros existentes. A enorme rede de centros de lavagem cerebral se tornou um componente crítico do sistema multitentacular do regime chinês para deter os praticantes do Falun Gong. Este capítulo discute a sua escala, severidade e devastação.

1.1.2 Uma rede massiva e bem-fundada

 Uma pesquisa por palavra-chave no Minghui.org de 1999 a 2019 retornou cerca de 65 mil artigos nos quais as palavras “centro de lavagem cerebral” aparecem mais de 210 mil vezes no total. Depois de remover esses centros de lavagem cerebral sem localização exata e consolidar buscas redundantes com nomes variados, estimamos que existem cerca de 3.640 estabelecimentos desse tipo em toda a China.

 Esses centros de lavagem cerebral confirmados estão distribuídos por 30 unidades administrativas de nível provincial, incluindo 26 províncias e quatro municípios controlados centralmente (Pequim, Tianjin, Xangai e Chongqing). A província de Hebei apresentou o maior número de centros de lavagem cerebral (439), seguida por Shandong (383), Hubei (336), Sichuan (301) e Jilin (272). Oito outras unidades administrativas também apresentaram centenas de centros de lavagem cerebral, enquanto 15 unidades possuem dezenas. Qinghai e Ningxia foram as únicas províncias com menos de dez centros de lavagem cerebral relatados.

 O número real pode ser muito maior, dada a natureza secreta destas instalações, a censura e perseguição que persistem na China. Além disso, depois que o sistema de campos de trabalho foi abolido em 2013, muitos praticantes foram redirecionados para prisões e centros de lavagem cerebral, tanto os já existentes como os recém-criados.

 Enquanto os centros de lavagem cerebral são iniciados por diferentes níveis da Agência 610, eles são em grande parte motivados por incentivos financeiros e parcialmente financiados por dinheiro pago pelos empregadores dos praticantes ou extorquidos dos praticantes. O Minghui publicou um relatório oficial em 2014 sobre a escala dos centros de lavagem cerebral:

Estimamos que, nos últimos 15 anos, as taxas cobradas dos empregadores dos detidos totalizaram aproximadamente 3,37 bilhões de yuans. Os incentivos governamentais para cada detento "transformado com sucesso" trouxeram mais 226 milhões de yuans. Isso é em acréscimo às doações do governo, estimadas em 1,18 bilhão de yuans, dedicadas à construção e reforma de instalações de lavagem cerebral.

1.1.3 Táticas utilizadas para destruir a fé dos praticantes

 Enquanto prisões e campos de trabalho existiam antes da perseguição ao Falun Gong, os centros de lavagem cerebral são únicos, pois sua função exclusiva é forçar os praticantes a abandonarem sua crença. Para alcançar esse objetivo, os centros de lavagem cerebral frequentemente empregam as seguintes táticas:

1.1.3(a) Períodos arbitrários de detenção

 Posto que nenhum procedimento legal precisa ser seguido para encarcerar alguém em um centro de lavagem cerebral, os praticantes podem ser detidos simplesmente por não renunciarem à sua fé e mantidos por um período de tempo indefinido.

A Sra. Li Xihui, ex-funcionária da Estação de Rádio Sichuan, foi presa em 2006 e detida no Centro de Lavagem Cerebral de Xinjin, na cidade de Chengdu, província de Sichuan, por sete anos. As autoridades transferiram-na secretamente para o Centro de Lavagem Cerebral Er'ehu, na cidade de Ziyang, em 2013.

 Lá continuaram a tentar realizar uma lavagem cerebral nela. Não ficou claro se ela foi libertada até a edição deste relatório.

 Outra praticante, na província de Guangdong, a Sra. Xie Yu, 32 anos, foi levada a um centro de lavagem cerebral em janeiro de 2019, logo após terminar de cumprir dois anos de prisão por distribuir materiais sobre o Falun Gong. A sua família soube que as autoridades haviam decidido mandá-la para o centro de lavagem cerebral, porque ela ainda se recusava a renunciar à sua fé até o final da sua pena de prisão.

1.1.3(b) Alto grau de sigilo

 A natureza extrajudicial dos centros de lavagem cerebral faz com que suas operações sejam altamente arbitrárias e sigilosas. Por exemplo, depois que o sistema de campos de trabalho foi abolido em 2013, muitos centros de lavagem cerebral na cidade de Wuhan, província de Hubei, removeram todos os sinais e logotipos visíveis em suas instalações para evitar serem descobertos através de investigações. Ocasionalmente, algumas instalações foram fechadas, enquanto novas instalações foram estabelecidas em outros lugares.

 Uma praticante na província de Hubei foi presa em outubro de 2018 por não renunciar à sua fé. Depois que ela foi detida por 15 dias, a polícia levou-a para um hospital psiquiátrico, mantendo-a ali durante cinco dias antes de transferi-la para um centro secreto de lavagem cerebral. Os agentes cobriram-lhe a cabeça com um capuz e amarraram-lhe as mãos durante a transferência para que ela não soubesse para onde estava sendo levada.

 A família soube do seu paradeiro e foi para o centro de lavagem cerebral para tentar vê-la. Antes de se aproximarem da porta, ouviram uma voz automática emitindo um aviso: “Não se aproximem. Os lasers estão sendo ativados”. Os lasers os cercaram de repente em todas as direções. As luzes os seguiram enquanto se moviam, finalmente forçando-os a sair. 

 A família da praticante ouviu então que ela havia sido levada para outro lugar, que descobriram ser uma residência abandonada, sem identificação, nem placa na porta. A porta de metal estava fechada. Ninguém respondeu quando chamaram o nome da praticante.

 A praticante, mais tarde, disse à sua família, depois de ser libertada, que estava no segundo local quando eles foram para lá. O pessoal ficou nervoso quando ouviu a família lá fora e não a deixou fazer um som ou sinal à sua família de que ela estava lá.

1.1.3(c) Administração de drogas desconhecidas

 Além da tortura e do monitoramento 24 horas por dia, a administração forçada de drogas desconhecidas também é comum em centros de lavagem cerebral. O Sr. Xie Deqing, um aposentado saudável, morreu cerca de 20 dias após a sua detenção no Centro de Lavagem Cerebral Xinjin, na cidade de Chengdu, província de Sichuan. Ele estava magro e sofreu de incontinência e dores extremas antes de sua morte. Sua pele estava cinzenta. Esses sintomas são consistentes com os de outros praticantes que receberam drogas desconhecidas. Mais de 100 policiais foram, mais tarde, ordenados a levar o seu corpo da funerária, no meio da noite, para ser cremado.

1.1.3(d) Lavagem cerebral intensiva 

 Além da reclusão física, os praticantes também são forçados a assistir a vídeos de propaganda difamando o Falun Gong e a escrever depois os seus pensamentos. Os seus relatórios escritos são frequentemente analisados por psicólogos, que se aproveitam de quaisquer fraquezas que descobrem para inventar novas estratégias para destruir a sua fé. Muito frequentemente, colegas de trabalho e familiares são chamados para tentar coagir os praticantes a desistirem de sua crença.

 Em centros de lavagem cerebral na cidade de Wuhan, província de Hubei, as autoridades instalaram três câmeras em cada sala. Pedaços de papel que contêm frases difamando o Falun Gong impressas nelas foram afixadas nas mesas, cadeiras e no chão. Com exceção do tempo destinado ao sono, a televisão no quarto mostrava apenas programas difamando o Falun Gong ou outros programas destinados a enfraquecer a força de vontade dos praticantes. Alto-falantes em alto volume transmitem propaganda difamando o Falun Gong e o seu fundador o dia todo.

 Os praticantes são proibidos de praticar os exercícios do Falun Gong e os guardas também estabeleceram restrições rígidas, tais como limitar o tempo para terminar uma refeição, bem como onde e de que maneira eles lavariam a sua louça. Em três dias após haver sido levada ao Centro de Lavagem Cerebral Haikou, em 9 de agosto de 2018, a Sra. Dai Juzhen estava em condição de risco de vida, com pressão arterial alta e o nível de açúcar no sangue elevado.

1.1.3(e) Má representação e engano

 Outro aspecto distintivo dos centros de lavagem cerebral é que eles se representam erroneamente como “centros de educação legal” e se localizam em locais pouco aparentes.

 As autoridades enganam os membros da família que não apoiam o Falun Gong para ajudar a convencer os praticantes a irem a esses centros. Isso aconteceu com a Sra. Tang Xiaoyan na cidade de Guilin, Região Autônoma de Guangxi. A sua família acreditou no que os funcionários da Agência 610 disseram, que o centro era um local de estudo favorável e voluntário, mas, quando a Sra. Tang chegou lá, os funcionários bateram nela, a torturaram e mantiveram uma luz brilhante na frente dos seus olhos o tempo todo, além de privarem-na de sono e de água. Isto levou a Sra. Tang a correr risco de perder a vida em pelo menos duas ocasiões.

1.1.4 Mortes em centros de lavagem cerebral

 O abuso físico e mental nos centros de lavagem cerebral também contribuiu para a morte de praticantes do Falun Gong. Dentre as 3.653 mortes confirmadas de praticantes do Falun Gong entre 1999 e 2014, 746 (20,4%) foram relacionadas à tortura em centros de lavagem cerebral e 367 (10%) das mortes ocorreram em centros de lavagem cerebral.

 A Sra. Xu Huizhu, uma professora aposentada da província de Guangdong, foi presa no final de julho de 2016 e foi levada ao Centro de Lavagem Cerebral Huangpu. Ela morreu em agosto, pouco depois de ter sido libertada.

 Embora não tenhamos dados sobre quantos praticantes foram detidos nos centros de lavagem cerebral, observamos uma correlação muito segura entre o número de centros de lavagem cerebral e o número de mortes em várias regiões.

 Mesmo que não possamos tirar conclusões definitivas sobre como os centros de lavagem cerebral contribuíram para as mortes de praticantes do Falun Gong, essa correlação valida, pelo menos, o papel dos centros de lavagem cerebral na perseguição ao Falun Gong.

1.1.5 Exemplos na província de Hubei: “O que eu digo é a lei”2

 O Sr. Lu Yougen, um praticante do Falun Gong da província de Hubei, testemunhou algo que nunca irá esquecer. Quando outro praticante protestou por ser alimentado à força enquanto estava detido, três guardas o agarraram: um puxou a sua cabeça para trás, outro segurou seus ombros e o terceiro bateu com força em sua mandíbula inferior.

 “Quebrada, a mandíbula do praticante se deslocou e ficou pendurada em um ângulo estranho. Enquanto os guardas o alimentavam à força, o praticante não se movia, como se estivesse morto”, lembrou o Sr. Lu.

 Isso aconteceu em setembro de 2009, em um centro de lavagem cerebral na cidade de Wuhan, província de Hubei. Rotulado como “Centro de Educação Jurídica Hubei”, pelo menos 1.200 praticantes do Falun Gong foram detidos lá desde fevereiro de 2002, sob ordens da Agência 610 da Província Hubei. Por se recusarem a renunciar à sua fé, eles foram sujeitos ao isolamento, mentiras, lavagem cerebral, humilhação, ameaças e tortura.

 Quando o Sr. Zhang Sifeng, do Distrito de Hanyang, foi preso lá, ele apontou que estava sendo detido ilegalmente. Um oficial respondeu-lhe que só se importava com a lavagem cerebral, não com leis. “O que eu digo é a lei!”, gritou o oficial. “Se não acredita nisso, posso tirar-lhe um dos rins agora mesmo!”.

1.1.5(a) Detenção arbitrária e tortura

 Como outros centros de lavagem cerebral, o Centro de Educação Jurídica de Hubei dedica-se a forçar os praticantes a desistirem das suas crenças. O centro tem sido elogiado inúmeras vezes pelo Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos, uma agência governamental que supervisiona a perseguição ao Falun Gong.

 Oficiais na província de Hubei podem prender qualquer praticante na província e detê-lo nessa instalação sem seguirem nenhum procedimento oficial ou fornecerem documentação. Isso inclui os praticantes que acabaram de cumprir suas penas de prisão. Em um caso, um cirurgião estava operando um paciente em um hospital, quando foi preso e levado para o centro.

Mantidos em celas atrás de barras de metal, os praticantes são vigiados 24 horas por dia, sete dias por semana, e sujeitos a lavagem cerebral das 7h às 22h ou até mais tarde, todos os dias. As autoridades confiscam seus relógios para que eles percam a noção do tempo e bloqueiam os sinais dos celulares para desligá-los do mundo exterior. Eles não podem escrever para seus lares, nem ter visitas de familiares. As luzes ficam ligadas, mesmo à noite.

 A Sra. Cui Hai, que trabalhava na Wuhan Chemical Import & Export Co., ficou detida durante 70 dias nas instalações, após a sua prisão em outubro de 2012. “Por causa da tortura, fiquei excessivamente magra e várias vezes a minha mandíbula quase caiu”. O cabelo dela ficou grisalho, ela sofreu perda de memória, todo o seu corpo tremia e seus membros incharam. A Sra. Cui foi, mais tarde, condenada a cinco anos de prisão por causa de sua fé.

 Ela sobreviveu à tortura e ao abuso durante o seu encarceramento, porém faleceu no dia 1º de janeiro de 2018, três semanas após haver sido libertada.

1.1.5(b) Espancado e drogado

 O Sr. Zhang Su, um treinador de tênis de Wuhan, contou como foi maltratado nas instalações de Hubei. “Vários oficiais à paisana aproximaram-se de mim em um local de venda de bilhetes de ônibus perto da minha casa, em maio de 2011. Eles borrifaram algo na minha face para que eu não pudesse respirar, derrubaram-me e algemaram-me. Nunca ninguém me mostrou a sua identidade ou explicou por que fui preso”, escreveu ele.

 Mais tarde naquele dia, o Sr. Zhang foi levado para o Centro de Educação Jurídica de Hubei. Quando protestou contra a lavagem cerebral, os guardas o espancaram, bateram no seu rosto e ameaçaram eletrocutá-lo com bastão elétrico. Isto durou cerca de dois meses; muitas vezes sua pressão sanguínea chegou a 230/120 mmHg.

 Após três meses, o Sr. Zhang notou que o que comia lhe dava diarreia, palpitações e aperto no peito. Isto durou três meses, durante os quais ele desmaiou duas vezes. Quando foi examinado, descobriu-se que tinha problemas cardíacos, cálculos biliares e outros sintomas semelhantes a doenças cardíacas. O médico disse que ele tinha que ser hospitalizado e o Sr. Zhang também pediu que fosse.

 Mas as autoridades desconsideraram as suas preocupações e continuaram as sessões de lavagem cerebral. Jiang Lili, um dos funcionários, disse que não havia necessidade de discutir "leis", já que todos os ramos do sistema de justiça – a polícia, a procuradoria e os tribunais – trabalham em estreita colaboração com o Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos, que supervisiona as Agências 610.

 “O Partido pode te esmagar como uma formiga. Você pode ser executado amanhã e isso seria considerado um suicídio. A sua família só receberá uma caixa de cinzas”, sorriu Jiang. “Ou, eles podem levar você a um hospital e remover os seus órgãos para salvar outras pessoas – como em Sujiatun. Você será então cremado e a sua família pode não receber as suas cinzas. Não há nada que você possa fazer quanto a isso”.

1.1.5(c) Centros de lavagem cerebral: financiamento e operação

 O Centro de Educação Jurídica de Hubei, também referido como Centro de Lavagem Cerebral Banqiao, foi criado em fevereiro de 2002 pela Agência 610 de Hubei. A primeira lista de detidos estava no documento 2002 - nº6, da Agência 610, emitido pelo então diretor Huang Zhaolin. O centro de lavagem cerebral foi finalmente transferido para a sua localização atual, na Vila Mahu.

 O financiamento para o centro provém tanto do orçamento do governo nacional como da extorsão sofrida pelos habitantes locais, nomeadamente patrões e grupos formados pela vizinhança da vila ou da rua. A alocação do governo é de três milhões de yuans por ano e a extorsão dos locais chega a cerca de 20 mil yuans por pessoa por sessão (cerca de 40 dias). Além dessa “despesa” básica, agentes da Agência 610 também extorquem os salários dos locais através de dois “mentores” que acompanham o praticante a ser submetido a uma lavagem cerebral. Com cerca de 20 salas no centro, isso equivale a cerca de três milhões de yuans por ano, um incentivo lucrativo para os funcionários.

 Como mencionado acima, apesar das instalações serem rotuladas de “educação jurídica”, esses centros enfatizam principalmente a lavagem cerebral por várias razões. Primeiro, a “transformação” de um praticante está ligada a um bônus para os funcionários. Segundo, os funcionários podem relatar os seus “sucessos” aos patrocinadores da Agência 610, para justificar a continuação ou expansão do centro. Terceiro, com mais praticantes sendo “transformados” e fornecendo informações detalhadas sobre as suas atividades, mais praticantes podem ser presos para sustentar o funcionamento dos centros de lavagem cerebral.

1.1.5(d) Pior do que campos de concentração

 Os centros de lavagem cerebral que visam os praticantes do Falun Gong compartilham muitas semelhanças com os campos de concentração da Alemanha nazista e da União Soviética do século XX.

Estado dentro de um Estado: os centros de lavagem cerebral são entidades extrajudiciais sob a direção das Agências 610. Os oficiais não estão vinculados à lei e nenhuma outra agência do governo tem permissão de intervir.

Perda de dignidade: como nas prisões e nos campos de trabalho forçado, os praticantes são frequentemente assediados física e mentalmente. São alimentados à força, recebem medicamentos desconhecidos contra a sua vontade, são privados de sono, do acesso ao banheiro e são humilhados.

Sigilo: os centros de lavagem cerebral operam exclusivamente sob a Agência 610. Os membros da família não podem visitá-los, e os prédios, geralmente, não são identificados, especialmente após a abolição do sistema de campos de trabalho em 2013.

Funcionários: uma vez que os oficiais conseguem forçar alguns praticantes a desistirem das suas crenças, eles obrigam-nos a “transformar” outros praticantes, usando a força, ameaças ou incentivos financeiros.

 Os detidos são frequentemente forçados a cantar canções elogiando o Partido Comunista Chinês. Quando o Sr. Lu Songming, da cidade de Huangshi, recusou-se a ceder, foi forçado a dizer: “Senhor, quero comer comida fornecida pelo Partido”, antes de receber qualquer coisa para comer ou: “Senhor, quero usar o banheiro fornecido pelo Partido”, antes de poder usar o banheiro. Isso também aconteceu com outros praticantes.

1.1.5(e) Abuso sistemático do corpo e da alma

 O Sr. Zhang Weijie foi preso no trabalho em 5 de maio de 2011 e levado ao Centro de Educação Jurídica de Hubei. Um guarda, Deng Qun, informou-o sobre o cronograma do centro de lavagem cerebral: ficar imóvel por um longo tempo, ser espancado, ser privado de comida, ser alimentado à força, ser privado de sono, ser pendurado no alto, ser drogado e receber choques com bastões elétricos. Somente a alimentação forçada acontecia duas vezes ao dia, durante a qual os guardas ficavam inserindo e puxando os tubos de alimentação para dentro e para fora para aumentar a dor. Os praticantes receberam dois baldes de cada vez, o dobro da quantidade que o estômago podia suportar. “Quando a comida líquida voltou e derramou pelo chão, o guarda Hu Gaowei ensopou o jornal e espalhou por todo o meu rosto e cabeça enquanto me batia. A essa altura, todos estavam rindo do espetáculo”, lembrou o Sr. Zhang.

 Quando a sentença da Sra. Wang Yujie terminou no dia 11 de março de 2011 no campo de trabalho, a Agência 610 de Xintao levou-a ao Centro de Educação Jurídica de Hubei. Em dois meses, ela permaneceu frequentemente em transe e mentalmente perturbada. Ela morreu vários meses depois, em 3 de setembro, aos 24 anos.

1.2 Campos de trabalho forçado

 A reeducação através do trabalho começou em 1957 como uma forma de punição para os contrarrevolucionários. Mais tarde, foi expandido para deter pessoas acusadas de pequenos crimes, dissidentes políticos e peticionários. (“Peticionários”, na China, são cidadãos que visitam órgãos de apelação do governo para protestar contra políticas injustas e/ou impopulares). Quando a perseguição ao Falun Gong começou em 1999, a reeducação através do trabalho tornou-se uma forma de punir amplamente os praticantes.

 O sistema de trabalho forçado foi uma punição administrativa executada pela polícia, não pelo sistema judicial. Os períodos de trabalho forçado geralmente variavam de um a três anos, com a possibilidade de uma extensão de um ano. O Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo aboliu a reeducação através do sistema de trabalho em 28 de dezembro de 2013. No entanto, muitos praticantes do Falun Gong, que foram libertados dos campos de trabalho, foram levados diretamente para centros de lavagem cerebral ou condenados à prisão. Além da tortura e outros abusos, o trabalho escravo era uma das principais táticas usadas para enfraquecer a força de vontade dos praticantes do Falun Gong, mesmo quando as autoridades lucravam.

1.2.1 Trabalho escravo viola as leis chinesas e a declaração universal dos direitos humanos 

 O trabalho escravo nos campos de trabalho forçado na China, centros de detenção e prisões violam a Constituição Chinesa e as seguintes leis da República Popular da China (RPC):

 - Constituição da RPC, artigos 17, 35, 42, 43, 44
 - Lei da RPC sobre segurança do trabalho, de 2002
 - Lei da RPC sobre prevenção e cura de doenças profissionais, de 2001
 - Lei dos Sindicatos da RPC de 1992, alterada em 2001 e lei do trabalho da RPC, de 1994
 - Regulamentos sobre proteção do trabalho em locais de trabalho onde artigos tóxicos são usados, de 2002
 - Regulamentos sobre o salário mínimo empresarial, de 1994
 - Regulamentos da RPC que regem a solução de controvérsias trabalhistas nas empresas, de 1993
 - Constituição dos Sindicatos da República Popular da China, de 1998

 Por uma questão de brevidade, listamos apenas os artigos 42 e 43 da Constituição Chinesa:

Artigo 42. Os cidadãos da República Popular da China têm o direito, bem como o dever de trabalhar. Usando vários canais, o Estado cria condições de emprego, fortalece a proteção trabalhista, melhora as condições de trabalho e, com base na expansão de produção, aumenta a remuneração pelo trabalho e os benefícios sociais. O trabalho é o dever glorioso de todo cidadão capaz. Todos os trabalhadores em empresas estatais e em coletivos econômicos urbanos e rurais devem desempenhar suas tarefas com uma atitude condizente com o seu status de mestres do país. O Estado promove a emulação trabalhista socialista, elogia e recompensa os modelos e os trabalhadores avançados. O Estado encoraja os cidadãos a participarem do trabalho voluntário. O Estado fornece a formação profissional necessária aos cidadãos antes deles serem empregados.

Artigo 43. Os trabalhadores da República Popular da China têm o direito de descansar. O Estado expande as instalações para descanso e recuperação dos trabalhadores, e prescreve horas de trabalho e férias para os trabalhadores e funcionários.

 Além disso, o Artigo 4 da Declaração Universal dos Direitos Humanos declara: “Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas”.

 O sistema de trabalho forçado não só viola os direitos humanos básicos dos prisioneiros, como também incentiva a prisão e o sistema de campos de trabalho a perseguir os detentos por causa do enorme lucro em produtos resultantes do trabalho forçado. Além disso, abala a estabilidade do mercado de trabalho e o comércio internacional, quando esses produtos baratos são lançados no mercado internacional.

1.2.2 Pauzinhos “higienizados” expõem as condições dentro dos campos de trabalho3

 Nos pequenos restaurantes de beira de estrada da China, os pauzinhos descartáveis, amplamente utilizados no mundo (semelhantes aos hashi japoneses), são referidos como pauzinhos “higienizados”. Eles também são comumente vistos em restaurantes chineses no exterior. São colocados em um recipiente ou embalados separadamente e rotulados como “higienizado para a sua segurança!”.

 De acordo com uma investigação realizada na China, mais de 80% desses pauzinhos nunca foram higienizados. A concorrência feroz do mercado fez com que fosse impossível cobrir todos os custos, de modo que algumas empresas omitiram o processo de higienização. Outros limpam os pauzinhos com os vapores da queima de enxofre, mesmo sabendo que isso poderia torná-los tóxicos. A fim de minimizar os custos e aumentar o lucro, alguns trabalhos de fabricação são subcontratados a prisões e campos de trabalho forçado, onde não há controle sobre as condições sanitárias.

1.2.2(a) Produção de pauzinhos “higienizados” no Departamento de Educação Trabalhista, na cidade de Pequim

 Há evidências de que o Departamento de Entrega do Departamento de Educação Trabalhista da Cidade de Pequim, um campo de trabalho forçado localizado no condado de Daxing, Pequim, obrigou os presos a trabalhar longas horas para embalar os pauzinhos “higienizados” das 6h às 21h; às vezes o trabalho continua depois da meia-noite.

 Com dezenas de presos espremidos em um pequeno quarto, as embalagens dos pauzinhos eram simplesmente despejadas em uma pilha no chão e os reclusos pisavam nelas com frequência. O trabalho deles era colocar os pauzinhos nos revestimentos de papel rotulados pelo Departamento de Prevenção Sanitária e Epidemiológica, mesmo que não tivessem recebido condições higiênicas. Muitos presos tinham doenças de pele, havia surtos de sarna e alguns eram viciados em drogas ou haviam sido diagnosticados com doenças sexualmente transmissíveis. A renda gerada pelo trabalho forçado contratado era destinada aos bolsos dos guardas nos campos de trabalho.

 O praticante do Falun Gong, Sr. Yu Ming, ex-chefe de um fabricante de roupas na cidade de Liaoyang, província de Liaoning, escreveu4:

No Campo de Trabalho Forçado de Tuanhe, no Distrito de Daxing, em Pequim, o Departamento de Entrega forçou todos a trabalhar de manhã cedo à meia-noite para os guardas obterem lucros. A maior parte do trabalho era embalar “pauzinhos higienizados” descartáveis ou “palitos convenientes” em embalagens de papel. Eram considerados que cumpriam o 'Padrão de Qualidade Sanitária' e vendidos a pequenos restaurantes de beira de estrada. O lucro por uma caixa de pauzinhos é de cerca de 6 yuans. Cada pessoa termina cerca de 3 caixas por dia, e há cerca de 160 pessoas por unidade. Você pode imaginar quanto dinheiro uma unidade pode ganhar por dia para esses guardas.

As “oficinas” eram os dormitórios dos reclusos. Para começar, eram muito lotados e então os pauzinhos eram atirados todos pelo chão. Por vezes, eram atirados em um sanitário aberto. Eles apenas pegavam os pauzinhos e os colocavam na embalagem de papel. Os guardas observavam cuidadosamente a produção dos reclusos, mas estes nunca eram obrigados a lavar as mãos.

A maioria dos presos era de viciados em drogas ou prostitutas, mas não havia exames médicos formais, independentemente de uma pessoa ser portadora de hepatite ou de doenças sexualmente transmissíveis.

Qualquer recluso que ainda respirava era forçado a trabalhar. Mesmo aqueles que tinham sarna por todo o corpo eram forçados a trabalhar e eles seguravam os pauzinhos com as mãos infectadas.

Qualquer pessoa que estivesse atrasada ou não conseguisse completar a cota era espancada pelos guardas e outros presos, forçada a ficar em pé por longos períodos, ou era privada de sono. 

Cada unidade e cada cela estava cheia de piolhos e os reclusos não podiam tomar banhos por longos períodos. Os guardas patrulhavam com bastões elétricos e algemas. Muitos presos nunca ousaram levantar a cabeça para olhar para o céu depois de estarem ali durante meses. 

 O Sr. Gong Chengxi era graduado em administração e gestão no Campus Changping da Universidade de Direito e Política de Pequim. Foi presidente da associação de estudantes e chefe de turma, era considerado um estudante honesto e gentil, com excelente integridade acadêmica. Devido à perseguição ao Falun Gong, foi sumariamente expulso da escola e levado para um campo de trabalho forçado quando não renunciou à sua crença5. Abaixo está o testemunho do Sr. Gong:

A fim de maximizar os lucros do trabalho dos reclusos, o Departamento de Entregas ficou à beira da insanidade. A cota para cada pessoa por dia era de 7,5 mil a mais de 10 mil pares de pauzinhos. Mesmo trabalhando das 6 da manhã até a meia-noite, era impossível cumprir a quota. Além da insuportável dor nas costas, também tivemos que suportar o abuso verbal e espancamentos dos guardas e dos seus ajudantes. Durante o meu mês no Departamento de Entrega, todos os dias era assim. Vários praticantes do Falun Gong idosos, Dao Wanhui, Yang Juhai, Li Xieliang, Chen Jingjian e Jia Lin, trabalharam o mais rápido que podiam, mas não conseguiam terminar a cota, então o chefe da unidade ordenou que eles se sentassem no chão de cimento lá fora para trabalhar durante várias horas sob o clima gelado. Se ainda falhassem em completar a cota, só lhes era permitido dormir 3 a 4 horas por noite.

1.2.2(b) Pauzinhos “higienizados” e palitos de churrasco fabricados no Campo de Trabalho Forçado de Shuangkou, na cidade de Tianjin

 Em uma carta para o Minghui.org, um praticante do Falun Gong que foi detido no Campo de Trabalho Forçado Shuangkou, na cidade de Tianjin, escreveu:

Devido às terríveis condições de vida no campo de trabalho forçado, 90% dos reclusos desenvolveram sarna. Naquela época, as minhas pernas, o meu peito e minhas mãos ficaram infectados. Mesmo assim, fomos forçados a trabalhar.

1.2.2(c) O único padrão sanitário para os pauzinhos fabricados no Campo de Trabalho Forçado de Dalian: não ter cabelo dentro da embalagem 

 O Campo de Trabalho Forçado de Dalian, na cidade de Dalian, província de Liaoning, também fez o mesmo trabalho e exportou pauzinhos para o Japão. Foi dito que o único padrão higiênico era que nenhum cabelo deveria estar na embalagem.

 Além dos pauzinhos, o Campo de Trabalho Forçado de Dalian produziu outros itens de baixo custo, incluindo produtos bordados, flores secas, chapéus tricotados manualmente, capas para celulares, nós de algas, flores de plástico, palitos de picolé, canudos para café, casacos de lã feitos à mão e botões. O Campo de Trabalho Forçado Shibalihe, da cidade de Xuchang, província de Henan, fez perucas, tapeçarias, vasos decorativos e bordados. Os presos eram obrigados a trabalhar longas horas todos os dias. Aqueles que não conseguiam terminar a cota eram torturados.

1.2.3 Mais abusos nos campos de trabalho6

1.2.3(a) Campo de Trabalho da Província de Henan nº 3, especializado em produtos para o cabelo 

 O Campo de Trabalho da Província de Henan nº 3, também conhecido como Campo de Trabalho da Cidade de Xuchang, era onde a maioria dos produtos capilares chineses eram produzidos. Quando o campo de trabalho estava com falta de fundos e estava prestes a ser fechado, muitos praticantes do Falun Gong foram levados e forçados a fazer produtos para cabelo, o que retomou o negócio do campo de trabalho. Qu Shuangcai, diretor do Campo de Trabalho nº 3, perseguiu ativamente os praticantes no Falun Gong e foi favorecido pelos seus superiores. Em maio de 2003, foi transferido para dirigir o Campo de Trabalho Feminino Shibalihe, na cidade de Zhenzhou. Ele assinou imediatamente um contrato com a Henan Rebecca Hair Products, Inc., a 193 quilômetros de distância do campo de trabalho na cidade de Xuchang. Qu também instituiu o uso de camisas de força na tortura de praticantes. Vários meses após a sua chegada, três praticantes do Falun Gong foram torturados até a morte.

1.2.3(b) Higiene terrível no Campo de Trabalho Forçado de Jianxin em Tianjin

 O Campo de Trabalho Forçado de Jianxin em Tianjin foi expandido especialmente para lidar com a perseguição aos praticantes do Falun Gong. Várias centenas foram detidas lá depois de ser estabelecida a Sexta Divisão para Detentas. A maioria das praticantes presas tinha mais de 50 anos; a mais velha tinha 73 anos.

 O campo de trabalho forçou as praticantes a trabalharem de 17 a 18 horas por dia. Se não conseguissem terminar a carga de trabalho que lhes era atribuída, eram privadas de sono; algumas delas até tinham de trabalhar durante à noite sem dormir durante vários dias ou, no máximo, só lhes era permitido dormir durante uma ou duas horas por dia.

 Muitas das praticantes, especialmente as mais velhas, começaram a praticar o Falun Gong, a fim de curar as suas doenças e melhorar a sua saúde. No campo de trabalho, elas foram proibidas de estudar os livros do Falun Gong e praticar os exercícios. Além do trabalho prolongado e exaustivo, foram submetidas a estresse mental e físico intolerável, provocando o desenvolvimento de problemas de saúde.

 As autoridades também forçaram as praticantes do Falun Gong que tinham sarna e cujas mãos escorriam pus para processar produtos alimentícios. Algumas detentas e prostitutas, cujos corpos escorriam pus e tinham doenças sexualmente transmissíveis, eram obrigadas a colher sementes de girassol, embalar chocolates e doces, e embrulhar bandejas de sobremesa e de bolos de lua. Elas fizeram todo esse trabalho em suas camas, uma séria violação das normas de higiene alimentar. Designaram até reclusos com doenças contagiosas para embalar alimentos contendo brinquedos para crianças.

1.2.3(c) Materiais tóxicos produzidos no Campo de Trabalho Forçado de Jiamusi, na província de Heilongjiang

 Para ganhar dinheiro para si mesmos, os guardas do Campo de Trabalho Forçado de Jiamusi, na província de Heilongjiang, assumiram projetos de produção ilegal e forçaram os prisioneiros a realizar o trabalho. Eles usaram um nível inferior de borracha, com níveis de toxicidade que excederam os padrões da indústria para fazer capas de celulares. A saúde dos reclusos que manuseavam estes materiais foi seriamente prejudicada. Por causa do material duro e tóxico, os praticantes do Falun Gong sofreram enormemente e não foram capazes de trabalhar depois de um tempo. Os praticantes que se recusaram a fazer o trabalho foram severamente espancados.

 Os praticantes também foram submetidos a trabalho forçado envolvendo outros materiais cancerígenos. A partir de 8 de março de 2003, todos os reclusos da Brigada nº 9 do Campo de Trabalho de Jiamusi, totalizando mais de 80 pessoas, foram forçados a produzir capas de celulares no campo de trabalho. A fábrica forneceu a matéria-prima e o campo de trabalho forneceu a força de trabalho. A produção anual prevista foi avaliada em três milhões de yuans, isenta de impostos, e ambas as partes obtiveram enormes lucros com este negócio.

 A borracha era de má qualidade e emitia gases irritantes que provocavam uma sensação de asfixia. Os guardas de plantão não suportaram o cheiro e pediram ao gabinete de supervisão técnica para enviar seu pessoal para investigar. Os testes de laboratório revelaram que os níveis de toxinas nas matérias-primas utilizadas estavam muito além dos padrões da indústria e podiam causar câncer. Assim, os guardas usavam grandes máscaras e nunca entraram na área de produção enquanto os praticantes estavam trabalhando. Depois de serem vendidas, essas capas de celulares também prejudicavam os consumidores.

 Em julho de 2002, as autoridades responsáveis pela Brigada nº 7 forçaram os praticantes do Falun Gong a construírem caixas de papel para bolos da lua usando cola tóxica, de cheiro fétido. Muitos praticantes ficaram doentes, com os olhos inflamados e inchados.

1.2.3(d) Marca de roupa de cama é produzida no Campo de Trabalho Forçado nº 1, na província de Shandong

 O Campo de Trabalho Forçado Feminino nº 1, na província de Shandong, trabalhou com várias fábricas para forçar as praticantes do Falun Gong a produzir produtos de cama, processar embalagens de enchimento de plástico e colocar etiquetas com o nome da marca em colchas.

 As praticantes do Falun Gong presas na Divisão Cinco do Campo de Trabalho foram as que mais sofreram. A sua oficina estava localizada no porão do refeitório do campo de trabalho, onde os canos de esgoto funcionavam. A sala era baixa e escura, e a água dos canos cheirava mal e constantemente vazava dentro da sala. Havia também uma dúzia de máquinas de costura, tanto elétricas como manuais, assim como oito mesas de trabalho de 3 metros de comprimento na sala. A saída da sala do porão estava bloqueada para servir como banheiro, que consistia em um penico. Como nenhuma parede separava o banheiro da oficina, o cheiro era sufocante. Quando as praticantes trabalhavam na sala do porão, o barulho das máquinas de costura e das máquinas da cozinha acima era ensurdecedor.

 As praticantes do Falun Gong foram forçadas a trabalhar nesse porão durante 12 a 15 horas todos os dias e foram privadas da luz do dia e de ar fresco, além de terem de suportar ruídos de mais de 200 decibéis. A saúde delas declinou drasticamente e adoeceram de resfriados, dores de cabeça, dores de estômago, problemas gastrointestinais e problemas de audição. Elas frequentemente pediam aos guardas um intervalo de dez minutos ao meio-dia ou à noite, mas os guardas Niu Xuelian e Zhao Jie recusavam-se a permitir um intervalo.

 Os guardas também estenderam o tempo de trabalho das praticantes. Se a cota diária de produção não fosse atingida, os guardas brigavam com as praticantes, deduziam pontos e aumentavam os seus períodos de prisão. O guarda Zhao Jie afirmou: “O governo não pode alimentá-las por nada! Se não fizerem um bom trabalho, serão punidas de outras maneiras! Temos maneiras mais do que suficientes para lidar com vocês!”.

1.2.3(e) Cotas impossíveis de cumprir no Campo de Trabalho Forçado de Heizuizi, na província de Jilin7

 Fazer os praticantes trabalharem demais é uma tática usada pelos funcionários do campo de trabalho para destruí-los física e mentalmente. Foi o caso do Campo de Trabalho Forçado Feminino de Heizuizi em Changchun, província de Jilin. Por exemplo, cada pessoa era obrigada a terminar 500 máscaras por dia, quando era possível fazer apenas cerca de 300. Cada pessoa que processava produtos de artesanato ou pequenas peças de roupa era obrigada a terminar entre 100 e 150 peças por dia. Era impossível terminar. Qualquer praticante que não atendesse à cota inatingível era punida e espancada.

 Além de suportar extremo estresse e trabalho físico, as praticantes eram proibidas de praticar os exercícios do Falun Gong. Muitas delas desenvolveram problemas de saúde, como doenças cardíacas, pressão alta, tosse com sangue e problemas pulmonares. Mesmo quando não conseguiam se levantar, os guardas ainda as obrigavam a ir trabalhar.

1.2.4 Após a abolição dos campos de trabalho, os prisioneiros foram transferidos para instalações secretas8

 Após as atrocidades nos campos de “reeducação através do trabalho” terem vindo à luz ao longo dos anos e captado a atenção de todo o mundo, a China anunciou a abolição do seu sistema de campos de trabalho em 2013.

 Como discutido acima, substituíram os antigos campos de trabalho de décadas por centros de lavagem cerebral mais secretos (rotulados como “centros de educação legal” ou “centros de reabilitação”), que existem fora do quadro judicial chinês. Essas prisões negras têm menos fiscalização e podem ser mais facilmente negadas. Tendo aprendido com a experiência dos campos de trabalho, o regime chinês adotou uma política de não deixar que uma determinada prisão negra fique muito conhecida, para que não se torne um objeto de escrutínio internacional. Quando tal instalação se torna amplamente conhecida, ela desaparece para reaparecer em outro lugar e continuar o a cumprir o seu papel na perseguição ao Falun Gong. Essas prisões negras, novas e antigas, estão lotadas de pessoas que estavam anteriormente nos campos de trabalho, agora fechados9.

 Em março de 2014, quatro advogados de direitos humanos foram espancados e torturados pela polícia por buscarem libertar os praticantes do Falun Gong detidos em uma prisão negra na província de Heilongjiang. O incidente concentrou a atenção internacional no sistema de instalações de lavagem cerebral extralegal do regime chinês. Fiel ao formato, o “Centro de Educação Jurídica da Fazenda Jiansanjiang”10, envolvido no incidente dos advogados em março, foi fechado em 28 de abril. Entretanto, os praticantes do Falun Gong ali detidos continuaram presos sem o devido processo11.

 Além disso, o pessoal responsável pelo Centro de Lavagem Cerebral de Jiansanjiang estabeleceu uma nova instalação em Qiqihar, outra cidade na mesma província. Na verdade, dois dos funcionários responsáveis pelo novo centro de lavagem cerebral em Qiqihar anteriormente ocuparam funções de chefe de divisão e diretor-adjunto no Campo de Trabalho Qiqihar12, agora fechado. A nova instalação, oficialmente chamada de “Centro de Reabilitação de Drogas Qiqihar”, substitui agora Jiansanjiang como o centro de lavagem cerebral de nível provincial em Heilongjiang13.

 Centros temporários de lavagem cerebral também apareceram em locais mais clandestinos. Na província de Jilin, a Agência 610 da cidade de Meihekou montou um centro de lavagem cerebral no Colégio Shuangxing14, onde cerca de dez praticantes foram detidos em 1º de julho de 2014. Um relatório de junho de 2014 descreveu um centro de lavagem cerebral localizado em um hotel na província de Jiangsu15.

 No distrito de Jiangjin em Chongqing, vários centros de lavagem cerebral foram instalados em casas alugadas, incluindo uma localizada no andar térreo de um edifício no Condomínio Jindudingyuan desde 201016

 Como é típico dos centros de lavagem cerebral, cada sala (cela) abriga um praticante e dois “monitores” responsáveis por observar o praticante 24 horas por dia. Esses monitores são normalmente praticantes “transformados” que cooperam com os guardas na transformação de outros praticantes. Além da tortura física e psicológica nos centros de lavagem cerebral, os relatórios afirmam que há regularmente injeções forçadas de drogas psiquiátricas que danificam os nervos, alimentação forçada de alimentos contendo drogas e até mesmo o envolvimento na extração forçada de órgãos de prisioneiros vivos. Esses casos de tortura e experiência psiquiátrica foram corroborados pelo Relatório Anual de 2014, publicado pela Comissão dos Estados Unidos da América sobre Liberdade Religiosa Internacional17

 Enquanto a política central do regime de repressão violenta não mudar, nenhuma quantidade de eufemismos e promessas superficiais pode mascarar as atrocidades que continuam ocorrendo.

1.3 Hospitais psiquiátricos

 Hospitais psiquiátricos têm sido usados de forma extensiva para pressionar os praticantes a renunciarem ao Falun Gong. Por exemplo, hospitais “ankang”, isto é, hospitais psiquiátricos de alta segurança, diretamente administrados pelo Ministério da Segurança Pública Chinês têm sido apontados como lugares de abuso nos relatórios anuais do Departamento de Estado dos EUA (DOS) sobre os direitos humanos na China durante vários anos18.

 O relatório do DOS de 2011 afirma:

Os regulamentos que permitiam aos oficiais de segurança de mandar uma pessoa para uma instalação ankang não eram claros e os detidos não tinham mecanismo de objeção a alegações de doenças mentais fornecidas pelos agentes de segurança. Os pacientes nesses hospitais foram medicados contra a sua vontade e submetidos à força a um tratamento de choque elétrico.

 Em comparação com os abusos documentados em instituições psiquiátricas chinesas, instalações ankang, ironicamente traduzidas como “instalações de paz e saúde [para os doentes mentais]”, não são tão amplamente conhecidas. Elas operam tão secretamente que muitos psiquiatras veteranos, advogados especializados nos direitos dos doentes mentais e professores de psicologia criminal declararam que não sabiam nada sobre tais instalações. Visitas de familiares a praticantes do Falun Gong em instalações ankang são proibidas. Muitos membros da família não sabem o paradeiro dos seus entes queridos, que estão encarcerados em tais hospitais19.

1.3.1 Semelhanças com os campos de trabalho forçado

 Os hospitais ankang são entidades extralegais que operam de uma forma muito semelhante ao antigo sistema de campos de trabalho abolido em 2013. A polícia pode enviar arbitrariamente qualquer pessoa a esses hospitais para um encarceramento ilegal sem o correto processo.

 Na verdade, o departamento administrativo dos hospitais ankang é o mesmo departamento que está encarregado dos centros de detenção. Portanto, a polícia frequentemente faz a movimentação dos praticantes do Falun Gong entre centros de detenção, centros de lavagem cerebral e instalações ankang, sujeitando-os a táticas intensivas de lavagem cerebral em cada instalação. Os praticantes que se recusam a renunciar à sua crença depois de encarcerados nos centros de detenção, campos de trabalho e centros de lavagem cerebral são frequentemente transferidos para os hospitais ankang, para abusos psiquiátricos mais bárbaros.

 O Partido Comunista Chinês frequentemente usa as instalações de saúde mental para torturar dissidentes e ativistas políticos. Embora abusos tenham sido relatados em uma grande variedade de instalações de tratamento de saúde mental na China, apenas hospitais ankang são oficialmente autorizados a manter pacientes contra a sua vontade e restringir a sua liberdade. Essas instalações têm um longo histórico de “manutenção da segurança doméstica” para o regime comunista chinês. Já em janeiro de 1988, o Ministério de Segurança Pública estabeleceu normas para o internamento forçado de pacientes nas instalações ankang.

 Entre as cinco populações visadas, duas foram classificadas como “interferências sérias na ordem pública” e que “perturbam a estabilidade social”. Os praticantes do Falun Gong, dissidentes políticos e cidadãos que ousam protestar contra as políticas do governo são frequentemente marcados com estes rótulos para justificar o seu encarceramento em hospitais ankang.

 Mais hospitais ankang foram estabelecidos depois que a perseguição ao Falun Gong começou em 1999. Em setembro de 2004, o Ministério de Segurança Pública emitiu um aviso público exigindo que as províncias, regiões autônomas e municípios criassem hospitais ankang o mais rápido possível se ainda não os tivessem criado.

1.3.2 Omissão no Código de Saúde Mental permite que pessoas saudáveis sejam confinadas contra sua vontade nos hospitais ankang

 O Código de Saúde Mental foi formalmente implementado na China em 1º de maio de 2013. O código estabelece o princípio da hospitalização voluntária e declara que apenas aqueles com “sintomas graves” e que apresentam um “perigo de prejudicar os outros” podem ser detidos à força em estabelecimentos de saúde mental. No entanto, o código deixa lacunas que não protegem os cidadãos de serem arbitrariamente rotulados como doentes mentais.

 No processo de decidir se uma pessoa representa “perigo de prejudicar outras”, há uma enorme área cinzenta que a polícia e agências governamentais relevantes exploraram na perseguição de praticantes do Falun Gong, dissidentes políticos e peticionários.

 Não há supervisão de terceiros sobre as instalações ankang. Departamentos de polícia, tanto administram hospitais ankang como decidem quem levar para essas instalações. Se um indivíduo é diagnosticado com desordens mentais, quais medicamentos recebe, como são administrados e quando ele é libertado, estão todos sob controle policial.

 Desde a implementação do Código de Saúde Mental, muitos praticantes do Falun Gong continuam detidos em hospitais ankang ou foram recentemente encarcerados em tais instalações.

1.3.3 Abuso de drogas psiquiátricas para torturar praticantes do Falun Gong

 Desde que a perseguição ao Falun Gong começou em 1999, muitos praticantes têm sido falsamente rotulados como mentalmente doentes. Eles são encarcerados em hospitais ankang, onde recebem drogas que danificam seu sistema nervoso central. Além disso, são submetidos a choques elétricos, alimentados à força e são espancados. Todos esses “tratamentos” são atualmente proibidos pela profissão medicina internacional. Muitas vítimas desenvolveram verdadeiras doenças mentais ou morreram por causa do frequente abuso de drogas nos hospitais ankang do PCC. Alguns exemplos são apresentados abaixo:

 A Sra. Liang Zhiqin e outros praticantes do Falun Gong foram levados ao Hospital Ankang de Tangshan em outono de 2000 e receberam injeções com drogas que danificam os nervos. A maioria dos praticantes, mais tarde, relatou que as injeções eram dolorosas e os efeitos colaterais severos persistiam por longo tempo. Os efeitos incluíam desconforto no coração, língua rígida, caminhar muito alterado, nervosismo, pensamentos anormais, olhos sem brilho e perda de memória.

 A Sra. Liang Zhiqin sofreu insuficiência cardíaca e entrou em choque duas vezes após receber injeções com drogas psiquiátricas. Ela tornou-se incapaz de cuidar de si mesma durante os últimos três anos antes de falecer em 2009.

 Outra praticante, a Sra. Li Fengzhen, teve uma grave perda de memória por haver recebido injeções de drogas desconhecidas em um hospital ankang. Ela tornou-se incapaz de cuidar de si mesma e ficou emaciada.

 O praticante Yang Baochun, de Handan, província de Hebei, foi torturado no Campo de Trabalho de Handan em 2002, o que resultou na amputação da sua perna direita. O campo de trabalho enviou-o três vezes para o Hospital Ankang de Handan, onde recebeu injeções com drogas que danificaram seus nervos, durante cinco anos. Quando sua família finalmente o levou para casa, em 2009, ele já havia se tornado um doente mental de verdade.

1.3.4 Abuso psiquiátrico conduz uma jovem à insanidade20

 Uma descoberta terrível ocorreu na manhã de 13 de fevereiro de 2015, em uma vila na cidade de Laiyang, província de Shandong: os aldeões encontraram o corpo de uma mulher com cerca de 30 anos flutuando em um poço. Mais tarde, ela foi identificada como Liu Zhimei.

 Uma estudante brilhante, com grandes sonhos; as aspirações da Srta. Liu foram destruídas quando foi expulsa da Universidade Tsinghua (conhecida como MIT da China) aos 21 anos de idade, porque se recusou a desistir de sua crença no Falun Gong. A Srta. Liu foi presa e passou seis anos na prisão, onde foi repetidamente drogada. Pouco antes da sua libertação em 2008, ela recebeu injeções com uma grande dose de drogas desconhecidas.

 Sua família, mais tarde, suspeitou que isso foi causado pelos psicóticos que ela recebeu durante longo tempo. Ela divagava sem sentido e balançava os braços no ar como se estivesse correndo. À noite ela urinava na cama e dormia no colchão encharcado de urina. Quando perguntavam sua idade, ela ficava em silêncio ou respondia “21”. Para a Srta. Liu, o tempo parecia ter parado aos 21 anos.

 A Srta. Liu faleceu após sete anos da sua libertação da prisão. A jovem era uma das muitas praticantes do Falun Gong da província de Shandong que foi sujeita a abusos psiquiátricos quando estava presa por causa de sua fé.

1.3.4(a) Mais mortes devido a abuso psiquiátrico

Três outros praticantes do Falun Gong da província de Shandong morreram por causa de abuso psiquiátrico.

Caso 1: Su Gang

 Su Gang era da cidade de Zibo e trabalhou como engenheiro de software para a Sinopec Qilu Petrochemical Company. No dia 23 de maio de 2000, com 32 anos, foi levado ao Hospital Psiquiátrico de Weifang.

 O Sr. Su recebeu injeções diárias com drogas e químicas desconhecidas, causando graves danos nervosos. Quando sua família soube de sua detenção e abuso, o seu tio, Su Lianxi, entrou em greve de fome em protesto. Os funcionários do hospital libertaram o jovem para retornar com seu pai.

 No entanto, nove dias recebendo injeções com drogas, já haviam causado o seu efeito. Su Gang parecia sem vida e entorpecido, os olhos dele estavam sem brilho. Ele ficou extremamente fraco, o seu rosto estava pálido e o seu corpo havia enrijecido. Na manhã de 10 de junho, o Sr. Su estava morto.

Caso 2: Xu Guiqin

 Quando a praticante do Falun Gong, Xu Guiqin, de 38 anos, foi libertada da prisão, um médico disse à sua família para observá-la de perto e não deixá-la se movimentar sozinha. Sua vida estava em grave perigo.

 Pouco antes de ser libertada, ela havia recebido injeções com quatro frascos de drogas que danificam os nervos. Por causa disso, o rosto dela inchou e a língua dela enrijeceu. Como não conseguia comer, emagreceu.

 O seu corpo estava dormente e sofreu uma grave perda de memória.
 Em casa, o estado físico e mental da Xu Guiqin piorava a cada dia que passava. Ela morreu nove dias depois, em 10 de dezembro de 2002.

Caso 3: Zhang Dezhen

 Enquanto Zhang Dezhen, de 38 anos, estava no Centro de Detenção de Mengyin, ela recebeu injeções com drogas desconhecidas do membro da equipe, Wang Chunxiao, e de um médico do Hospital Mengyin. Ela acabou em estado crítico. Quando os médicos administraram novamente as drogas desconhecidas nela, em 31 de janeiro de 2003, a Sra. Zhang morreu.

 Os indivíduos envolvidos na sua morte foram Lei Yancheng, da Agência 610 de Mengyin, o chefe do centro de detenção, Sun Kehai, e o médico diretor do hospital, Guo Xingbao.

1.4 Sistema judicial de endosso automático

 Conforme discutido anteriormente, Jiang Zemin deu à Agência 610 poder sobre todo o sistema judicial e executivo. Ele também emitiu uma série de diretrizes secretas contra os praticantes do Falun Gong, incluindo “arruinar as suas reputações, levá-los à falência financeira e destruí-los fisicamente”; “espancá-los até a morte e relatar as mortes como suicídio”; e “cremá-los sem verificar as suas identidades”.

 Devido a isso, nada é considerado excessivo quando se trata dos praticantes do Falun Gong. Sob pressão e diretivas da Agência 610, o sistema judicial faz tudo para colocar os praticantes atrás das grades, apesar da completa falta de fundamentos legais para os vereditos.

 O resultado final é que a polícia não tem reservas quando se trata de prender praticantes, os procuradores não têm dúvidas em apresentar acusações fabricadas contra eles, e os tribunais são cúmplices, aplicando sentenças pesadas predeterminadas.

1.4.1 Preso por realizar uma conferência de imprensa21

 Enquanto as mídias dentro e fora da China repetiam a difamação fabricada pela mídia controlada pelo PCC, cerca de 30 praticantes do Falun Gong organizaram com sucesso uma conferência de imprensa na periferia de Pequim em 28 de outubro de 1999. Eles refutaram as mentiras contadas por Jiang Zemin e forneceram a primeira oportunidade para a mídia internacional entender diretamente os praticantes do Falun Gong na China continental.

 Em 28 de outubro, a Associated Press e a Reuters já haviam espalhado a notícia por todo o mundo. No dia seguinte, o New York Times publicou as fotos e a história desta conferência de imprensa em sua primeira página. Na época, praticantes nos Estados Unidos estavam informando autoridades do governo em Washington D.C. sobre a situação do Falun Gong na China. Quando as autoridades leram essas reportagens, expressaram sua admiração pela coragem dos praticantes na China.

 O South China Morning Post, o jornal inglês mais influente da Ásia, cobriu a conferência de imprensa com fotos grandes que enchiam uma página inteira. Muitos jornais importantes da Europa também deram destaque a essa notícia. Os praticantes que participaram da conferência de imprensa foram todos presos. O Sr. Jiang Zhaohui, então com 36 anos, foi condenado a cinco anos de prisão. A Sra. Ding Yan, então com 31 anos, foi condenada a três anos de prisão. Ela morreu de tortura na Prisão de Chengde em 18 de agosto de 2001. O Sr. Cai Mingtao, então com 27 anos, foi enviado para um centro de lavagem cerebral na província de Hubei, onde foi frequentemente espancado e chutado enquanto algemado. Ele morreu em 5 de outubro de 2000.

1.4.2 Encarcerado por colocar cartazes

 Como todos os canais legais para protestar contra a perseguição foram fechados, os praticantes do Falun Gong aumentaram a conscientização da sua situação imprimindo e distribuindo folhetos e panfletos, assim como colocando faixas e cartazes em locais públicos.

 O Sr. Wang Baoshan, um praticante do Falun Gong da cidade de Tangshan, província de Hebei, foi condenado a cinco anos e meio de prisão e multado em 20 mil yuans depois de ser considerado suspeito de pendurar uma faixa que dizia: “o mundo precisa da Verdade, da Benevolência e da Tolerância (真善忍)”22.

 Ele foi preso no trabalho em 3 de julho de 2017, dias após a faixa haver sido encontrada em um bairro em 29 de junho. A polícia alegou que o homem visto no vídeo de vigilância pendurando a faixa era o Sr. Wang, mas a Procuradoria do Distrito de Fengrun devolveu o caso duas vezes, argumentando provas insuficientes.

 A polícia tentou uma terceira vez e o caso foi atribuído à Procuradoria da Cidade de Zunhua, que apresentou uma acusação contra o Sr. Wang antes de encaminhar o caso para o Tribunal da Cidade de Zunhua.

 O Sr. Wang compareceu em juízo no tribunal em 9 de maio de 2018 e foi condenado em 12 de julho. O veredito notou que, embora a alegação de que o Sr. Wang houvesse pendurado a referida faixa carecesse de provas e fosse inadmissível, os livros, os materiais informativos e impressoras do Falun Gong confiscados da casa do Sr. Wang eram evidências suficientes para condená-lo.

 Embora funcionários do tribunal tenham tentado bloquear o seu recurso, o seu advogado conseguiu apresentar a documentação do recurso em 30 de julho. O advogado entrou em contato com o Tribunal Intermediário de Tangshan inúmeras vezes depois, protestando contra a violação dos procedimentos legais pelo tribunal e solicitando uma audiência aberta no caso de recursos.

 Somente no dia 18 de outubro, o advogado descobriu que o tribunal intermediário havia chegado a uma decisão em 10 de setembro para manter o veredito original sem realizar uma audiência. Quando o advogado foi ao centro de detenção, em 22 de outubro, para visitar o seu cliente, um oficial disse que o Sr. Wang havia sido transferido para a Segunda Prisão de Jidong em 17 de outubro. A esposa do Sr. Wang foi à prisão em 5 de novembro, mas foi autorizada a ver o marido apenas após repetidos pedidos. Um oficial de sobrenome Che gravou a visita em vídeo e disse que futuras visitas seriam canceladas se o Sr. Wang se recusasse a desistir da sua crença. Sua esposa descobriu que o Sr. Wang havia sido forçado a trabalhar em uma unidade de costura durante nove horas por dia. O cheiro penetrante dos tecidos deixou-o doente. 

 O Sr. Wang apresentou queixas contra aqueles que o haviam detido e processado sem base legal. Sua família também enviou cartas para a Suprema Procuradoria Popular. Eles não receberam uma resposta.

1.4.3 Presos durante os Jogos Olímpicos e em outros períodos "sensíveis"23

 A polícia na China frequentemente realiza prisões em massa de praticantes do Falun Gong em períodos "sensíveis", como o Ano Novo Chinês e as principais conferências do Partido Comunista Chinês. Por exemplo, 405 praticantes foram presos em março de 2015, sendo 123 julgados e 81 condenados ilegalmente. A maioria das prisões ocorreram na primeira metade do mês, durante as sessões legislativas do PCC, incluindo o 12º Congresso Nacional Popular (5 a 15 de março) e a 12ª Conferência Consultiva Política Popular Chinesa (3 a 13 de março).

 Em maio de 2008, a polícia, em muitas partes da China, começou a prender secretamente os praticantes do Falun Gong, sob o pretexto da segurança para os Jogos Olímpicos.

 Em 21 de maio de 2008, o Sr. Shao Changpu e a Sra. Fu Lihong foram detidos na cidade de Songyuan. Depois disso, a polícia da cidade de Songyuan revistou a casa do Sr. Shao e prendeu a sua irmã mais nova.

 O Sr. Shao e a Sra. Fu foram detidos no centro de detenção da cidade de Songyuan. Eles recebiam apenas duas refeições por dia e eram forçados a trabalhar sem pagamento. A Sra. Fu ficou emaciada. O Sr. Shao foi condenado a um ano de trabalho forçado e transferido para o Campo de Trabalho Forçado da Heizuizi da Cidade de Changchun.

 Os praticantes Zhu Decai, Wang Yuanzhang, Yan Xianyu, Liu Qing e outros, assim como Chen Lixin (não praticante), também foram presos e levados para o Campo de Trabalho Forçado Yinmahe, na cidade de Jiutai. Os praticantes Liu Shuqin, Gao Mian, Xu Hui, a Sra. Zhang Hongqin, a Sra. Wang Shuqin, a Sra. Mou Guiling e outros, foram detidos no Campo de Trabalho Forçado de Heizuizi, na cidade de Changchun.

 No dia 11 de julho de 2008, depois da meia-noite, os policiais da cidade de Songyuan e do condado de Fuyu foram conduzidos pelos diretores de segurança das vilas para executar outra rodada de prisões e perseguições contra os praticantes do Falun Gong no condado de Fuyu. A Sra. Wang Jinxia da vila de Zhangbao, no município de Caijiagou, foi presa e detida no Centro de Detenção de Fuyu. Li Xiaohui, do município de Sanchahe, foi preso pela polícia da Delegacia da Rua Daoxi e levado para o Centro de Detenção do Condado de Fuyu. Wang Enhui, de Yushugou, conseguiu escapar. A polícia também assediou e prendeu outros no município que haviam praticado o Falun Gong antes.

 Tem sido dito que a polícia implementou as prisões de acordo com listas de praticantes que eles recolheram antes de 1999. Algumas das pessoas das listas haviam parado de praticar ou haviam falecido, mas a polícia assediou as suas famílias e, em alguns casos, levou-as mesmo assim. Wang Cuixiang, de 48 anos, do condado de Zouping, Shandong, foi perseguida antes dos Jogos Olímpicos de Pequim. Ela foi torturada no Campo de Trabalho Forçado de Wangcun até que a sua saúde se deteriorou severamente e ela já não conseguia tomar conta de si mesma. Ela faleceu em novembro de 2010.

1.4.4 Mulher é espancada e fica inconsciente, polícia prende-a em vez do assaltante24

 A Sra. Hang Shizhen foi atacada de surpresa e espancada na noite de 12 de maio de 2019, quando ela estava pendurando faixas com mensagens sobre o Falun Gong. O agressor segurou a Sra. Hang, sentou-se em cima dela, e deu-lhe um murro na cabeça. A cabeça da Sra. Hang ficou coberta de sangue e o rosto dela ficou desfigurado. Ela perdeu quatro dentes da frente e o sangue jorrou pela sua boca. O seu nariz estava quebrado e ela desmaiou.

 Durante a agressão, o assaltante fez uma ligação telefônica. Vários carros da polícia chegaram pouco depois. Em vez de interrogar ou prender o assaltante, eles levaram a Sra. Hang para a Delegacia do Município de Wanquan.

 A polícia tentou transferir a Sra. Hang para o Centro de Detenção de Zhangjiakou no dia seguinte, em 13 de maio de 2019, mas depois que seus exames de saúde acusaram hipertensão e ferimentos graves devido ao espancamento, eles não tiveram escolha a não ser libertá-la. A Sra. Hang sofreu uma fratura no nariz, perda de dentes e lesões nos tecidos moles do rosto e do peito.

1.4.5 Uma delegacia de polícia, várias mortes e incontáveis brutalidades25

 O Sr. Huang Guodong, um praticante do Falun Gong da província de Heilongjiang, faleceu em 31 de outubro de 2017. Vários meses antes da sua morte, ele estava com dificuldade para comer e ir ao banheiro por causa do abuso físico e mental que sofreu enquanto estava detido.

 O Sr. Huang foi detido primeiro na Delegacia de Polícia de Nanshan e depois na Prisão de Mudanjiang. Por causa da sua crença no Falun Gong, foi torturado em ambos os lugares. Na delegacia, os guardas penduraram-no pelos polegares e o espancaram. Depois que desmaiou de dor, eles rasparam as suas costelas com moedas e espetaram palitos na ponta dos seus dedos para acordá-lo. Assim que ele recuperou a consciência, a tortura começou novamente.

 A situação do Sr. Huang não era a única. Muitos outros praticantes também sofreram tremendamente nessa delegacia por praticarem o Falun Gong, incluindo a Sra. Gao Bingrong e o Sr. Cui Cunyi, que perderam as suas vidas devido ao abuso físico e mental. Outros praticantes, como o Sr. Zhao Jun, ficaram incapacitados devido à tortura.

1.4.5(a) Sra. Gao Bingrong: torturada até a desordem mental e a morte

 A Sra. Gao morava no município de Tielinghe, onde fica a Delegacia de Polícia de Nanshan. A prática do Falun Gong melhorou a sua saúde e a sua vida familiar. Em fevereiro de 2001, Miao Qiang, diretor assistente da Delegacia de Polícia de Nanshan, e vários outros policiais a prenderam.

 Seis oficiais espancaram a Sra. Gao das 19h às 1h30 do dia seguinte, causando-lhe ferimentos graves. Miao ordenou à Sra. Gao que xingasse o fundador do Falun Gong e pisasse e rasgasse os livros do Falun Gong. Ao invés de tratar dos ferimentos da Sra. Gao, as autoridades a levaram para o Centro de Detenção de Mudanjiang.

 Quando foi presa no centro de detenção, a Sra. Gao já estava aleijada. O seu rosto e os seus membros estavam inchados, os seus olhos eram fendas estreitas, e havia várias protuberâncias do tamanho de ovos na cabeça. Ela ficava chorando e se defendendo, como se quisesse evitar ser espancada. Os guardas e reclusos tinham que segurá-la sempre que isso acontecia. Ela piorou dia a dia e morreu cerca de um ano após ter sido libertada.

1.4.5(b) Sr. Cui Cunyi: cinco costelas quebradas, um pulmão inteiro comprometido 

 Por causa da perseguição ao Falun Gong, o Sr. Cui Cunyi, de 54 anos, foi forçado a ficar longe de casa para evitar ser preso. “Diga-lhe para voltar que ele vai ficar bem”, disse um polícia local à sua família. Pouco depois do Sr. Cui voltar, a polícia prendeu-o no dia 13 de maio de 2002, e o levou para a Delegacia de Polícia de Nanshan. Dois dias depois, a sua família soube de sua morte. Um exame post-mortem revelou que o Sr. Cui tinha hematomas em todo o corpo, cinco costelas quebradas, um pulmão totalmente enegrecido, olhos inchados e pernas enegrecidas. Mas os resultados do exame não foram entregues à sua família, e sua família foi proibida de tirar fotografias ou filmar o corpo e os resultados do exame.

 Quando a família planejava apelar para o governo da província de Heilongjiang, a polícia impediu-os de tomar quaisquer transportes públicos a fim de detê-los. Depois de constantes exigências dos seus familiares e dos seus apelos ao governo provincial e a Pequim, o Departamento de Polícia de Mudanjiang pagou à família 500 mil yuans. Por causa de casos como o do Sr. Cui, a Organização dos Direitos Humanos das Nações Unidas incluiu a Delegacia de Polícia de Nanshan em um de seus relatórios em 2005 e emitiu uma declaração solicitando a inspeção. No entanto, nenhum oficial foi responsabilizado.

1.4.5(c) Sr. Zhao Jun: palitos de dente inseridos sob as unhas, torturado até tornar-se incapacitado; filho é mantido como refém

 Os oficiais da Delegacia de Polícia de Nanshan frequentemente agrediam os praticantes com palitos de dentes. Xie Chunsheng, diretora da delegacia de polícia, e Miao foram à casa do Sr. Zhao Jun em 24 de fevereiro de 2001. Xie pediu ao Sr. Zhao para sair para uma conversa. Assim que o Sr. Zhao saiu pela porta ainda de pantufas, os policiais forçaram-no a entrar em um carro de polícia e o levaram para a delegacia de polícia.

 Naquela noite, o Sr. Zhao foi amarrado três vezes e desmaiou três vezes devido à dor. Os guardas rasparam-lhe as costelas com moedas e espetaram-lhe palitos de dentes nas unhas para acordá-lo. Os seus braços foram gravemente feridos e um exame médico confirmou a deficiência causada por lesão nervosa.

 Vendo que isso não era suficiente para fazer o Sr. Zhao ceder, os oficiais prenderam o seu filho, Zhao Dan, um estudante de medicina que não praticava o Falun Gong. Eles algemaram Zhao Dan aos tubos de aquecimento e cobriram a sua cabeça com cobertores grossos, quase sufocando-o. Eles também o privaram do acesso à água ou ao banheiro. Na manhã seguinte, dois oficiais levaram Zhao Dan até onde o Sr. Zhao estava e gritaram: “Ei! Dê uma olhada no seu filho!”. Eles então levaram Zhao Dan imediatamente embora. Pensando em como ele próprio já havia sido espancado até se tornar incapacitado em apenas uma noite, o Sr. Zhao ficou preocupado que o seu filho seria também torturado até se tornar incapacitado. Com raiva e tristeza, ele respondeu: “Liberte o meu filho e eu admitirei qualquer coisa de que me acuse”. A polícia extorquiu 5 mil yuans da família e libertou Zhao Dan.

1.4.5(d) Sr. Huang Guodong: sangue por toda sala

 O Sr. Huang trabalhou em uma fábrica onde o seu trabalho árduo e sua generosidade renderam o respeito dos seus colegas de trabalho e de seus vizinhos. Ele disse que a prática do Falun Gong o tornou mais alegre e saudável. “O Falun Gong e os princípios Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍) são os melhores. Eu não posso viver sem eles”, disse uma vez.

 Por distribuir informações para expor a perseguição ao Falun Gong, o Sr. Huang e o seu filho foram presos no final de fevereiro de 2001 e levados para a Delegacia de Polícia de Nanshan.
Miao Qiang e outros oficiais amarraram-lhe os polegares juntos, penduraram-no por eles e o espancaram. Após perder a consciência, rasparam-lhe as costelas com moedas e espetaram-lhe palitos embaixo das unhas para acordá-lo, tal como fizeram com o Sr. Zhao, e continuaram a torturá-lo. O Sr. Huang gritou por causa da dor. Ainda assim, a tortura continuou por 24 horas. A cabeça dele ficou inchada e ele tinha hematomas por todo o corpo. Ele também perdeu o controle do seu intestino. Havia sangue por toda a sala.

 Mas isso foi só o começo. Os oficiais o algemaram e acorrentaram seus pés, colocaram-no em um centro de detenção onde Miao e outros oficiais continuaram a espancá-lo. A esposa do Sr. Huang contatou a Agência 610 e a delegacia de polícia pedindo a sua libertação. Mas o pedido foi negado e a polícia, por sua vez, pediu-lhe dinheiro. Um preso que trabalhava no refeitório afirmou que pediram para adicionar drogas desconhecidas à comida do Sr. Huang para que tivesse diarreia constante. Os guardas então perguntaram ao Sr. Huang, que não conhecia a conspiração até então, por que os exercícios do Falun Gong não melhoraram a sua saúde, em uma tentativa de fazê-lo renunciar à sua crença.

 O abuso físico e as drogas desconhecidas deixaram-no emaciado e com a saúde debilitada em cerca de 10 meses. O seu caso foi incluído no Relatório de Direitos Humanos das Nações Unidas de 2001. No entanto, em vez de ser libertado, o Sr. Huang foi julgado em 12 de dezembro de 2001. Ele estava demasiado fraco para falar no tribunal e foi condenado a dez anos de prisão. Ele foi levado para a Prisão de Mudanjiang, onde lhe foram dados choques com bastões elétricos nos genitais e no ânus, foi exposto ao frio, passou fome e foi torturado de outras formas.

 Muitos outros praticantes foram torturados de forma semelhante. O Sr. Zhang Yuliang foi espancado por Miao em 2001, resultando em lesões internas e sangue na urina durante muito tempo. Ele foi condenado a cinco anos de prisão. Depois que os seus parentes no Canadá apresentaram o seu caso ao governo canadense, o Ministro das Relações Exteriores do Canadá, John Baird, respondeu-lhes que ele havia trabalhado junto com o então Primeiro Ministro, Stephen Harper, para contatar o governo chinês a fim de libertar os praticantes do Falun Gong detidos.

1.4.6 Polícia, procuradoria e tribunal violam procedimentos legais para declarar a culpa de uma praticante do Falun Gong26

 Uma mulher de 48 anos, da cidade de Guiyang, foi condenada a quatro anos e meio de prisão por se recusar a renunciar ao Falun Gong.

 A Sra. Zhang Juhong diz que graças ao Falun Gong ela recuperou a esperança. O seu primeiro marido morreu por um erro de medicação apenas alguns anos depois do casamento. O filho deles afogou-se aos 12 anos. Ela voltou a se casar, mas o seu segundo marido fumava, bebia e a espancava.

 Seu sofrimento teve um impacto em sua saúde. Ela encontrou o Falun Gong, que reacendeu a sua vontade de viver. Ela não só se tornou saudável, como também resolveu a sua relação tensa com seu marido. Ela nunca vacilou na sua fé quando a perseguição ao Falun Gong começou em julho de 1999.

 A busca da Sra. Zhang pela saúde e pela felicidade a levou à custódia policial em várias ocasiões. A sua última prisão ocorreu em 24 de julho de 2016 e ela compareceu em juízo no tribunal em 13 de fevereiro de 2018. O seu advogado, o Sr. Li Guisheng, foi informado, em 2 de março, que ela havia sido condenada. Ele concordou a continuar a representá-la enquanto lutava pelo seu direito constitucional à liberdade de crença. Ele a ajudou a apresentar um recurso ao Tribunal Intermediário da Cidade de Guiyang.

 A polícia local do distrito de Huaxi, a procuradoria e o tribunal haviam violado todos os procedimentos legais enquanto trabalhavam para processar a Sra. Zhang pela sua fé. A sua família registrou um processo de representação criminal junto ao Comitê de Disciplina e Controle da Cidade de Guiyang contra as partes responsáveis.

(a) Polícia não apresenta as provas alegadas na acusação

 A procuradora Zhao Tingsong citou duas provas contra a Sra. Zhang. A primeira foi que ela foi flagrada distribuindo materiais informativos sobre o Falun Gong. Os oficiais Luo Jisong e Chen Donghao foram chamados para serem interrogados. Eles alegaram que encontraram 75 cópias de uma variedade de materiais do Falun Gong de posse da Sra. Zhang quando eles a prenderam em 17 de abril de 2014.

 Quando o advogado da Sra. Zhang pediu para ver os materiais no tribunal, os agentes alegaram que os havia guardado “em algum lugar”. Eles também não conseguiram explicar por que usaram os materiais confiscados da Sra. Zhang durante a sua prisão anterior em 2014, mas não durante a sua última prisão em 2016.

(b) Queixa legal contra Jiang Zemin torna-se evidência de acusação

 A segunda prova da acusação foi a denúncia de crime apresentada contra o ex-ditador chinês, Jiang Zemin, em 22 de julho de 2015.

 O advogado da Sra. Zhang argumentou que era um direito constitucional de sua cliente responsabilizar Jiang Zemin por iniciar a perseguição ao Falun Gong.

 Ele ainda perguntou como a polícia podia acessar as queixas que foram enviadas para a Suprema Procuradoria Popular e para o Supremo Tribunal Popular. Ele suspeitou que a polícia interceptou o correio ou recebeu as queixas das duas agências.

 A procuradora Zhao alegou que o gabinete provincial anticulto havia examinado as queixas criminais da Sra. Zhang, verificando que eram materiais do Falun Gong. O advogado enfatizou que nenhuma lei na China incrimina o Falun Gong ou o rotula como um culto. Ele também argumentou que o escritório anticulto não possuía autoridade legal alguma para verificar provas de acusação.

(c) Faltam “81 dias de detenção”

 Logo após a sua prisão, a Sra. Zhang foi enviada para o Centro de Lavagem Cerebral de Lannigou, onde foi mantida durante 81 dias antes de ser transferida para o Primeiro Centro de Detenção da Cidade de Guiyang. A polícia e a procuradoria, no entanto, nunca mencionaram os 81 dias da acusação. Durante a audiência, o advogado da Sra. Zhang perguntou se a polícia deveria conduzir uma investigação antes de apresentar queixa contra alguém ou se deveria ser o contrário. Os oficiais Luo e Chen responderam que a investigação deveria vir primeiro.

 O advogado perguntou por que a sua cliente ficou detida durante 81 dias antes de qualquer investigação ser realizada e por que a detenção não foi mostrada na acusação. A polícia não tinha resposta.

 O advogado disse que os 81 dias de detenção foram completamente ilegais. O juiz Zhang Decai alertou-o para não usar a palavra “ilegal”. Como os 81 dias de detenção estavam ausentes da acusação, a pena quatro anos e meio de prisão da Sra. Zhang não levaram em conta os 81 dias que ela já cumprira.

(d) Funcionários do tribunal tentaram pressionar a Sra. Zhang a dispensar seu advogado

 O escrivão Zhang Li (sem relação com a Sra. Zhang) e o vice-presidente, Wu, do Tribunal do Distrito de Huaxi visitaram o centro de detenção três vezes em três dias, mas não conseguiram pressionar a Sra. Zhang para que dispensasse seu advogado.

 Zhang e Wu apareceram pela primeira vez em 23 de dezembro de 2017 e conversaram com a Sra. Zhang durante três horas. Eles a alertaram que usar um advogado não lhe faria bem e que seria muito melhor se ela testemunhasse em sua própria defesa. A Sra. Zhang não disse sim ou não ao pedido deles. Os dois homens vieram novamente às 10h de 25 de dezembro e desta vez prometeram dar-lhe liberdade condicional e libertá-la em janeiro de 2018 se concordasse em deixar o seu advogado. A Sra. Zhang disse que não se importava de dispensar seu advogado, mas pediu a absolvição. Responderam que era impossível retirar todas as acusações contra ela.

 Eles voltaram às 19h e perguntaram se ela havia se decidido a dispensar seu advogado. Ela disse-lhes que havia decidido manter a representação legal. Ameaçaram dar-lhe uma forte sentença e partiram. Nenhuma das conversas entre os dois funcionários e a Sra. Zhang foi gravada, como é exigido por lei.

(e) Escrivão do tribunal mente sobre o pedido de representação legal da Sra. Zhang

 O advogado da Sra. Zhang, Sr. Li Guisheng, recebeu uma cópia da acusação, datada de 28 de novembro de 2017, no dia 19 de dezembro de 2017.

 O tribunal notificou-o em 24 de dezembro que sua cliente seria julgada no dia seguinte. Por lei, o tribunal deve avisar os réus e seus advogados com pelo menos 10 dias de antecedência. O Sr. Li chegou ao tribunal às 13h em 25 de dezembro. Não havia ninguém. Apenas às 16h o escrivão Zhang Li apareceu. 

 Zhang acenou com um pedaço de papel, dizendo que era um registro escrito que a Sra. Zhang havia lhe dito. Ele disse que o centro de detenção ligou para o advogado em 22 de dezembro para relatar que a Sra. Zhang estava muito emocionada e pediu para falar com um funcionário do tribunal. Ele disse que foi lá e a Sra. Zhang disse-lhe que o advogado dela não estava fazendo um bom trabalho e que queria dispensá-lo. Ele disse que prometeu dar-lhe uma sentença mais leve se ela concordasse em admitir a culpa no tribunal.

 O Sr. Li não acreditou em Zhang, pois sabia o quanto a Sra. Zhang queria procurar justiça para si mesma, já que nenhuma lei na China incrimina o Falun Gong. Ele queria verificar a decisão com ela, mas o centro de detenção recusou-se a permitir que ele a visitasse duas vezes, em 28 de dezembro de 2017, e novamente em 3 de janeiro de 2018. Os guardas mostraram-lhe um documento emitido pelo tribunal que afirmava que o centro de detenção não iria conceder nenhuma reunião com a Sra. Zhang.

 O Sr. Li disse ao tribunal que planejava apresentar uma queixa contra eles por violação de procedimentos legais. Zhang Li ligou para ele em 4 de janeiro para dizer que a Sra. Zhang havia concordado em tê-lo como advogado novamente.

 O Sr. Li foi então autorizado a ver a Sra. Zhang e soube como Zhang Li e Wu tentaram pressioná-la a dispensá-lo. A Sra. Zhang também disse que Zhang Li nunca foi ao centro de detenção no dia 22 de dezembro, como alegou.

(f) Família é forçada a dispensar defensor leigo

 A Sra. Zhang também tinha um defensor, que não era advogado, o Sr. Zhou Jianzhong, um tio distante. O Sr. Zhou também pratica o Falun Gong, e entende que a perseguição ao Falun Gong é ilegal.

 O Sr. Zhou encontrou obstáculos enquanto tentava defender a sua sobrinha. Ele submeteu uma procuração assinada pela Sra. Zhang ao tribunal em março de 2017. Zhang Li exigiu que ele mostrasse provas de que não tinha antecedentes criminais. O Sr. Zhou consentiu, mas não teve oportunidade de assinar o seu nome na papelada exigida até 18 de dezembro.

 Como defensor, o Sr. Zhou teve que rever o caso da Sra. Zhang. Ele observou que a queixa-crime dela contra Jiang Zemin foi rotulada como material promocional do Falun Gong. Ele ligou para Zhang Li em 21 de dezembro para dizer que planejava apresentar um pedido para rejeitar a alegada evidência sobre a queixa criminal da Sra. Zhang.

 Ele foi ao tribunal no dia seguinte, mas não conseguiu encontrar Zhang Li. Só em 22 de janeiro de 2018, ele encontrou Zhang Li e o seu assistente novamente em uma reunião de pré-julgamento. Disseram-lhe que ele já não era mais autorizado a defender a sua sobrinha. Quando pediu para ver o vice-presidente Wu, Zhang Li disse que não havia necessidade.

 Enquanto os dois funcionários do tribunal intimidavam a Sra. Zhang no centro de detenção em 25 de dezembro, seu sobrinho foi avisado naquele dia por um membro do comitê local de rua para não envolver o Sr. Zhou na defesa da Sra. Zhang. O membro do comitê disse que o Sr. Zhou era um parente distante e que era melhor não usá-lo. Intimidado, o sobrinho da Sra. Zhang e outros membros da família escreveram para o tribunal em 27 de dezembro para dispensar o Sr. Zhou como defensor.

1.4.7 Veredito é predeterminado um mês antes da audiência secreta do tribunal27

 Um residente do condado de Yinan foi condenado a quatro anos e meio, no dia 10 de janeiro de 2019, pelo Tribunal de Yinan, por causa da sua fé no Falun Gong. Ele começou a cumprir pena na Prisão de Jinan. A sua família ainda não recebeu nenhum documento do tribunal comunicando o veredito.

 No início de outubro de 2018, a família do Sr. Du Yihe havia escutado rumores de um conhecido ligado ao governo de que as autoridades haviam decidido condená-lo a quatro anos de prisão. Isto foi um mês antes da sua audiência secreta dentro do tribunal improvisado no Centro de Detenção Yinan, em 24 de novembro de 2018. O Sr. Du, 56 anos, pai de três filhos, foi preso em 28 de maio de 2018, pouco antes da Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, realizada na cidade de Qingdao, província de Shandong, de 9 a 10 de junho de 2018. Foi relatado que a polícia o prendeu para impedi-lo de sair de casa para trabalhar em outra cidade.

 O Sr. Du foi proibido de receber a visita da família no Centro de Detenção do Condado de Yinan. Quando sua família pediu a sua libertação, um guarda disse-lhes: “O Sr. Du gosta de ficar aqui e não quer sair”.

1.4.8 Sentenciados por interceptar a televisão estatal da China para esclarecer os fatos28

 Enfrentando o controle total do governo sobre a mídia na China, que divulga a propaganda difamatória sobre o Falun Gong, os praticantes têm usado vários meios para refutar as mentiras e informar ao público sobre a perseguição ao Falun Gong. Em Changchun, província de Jilin, 18 praticantes interceptaram a rede estadual de televisão a cabo por volta das 20 horas do dia 5 de março de 2002. Eles transmitiram os programas “autoimolação ou farsa?” e “Falun Dafa é difundido pelo mundo” em oito canais simultaneamente por cerca de 45 minutos.

 A cidade inteira de Changchun ficou atordoada e alguns pensaram que a proibição do Falun Gong havia acabado. Jiang Zemin, o ex-líder do regime comunista chinês, deu uma ordem secreta para “matar todos os praticantes do Falun Gong envolvidos”. Em poucos dias, mais de 5 mil praticantes na área de Changchun foram presos e sete foram espancados até a morte. Muitos foram forçados a sair das suas casas para evitar perseguição, 15 foram condenados a pesadas penas e três deles morreram em consequência de tortura.

1.4.8(a) Jiang Zemin emite ordem secreta

 O site do Minghui informou que Jiang Zemin encontrou-se com Luo Gan, o chefe da Agência 610, na noite de 5 de março de 2002. Depois ordenou que o Comando da Área Militar de Shenyang estivesse pronto para combate em segundo grau. Tanto o Subcomando Militar de Changchun quanto a Polícia Militar de Jilin receberam ordens para que estivessem prontos para o combate em primeiro grau, para procurar por praticantes do Falun Gong envolvidos com a interceptação do sinal de televisão.

 Através de Luo Gan, Jiang Zemin autorizou todos os policiais a abrir fogo e a matar qualquer praticante suspeito de estar envolvido na interceptação: “Pode simplesmente matá-los”. Eles exigiram que a polícia da província de Changchun e Jilin resolvessem o caso em uma semana. “Caso contrário, os chefes da polícia de todos os níveis em Changchun, assim como o secretário do Partido da área, serão demitidos dos seus postos”, disse um dos comunicados.

 Wang Yunkun, o secretário do Partido da província de Jilin, que estava no 15º Congresso Nacional Popular em Pequim, recebeu a ordem de retornar imediatamente ao seu posto de trabalho. Liu Jing, chefe da Agência 610 e vice-ministro da Segurança Pública, foi enviado a Changchun para supervisionar o caso pessoalmente.

1.4.8(b) Sete praticantes morrem pouco depois de serem presos

 Um total de sete praticantes morreram nos dias subsequentes às suas prisões. 

 A Sra. Li Rong, graduada pela Universidade de Jilin, faleceu aos 35 anos, ela trabalhava no Instituto de Pesquisa Farmacêutica da Província de Jilin. Ela foi presa em março e morreu enquanto estava detida em meados de fim de março ou início de abril. Os detalhes da sua morte são desconhecidos.

 A Sra. Shen Jianli, professora no Departamento de Matemática Aplicada da Universidade de Jilin, foi presa no dia seguinte ao incidente. Ela foi perseguida até a morte aos 34 anos, em meados de fim de abril.

 O Sr. Liu Haibo foi preso na sua casa na noite de 11 de março de 2002. A polícia o espancou na frente de sua esposa e de seu filho e quebrou um dos seus tornozelos. Torturaram-no e interrogaram-no até à 1h daquela noite, até ele não ter mais pulso. Embora o tenham levado às pressas para o hospital, o médico de 34 anos morreu durante o tratamento.

 Um praticante, que acreditava-se estar com aproximadamente 30 anos, foi espancado até à morte em 16 de março de 2002 no Departamento de Polícia de Jinchen, em Changchun. De acordo com uma testemunha, ele apresentava várias feridas visíveis e sinais de hemorragia interna após os espancamentos.

 O Sr. Liu Yi foi espancado até à morte aos 34 anos no escritório do Departamento de Polícia do Distrito de Luyuan.

 Em 20 de março de 2002, a Sra. Li Shuqin, de 54 anos, foi presa por agentes da Delegacia de Polícia da Estrada Changjiu e depois foi torturada até a morte no 3º Centro de Detenção em Changchun.

 O Sr. Hou Mingkai foi espancado até à morte horas depois de haver sido preso em sua casa, em 20 de agosto de 2002. Ele tinha 34 anos.

1.4.8(c) 15 praticantes são condenados

 O Tribunal Intermediário da Cidade de Changchun condenou os 15 praticantes a seguir em 20 de setembro de 2002:

 - Sra. Zhou Ruijun e Sr. Liu Weiming: 20 anos
 - Sr. Liu Chengjun e Sr. Liang Zhenxing: 19 anos
 - Sr. Zhang Wen: 18 anos
 - Sr. Lei Ming, Sr. Sun Changjun e Sr. Li Dehai: 17 anos
 - Sr. Zhao Jian: 15 anos
 - Sr. Yun Qingbin e Mr. Liu Dong: 14 anos
 - Sr. Wei Xiushan: 12 anos
 - Sr. Zhuang Xiankun e Sra. Chen Yanmei: 11 anos
 - Sr. Li Xiaojie: 4 anos

 O Sr. Liu Chengjun e o Sr. Liang Zhenxing foram perseguidos até à morte na prisão em 26 de dezembro de 2003 e 1º de maio de 2010, respectivamente. O Sr. Lei Ming foi posto em liberdade condicional médica quando estava à beira da morte, devido à tortura. Ele morreu em 6 de agosto de 2006. O Sr. Yun Qingbin foi torturado, teve um colapso mental e foi libertado sob condicional médica.

 A Sra. Zhou Ruijun ainda está na Prisão Feminina de Changchun. O Sr. Sun Changjun ainda está na Segunda Prisão de Jilin. O Sr. Zhao Jian, o Sr. Wei Xiushan, o Sr. Zhuang Xiankun, a Sra. Chen Yanmei e o Sr. Li Xiaojie foram libertados.

1.4.8(d) Impacto histórico

 A mídia internacional descreveu “a intercepção aos sistemas de TV em Changchun em 5 de março” como um dos atos mais corajosos realizados pelos praticantes do Falun Gong. Isso mostrou que a perseguição brutal na China não impediu os praticantes de informar sobre o Falun Gong e a perseguição. Depois disso, incidentes similares ocorreram em toda a China.

 Quatro anos após o Sr. Liu Chengjun haver sido perseguido até à morte, a Asia Pacific Human Rights Foundation,, na Austrália, realizou, em 2007, a Human Rights Awards Ceremony na Casa do Parlamento de Nova Gales do Sul, no dia 5 de setembro. O Sr. Liu foi o vencedor do Fidelity Vindicator Award.

 A Asia Pacific Human Rights Foundation homenageou o Sr. Liu por transmitir a verdadeira história a milhões de telespectadores e dar um grande exemplo para os movimentos não-governamentais que protegem os direitos humanos. A Associação Falun Gong recebeu o prêmio em nome do Sr. Liu.

 Um representante da Associação expressou seu desejo de que o prêmio permitisse que mais pessoas aprendessem o valor da verdade. Ele apelou para que todos se unissem para salvaguardar a justiça e para acabar com a perseguição.

1.5 Os direitos dos praticantes presos são violados

 A violação pelo PCC dos direitos humanos dos praticantes do Falun Gong não termina com a sentença. Os praticantes presos são frequentemente privados dos direitos mais básicos, os quais são concedidos aos detentos não-praticantes. Esses são frequentemente incentivados a abusar dos praticantes em troca de redução do período de suas sentenças. Abaixo estão alguns exemplos ilustrativos.

1.5.1 A Prisão Feminina de Liaoning e sua “divisão de correção”29

 As praticantes do Falun Gong têm sido encarceradas na Prisão Feminina da Província de Liaoning desde que o PCC começou a perseguir a prática em 1999. Elas têm sido torturadas física e mentalmente nas tentativas do PCC de forçar “transformá-las” e desistirem das suas crenças. Os guardas nunca permitem que as praticantes entrem em contato, com os oficiais visitantes.

 Há 13 divisões na prisão e as praticantes do Falun Gong são encarceradas em quase todas elas. No entanto, os abusos mais graves ocorrem na Divisão 12, também chamada de “Divisão de Correção” ou “Divisão Hospitalar”. Antes de 2000, era chamada de “Grupo Insano”. Foi designada como a Divisão de Concentração e Correção em 2010 e seu único objetivo passou a ser “transformar” as praticantes do Falun Gong.

 Quando o infame Campo de Trabalho Forçado de Masanjia foi fechado, todas as praticantes do Falun Gong mantidas lá foram transferidas para a nova Divisão de Masanjia estabelecida na Prisão Feminina da Província de Liaoning.

1.5.1(a) Táticas usadas na Divisão de Correção

(1) Destruir a vontade das praticantes

 Chen Shuo, o líder da seção que assumiu a liderança na perseguição das praticantes do Falun Gong na Divisão de Correção torna a vida diária delas a mais restritiva, difícil e horrível possível. Os artigos pessoais das praticantes são removidos e não podem usar o banheiro nem o papel higiênico. Elas são proibidas de lavar o rosto, escovar os dentes ou trocar a roupa de baixo.

 As praticantes têm de dormir sobre uma tábua de madeira sem colchão ou cobertor, independentemente da época do ano. Elas são muito pouco alimentadas, mesmo assim são sujeitas a extenuantes castigos físicos todos os dias, incluindo ficar de pé por longo tempo e agachar-se de forma repetitiva. Elas são frequentemente espancadas, são sujeitas a choques com bastões elétricos, ficam detidas em uma cela isolada, e são forçadas a assistir vídeos que difamam o Falun Gong.

 Quem se recusar a ser “transformada” recebe dez anos adicionais à sua sentença, e nenhuma das outras prisioneiras será libertada. Isso incentiva outras prisioneiras a se esforçar para intimidar e ameaçar as praticantes.

(2) Instigar as prisioneiras a torturar as praticantes

 Guardas instigaram as prisioneiras Shan Lili, Xu Yingmei, Li Li, Guan Cui, Yang Fan, Wang Rui e muitas outras a torturarem as praticantes do Falun Gong.

 A Sra. Guo Hongyan foi tão torturada que teve de ser levada a um hospital. A Sra. Liu Xiaoya foi torturada até ficar pele e ossos.

 A Sra. Chen Yazhou recebeu choques com bastões elétricos. Uma praticante com cerca de 60 anos foi forçada a realizar trabalho escravo durante o dia e depois se agachar embaixo de uma mesa durante toda à noite. Mais tarde, ela foi encarcerada em uma pequena cela isolada. Outra praticante foi impedida de lavar o seu rosto, escovar os seus dentes ou lavar as suas roupas durante seis meses, e as detentas a xingavam por causa do seu mau cheiro.

 Os guardas tomam a iniciativa de torturar as praticantes e instigam as detentas a espancá-las e a abusar verbalmente delas. As reclusas que maltratam as praticantes têm seus períodos de prisão reduzidos. Quanto pior as prisioneiras tratam as praticantes, mais se beneficiam, como por exemplo, recebem mais frutas para comer.

 Muitas detentas tentam agradar os guardas e os seguem para perseguir as praticantes. Algumas se comportam ainda pior do que os guardas. Os guardas e as reclusas enganam as praticantes, oferecendo períodos reduzidos de prisão, se forem “transformadas”. No entanto, se uma praticante concorda, ela deve escrever declarações denunciando o Falun Gong para que a redução seja aprovada. Quando uma praticante assina as declarações, o guarda diz: “Você concordou. Nós não a forçamos”.

(3) Uso de punição coletiva para incitar o ódio

 A Divisão 12 da Prisão Feminina da Província de Liaoning está ainda dividida em cinco pequenos grupos. Se alguma praticante do grupo menor se recusar a ser “transformada”, todas no grupo são punidas, ou não podem assistir à televisão ou têm de escrever três vezes as regras da prisão. Por causa disso, as prisioneiras desenvolvem antipatia em relação às praticantes e ao Falun Gong em geral.

 As praticantes que se recusam a ser “transformadas” são proibidas de comprar qualquer comida ou itens de necessidade diária na prisão. Também são proibidas de receber visitas de familiares, telefonemas e correspondências. Elas ficam totalmente isoladas do mundo exterior.
 Os guardas usam as palavras mais baixas e inimagináveis para abusar verbalmente das praticantes, algumas das quais têm a idade das avós dos guardas. Muitas praticantes cedem porque não conseguem suportar os insultos e abusos. Uma vez “transformadas”, os guardas e reclusas mudam de atitude imediatamente e sorriem para elas. O ambiente também muda, e se torna muito relaxado. Se uma praticante volta à sua crença no Falun Gong, os guardas e as reclusas logo voltam a abusar dela.

 Como as detentas não-praticantes do Falun Gong da Divisão de Correção não recebem tanto trabalho quanto as das outras divisões, as detentas destas divisões fazem o que podem para serem transferidas para lá. As suas famílias subornam quem puderem para ajudá-las a evitar o trabalho forçado exigido em outras divisões.

1.5.2 Reclusas são incitadas a torturar praticantes na Prisão Feminina da Província de Heilongjiang30

 A Prisão Feminina de Heilongjiang, localizada em Harbin, província de Heilongjiang, é responsável por torturar severamente as praticantes do Falun Gong. Os guardas incitam as reclusas criminosas a atacar as praticantes. Aquelas que torturam, ganham favores das autoridades da prisão.

1.5.2(a) Reduções no período das sentenças são usados como incentivo para as criminosas atacarem as praticantes

 A ala nº 11 tem sido usada para “transformar” as praticantes e assim desenvolveu um sistema abrangente para realizar ataques a elas. Ji Na, uma delegada chefe de divisão, ofereceu um sistema de pontos para recompensar as prisioneiras criminosas que eram cruéis com as praticantes.

 Durante o final do verão de 2012, os chamados especialistas contratados pela Agência 610 repreenderam as detentas que não eram “duras” o suficiente para lidar com as praticantes e ofereceram mais pontos para reclusas "de baixo desempenho”, a fim de reforçar seus ataques às praticantes. As praticantes determinadas foram privadas de sono durante vários dias seguidos, algemadas ou acorrentadas e foram proibidas de usar o banheiro. Todas as praticantes que chegavam à ala nº 11 eram recebidas com abuso verbal e espancamentos.

 Em seguida, todos os dias as praticantes foram forçadas a assistir a vídeos que difamavam o Falun Gong. Essa lavagem cerebral durou entre um e três meses, e as praticantes foram mantidas em completo isolamento durante esse período.

 A detenta Cui Xiang, uma assassina condenada de 44 anos, recebeu uma redução de pena por comandar a tortura secreta contra as praticantes, inclusive forçando-as a sentarem-se em um pequeno banco por períodos de tempo prolongados. Devido a isso, algumas praticantes desenvolveram feridas nas nádegas, que acabaram por infectar. Cui vangloria-se dizendo que continuaria a abusar das praticantes quando fosse libertada. A detenta Tang Yongxia, 48 anos, também contribuiu para controlar e abusar das praticantes.

 Outras prisioneiras que queriam reduções de suas penas, seguiram as instruções de Cui e Tang para bater nas praticantes, muitas vezes enquanto as vítimas estavam algemadas ou acorrentadas. Em março de 2012, a detenta Ma Guirong reuniu um grupo de detentas para espancar a Sra. Wang Jianhui.

1.5.2(b) Hospitais da prisão torturam praticantes saudáveis 

 A ala nº 10 serve como hospital da prisão, onde as detentas que não são praticantes recebem tratamento de suas doenças ou ferimentos. As praticantes saudáveis do Falun Gong, por outro lado, são levadas para lá para serem sujeitas a abusos físicos e mentais brutais. Desde que foi promovida à diretora do hospital em 2008, a ex-guarda, Zhao Huihua, tem incentivado detentas criminosas com reduções de pena em troca de torturar as praticantes.

 Enquanto alimentou à força a praticante Sra. Li Yushu, a reclusa Wang Xinhua forçou a comida na garganta da Sra. Li com pauzinhos. Os repetidos empurrões causaram uma hemorragia na garganta da Sra. Li.

 A praticante Sra. Hu Aiyun recusou-se a ser alimentada à força e foi agarrada pelo cabelo e brutalmente espancada pelas detentas Wang Wei e Li Kun até desmaiar. Wang disse: “Esta é a divisão das reclusas doentes. É normal se um par de reclusas morrer31”.

 A Sra. Wei Jun, uma professora com cerca de 40 anos, da cidade de Daqing, foi frequentemente espancada pelas prisioneiras e perdeu vários dentes por isso. Ela também foi obrigada a sentar-se em um pequeno banco desde as 6h até às 12h. A Sra. Wei era privada de sono com frequência e às vezes desmaiava.

1.5.3 Homem de Tianjin consegue recorrer do caso em cinco anos para um mandato de prisão de sete anos32

 O Sr. Huang Liqiao, um engenheiro de Tianjin, foi preso em 7 de abril de 2012 e condenado a sete anos de prisão, meses depois de se recusar a renunciar ao Falun Gong. Ele apresentou imediatamente um recurso, mas a Prisão de Binhai reteve a papelada. Ele tentou mais algumas vezes durante os anos seguintes, porém descobriu que nenhuma das suas cartas de apelo foi enviada.

 A sua esposa, a Sra. Ge Xiulan, tem trabalhado em busca da sua libertação desde o primeiro dia. Ela foi detida durante 25 dias e foi proibida de visitar seu marido desde sua prisão. Após a sua libertação, ela apresentou uma queixa contra a prisão, que eventualmente cedeu e concedeu-lhe uma visita ao marido. A Sra. Ge trouxe um advogado com ela para ver o seu marido no dia 21 de março de 2017. Os guardas proibiram o advogado de tomar notas ou perguntar ao Sr. Huang sobre a sua prisão. Ela e o advogado visitaram o Primeiro Tribunal Intermediário de Tianjin no dia seguinte para apresentar o recurso do Sr. Huang e contestar a injusta sentença de prisão.

1.5.4 Cartas de mulher presa ao seu advogado são retidas pela prisão33

 A Sra. Huang Qian, 47 anos, foi presa em sua casa, na cidade de Guangzhou, no dia 3 de fevereiro de 2015, por escrever em seu blogue sobre a perseguição que sofreu por se recusar a renunciar ao Falun Gong. Intitulados “memórias do gulag”, seus posts documentaram como foi repetidamente presa, detida e torturada desde que a perseguição ao Falun Gong começou em 1999. Ela recebeu três anos de trabalho forçado em junho de 2001 e foi condenada a quatro anos de prisão em outubro de 2008.

 A ex-funcionária do Centro de Livros de Guangzhou foi condenada a cinco anos de prisão em 30 de dezembro de 2016, após sua última prisão. Ela foi encarcerada na Prisão Feminina da Província de Guangdong em junho de 2017.

 Os guardas torturaram-na regularmente e retiveram suas cartas para seu advogado, pedindo-lhe que a ajudasse a interpor recursos. Além disso, sua mãe falecera pouco tempo depois de sua transferência para a prisão, mas ela foi proibida de comparecer ao funeral.

 A família da Sra. Huang visitou-a e reparou que ela havia perdido uma quantidade significativa de peso. Ela implorou para que a sua família a tirasse da prisão. Quando a família questionou a um guarda sobre sua condição, ele ameaçou revogar os seus direitos de visita.

1.5.5 Prisão ignora agressão de criminoso contra praticante do Falun Gong, preso 11 anos por causa de sua fé34

 O Sr. Wang Shouda, um mongol que cumpriu 11 anos na Segunda Prisão Hohhot por se recusar a renunciar ao Falun Gong, foi agredido duas vezes por um preso durante vários meses. Até hoje, os oficiais da prisão não tomaram medidas para responsabilizar o perpetrador.

1.5.5(a) Lesões na cabeça durante prisão

 O primeiro incidente de agressão ocorreu em 16 de outubro de 2018. O recluso Wang Jining jogou o Sr. Wang, de cerca de 50 anos, no chão e socou sua cabeça contra o chão de cimento. Na época, o Sr. Wang não comia há quase um mês e estava muito fraco. Uma agressão física como esta poderia ter-lhe tirado a vida facilmente. Embora os funcionários da prisão houvessem conduzido uma investigação, eles não fizeram nada para responsabilizar o prisioneiro Wang.

 O segundo incidente ocorreu às 22h do dia 19 de dezembro de 2018. Wang Jining bateu novamente no Sr. Wang, arrancando um dos dentes e ferindo os olhos dele. Os olhos do Sr. Wang ficaram tão inchados que não conseguia ver. Os guardas estavam cientes do espancamento, mas não deram tratamento médico imediato ao Sr. Wang.

 Na prisão, aqueles que batem nos outros são levados para a solitária imediatamente. Mas Wang Jining não enfrentou qualquer consequência pela agressão contra o Sr. Wang, que, por outro lado, foi proibido de sair da sua cela para descansar como os outros prisioneiros.

1.5.5(b) Sentenciado secretamente, agredido na prisão

 O Sr. Wang vive na cidade de Ordos, no leste da Mongólia Interior. Ele e dois outros praticantes do Falun Gong, o Sr. Guo Bingqiang e a Sra. Bai Tuoya, foram presos em 19 de junho de 2011. Eles foram levados para o Centro de Detenção de Dongsheng. A família do Sr. Wang não ouviu sobre o seu paradeiro até dezembro de 2012, quando foram avisados que ele havia sido sentenciado a 11 anos de prisão e transferido para a Segunda Prisão Hohhot.

 Dentro da prisão, o Sr. Wang foi forçado a executar trabalhos pesados e a passar por sessões de lavagem cerebral. Os guardas instigaram os reclusos a baterem nele. Zhou Junqing e Fan Zhiqiang, dois oficiais na prisão, imobilizaram o Sr. Wang no chão em 16 de novembro de 2017. Arrancaram-lhe dois dentes da frente de sua boca e encheram-lhe a boca com papel higiênico. O Sr. Wang foi então mantido na solitária por quase três meses e não foi solto até que a sua vida estivesse em perigo. O Sr. Wang apresentou uma queixa formal, que não resultou em nada.

1.5.6 Paciente com AVC, cuja liberdade condicional médica foi negada, morre na prisão enquanto cumpre pena por causa de sua fé35

 Um residente da cidade de Panzhihua, província de Sichuan, morreu em menos de nove meses, desde que começou a cumprir pena por causa de sua fé no Falun Gong em uma prisão na província de Yunnan.

 O homem de 65 anos sofreu vários acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e ficou com a pressão sanguínea geralmente alta, mas uma liberdade condicional médica foi repetidamente negada. A morte do Sr. Liao Jianfu foi precedida por duas penas de prisão anteriores, que totalizaram dez anos e meio, entre 2002 e 2013.

 O Sr. Liao foi preso pela última vez em outubro de 2016 por colocar cartazes informativos sobre o Falun Gong. Três outros praticantes que estavam com ele, o Sr. Song Nanyu (70), o Sr. Fu Wende (70) e o Sr. Zhou Fuming (com cerca de 60), também foram presos.

 Os quatro praticantes compareceram em juízo no Tribunal do Condado de Yulong em 22 de março de 2018. Eles foram frequentemente interrompidos pelo juiz enquanto liam as suas declarações de defesa. O juiz condenou então o Sr. Liao a quatro anos de prisão, o Sr. Song e o Sr. Fu a três anos e meio e o Sr. Zhou a dois anos. O Sr. Liao, o Sr. Fu e o Sr. Zhou foram transferidos para a Prisão nº 1 da Província de Yunnan e o Sr. Song para a Prisão nº 2 da Província de Yunnan em 21 de agosto de 2018. Enquanto preso, o Sr. Liao teve hemorragias cerebrais em várias ocasiões, mas as autoridades prisionais recusaram-se a libertá-lo sob liberdade condicional médica.

1.5.7 Mulher presa teve negadas visitas familiares durante quatro meses por praticar exercícios do Falun Gong36

 A Sra. Zhang Wei foi proibida de receber visitas de familiares por quatro meses, porque praticou os exercícios do Falun Gong na Prisão Feminina de Liaoning, onde está cumprindo uma sentença de 8,5 anos por não renunciar à sua fé.

 A Sra. Zhang, residente da cidade de Dandong, província de Liaoning, já cumpriu três anos na Prisão Feminina de Liaoning desde a primavera de 2016. Ela tem sido frequentemente espancada por guardas e reclusas por não desistir da sua fé, o que causou lesões graves nas suas costas e pernas. Ela praticou os exercícios do Falun Gong para recuperar a sua saúde, porém negaram-lhe visitas familiares a partir de abril de 2019.

 O marido da Sra. Zhang foi para a prisão em 27 de junho de 2019. Dois guardas lhe disseram: “Zhang Wei praticou os exercícios do Falun Gong na frente de centenas de pessoas na fábrica da prisão. Ela quebrou as nossas regras aqui. Estamos negando todas as visitas a ela!”.

 Um dos seus familiares disse aos guardas: “Não a vemos há quatro meses e estamos muito preocupados com ela, especialmente a sua mãe de 80 anos. Zhang Wei quase morreu desde que foi torturada enquanto cumpria a sua primeira pena de prisão aqui, em 2002. Desta vez, ela foi espancada novamente. Como podemos não nos preocupar com ela?”. Os guardas responderam: “Se ela não seguir as regras da prisão, vamos trancá-la na solitária com as mãos algemadas”.

 O seu marido perguntou aos guardas: “Ela ainda tem vários anos para cumprir aqui”. Vai mantê-la sempre algemada, se ela não parar de praticar os exercícios?”.

 Não importa o que os membros da família dissessem, os guardas ainda recusaram para lhes permitir ver a Sra. Zhang. A família da Sra. Zhang foi à Procuradoria local para se queixar da prisão. Eles foram encaminhados ao Escritório Provincial de Administração Prisional, que os encaminhou ao Escritório de Petição Prisional Provincial. Um funcionário do Escritório Provincial de Petições da Prisão pediu à família da Sra. Zhang para apresentar uma queixa diretamente ao escritório interno de petição da prisão. “Se vocês ainda não estiverem satisfeitos com a resposta deles, podem voltar e falar conosco”, disse o funcionário. 

 A família da Sra. Zhang foi ao escritório de petições da prisão no dia seguinte com a queixa, que foi rejeitada. Eles voltaram ao escritório de petições da prisão provincial e foram recebidos pela mesma pessoa do dia anterior. Aquele funcionário leu a queixa e foi para outra sala para chamar o seu supervisor. Quando voltou cerca de quatro minutos depois, disse à família da Sra. Zhang que o caso não podia ser aceito e que a família tinha de falar com as próprias autoridades prisionais. 

 A família da Sra. Zhang fez outra tentativa de contatar a prisão, mas disseram-lhe que, enquanto ela praticar os exercícios do Falun Gong, seus familiares serão proibidos de visitá-la.

 O marido da Sra. Zhang planeja contratar um advogado para procurar justiça para ela.

Capítulo 2: Negação de emprego, educação, habitação e segurança econômica

 Abaixo está o relato pessoal do Sr. He Lifang, cuja família enfrentou ódio, discriminação e humilhação com o início da perseguição contra o Falun Gong em julho de 1999:

Uma vez fui espancado por 17 reclusos enquanto estava detido por causa da minha fé, em 2001. A polícia libertou-me sob fiança quando eu estava em condições críticas, mas assediou-me em casa constantemente. Consegui escapar à vigilância da polícia e saí de casa. A Agência 610 recebeu uma dica que eu poderia estar escondido em uma determinada área, e colocou minha foto em uma lista de procurados em todos os lugares daquela área. Também cancelou minha carteira de identidade como outra forma de me privar da liberdade e dos direitos humanos básicos.

As autoridades também molestaram, interrogaram e prenderam os meus pais muitas vezes, forçando-os a fornecer informações sobre mim. A cada Ano Novo Chinês, as autoridades mandavam pessoas perto da casa dos meus pais para tentar me prender.

Meu negócio era bem-sucedido quando a perseguição começou, em 1999. Mas devido à propaganda caluniosa do Partido Comunista Chinês, muitos dos meus clientes foram enganados e me trataram como um inimigo. Um vizinho que costumava ser amigável comigo, xingou a mim e à minha família. Até crianças às vezes nos xingavam porque também haviam sido influenciadas pela propaganda.

As consequências estenderam-se a muitas áreas de nossas vidas. Porque minha família pratica o Falun Gong, o meu sobrinho não passou na revisão política para se alistar no exército. Quando o seu pai (meu irmão mais velho) falhou em forçar os meus pais a desistir de suas crenças, ele quebrou todas as suas janelas e planejou cooperar com a administração da vilapara que a casa deles fosse demolida, ameaçando matá-los. Por causa disso, sempre que ouviam sua voz, meus pais se escondiam na floresta e não se atreviam a voltar para casa.

 Como o Sr. He, os praticantes do Falun Gong em cada canto da China tiveram as suas vidas viradas do avesso da noite para o dia. O regime comunista chinês efetivamente tornou o país inteiro contra o grupo espiritual com uma campanha de propaganda extensiva. Não importa quem sejam, para onde quer que vão, desde que não desistam de praticar o Falun Gong, eles serão rotulados de inimigos do Partido e sujeitos a perseguição implacável.

 Os praticantes do Falun Gong são privados dos direitos mais básicos à sobrevivência. Os estudantes são expulsos da escola ou lhes é negada a admissão. Os empregados são demitidos dos seus empregos e têm as suas aposentadorias suspensas, quando se aposentam. Para os indivíduos estabelecidos, o regime pode tirar-lhes tudo, incluindo os seus negócios, as suas casas e as suas poupanças bancárias.

 O regime tem usado com sucesso o seu sistema de lavagem cerebral e o controle do pensamento para colocar os filhos contra os pais, maridos contra esposas, e estudantes contra professores. Os indivíduos recebem incentivos ou bônus quando denunciam um praticante do Falun Gong às autoridades. Os policiais são promovidos por torturar ativamente e realizar lavagem cerebral nos praticantes. A polícia pode bater na porta ou invadir as casas dos praticantes no meio da noite, saquear as suas residências e prendê-los. Pode ser negado a um praticante um documento de identidade ou passaporte, causando grandes inconvenientes na sua vida diária. Mesmo quando eles conseguem obter uma identidade, ela pode ser marcada para vigilância, e o praticante pode ser preso, quando simplesmente tentar pegar um transporte público para visitar os seus pais.

Com os recentes avanços e adoção de inteligência artificial, reconhecimento facial e plataformas sociais como o WeChat (o aplicativo principal de mídia social usado para quase tudo na vida diária, incluindo comprar comida e chamar um táxi), a vigilância do povo chinês nunca foi tão rígida. O regime comunista da China transformou efetivamente o país inteiro em uma grande prisão.

2.1 O papel do sistema escolar na perseguição

 De escolas primárias a universidades, tudo é rigorosamente dominado pelo regime comunista chinês. Cada escola e, até mesmo, o nível da série, é designado ao próprio secretário do Partido Comunista Chinês, que monitora de perto se os pensamentos de cada aluno estão alinhados com o do partido. Estudantes encontrados praticando o Falun Gong enfrentam discriminação de seus amigos, colegas de classe e professores. Muitos foram expulsos da escola e foram proibidos de retornar.

 Os praticantes não são as únicas vítimas, no entanto. A propaganda contra o Falun Gong foi adicionada aos livros didáticos, e os estudantes são forçados a difamar o Falun Gong como parte de seus exames. Se eles resistirem, são submetidos ao mesmo destino que um praticante do Falun Gong.

 Durante as duas últimas décadas, uma geração inteira foi doutrinada com desinformação que calunia o Falun Gong. Os membros daquela geração também se tornaram involuntariamente acomodados à perseguição. Conforme os estudantes crescem e entram na sociedade, eles trazem a propaganda com eles e a passam para a próxima geração, fazendo com que o grupo alvo seja marginalizado por um longo período de tempo.

2.1.1 Oportunidades educacionais negadas

Caso 1: Aluna do ensino médio é expulsa da escola e forçada a viver sem teto por praticar o Falun Gong37

 Liu Wenjuan, uma estudante do ensino médio da província de Fujian, foi forçada pelos administradores escolares a escrever uma declaração renunciando ao Falun Gong. Quando ela se recusou a fazer isso, o diretor, Lin Jianfeng, ficou furioso e impediu Liu de assistir às aulas usando várias desculpas.

 Liu foi, mais tarde, presa e forçada a deixar a escola depois dela compartilhar a sua experiência de praticar o Falun Gong com os seus professores. Quando as autoridades continuaram a incomodá-la em casa, ela foi forçada a viver longe de casa para evitar mais perseguições

Caso 2: Aluna do ensino médio é expulsa da escola por divulgar informações sobre o Falun Gong 38

 Li Qun foi denunciada à sua professora quando deu ao seu colega de classe um livreto informativo sobre o Falun Gong. Os professores passaram horas conversando com ela e tentaram forçá-la a renunciar ao Falun Gong

 Quando Li tentou explicar o Falun Gong aos seus professores, eles recusaram-se a ouvir e disseram aos pais dela para levá-la para casa. Ela acabou sendo expulsa da escola, pois se recusou a escrever uma declaração renunciando ao Falun Gong.

Caso 3: Jovem é proibido de frequentar a faculdade e é enviado a um campo de trabalho forçado, permanecendo durante um ano39

 Embora o Sr. Liu Xiaolin tenha se saído bem no seu exame de admissão à faculdade e tenha sido admitido em uma universidade, foi proibido de frequentar a faculdade, pois as autoridades descobriram que praticava o Falun Gong.

 O jovem de 18 anos também foi enviado a um campo de trabalho forçado quando expressou, na internet, o seu descontentamento com a perseguição. Os seus pais, o Sr. Liu Zonggang e a Sra. Sui Qiaohong, também foram presos e levados para um campo de trabalho forçado.

 O Sr. Liu foi colocado sob vigilância constante e frequentemente foi maltratado após a sua libertação.

Caso 4: Candidato ao doutorado tem negada defesa de tese; pai é pressionado pela Academia Chinesa de Ciências a denunciar o próprio filho40

 O Sr. Yu Ya'ou, um candidato a PhD na Academia Chinesa de Ciências, no Jardim Botânico do Sul da China, foi privado do seu direito de defender a sua tese porque incluía uma sentença expressando a sua gratidão ao Falun Gong. Sob instruções da Agência 610, a liderança do Jardim Botânico do Sul da China ameaçou o Sr. Yu com os regulamentos de matrícula da escola e as disposições de gestão dos estudantes. Eles também fizeram o seu pai denunciá-lo à Agência 610 e enviar o seu filho a um centro de lavagem cerebral.

Caso 5: Calouros da faculdade são detidos em Xangai por praticar o Falun Gong e distribuir informações sobre a prática41

 O Sr. Zhong Yiming, um calouro de 19 anos da Universidade Jiao Tong, de Xangai, foi detido no início de julho de 2019 por distribuir informações sobre o Falun Gong e por ser um praticante.

 Os funcionários da escola disseram que ele havia sido gravado por câmeras de vigilância quando distribuía materiais do Falun Gong no campus. A investigação deles constatou que o Sr. Zhong havia comprado uma impressora com o dinheiro que economizou da mesada e impresso materiais informativos sobre o Falun Gong com ela.

 A universidade o denunciou à polícia de Xangai, que ordenou que ele dissesse onde havia aprendido o Falun Gong e escrevesse uma “declaração de arrependimento” para desistir de sua crença. Quando o Sr. Zhong recusou, a polícia ameaçou encerrar seus estudos na faculdade e levou-o a um centro de detenção em Xangai no dia 5 de julho, mas não informou os seus pais da localização. Os seus pais ficaram em Xangai por alguns dias para procurá-lo, sem sucesso.

 As autoridades da universidade também enviaram funcionários para a escola secundária do Sr. Zhong, o Colégio nº 24 de Dalian, para investigá-lo. Também foi relatado que a polícia de Xangai voou para Dalian em 22 de julho, na tentativa de prender a sua avó, que tem mais de 80 anos.

2.1.2 Lavagem cerebral de alunos e professores

 Para instigar o ódio público e justificar a perseguição, propagandas atacando o Falun Gong, como a farsa da autoimolação em Tiananmen e os chamados 1.400 casos de mortes provocados pelo Falun Gong, foram amplamente difundidas em livros, programas de TV e jornais. Cartazes e faixas de propaganda cobriram os campi das faculdades. Os alunos eram obrigados a assistirem a vídeos e participarem dos seminários e exposições para reforçar a propaganda.

Caso 1: “Esta é uma escola do regime comunista, nenhuma outra crença é permitida”42

 Em uma escola secundária na província de Heilongjiang, mais de 5 mil estudantes e professores foram forçados a assinar acordos para não falar sobre o Falun Gong ou ler os materiais informativos sobre o Falun Gong. Quase 100 estudantes foram forçados a se filiarem ao Partido Comunista Chinês como uma maneira de reforçar o controle do pensamento. Se um aluno violar o contrato, o professor também estará envolvido.

 Uma estudante da 11ª série, Cao Rui, que não praticava o Falun Gong, foi denunciada à administração da escola quando compartilhou alguns materiais do Falun Gong que havia recebido de outros alunos e disse que a campanha do Partido contra o Falun Gong era errada. Ela enfrentou mais retaliação por “interromper a ordem na sala de aula” quando desafiou abertamente um professor de política na hora que ele atacava o Falun Gong na sala de aula.

 Mais tarde, Cao foi expulsa da escola, e os administradores até chamaram a polícia para remover Cao e a sua mãe. “Esta é uma escola do regime comunista, nenhuma outra crença é permitida”, disse um administrador à família de Cao.

Caso 2: Estudantes da faculdade de direito devem expressar a sua atitude em relação ao Falun Gong durante a entrevista de inscrição43

 Em uma entrevista de inscrição da Faculdade de Direito da Universidade de Finanças e Economia de Xangai, em 2010, os alunos tiveram que responder a uma pergunta sobre a sua compreensão a respeito do Falun Gong.

 Tais perguntas são frequentemente usadas como uma pedra angular para testar se um aluno segue completamente a linha do Partido ou exerce um pensamento independente. A maioria dos estudantes compromete a sua independência e se junta à multidão para condenar o Falun Gong, a fim de buscar avanços nos seus estudos e carreiras.

2.2 Negação de oportunidades de emprego e apreensão de bens pessoais

 Com cada canto da sociedade chinesa envolvido na campanha de perseguição, todos são alvos do sistema. Depois de um aluno se formar na escola e entrar na sociedade, ele enfrenta a pressão constante de perder o emprego ou ter os seus bens pessoais apreendidos se as autoridades descobrirem que pratica o Falun Gong .

2.2.1 Praticantes são demitidos por empregadores

Caso 1: Engenheiro de aviação é incapaz de trabalhar e apoiar a família depois de ter carteira de identidade confiscada44

 O Sr. Liu Yongsheng, engenheiro de aviação da Chengdu Airplane Construction, foi demitido do seu emprego em 2007, após uma prisão em massa de praticantes do Falun Gong. Ele foi forçado a viver longe de casa e mudou-se de um lugar para outro para evitar mais perseguições.

 As autoridades retiveram a sua identidade e diploma, o que o impediu de encontrar um novo emprego por longo tempo. Apesar da sua experiência, ele teve que trabalhar meio período como entregador para sobreviver.

Caso 2: Médica é demitida do hospital45

 A Dra. Chen Jing foi presa enquanto acompanhava uma criança a uma delegacia para obter informações sobre a sua mãe presa em meados de dezembro de 2005. A polícia espancou-a, abusou dela verbalmente e interrogou-a. Logo foi demitida do seu emprego, no Hospital Central Jiamusi, apenas um ano depois de começar a trabalhar lá.

 A sua provação aprofundou medos e mal-entendidos sobre o Falun Gong entre seus familiares, colegas e amigos.

Caso 3: Membros da família são implicados46

 O irmão mais novo do Sr. Li Hongshu deixou o emprego na cidade de Dalian e voltou para a cidade de Panjin para cuidar da sua mãe depois de ambos, o Sr. Li e o seu pai, serem presos por causa de sua fé. Ao seu irmão foi negada uma posição de polícia de trânsito em Panjin depois dele falhar na revisão política no processo de inscrição, porque o seu pai praticava o Falun Gong, apesar de haver obtido a nota mais alta no exame e de haver sido aprovado na entrevista. Isso causou tremendo sofrimento mental ao seu irmão, que também teve dificuldade em encontrar uma esposa por causa disso.

2.2.2 Empresas pessoais são obrigadas a fechar

Caso 1: Empresa de detergentes é forçada a fechar47

 Em 2003, vários praticantes do Falun Gong na cidade de Chaoyang, província de Liaoning, estabeleceram uma empresa conjunta e adquiriram uma tecnologia patenteada. Eles fundaram uma empresa chamada Empresa de Detergentes Tianzheng. Desde a administração até à produção, eles contrataram praticantes do Falun Gong que haviam perdido o emprego devido à perseguição.

 Não muito tempo depois da empresa começar suas operações, rapidamente aumentaram as vendas e abriram o mercado vendendo os seus produtos para mais de 20 grandes e médias empresas de processamento de máquinas. A sua receita aumentou nos três anos seguintes.

 Quando a polícia soube que a empresa era propriedade dos praticantes, foi até aos proprietários da empresa, o Sr. Li Wensheng e o Sr. Wu Jinping, e saqueou a empresa em 24 de fevereiro de 2008. A polícia também confiscou o cofre contendo dinheiro, talões de cheques da empresa, talões de transações, selos públicos, selos financeiros, selos de representantes legais e outros itens de negócios, que poderiam ser usados para tirar dinheiro das suas contas bancárias. Eles também apreenderam um carro da empresa e prenderam o motorista contratado.

 A empresa acabou sendo forçada a fechar, causando uma perda de milhões. Muitos funcionários perderam o emprego e as suas famílias ficaram em sérias dificuldades financeiras.

Caso 2: Empresa educacional de autores populares é forçada a fechar e livros são confiscados48

 O Sr. Wang Xueming (pseudônimo Yun Xiao), professor da Escola Secundária Damian, na cidade de Chengdu, foi demitido do seu emprego em março de 2003. Em seguida, mudou-se para a cidade de Wuhan, província de Hubei, e fundou a sua própria empresa educacional, a “Sala de aula completa sobre virtude”, para fornecer treino em escrita. Ele publicou também mais de 100 artigos, poemas e versos em várias revistas e periódicos e publicou vários livros didáticos de faculdade. Ele foi selecionado como um dos “11 escritores de prosa de network” em 2008.

 Com sua crescente influência, a polícia de Wuhan prendeu o Sr. Wang em 27 de outubro de 2011. Seu pai faleceu no dia da prisão do filho. As autoridades acusaram o Sr. Wang de “operar um negócio ilegal” e fecharam a sede da sua empresa em Wuhan, bem como várias outras localizações próximas a Wuhan e na cidade de Nanchang, província de Jiangxi. Mais de 6 mil cópias das suas publicações pessoais foram confiscadas. As perdas econômicas diretas totalizaram mais de um milhão de yuans.

2.3 Sem lugar para viver

Caso 1: Casa de professora de piano é confiscada e sua aposentadoria é suspensa49

 A Sra. Xie Xia, professora de piano do condado de Shuangliu, província de Sichuan, foi demitida logo após o início da perseguição ao Falun Gong em 1999. O seu empregador, a Escola Secundária Vocacional em Huayang, também confiscou a sua casa, subsidiada pela escola, pela qual ela pagou a sua parte na íntegra.

 Nos anos que se seguiram, a Sra. Xie, mãe solteira, mudou-se de um lugar para outro em busca de emprego para sustentar a si mesma e ao seu filho. A Agência 610 local ordenou que os proprietários não alugassem a casa a ela, dificultando-lhe a procura.

 As autoridades suspenderam a sua aposentadoria a partir de julho de 2014, quando o Departamento de Seguridade Social do Condado de Shuangliu recebeu um documento secreto do Comitê de Vizinhança do Município de Dongsheng, ordenando que a agência transferisse a sua aposentadoria para uma conta controlada pelo governo. Os membros do comitê, mais tarde, admitiram que a Agência 610 havia emitido o pedido.

Caso 2: Casa a ser demolida, indenização reduzida em um milhão de yuans50

 Por praticar o Falun Gong, a Sra. Zhang Guilan recebeu apenas 300 mil yuans em compensação quando a sua casa na cidade de Yichun, província de Jilin, estava programada para demolição em 2011, porém deveria ter recebido pelo menos 1,2 milhão de yuans.

 Quando ela contou a um repórter sobre isso, o repórter entrevistou o secretário do Partido do governo do distrito de Nancha, que disse ao repórter: “Zhang Guilan pratica o Falun Gong, então a sua compensação deve ser menor que as das outras pessoas. Ela não deveria praticar o Falun Gong!”.

 O repórter então perguntou: “A lei e a portaria para compensação não mencionam nada específico sobre o Falun Gong; portanto, parece que o que você está fazendo é errado”. O secretário do Partido respondeu: “Aqui no distrito de Nancha, o que dizemos é a lei”.

 Quando a Sra. Zhang se recusou a mudar de casa, as autoridades desligaram os seus serviços públicos. A sua casa estava cercada por água, impossibilitando-lhe uma vida normal. As autoridades também ameaçaram prendê-la se ela se recusasse a se mudar.

Caso 3: Forçado a viver longe de casa51

 O Sr. Ma Qinghai, da cidade de Chifeng, Mongólia Interior, foi forçado a viver longe de casa, com sua esposa e a filha recém-nascida, para evitar ser perseguido desde fevereiro de 2003. Eles se mudaram 16 vezes em três anos para se esconder da polícia. Enquanto se mudavam de um lugar para outro, a filha ficou com os avós idosos.

 Mesmo quando o Sr. Ma e sua esposa não estavam em casa, a polícia continuou a molestar a sua família. Durante uma busca em sua residência à noite, a polícia até olhou sob o edredom pertencente à avó da Sra. Ma, que estava na casa dos 90 anos, aterrorizando-a.

 O Sr. Ma foi preso mais tarde, em 2005, e condenado a nove anos de prisão. Ele lembrou:

Depois de implorar aos guardas por um longo tempo, o meu pai finalmente recebeu autorização para visitar-me na prisão em 2006, pela primeira vez em muitos anos. Talvez porque eu sofria de edema generalizado e estava completamente sem saúde, ou talvez o meu pai estivesse emocionado por eu ainda estar vivo, ele apenas olhou para mim por um longo tempo e não disse uma palavra. Olhando para ele, com os cabelos grisalhos, segurei minhas lágrimas e não queria contar-lhe o que passei depois de ser preso. 

Outra vez, o meu filho de 17 anos trouxe a minha filha de cinco anos para me ver. Eu disse-lhe algo que os guardas não queriam ouvir. Eles me bateram e me chutaram na frente da minha filha. Minha filha ficou assustada e chorou muito.

Durante o período em que fui preso, a minha esposa fez todo tipo de trabalho informal para sustentar nossos filhos, para que pudessem ir à escola. Às vezes, ela também me enviava dinheiro para comprar minhas necessidades diárias.

Quando a minha esposa trouxe a minha filha para me ver alguns anos mais tarde, o meu coração ficou cheio de alegria e amargura. A minha filha estava muito mais alta e crescida, mas não estive ao lado dela nem cuidando dela. A perseguição não só me privou da liberdade, mas também tirou a minha função de ser filho, marido e pai.

2.4 Casas saqueadas

Caso 1: Polícia usa gás lacrimogêneo e machado para invadir casa52

 À meia-noite de 8 de agosto de 2009, a polícia da cidade de Manchuri, Mongólia Interior, tentou invadir a casa do Sr. Zhang Yu, onde morava com a sua esposa, a filha adolescente e os seus pais. A família do Sr. Zhang recusou-se a abrir a porta e reteve a polícia até o amanhecer. A polícia então despachou um caminhão de bombeiros e várias dezenas de policiais da delegacia local.

 O impasse durou até o meio dia. A polícia então quebrou uma janela e atirou gás lacrimogêneo na casa do Sr. Zhang, sem considerar o fato dos pais serem idosos e doentes e da sua filha adolescente estar lá dentro. A polícia armada entrou na casa pela janela quebrada.

 Como a polícia havia quebrado a fechadura da porta do Sr. Zhang, ela não pôde ser aberta, então eles usaram um machado para arrombar a porta e levaram os cinco membros da família .

Caso 2: Polícia tenta arrombar casa à noite53

 Às 4 da manhã de 29 de setembro de 2009, policiais apareceram no portão da frente da residência do Sr. Hao Yin, em Tianjin. Eles disseram às suas três filhas que queriam revistar a casa.

 Quando as meninas (Xiaojing, Xiaoyan e Xiaojiao) se recusaram a abrir a porta da frente, vários policiais bateram repetidamente enquanto outros oficiais subiam na parede da frente e as ameaçavam. Quando as meninas gritaram por socorro aos vizinhos, os policiais desceram e foram embora.

 A mãe das meninas, a Sra. Gao Yan'e, foi condenada a 3 anos de prisão por conversar com as pessoas sobre o Falun Gong. O pai das meninas, Sr. Hao Yin, foi preso sem justa causa, teve a sua casa saqueada e depois foi enviado a um campo de trabalho forçado. Ele conseguiu escapar do centro de detenção, mas foi forçado a viver longe de casa para evitar mais perseguições.

Caso 3: Bens pessoais apreendidos em saques a residências54

 Dez policiais invadiram o apartamento da Sr. Yao Tiebin e da Sra. Zhang Fenrong na cidade de Mudanjiang, província de Heilongjiang, em 14 de julho de 2008. A polícia espancou o casal quando tentou impedi-los de saquear a sua casa. Os seus rostos ficaram inchados, pretos-azulados. Um dos oficiais disse-lhes: “O Estado [Partido Comunista Chinês] não permite que pratiquem o Falun Gong. Se praticarem o Falun Gong, violam a lei”.

 A polícia vasculhou a casa deles e saqueou dinheiro, o computador, a impressora e outros pertences da família. O valor total da propriedade é superior a 30 mil yuans.

2.5 Extorsão

Caso 1: Polícia recusa-se a devolver quase 60 mil yuans apreendidos de mulher de Heilongjiang, condenada por causa da sua fé55

 A polícia apreendeu 58 mil yuans em dinheiro da Sra. Luo Caisen ao saquear a sua casa em agosto de 2018 e recusa-se a devolver o dinheiro para ela.

 A polícia inicialmente alegou que o dinheiro fazia parte das evidências da acusação e que só poderia devolvê-lo após o julgamento da Sra. Luo. Quando a polícia submeteu o caso da Sra. Luo à Procuradoria de Acheng, em 7 de outubro, o dinheiro não foi incluído. Quando o promotor indiciou a Sra. Luo e transferiu o seu caso para o Tribunal de Acheng, também não listou o dinheiro como evidência no processo.

 Ao conversar com o advogado da Sra. Luo e da sua família, o juiz do Tribunal Acheng deixou bem claro que o dinheiro confiscado pela polícia não tinha nada a ver com o caso. Como o filho da Sra. Luo precisava do dinheiro para os negócios da família, ele encontrou o policial Gao após a audiência da sua mãe em 7 de dezembro de 2018 e pediu-lhe o dinheiro novamente.

 Dessa vez, Gao disse que devolveria o dinheiro depois de o juiz emitir o veredito. Recentemente, foi confirmado que a Sra. Luo foi condenada a um ano e meio de prisão por não renunciar à sua fé, mas a polícia ainda não devolveu o dinheiro à sua família.

Caso 2: Polícia confiscou 100 mil yuans em dinheiro quando saqueou o escritório imobiliário de um casal56

 O Sr. Zuo Hongtao e a sua esposa da cidade de Qinhuangdao, província de Hebei, foram presos em 9 de junho de 2017, juntamente com quatro praticantes do Falun Gong que estavam visitando-os. A polícia vasculhou o escritório imobiliário do casal, confiscou 100 mil yuans em dinheiro, que o Sr. Zuo mantinha à mão para transações comerciais, bem como 50 mil yuans em dinheiro, que outro praticante mantinha no seu escritório.

 A polícia também apreendeu a motocicleta elétrica no escritório do Sr. Zuo, a nova motocicleta elétrica do segundo praticante e um carro que o terceiro praticante havia emprestado da sua amiga e que estava cheio de roupas que ela estava vendendo. A polícia não apresentou um mandado de busca durante o saque à residência nem forneceu uma lista de itens confiscados posteriormente.

Os praticantes foram posteriormente condenados de 8 a 13 anos de prisão por não renunciarem à sua fé. A esposa do Sr. Zuo, Sra. Cui Qiurong, que não pratica, mas apoia o Falun Gong, foi condenada a 19 meses.

2.6 Retenção de aposentadoria

Caso 1: Polícia falsifica documento de emprego e elimina 27 anos de serviço do plano de aposentadoria de praticante57

 Depois de trabalhar no Escritório de Serviços Públicos Urbanos e Paisagismo em Pequim durante 30 anos, o Sr. Wang Shuxiang ficou surpreso ao descobrir que não tinha nada na sua conta da aposentadoria e o seu arquivo pessoal indicava que ele tinha apenas dois anos e nove meses de serviço.

 A equipe do Centro de Serviços de Talentos do Distrito Dongcheng disse à esposa do Sr. Wang que a polícia havia pego o arquivo e alterado. Quando a Sra. Wang visitou a delegacia de polícia local, eles admitiram que eram responsáveis por alterar o arquivo pessoal do marido. Eles prometeram dar-lhe 30 mil yuans como compensação, mas recusaram-se a estabelecer seu histórico de emprego.

Caso 2: Aposentadoria de homem de Guizhou é suspensa desde 200158

 O Sr. Zhang Shougang aposentou-se em 2000 do Departamento de Atletismo da cidade de Zunyi. O seu empregador suspendeu a sua aposentadoria quando foi preso pela primeira vez em 2001, porque recusou-se a renunciar ao Falun Gong. Ele encontra-se em apuros financeiros há 20 anos. 

 O filho do Sr. Zhang ainda não havia completado dez anos quando o seu pai foi preso. O garoto foi forçado a abandonar a escola quando o pai foi preso e, durante seis anos, teve que pedir dinheiro emprestado a parentes para sobreviver.

 Quando o pai foi libertado pela segunda vez, o garoto já era adolescente e eles tiveram de vender a casa para pagar suas dívidas.

Caso 3: Aposentadoria retida para saldar os fundos recebidos durante a prisão59

 Nos últimos anos, o regime comunista chinês emitiu uma nova política que proíbe aos cidadãos chineses de receberem aposentadoria enquanto cumprem pena na prisão. Assim, muitos praticantes do Falun Gong libertados da prisão descobriram que as suas aposentadorias foram suspensas pelo agente local de segurança social, a fim de reembolsar os fundos que haviam recebido durante a prisão. 

 A Sra. He Zhongli voltou para casa em 14 de abril de 2019, depois de cumprir 3 anos de prisão por não renunciar à sua fé no Falun Gong.

 A aposentadoria da mulher de 73 anos foi suspensa desde o final de 2018. Disseram a ela que os benefícios não seriam restabelecidos até que ela pagasse todos os fundos desembolsados a ela durante sua prisão.

2.7 O Estado Orwelliano atual

 Além de perder oportunidades educacionais e ter as suas propriedades pessoais apreendidas, muitos praticantes do Falun Gong também enfrentam um perigo constante e a pressão de serem encontrados a qualquer momento e em qualquer lugar. Especialmente com o desenvolvimento da tecnologia de vigilância, os cidadãos chineses estão sendo controlados pelo regime comunista chinês a um nível sem precedentes .

2.7.1 Negação de passaportes e documentos de identidade

 As autoridades confiscaram os documentos de identidade de muitos praticantes do Falun Gong, dificultando viagens, serviços bancários, hospedagem e outras transações diárias. Quando os praticantes recebem carteiras de identidade, estas são frequentemente sinalizadas, criando barreiras para viajar e para realizar transações financeiras diárias. Os praticantes continuam sujeitos a uma vigilância rigorosa em suas vidas diárias.

Caso 1: Homem de Heilongjiang é incapaz de retirar dinheiro da sua conta bancária sem sua identidade60

 O Sr. Wang Zhibiao solicitou uma nova identidade na delegacia de polícia em 20 de janeiro de 2008. Foi-lhe dito que voltasse em 20 de maio para obter sua nova identidade. Quando voltou conforme o previsto, foi informado que não poderia ter uma nova identidade porque praticava o Falun Gong. O Sr. Wang voltou à delegacia várias vezes, mas ainda não conseguiu uma identidade. 

 O seu filho casaria em julho de 2008. Sem o documento de identidade, o Sr. Wang não conseguia sacar dinheiro da sua conta bancária, o que afetou os planos de casamento de seu filho.

Caso 2: Pais de residente japonês tiveram passaporte negado cinco vezes61

 A solicitação de passaporte do Sr. Zhang Youliang e da Sra. Fu, dois nativos da província de Jiangxi, agora residentes em Xangai, foi rejeitada cinco vezes de 2004 a 2009. O passaporte serviria para visitar o filho deles no Japão.

 A polícia disse-lhes que os passaportes foram negados porque eles praticavam o Falun Gong. A polícia também providenciou que policiais à paisana controlassem as atividades diárias do casal.

 A polícia escreveu no passaporte do casal:

As informações fornecidas nas suas solicitações são precisas, mas eles são praticantes do Falun Gong, uma das cinco categorias de pessoas que estão proibidas de viajar para o exterior. As suas solicitações foram submetidas aos superiores hierárquicos para revisão.

 De acordo com uma lista de “documentos suplementares exigidos para viagens pessoais ao exterior” pela Autoridade do Porto de Entrada, da cidade de Hengshi, na província de Hebei62, a delegacia de polícia local do solicitante deve apresentar documentos mostrando que o mesmo não seja um praticante do Falun Gong.

Caso 3: Mulher de Heilongjiang, presa na estação de ônibus por causa de documento de identidade marcado, é condenada a sete anos de prisão63

 A Sra. Cai Weihua, uma praticante do Falun Gong da cidade de Harbin, província de Heilongjiang, foi detida pela polícia no dia 6 de fevereiro de 2018, quando estava prestes a embarcar em um ônibus para visitar os seus pais no feriado de Ano Novo Chinês. Isso ocorreu porque a polícia descobriu que a Sra. Cai pratica o Falun Gong depois de digitalizar sua identidade, enquanto ela passava pelo posto de controle de segurança.

 A polícia prendeu a Sra. Cai e o seu marido, Sr. Li Bowei, que não pratica o Falun Gong. Os agentes levaram-nos para casa e saquearam a residência. A Sra. Cai foi, mais tarde, condenada a sete anos de prisão pelo Tribunal Distrital de Daowai em novembro de 2018 e multada em 30 mil yuans.

2.7.2 Vigilância constante

 Os praticantes do Falun Gong são controlados enquanto andam na rua, fazem check-in em um hotel, enviam uma carta, fazem uma doação, compartilham nas mídias sociais e realizam outras atividades rotineiras. Alguns foram até denunciados por crianças que foram atraídas pela polícia para se tornarem “agentes disfarçados”.

Caso 1: Parado pela polícia enquanto andava pela rua64

 O Sr. Guan Yunzhi foi detido pela polícia quando estava andando na rua em 30 de julho de 2014. Ao descobrir que era um praticante do Falun Gong, a polícia o prendeu e o interrogou durante a noite na esquadra. Ele foi detido por mais de 50 dias e teve 5 mil yuans extorquidos porque a polícia encontrou informações relacionadas ao Falun Gong no seu celular.

Caso 2: Casal de Heilongjiang é assediado pela polícia após check-in no Hotel de Pequim65

 A Sra. Zhang Yanfen e o seu marido, Sr. Tao Yongjun, (que não praticam o Falun Gong) foram a Pequim para visitar a sua filha, a Sra. Tao Can, em 11 de abril de 2012.

 A Sra. Zhang deu entrada no hotel com a identidade de sua filha. Por volta das 19 horas, policiais bateram à porta da Sra. Zhang e ordenaram que ela lhes dissesse o local de trabalho e endereço da sua filha. Também telefonaram à filha usando o telefone do Sr. Tao e perguntaram se ela ainda praticava o Falun Gong. Ela recusou-se a responder.

Caso 3: Mulher de Shandong é presa e levada a campo de trabalho forçado após funcionários dos correios encontrarem informações sobre o Falun Gong na sua caixa de correio66

 Um funcionário dos correios da cidade de Longkou, província de Shandong, denunciou a Sra. Qu Xianghua para a Agência 610 local após encontrar informações relacionadas ao Falun Gong em uma carta que ela havia enviado no dia 1º de agosto de 2008. Policiais foram à casa da Sra. Qu no dia seguinte e prenderam-na. Eles também revistaram a sua casa e confiscaram o seu computador e a sua impressora.

 A Sra. Qu recebeu um ano e meio de trabalho forçado no final de agosto. Ela foi severamente torturada e pressionada a fornecer informações sobre outros praticantes à polícia.

Caso 4: Agricultor empobrecido é preso após fazer uma doação para ajudar vítimas do terremoto de Sichuan67

 Quando soube do terremoto de magnitude 7,9 na província de Sichuan, em 2008, o Sr. Yin Zemin, um praticante do Falun Gong da província de Hebei, consultou a sua família e decidiu doar 500 yuans que tinha guardado para os cuidados médicos do seu pai para ajudar nos esforços de ajuda às vítimas na área devastada.

 Quando a polícia local soube da sua doação, prenderam o Sr. Yin em 6 de junho de 2008, com base no raciocínio de que "os praticantes do Falun Gong não têm dinheiro; portanto, alguém com os recursos para doar 500 yuans deve ser um ‘coordenador’”.

Caso 5: Mulher é condenada à prisão por compartilhar áudio sobre o Falun Gong nas mídias sociais68

 A Sra. Che Guoping da cidade de Dezhou, província de Shandong, estava a caminho do trabalho no dia 22 de maio de 2017, quando mais de dez oficiais a prenderam

 A funcionária da Companhia de Energia de Huaneng foi indiciada porque compartilhou um arquivo de áudio com informações sobre o Falun Gong nas mídias sociais. Os oficiais saquearam a sua casa e confiscaram mais de dez celulares, um iPad e outros pertences pessoais

 A Sra. Che apareceu no Tribunal Distrital de Decheng em 9 de novembro de 2017 e foi sentenciada a três anos e meio de prisão com uma multa de 5 mil yuans em dezembro de 2017.

Caso 6: Atrair crianças com dinheiro para agir como “agentes secretos”69

 A polícia na província de Sichuan tem usado dinheiro para atrair crianças para serem seus “agentes disfarçados”. Ela faz as crianças irem à casa dos praticantes do Falun Gong e fingir que pedem informações sobre o Falun Gong ou para seguir e monitorar os praticantes, que, mais tarde, são presos. Cada criança recebe dez yuans como recompensa.

 Na manhã de 10 de novembro de 2006, vários estudantes foram à casa da Sra. Li Zefen e perguntaram se ela ainda tinha material informativo sobre o Falun Gong. “Nós realmente gostamos dos marcadores de livro do Falun Gong e queremos mais alguns”, eles disseram. A Sra. Li deixou as crianças entrarem. Ela trouxe os bancos para que elas pudessem se sentar no seu quintal. Não demorou muito, dois veículos da polícia chegaram. Vários policiais revistaram a casa da Sra. Li e a levaram para longe. A Sra. Li recebeu, mais tarde, um ano e três meses de sentença em campos de trabalho forçado.

2.8 Famílias colocadas contra os praticantes 

 Quando a coerção e a tortura falham em conseguir que os praticantes desistam de sua fé, as autoridades recorrem a apelos emocionais dos membros da família para desgastar as defesas mentais dos praticantes. Enquanto as famílias de alguns praticantes ainda os apoiavam, outras se voltaram contra eles e ajudaram as autoridades a perseguir os praticantes a fim de protegerem os seus próprios interesses.

 A Sra. Ding Xiaoxia, uma professora de inglês do ensino médio na província de Jilin, lembrou como os líderes de sua escola usaram essa estratégia para forçá-la a desistir da prática do Falun Gong70:

Depois de várias rodadas de lavagem cerebral, eu ainda me recusei a renunciar ao Falun Gong, então pediram à minha família para ajudar a me convencer. Os meus pais vieram primeiro à minha escola. Eles me bateram e me repreenderam. Depois foi o meu marido.

Depois foi o meu filho, que havia acabado de se formar na escola secundária. Assim que ele me viu, ajoelhou-se à minha frente, chorando: ‘Mãe, não faça mais isso. Tenho tantas saudades de você. Volte para casa’. O meu coração ficou partido, mas permaneci em silêncio para o seu apelo.

Outra vez, pediram à minha irmã mais velha para me convencer. Ela disse que o meu pai estava no hospital e em estado crítico. Ela me disse chorando que foi por minha causa que a saúde do meu pai começou a deteriorar-se. Se eu concordasse em desistir da minha fé, talvez ele ainda tivesse uma chance de se recuperar. Mas se insistisse em manter a minha fé, eles não me perdoariam se algo acontecesse com o meu pai. Acreditei nela. Rendendo-me a fortes emoções familiares e preocupada que iria perder o meu pai, escrevi a declaração renunciando ao Falun Gong.

Os líderes da escola ficaram eufóricos e finalmente me deixaram ir para casa. Quando cheguei lá, percebi que havia sido enganada. Meu pai estava muito bem e nunca havia ido ao hospital.

 Em uma revisão de desempenho político, os membros da família do pessoal da força aérea tiveram que preencher um formulário e responder perguntas sobre as suas atitudes em relação ao Falun Gong e se eles haviam se envolvido em “atividades ilegais do Falun Gong”71.

Caso 1: Filha doutrinada agride mãe e a denuncia à polícia72

 Depois da perseguição ao Falun Gong começar em 1999, a filha da Sra. Hu Lingying, Li Huaying, se opôs fortemente a que ela continuasse a praticar. Li agrediu e abusou da sua mãe várias vezes. Ela também denunciou a Sra. Hu à polícia, resultando na sua detenção.

 Em julho de 2003, a Sra. Hu foi denunciada novamente e levada para a polícia. Após a polícia ter ordenado a Li que a levasse para casa, ela trancou a Sra. Hu em casa todos os dias, temendo que ela saísse.

 Quando a Sra. Hu exigiu que ela abrisse a porta, Li usou um prego para golpear a sua cabeça, costas e parte superior do corpo. A cabeça da Sra. Hu ficou coberta de sangue e com o rosto inchado. Embora a Sra. Hu estivesse gravemente ferida, Li nunca procurou cuidado médico para a mãe.

Caso 2: Ex-marido recebe certificado de honra pelo seu papel ativo na perseguição73

 Liu Jun, secretário-adjunto do Comitê do Partido Comunista do Município de Yongyang, província de Hebei, e ex-marido da praticante Sra. Liu Xiufeng, recebeu um Certificado de Honra em 2001 pelo seu papel ativo na perseguição e por se separar-se da Sra. Liu através do divórcio. A Sra. Liu recordou:

Para me forçar a desistir da prática, o meu ex-marido me batia muitas vezes, deixando feridas no meu rosto e no meu corpo. O diretor da Agência 610 local disse a ele uma vez: “Se ela ainda for muito teimosa, pode bater nela até que fique inválida. “Seria melhor se a aleijasse, em vez de deixá-la ir a Pequim ou sair para promover o Falun Gong novamente”.

 Apesar de Liu Jun ter aprendido o Falun Gong antes, ele cedeu ao Partido após o início da perseguição. Enquanto a Sra. Liu estava detida em um centro de detenção em 2001, ele divorciou-se dela e só lhe deu 200 yuans. Ele casou-se novamente mesmo antes dela receber o papel de divórcio. Ele também destruiu todos os livros e materiais do Falun Gong da Sra. Liu.

Caso 3: Mãe é espancada até à morte pelo filho por praticar o Falun Gong74

 A Sra. Lu Shurong morreu devido a ferimentos quando o seu próprio filho, Du Xuedong, bateu nela por causa da sua fé no Falun Gong, em 21 de outubro de 2018. Ela tinha 77 anos.

 Du, na casa dos 50 anos, pagou duas vezes a fiança para que a sua mãe fosse libertada depois dela ser presa por se recusar a renunciar à sua crença. Veterano militar, Du foi treinado para seguir ordens, e ficou cada vez mais hostil com sua mãe depois que ela continuou a praticar o Falun Gong após a sua libertação.

 Ele também ficou preocupado que a fé da sua mãe afetaria a chance do seu filho se tornar um funcionário do governo.

 Em 27 de setembro de 2018, Du voltou para casa bêbado. Assim que entrou pela porta, começou a bater na mãe. Quando seu pai, Du Zhongsan tentou detê-lo, o filho também bateu no seu pai idoso, de 83 anos. O filho continuou a bater na sua mãe por mais de uma hora. Ela ficou com dez costelas trincadas, um pulso quebrado, hematomas por todo o corpo e seu rosto ficou ferido e inchado.

 Depois a Sra. Lu foi levada ao hospital, o médico encontrou múltiplas fraturas em uma costela, a costela quebrada havia perfurado o seu pulmão. A maioria dos seus órgãos internos também estavam gravemente feridos. O hospital emitiu vários avisos de estado crítico durante os 24 dias em que ela esteve internada antes de morrer.

Capítulo 3: O sofrimento dos filhos dos praticantes do Falun Gong 

 A Sra. Wang Jingqi relata como foi a provação da sua família na perseguição ao Falun Gong75:

A nossa vida, antes celestial, virou um inferno. O pai vivia muito perturbado. Ele fumava todos os dias para escapar da realidade. Eu estava na faculdade e preocupada com o meu trabalho escolar e com a segurança da mãe. Ouvi dizer que ela foi espancada e torturada com bastões elétricos num centro de detenção. Queria muito ir lá e gritar com os guardas para pararem com isso, mas me contive porque isso poderia trazer mais problemas para ela.

Em casa, descontava minha raiva nas teclas do piano enquanto tocava. O pai ficava em silêncio. Ele fumava de cabeça baixa, escondendo toda sua preocupação, raiva e culpa, porque não conseguia proteger a sua esposa e evitar que fosse ferida.

A minha mãe frequentemente era presa e detida e perdeu muitos momentos importantes da minha vida: a minha formatura na faculdade, o meu primeiro emprego e o meu casamento. Apesar da tortura desumana, a minha mãe nunca desistiu da sua prática. A razão era simples: ela teria morrido muitas vezes se não tivesse praticado o Falun Dafa. Durante a sua terceira detenção, ela iniciou uma greve de fome para protestar contra a perseguição e o seu peso caiu de 60 kg para 35 kg. Quando os guardas a alimentaram à força, arrancaram-lhe os dentes, bem como a maior parte do cabelo. Ela foi mandada para casa em um estado crítico.

Quando chegou em casa, ela retomou os exercícios do Falun Dafa, leu os ensinamentos e se recuperou rapidamente. Um mês depois, ela podia andar. Embora não tivesse recuperado todo o peso perdido, o seu cabelo cresceu novamente. Ela me pediu para não odiar os policiais. “Seja bondosa com estas pobres pessoas”, ela me disse. As suas palavras foram como uma brisa no meu coração, removendo o ódio e a tristeza que sentia. Sou muito grata ao Falun Dafa.

Em março de 2009, a minha mãe foi detida pela quarta vez. Um telefonema despertou-me à noite. Enquanto estava em uma viagem de negócios, o meu pai faleceu de um ataque cardíaco. Quando o vi no hospital, o seu corpo já era um cadáver frio e rígido.

Foi o momento mais devastador da minha vida. Os meus parentes me ajudaram a conseguir que ele fosse cremado. Enquanto levava as suas cinzas para fora da casa funerária, não conseguia ouvir um som a não ser a minha própria respiração e batimentos cardíacos. A minha mente estava lúcida. Sabia quem matou o meu pai. Ele havia sofrido tanta pressão e dor. Ele não teria morrido tão cedo se a perseguição ao Falun Dafa não tivesse acontecido.

 Como Wang Jingqi, muitas vidas de crianças foram viradas de cabeça para baixo, quando o regime comunista chinês lançou subitamente a sua campanha nacional de perseguição ao Falun Gong.

 Embora pessoas de todas as idades tenham sofrido por causa disso, o sofrimento infligido às crianças é o mais desolador e prejudicial para a sociedade. As crianças na escola sofrem lavagem cerebral para fazê-las odiar o Falun Gong. Visando formar uma nova geração, elas são treinadas para serem leais ao PCC ao invés de serem ensinadas a pensar independentemente.

 Além da lavagem cerebral, muitas crianças também crescem com medo de que suas famílias sejam destruídas pelo PCC. Algumas crianças se tornaram órfãs quando ambos os pais foram condenados a longas penas de prisão ou foram torturados até a morte; outras tiveram que se deslocar de um lugar para outro para se esconderem da polícia. Várias crianças foram humilhadas e intimidadas pelos seus colegas de classe, algumas foram expulsas da escola e privadas de educação, outras foram detidas e torturadas, e muitas delas se tornaram loucas ou até morreram ainda jovens depois de terem sido torturadas ou sofrido um tremendo choque mental, que até pessoas adultas não seriam capazes de suportar.

 Nesses 20 anos que se passaram, um bebê na época, seria agora um estudante universitário; os estudantes universitários de então estão agora com meia-idade, estabelecendo as suas próprias famílias e começando a próxima geração. Crescer com medo e ver os seus entes queridos serem presos e torturados uma e outra vez terá um impacto duradouro sobre essas crianças, as suas famílias e os seus próprios filhos.

3.1 Lavagem cerebral nas crianças

 O PCC não só faz lavagem cerebral nos praticantes do Falun Gong, mas também infunde ódio ao Falun Gong em pessoas que não são praticantes, especialmente em crianças. Atualmente, uma geração inteira de chineses cresceu imersa na propaganda do PCC que difama o Falun Gong nas escolas e em outros ambientes.

 Um estudante sino-americano de dez anos, que visitou a sua família na China em fevereiro de 2001, escreveu76:

Quando falamos sobre o Falun Gong, meu primo só tinha ouvido a história unilateral promovida pelo governo chinês. Ele nunca havia conhecido um praticante de verdade. Quando o governo chinês disse às pessoas para assinarem seus nomes dizendo que o Falun Gong não era bom, todos estudante do colégio e do ensino fundamental eram obrigados a assinar, mesmo que fosse contra a vontade deles. O meu primo de nove anos também teve que assinar. Na primeira semana de escola, eles não ensinaram nada. Eles apenas mostraram [aos alunos] como mentir. O livro didático deles dizia que os EUA estavam usando o Falun Gong para destruir a China.

 Naquela época, a Associação Chinesa Anticulto (ACA), uma agência governamental sob a Sociedade e Associação de Tecnologia da China, estava promovendo uma campanha “um milhão de assinaturas” nas escolas, na qual professores e administradores forçaram os alunos a assinar denúncias contra o Falun Gong. O PCC então promoveu essas assinaturas através da mídia estatal e as apresentou às Nações Unidas como evidência da “vontade do povo” de reprimir o Falun Gong77.

 Apenas 12 dias depois da campanha de assinaturas ser lançada em Pequim, a China Central Television (CCTV) transmitiu a “a autoimolação em Tiananmen”, em 23 de janeiro de 2001, um evento que impulsionou o aumento da perseguição do Partido Comunista Chinês contra o Falun Gong. A campanha de assinaturas foi então promovida através do sistema educacional em todo o país.

 Em uma escola de ensino fundamental na província de Liaoning, em março de 2001, mais de mil alunos receberam um panfleto vermelho da escola e disseram para mostrá-lo aos seus pais. O panfleto continha as frases: “Sustente a ciência, recuse folhetos [sobre o Falun Gong]” etc.

 Após três dias, a escola suspendeu todas as aulas e começou a campanha de assinaturas. Disseram a todos os alunos para ficarem em uma fila. Depois de serem contados, os alunos então receberam a ordem de caminharem para as mesas e assinarem os seus nomes. Havia sete ou oito professores ao lado das mesas para controlá-los78.

 Qu Mingjun, uma menina de oito anos, escreveu isto ao Minghui: “A nossa professora na escola disse-nos que devíamos todos assinar em apoio ao movimento contra o Falun Gong. Eu me recusei a assinar. Estávamos procurando oportunidades para escapar, mas a nossa professora ficou todo o tempo na nossa frente. Então, fui forçada a assinar o meu nome. Senti vontade de chorar quando cheguei em casa. Estou escrevendo esta carta para invalidar a minha assinatura79”. 

 Além dos estudantes, os funcionários da escola (incluindo aposentados) também foram obrigados a assinar sob ameaça de “exoneração do seu cargo e detenção em um campo de reeducação laboral80”.

 Dois meses após a campanha de assinaturas, a delegação da ACA levou mais de um milhão e meio de assinaturas à Conferência de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, em março de 2001, alegando que os direitos humanos da China estavam “no seu auge” e que essas assinaturas refletiam “o desejo do povo chinês81”.

3.1.1 ACA nos bastidores das campanhas  de lavagem cerebral

 A ACA foi criada para motivar as pessoas em todos os níveis da sociedade a se unirem ao movimento para criticar o Falun Gong e pressionar os praticantes do Falun Gong a renunciarem à sua fé.

 Wang Yusheng, diretor-adjunto e secretário-geral da ACAC, afirmou em 2003: “Desde que a ACA foi fundada, em novembro de 2000, já realizou quase mil exposições e atividades de propaganda em todo o país e sediou mais de mil conferências e fóruns. Também criou o “site China anticulto” e foram produzidos mais de 20 filmes e 400 mil livros82”.

 A associação também compilou livros didáticos que caluniam o Falun Gong e os incorporou ao “Manual experimental dos nove anos do ensino fundamental obrigatório”, colocando a farsa da autoimolação em Tiananmen como o núcleo da propaganda contra o Falun Gong.

3.1.2 A lavagem cerebral começa no ensino fundamental

 Pensamentos e Educação Moral (décimo volume) é um livro didático para escolas do ensino fundamental, impresso em novembro de 2003, pela terceira vez, pela Casa da Educação Popular. Ele destacou a farsa da autoimolação como um estudo de caso e promoveu o ódio ao Falun Gong83. Segue um trecho traduzido do livro:

 Leia a seguinte história e fale sobre os seus pensamentos. 

Ela era uma garota adorável e muito bonita. Muitos dos seus colegas a chamavam de “Querida”. Mas quando a sua mãe ficou obcecada pelo Falun Gong, a sua desgraça começou.

Embora a pequena Siying não esteja mais entre nós, o seu grito, de coração partido “Tio, salve-me!” ainda ecoa em nossos ouvidos. Esta menina de 12 anos pagou o preço por um rosto desfigurado e mãos queimadas e finalmente percebeu a verdade do culto. As suas palavras “A minha mãe mentiu para mim” é a sua denúncia de sangue e lágrimas contra o Falun Gong. Mas quem enganou a mãe dela? Foi Li Hongzhi e as mentiras tortuosas do Falun Gong!

3.1.3 Outras formas de lavagem cerebral

 Para justificar a perseguição ao Falun Gong, muitas outras atividades de propaganda e lavagem cerebral de alcance e profundidade sem precedentes foram projetadas e implementadas.

 No Shengli Oilfield na província de Shandong, a ACA patrocinou performances dramáticas difamando o Falun Gong e transmitiu-as pela TV, forçando os professores a comporem canções difamando o Falun Gong para que as crianças em idade escolar cantassem.

 Em 15 de outubro de 2003, a associação ofereceu prêmios em um concurso de perguntas e respostas para difamar o Falun Gong e publicou as respostas no jornal Shenli Daily.

 A associação também orientou professores e alunos a escreverem artigos para difamar o Falun Gong e defendeu um movimento estudantil para “dizer não aos cultos” no ano de 2002. Eles selecionaram 208 artigos dos 1.775 que foram submetidos e realizaram uma apresentação que foi compilada em uma coleção chamada “O florescer da luz do Sol”, a primeira coleção nacional publicada de obras “anticulto”84

 Na província de Hebei, o Yanzhao Evening publicou uma página completa de reportagens selecionadas dos “Artigos anticulto premiados da província de Hebei”, patrocinado pela Agência 610 da Província de Hebei, em 17 de novembro de 2004. 

 Em um artigo intitulado “As folhas desaparecidas e caídas na chuva”, de Wang Nan do Colégio de Tecnologia de Handam, o autor alegou que a sua mãe se divorciou do seu pai porque praticava o Falun Gong. De acordo com o artigo, no dia seguinte do decreto de divórcio, a mãe supostamente cometeu suicídio junto com várias outras praticantes, perfurando os seus próprios estômagos.

 Quando os praticantes locais do Falun Gong contataram o jornal e perguntaram se o artigo havia sido investigado e a sua autenticidade verificada, a pessoa que atendeu o telefone respondeu: “Estes artigos não são nossos. A Agência 610 da região organizou uma página inteira para as suas próprias publicações85”.

3.2 Mortes prematuras

 Alguns filhos de praticantes do Falun Gong morreram depois de haverem sido separados à força dos seus pais e privados de condições básicas de sobrevivência; alguns faleceram em consequência dos abusos que sofreram por eles próprios praticarem o Falun Gong.

Caso 1: Menina de quatro anos fica traumatizada e falece86

 Quando Wang Shujie tinha apenas dois anos, ela testemunhou a polícia prender os seus pais várias vezes na sua frente. Durante uma batida policial, em 3 de dezembro de 2000, o policial gritou com o seu pai e bateu no rosto dele com um livro. Shujie desmaiou devido ao choque e ao medo.

 Depois de voltar a si, ela ficou com febre e encharcada de suor. Balançava a cabeça para frente e para trás devido às fortes dores de cabeça que estava sentido. Estava agitada e inquieta e passou a bater com a cabeça na parede. A polícia foi à casa da Shujie várias vezes para prender os seus familiares. Quando o seu pai foi detido, ela segurava uma foto sua com ele e chorava amargamente.

 A polícia voltou em pouco menos de um ano, empunhando cassetetes, para prender os pais de Shujie novamente. Ela havia acabado de dormir minutos antes e acordou gritando: “Papai, mamãe, eu não vou deixar que eles levem vocês!”.

 Os repetidos traumas mentais e o medo constante levaram a uma deterioração da sua saúde, e ela tinha dificuldades em comer e dormir. Durante dois anos, ela simplesmente parou de crescer.

 Quando Shujie tinha quatro anos, o médico encontrou um tumor benigno em seu cérebro. No entanto, pouco depois de haver sido operada, ela parou de respirar e morreu em julho de 2002.

Caso 2: Estudante de 14 anos de idade falece87

 Zhang Cheng começou a praticar o Falun Dafa em 1994, com o seu pai. Depois da perseguição começar, o seu pai foi para Pequim para apelar pelo direito de praticar.

 A polícia invadiu a casa deles e levou quase tudo. Zhang Cheng era constantemente assediada e logo desenvolveu leucemia. Ela faleceu em fevereiro de 2001.

Caso 3: Pai exilado, mãe perseguida até à morte, filho morre88

 Sun Feng estava no sexto ano e os seus pais praticavam o Falun Gong. Depois que a perseguição começou, o seu pai, Sr. Sun Hongchang, foi obrigado a sair de casa em 2000, para evitar a prisão. A sua mãe, Sra. Wang Xiuxia, foi para Pequim para protestar e foi presa inúmeras vezes. Ela morreu devido a tortura, 16 dias depois de haver sido presa novamente, em 19 de maio de 2003. A sua família nem sequer teve autorização de ver o seu corpo, porque os policiais a colocaram imediatamente em um caixão e a sepultaram.

 Sun Feng tinha apenas 12 anos nessa época. Ele não podia aceitar o fato da sua mãe haver morrido dessa forma. Ele não só teve de suportar a dor de perder a mãe, mas também tinha que se preocupar com o seu pai. A cada dia que passava, ele ficava mais assustado, o que o afetou mentalmente de forma negativa. Ele vivia com os seus parentes e raramente falava.

 No final de 2004, a sua tristeza e medo afetaram a sua saúde. Ele frequentemente desmaiava e foi levado à Universidade de Medicina de Shenyang para tratamento de emergência. Parecia só melhorar depois de receber uma transfusão de sangue. Solitário e com muitas saudades dos seus pais, Sun Feng morreu em 26 de março de 2006, com apenas 14 anos.

Caso 4: Jovem de 18 anos é expulsa da escola, estuprada por um bandido e morre de tuberculose depois de ficar desabrigada89

 A Sra. Zhang Yichao, uma menina alegre e cheia de vida, profundamente amada pelos seus pais, parentes e amigos, foi expulsa da escola porque ambos os pais praticavam o Falun Gong e ela recusou-se a assinar uma petição contra o Falun Gong.

 Depois que os seus pais intervieram, a escola concordou em reintegrá-la. No entanto, o secretário do Partido Comunista Chinês da escola, Meng Xianmin, chamava-a para uma conversa toda semana. Todas as vezes, eles exigiam que ela escrevesse um relatório e se distanciasse do Falun Gong e dos seus pais. Durante o tempo em que os seus pais estavam detidos, um grupo de crianças que odiavam o Falun Gong, por causa das propagandas difamatórias, quebrou a porta e várias janelas da sua casa. Yichao, que estava sozinha em casa, ela ficou terrivelmente assustada.

 Alguns meses depois, os pais foram enviados para campos de trabalho forçado e Yichao foi definitivamente expulsa da escola. Aos 15 anos, ela foi forçada a viver longe de casa e mudava-se frequentemente para evitar o assédio constante das autoridades.

 Uma noite, um marginal quebrou a janela da sua casa, invadiu seu quarto e a estuprou. Mais tarde, Yichao contraiu tuberculose quando fazia trabalhos temporários para sobreviver. Ela não tinha dinheiro para consultar um médico e se sentia indisposta para ir para casa. Na manhã de 6 de abril de 2005, ela morreu no hospital. Ela tinha 18 anos. Em 17 de dezembro de 2005, oito meses após a morte de Yichao, a sua mãe, a Sra. Fu Guiying, também morreu por causa da perseguição90.

3.3 Órfãos

“Tenho quase dez anos. A minha mãe foi torturada até à morte em 2001 porque ela praticava o Falun Gong, e eu nem sei como ela era. Agora não tenho mãe. O meu pai, Xiao Sixian está na sua prisão. Agora sou uma órfã e não tenho ninguém para tomar conta de mim. O meu pai não fez nada de mal. Todos dizem que ele é um bom homem. Por favor, parem de persegui-lo.

A minha professora me disse que as prisões são onde as pessoas más são encarceradas. Porque meu pai está na prisão, mesmo não tendo roubado nada, mesmo que todos na escola gostem dele e digam que ele é um bom professor? A minha professora mentiu para mim, ela está enganando as pessoas?”.

- Xiao Xixi, filha de Xiao Sixian (carta aos funcionários da Prisão de Duyun, província de Guizhou)

 Muitas crianças ficaram órfãs depois que os seus pais foram torturados até à morte ou receberam longas sentenças, e tiveram que viver com os seus familiares ou foram enviadas para um orfanato.

Caso 1: O filho órfão do Sr. Wang Kemin91

 O Sr. Wang Kemin era professor do ensino médio na cidade de Daqing, província de Heilongjiang. A sua esposa faleceu em um acidente de carro, logo após ele haver sido preso e mandado para um campo de trabalho forçado em 2000. Ele foi preso novamente 3 anos mais tarde, em uma época em que ficava mudando com frequência para evitar a perseguição. Ele morreu no mesmo dia em que foi preso. O seu filho, que tinha nove anos, ficou órfão.

Caso 2: Menino perde a mãe e é forçado a abandonar a escola para sobreviver92

 A mãe de Wang Defu, Sra. Zhang Haiyan, foi para Pequim para apelar pelo Falun Gong em 2001, quando ele tinha nove anos. Ela foi detida e enviada para o Campo de Trabalho Forçado de Masanjia, com uma sentença de dois anos. Ela foi torturada e veio a falecer em 2004. A morte da sua mãe o devastou. Ele gritou: “Nunca mais vou ver a minha mãe!”. 

 Defu vivia com a família em uma casa de tijolos de barro degradada, com telhado danificado, pois não tinham dinheiro para consertar. A Sra. Zhang era a principal provedora da família e a sua morte deixou todos em dificuldades financeiras terríveis. Defu teve que deixar a escola para trabalhar com o seu pai como pastor no campo, para conseguir pagar as contas.

Caso 3: Mãe torturada até à morte, avó de Piao Yonghe trabalha 11 horas por dia para pagar a sua educação93

 "Ouvi dizer que as flores de lótus no Parque Beishan estão agora em plena floração. Depois do jantar, fiquei ansiosa para que a minha mãe pudesse me levar lá para vê-las...", escreveu Piao Yonghe no seu diário depois que a sua mãe, Sra. Cui Zhengshu, morreu, após ser torturada no Campo de Trabalho Feminino de Heizuizi. 

 A Sra. Cui foi presa em março de 2002 e recebeu uma pena de 3 anos de trabalho forçado por imprimir materiais informativos sobre o Falun Gong. O pai de Yonghe tinha problemas para encontrar um emprego porque também praticava o Falun Gong, a sua avó de 73 anos foi obrigada a trabalhar 11 horas por dia para arrecadar 400 yuans por mês para pagar a sua escola.

Caso 4: A situação do órfão Wu Yingqi94

 Pouco depois de Wu Yingqi perder a sua mãe em um acidente de carro, o seu pai Wu Yueqing foi preso em dezembro de 2001 e condenado a 12 anos por produzir material informativo sobre o Falun Gong.

 O Sr. Wu foi severamente torturado e contraiu tuberculose. Ele foi mandado para casa quando estava perto da morte e faleceu em 23 de dezembro de 2007.

 Yingqi passou a viver com a sua tia, a Sra. Wu Yuexia, quando o seu pai foi preso, mas ele acabou sendo enviado para o orfanato local depois que a sua tia também foi presa e enviada para um campo de trabalho forçado por causa da sua fé no Falun Gong.

Caso 5: Família reunida é devastada95

 Desde os três anos, Shao Linyao via os policiais levarem os seus pais para a prisão com frequência. Ele estava sozinho, aterrorizado e triste porque sentia a falta da sua família. 

 Depois da sua mãe, a Sra. Mu Ping, ser libertada sob fiança após quase 3 anos de tortura no campo de trabalho, Linyao nunca mais saiu do seu lado, temendo que a perderia novamente. Ele não ia para a cama até a sua mãe voltar para casa depois de ter saído. Ele só ficava lá sentado até que ela voltasse para casa. Ele disse em lágrimas: “Eu estava com tanto medo que tivesse sido presa novamente pelas pessoas más. Enquanto você não volta, não consigo ficar calmo”. Mas pouco sabia Linyao que seu pai, o Sr. Shao Hui, já havia sido perseguido até à morte em 2002. A Sra. Mu foi presa novamente em 2006 e condenada a sete anos de prisão.

 Após a prisão da sua mãe, Linyao foi viver com os seus avós, embora a saúde deles estivesse se deteriorando e as suas vidas fossem difíceis.

3.4 Famílias separadas

Caso 1: Infância amarga de Xiaolong96

 Desde os sete anos, Zhang Xiaolong teve que viver com os seus avós, porque os seus pais, Sr. Zhang Chuanzheng e Sra. Guo Xiuhong, foram forçados a viver longe de casa para evitar serem perseguidos. O casal foi preso em 2002 e cada um condenado a dez anos de prisão, um ano depois. 

 Xiaolong foi retirado de casa e não conseguia entender por que os seus pais estavam sendo perseguidos. Ele recebeu outro duro golpe quando o seu avô faleceu. Xiaolong não comeu durante dois dias e não conseguia parar de chorar. Ele e sua avó lutavam para sobreviver enquanto a sua casa estava caindo aos pedaços com rachaduras por toda parte.

Caso 2: Cinco anos: “Sinto falta da minha mãe, quero minha mãe e meu pai de volta!”97

 Mingyuan foi com sua avó ao centro de detenção várias vezes para tentar libertar a sua mãe, mas não tiveram sucesso.

 Quando Sun Mingyuan soube que a sua mãe havia sido torturada e estava em estado crítico, o menino de cinco anos foi com a avó em busca da sua libertação. Ele levantou uma placa que dizia:

Meu nome é Sun Mingyuan e tenho cinco anos. O meu pai foi condenado ilegalmente a 12 anos de prisão porque pratica o Falun Gong. Oficiais da Delegacia de Dehui prenderam a minha mãe em 14 de dezembro de 2004. Agora ela está em greve de fome há 48 dias e está em estado crítico. Estou sozinho, desamparado e separado dos meus pais. Por favor, me ajudem. Sinto falta da minha mãe. Quero a minha mãe e meu pai de volta.

Caso 3: Carta de uma mãe presa por causa de sua fé98

 A Sra. Liu Xinying, enfermeira e praticante do Falun Gong em Dalian, estava cumprindo cinco anos e meio de prisão por sua fé no Falun Gong. A sua prisão99 ocorreu apenas alguns meses depois que o seu marido, Sr. Qu Hui, faleceu, após viver como um tetraplégico confinado em uma cama durante 13 anos, depois de haver sido torturado em um campo de trabalho forçado. Ele sentia dores constantes e a Sra. Liu cuidou dele dia e noite até morrer em 9 de fevereiro de 2014, enquanto também cuidava da filha adolescente. 

 Com a Sra. Liu na prisão, a sua filha, uma menor, foi deixada em casa sozinha. Abaixo está uma carta que a Sra. Liu escreveu para a filha, da prisão, no seu aniversário de 17 anos.

Xinxin:

Minha querida menina, obrigada por ter vindo à nossa família como um anjo, e obrigada por toda a alegria que nos trouxe... No seu 17º aniversário, estou enviando-lhe os melhores votos, mesmo de longe. Espero que a sua vida seja cheia de felicidade e brilho. Desejo a você segurança durante o tempo em que eu não estiver aí. Espero que, depois deste período de separação, nós duas brilhemos com uma iluminação pura de renascimento, como uma fênix que renasce das cinzas.

Há tantas coisas que quero te dizer, mas não sei por onde começar. Durante 13 anos, testemunhamos o tremendo sofrimento do seu pai depois que ele ficou incapacitado devido à tortura. Você era jovem e tinha muitas perguntas. Uma vez, você me perguntou: “Os pais das outras crianças podem ficar de pé. Por que o meu pai tem de ficar na cama?”. A sua pergunta me tornou determinada a buscar justiça para o seu pai, porque não quero que a sua mente inocente seja ofuscada pelas trevas da nossa sociedade.

A mãe sempre pensou que a educação é muito importante. Desejo que depois que crescer, você possa ser uma boa pessoa para os outros e para a sociedade.

Você não pode mudar quem você é por causa do sofrimento do seu pai. Porque depois que uma pessoa nasce, lhe são dadas responsabilidades para assumir. Isto não é algo que possa ser mudado ou negado
...
 Para uma sociedade ou uma nação prosperar, abundância material ou riqueza não são o suficiente. Ela precisa mais do que isso, de uma sólida base moral e bondade das pessoas. Nesse sentido, ainda estamos desempenhando um papel positivo e contribuindo para a sociedade.

É um valor tradicional as famílias serem o alicerce da sociedade. A estabilidade de cada família garante a estabilidade da sociedade. Mas agora, a nossa família desmoronou-se. No dia em que o seu pai morreu, a família que eu tinha gasto tanto tempo e esforço para construir, desmoronou-se...

Obrigada por estar comigo e me consolar durante esse período, especialmente quando o seu pai morreu e eu estava chorando muito, segurando as mãos dele. “Não chore, mamãe. Você deu o seu melhor”, você me disse.

Apenas sete meses depois que o seu pai nos deixou, fui presa novamente e condenada a cinco anos e meio de prisão, deixando-a sozinha em casa... o meu coração sangra sempre que penso nisto, mal me agarro à vida por um fio, um fio de esperança, de fé e de sentido de responsabilidade. Eu não queria que você se tornasse órfã ou que o seu avô perdesse a filha depois que perdi o meu companheiro. Não podia deixar a minha família e amigos que me amam tanto me perderem. Eu mesma não queria me tornar a próxima vítima ou acrescentar mais um pecado aos perpetradores. Com forte fé, sobrevivi.

Agora você está no seu último ano no colégio, e vai fazer o vestibular no ano que vem. Espero que possa levá-lo a sério e estudar muito… neste verão, quando você veio me visitar, me senti muito feliz por te ver, calma e composta. Você me disse: “Mãe, tudo o que você me ensinou está me ajudando a agir melhor daqui para frente. Não se preocupe comigo”.

Agradeça a todos os que te ajudaram durante este período em que estou longe. Que a felicidade e a boa sorte estejam sempre com estas pessoas de bom coração!

Te amo,
 Mamãe.
 20 de setembro de 2015.

3.5 Levados à insanidade

 Muitas crianças sofreram um colapso mental quando o trauma e a dor da perseguição ultrapassaram os limites que podiam suportar.

Caso 1: Adolescente fica demente depois de ser forçada a ver os pais torturados pela polícia100

 Quando tinha 16 anos, Yuanyuan foi forçada a ver os seus pais, o Sr. Hou Guozhong e a Sra. Cheng Xiuhuan serem torturados na Delegacia de Polícia por serem praticantes do Falun Gong. Os policiais espancaram o casal; amarraram-nos a um dispositivo de tortura chamado “banco de tigre”: esticaram os seus braços, as suas pernas e as suas cabeças ao mesmo tempo e suspenderam-nos com as mãos amarradas. 

 A polícia também colocou repetidamente óleo de mostarda no nariz e boca de ambos e depois cobriram suas cabeças com grossos sacos plásticos. Depois de desmaiarem, a polícia jogava água fria sobre eles para os reanimar. Sheng Xiaojiang, o chefe-adjunto da polícia, gritou muitas vezes enquanto dirigia as torturas: “Batam neles até à morte! Vai ser bom espancá-los até à morte!”. 

 Yuanyuan ficou traumatizada com a experiência.

 Depois de ser solta, a polícia em várias ocasiões forçou Yuanyuan a ficar na entrada do prédio onde morava, em dias quentes de verão sem se mover durante horas. Eles ameaçaram bater nos seus pais se ela se atrevesse a se mover. Temendo que os seus pais sofressem mais torturas, Yuanyuan ficou parada até os seus pés ficarem inchados e roxos.

 O medo, a ansiedade e os traumas mentais causaram severos danos à adolescente. Outrora uma aluna excepcional, ela então abandonou a escola e passou a vagar sem destino. Sem renda, ela pegava restos de comida nas latas de lixo.

 Depois que os seus pais foram soltos, eles ficaram devastados ao verem que a sua filha havia enlouquecido. Agora com 32 anos, Yuanyuan não consegue mais cuidar de si mesma e seus pais têm que vigiá-la o tempo todo.

Caso 2: Estudante do ensino médio teve colapso mental por ser perseguido por praticar o Falun Gong101

 Wang Jinghua sempre foi um excepcional aluno, desde a escola primária até o ensino médio. Ele se sobressaía nos estudos e era gentil com todos na escola. Mas, porque falava com os seus colegas sobre o Falun Gong, era constantemente assediado e pressionado pelo seu professor, pela polícia local e pelos agentes da Agência 610 para deixar de praticar.

 Um dos professores de Jinghua cooperou com policiais da Agência 610 para revistarem a sua escrivaninha e a sua mochila escolar afim de averiguarem se ele estava com materiais do Falun Gong. Eles também forçaram os seus pais a assinar uma declaração de garantia para renunciar ao Falun Gong e ordenaram que um deles ficasse com o adolescente o tempo todo na escola. Os seus pais, pressionados pelas autoridades, muitas vezes o criticavam. Os seus amigos na escola também começaram a se distanciar de Jinghua.

 Porque Jinghua se recusou a renunciar à sua fé, as autoridades da escola o expulsaram. Mas os seus pais apelaram e o diretor concordou em suspendê-lo apenas por um ano. Mas quando voltou à escola um ano depois, eles se recusaram a matriculá-lo novamente.

 Jinghua sofreu um colapso mental em 2006, aos 19 anos.

Caso 3: Torturada aos 18 anos até ter um colapso mental102

 A Sra. Zhang Conghui, uma estudante de 18 anos do ensino médio, foi expulsa da sua escola porque escreveu “Por favor, lembre-se que Falun Dafa é bom” para uma colega de classe. Conghui sentiu que não tinha escolha a não ser ir à Praça Tiananmen para apelar por justiça, porém foi presa e enviada a um centro de lavagem cerebral.

 Os guardas espancaram-na selvagemente e não a deixaram dormir durante três dias. Eles também lhe deram choques com bastões elétricos e contrataram alguém para vigiá-la 24 horas por dia. Quando foi libertada dois meses depois, as suas mãos estavam cobertas de hematomas, sua expressão era vaga, ela agia de forma estranha e parecia confusa.

3.6 Violência e brutalidade

 Policiais da Agência 610 revistaram a casa de Jiajia na frente dela. “Queremos destruir a sua família”, gritaram, enquanto punham objetos de valor nos seus próprios bolsos. Jiajia, de seis anos, ficou ali petrificada, agarrada à sua mãe, sem ousar dizer uma palavra. Os agentes a levaram com a sua família para a Divisão de Segurança Doméstica, onde ela testemunhou os agentes agredirem brutalmente seus pais e avós.

 Jiajia e a sua avó foram libertadas à meia-noite. Jiajia ainda tremia de medo, então a sua avó teve que levá-la para dentro do carro. Ela ficou profundamente traumatizada com toda a experiência. Sempre que via um policial ou carro de polícia novamente, ficava muito assustada e procurava um lugar para se esconder. “As pessoas más estão vindo!”, gritava aos seus pais103. Algumas crianças ficaram traumatizadas quando as suas casas foram saqueadas ou tiveram os seus pais torturados. Algumas tornaram-se alvos de violência e brutalidade.

Caso 1: Menina de dez anos é espancada e trancada em uma jaula de metal pela polícia104

 Cheng Siying, uma estudante de dez anos do ensino fundamental, da província de Sichuan, foi reportada à Divisão de Segurança Interna local, em 7 de agosto de 2008, por haver dado à sua professora uma cópia de um folheto do Falun Gong. Gou Yongqiong, chefe da Divisão de Segurança Doméstica, e dois outros oficiais foram à sua escola e prenderam-na. Gou também deu um yuan a cada um dos alunos da escola para incentivá-los a entregarem os praticantes do Falun Gong.

 Os oficiais esbofetearam Siying no rosto, acorrentaram as suas mãos e os seus pés e trancaram-na em uma gaiola de metal. A polícia também prendeu os seus pais naquela noite e saquearam a sua casa, confiscando a sua impressora e outros suprimentos. Quando Siying voltou à escola quatro dias depois, a sua professora jogou a sua mochila para fora da sala de aula e não a deixou ir às aulas.

 Como o paradeiro dos seus pais era desconhecido, a jovem teve que sair de casa para evitar ser presa novamente.

Caso 2: Adolescente de 13 anos sofre alimentação forçada por duas semanas105

 Chen Si, uma estudante do ensino médio em Chongqing, foi presa enquanto distribuía materiais informativos sobre o Falun Gong, no verão de 2001. Apesar da sua idade, a polícia espancou-a e deu-lhe pontapés.

 A polícia, mais tarde, levou-a para o Centro de Lavagem Cerebral Geleshan e interrogou-a para saber sobre a fonte dos materiais. Quando Si entrou em greve de fome para protestar contra a detenção arbitrária, ela foi alimentada à força durante duas semanas.

 A polícia também colocou a fotografia de Si no jornal, a fim de identificá-la. Eles enganaram o seu pai para ir ao centro de lavagem cerebral, mas não o deixaram vê-la. Depois que começou o novo semestre escolar, a Agência 610 local não a deixou voltar à escola porque ela não havia desistido de praticar o Falun Gong.

Caso 3: Rapaz de 13 anos é espancado pela polícia quando foi à Agência de Segurança Pública para procurar a sua mãe106

 Sheng Wei, de 13 anos, carregou a sua irmã Yangyang, de três anos, pegou o automóvel e foi para a Delegacia de Polícia procurar a sua mãe, a Sra. Yang Zhonghong, que havia sido presa um mês antes por falar com as pessoas sobre o Falun Gong. A polícia respondeu batendo nele e dando-lhe pontapés, além de pisar no seu rosto. O rosto de Wei ficou ferido, seus ouvidos zumbiam e a manga de sua camisa foi rasgada. Ele desmaiou.

 Quando a polícia levou Wei para casa em um carro da polícia, um policial agarrou Wei pelos cabelos e disse uma série de xingamentos para o jovem. Com muita dor, Wei disse: “Eu não tenho mãe agora e não consigo encontrar o meu pai. Não há ninguém para cuidar de nós, e não temos comida em casa, mesmo assim o senhor ainda me bate. Já não tenho mais vontade de viver”.

Caso 4: Menina do sexto ano apanha na escola107

 Depois da procuradoria haver devolvido duas vezes o caso contra o Sr. You Haijun pela sua fé no Falun Gong, a polícia assediou a sua filha, You Qing, que cursava o sexto ano na escola, e forçou-a a denunciar o “crime” do seu pai. A menina de 13 anos estava tão aterrorizada pela polícia que as suas pernas ficaram tremendo e ela não conseguiu falar durante vários dias. Após várias tentativas fracassadas de extrair informações de Qing, a polícia ordenou à sua professora de matemática, Chen Xiuling, a bater nela. 

 Durante a aula de matemática, Chen sempre chamava Qing para se levantar e responder às perguntas. Quando não podia responder, Chen batia nela com uma vara, ou dava-lhe uma bofetada, ou um pontapé com sapatos de salto alto, na frente dos outros alunos, muitos dos quais ficavam horrorizados. Qing começou a resistir a ir para a escola. Quando chegava a hora de ir para a escola, ela começava a tremer e não queria ir. Ela quase cometeu suicídio de medo.

Caso 5: Policial aponta arma para jovem de 14 anos: “Continue a chorar que eu te executo!”108

 A filha da Sra. Wang Airong correu para fora de casa depois que a polícia havia acabado de prender a sua mãe e estava prestes a levá-la para a delegacia de polícia. Os policiais empurraram a menina de 14 anos e bateram nas costelas dela. A garota mordeu um policial. Ele então agarrou-a pela gola e atirou-a longe. Ela caiu no chão. Apesar da dor intensa, a garota se levantou e correu atrás dos policiais. Chorando muito, ela implorou-lhes para que largassem a sua mãe. O policial sacou sua arma, apontou para ela e disse: “Continue chorando que eu te executo!”. Depois entraram no carro e foram embora. Durante muito tempo, a menina teve dificuldade para respirar por causa da dor nas costelas e no peito.

3.7 Detenção

Depois que os meus pais foram presos, fiquei em casa com minha irmã de 11 anos e o meu avô de 70 anos, que tinha dificuldade para andar. Não havia ninguém para cuidar da gente, por isso, ficamos com a minha tia e pedimos a sua ajuda. No início de 2001, várias das minhas tias também foram presas e enviadas para um centro de lavagem cerebral por praticarem o Falun Gong. Eu tinha quatro anos naquele ano. Como era muito jovem e ninguém podia cuidar de mim em casa, fui levada para o centro de lavagem cerebral com as minhas tias. Todos os dias, via os policiais e outros bandidos, depois de ficarem bêbados, baterem nos praticantes do Falun Gong. Ficava muito assustada. Eu me escondia nos braços de uma das minhas tias e não me atrevia a assistir aquelas cenas. Chorava todos os dias, imaginando onde estariam os meus pais.

 Acima está exposta a lembrança da filha do Sr. Zhao Haijun e o sofrimento da sua família109. Muitos jovens, de crianças pequenas a adolescentes, foram presos com os seus pais e mantidos em locais de detenção por dias ou até semanas. Alguns até foram levados para campos de trabalho forçado.

Caso 1: O prisioneiro de oito meses110

 Tianci, de oito meses, estava dormindo profundamente quando vários oficiais invadiram a sua casa e prenderam a sua mãe, a Sra. Liu Nana, por sua fé no Falun Gong.

 Tanto a mãe quanto o filho foram forçados a entrar em um carro da polícia e levados para um lugar desconhecido. Naquela mesma noite, dez pessoas da família de Tianci, incluindo dois de seus primos de tenra idade, também foram presos e levados para o mesmo local.

 Tianci foi colocado no mesmo quarto com sua mãe. Desconhecendo a terrível situação da sua família, o menino tinha um sorriso no rosto e continuava tentando sair do quarto para brincar. Três dias depois, a polícia libertou a Sra. Liu e Tianci, tendo falhado em obter qualquer informação dela.

 Antes de sair, a Sra. Liu pediu para ver os seus sogros. Ela não conseguiu evitar de chorar ao ver o sogro amarrado a uma cadeira de interrogatório. Ela não tinha ideia de que os seus próprios pais e irmão também haviam sido presos.

Caso 2: Criança de um ano de idade é detida por mais de um ano em um centro de lavagem cerebral111

 Quando Guo Yuetong tinha apenas um ano de idade, ela foi presa com a sua mãe e mantida em um centro de lavagem cerebral por mais de um ano. A mãe de Yuetong, Sra. Liu Aihua, foi perseguida por não renunciar à sua fé no Falun Gong.

 No centro de lavagem cerebral, Yuetong testemunhou sua mãe ser torturada, incluindo ser espancada, alimentada à força e receber choques com bastões elétricos. Todas as vezes que os guardas torturavam a sua mãe, Yuetong ficava tão assustada que se escondia no canto e chorava. Quando não havia guardas por perto, a pequena Yuetong ficava perto das grades da cela e olhava para fora.

 Ela já tinha três anos quando lhes foi permitido voltar para casa. No entanto, ela foi presa três anos depois e detida com a sua mãe novamente.

Caso 3: Menina de dez anos é mantida em um centro de lavagem cerebral durante três semanas antes de ser enviada a um asilo112

 Li Ying tinha apenas dez anos quando foi presa com a sua mãe, a Sra. Chen Shulan, em setembro de 2002. Enquanto Ying foi levada para um centro de lavagem cerebral, a sua mãe foi posteriormente condenada a sete anos e meio de prisão. As autoridades tentaram forçar Ying a desistir da prática do Falun Gong através da intimidação e da lavagem cerebral. Quando ela se recusou a ceder, eles a privaram de dormir à noite.

 Para ser autorizada a voltar à escola, a jovem cedeu e assinou o seu nome em uma declaração preparada pelas autoridades. No entanto, ela ainda não tinha liberdade. Ela era levada para a escola durante o dia e voltava para o centro de lavagem cerebral depois da escola. Finalmente autorizaram-na a deixar o centro de lavagem cerebral três semanas depois. Com a sua mãe ainda na prisão e como cinco membros de sua família haviam morrido devido à perseguição, incluindo os seus avós, os dois tios e uma tia, Ying viveu com os seus professores durante três meses antes de ser enviada para um asilo. Ela foi mantida lá durante 25 meses e não recebeu comida suficiente e foi confinada sob vigilância constante. Depois de Ying ser finalmente libertada, ela deixou a escola e realizou trabalhos temporários para sobreviver.

Caso 4: Garota de 16 anos é presa em um campo de trabalho forçado durante dois anos113

 Wang Jing, prima da acima mencionada Wang Shujie, que faleceu de trauma mental aos quatro anos de idade, foi forçada a deixar a escola e proibida de ir à faculdade porque ela e os seus pais praticavam o Falun Gong. Jing foi presa e levada para uma instalação de prisão quando foi a Pequim para apelar pelo Falun Gong, em março de 2001. Quando completou 16 anos, foi enviada para um campo de trabalho forçado durante dois anos. Lá, foi forçada a fazer trabalhos de costura e foi privada de sono.

3.8 Estupro

 Enquanto muitas praticantes do Falun Gong foram estupradas pelos policiais ou guardas das prisões, as filhas de algumas praticantes também foram sujeitas a agressões sexuais ou estupro durante o período em que os seus pais foram mantidos sob custódia, sem ninguém para cuidar delas114.

Caso 1: Menina de 13 anos foi estuprada enquanto sua mãe estava na prisão

 Lian (pseudônimo), uma praticante do Falun Gong em Harbin, província de Heilongjiang, foi presa em maio de 2000, quando foi a Pequim para apelar pela sua fé. Enquanto estava detida, o seu filho e a sua filha ficaram em casa sem ninguém para cuidar deles. O rapaz de 14 anos afogou-se. Pouco depois de Lian ser libertada, ela foi presa novamente em agosto de 2001. Quando a sua filha de 13 anos foi deixada sozinha em casa, um bandido invadiu o seu quarto e a estuprou.

Caso 2: Pais torturados até à morte, menina de nove anos é estuprada em hospital psiquiátrico

 A Sra. Liu, da província de Jilin, foi presa no verão de 2002 quando foi a Pequim para apelar pelo direito de praticar o Falun Gong. Ela foi levada para o Hospital Psiquiátrico de Changping, que estava cheio de policiais e bandidos, a maioria segurando cintos de couro para bater nos praticantes do Falun Gong. Durante as três noites em que a Sra. Liu foi internada no hospital psiquiátrico, três bandidos foram ao seu quarto e estupraram uma menina de nove anos, cujos pais foram torturados até a morte no hospital psiquiátrico por praticarem o Falun Gong. “Os gritos dela eram aterrorizantes e desoladores, mas ninguém no quarto se atreveu a dizer uma palavra”.

Capítulo 4: Métodos de tortura 

"A polícia trouxe o óleo de mostarda, importado do Japão, no meio da noite. Com uma grande seringa, introduziram o óleo de mostarda no meu nariz. Senti imediatamente uma dor muito intensa e escaldante no meu peito. Eu senti que órgãos internos estavam tremendo. Eu não podia abrir os meus olhos. A minha cabeça estava explodindo. Estava enlouquecendo. As palavras não podem descrever como foi doloroso.

Depois que eu perdi a consciência, a polícia jogou água fria em mim para me acordar. Depois voltaram a me alimentar à força com óleo de mostarda até eu desmaiar outra vez. Eles repetiram a tortura várias vezes. Enquanto me alimentavam à força com óleo de mostarda, um oficial me disse: “Você conhece Jiang Pai? Nós também fizemos isso com ela. Ela até foi colocada em uma cadeira de ferro que estava ligada à eletricidade enquanto era alimentada à força com óleo de mostarda”.

 Acima, a Sra. Liu Ying, uma enfermeira da cidade de Daqing, descreve a sua experiência ao ser alimentada à força com óleo de mostarda em um centro de detenção. A outra praticante, a Sra. Jiang Pai, morreu, devido às complicações por causa da alimentação forçada, em 28 de junho de 2007. Ela tinha 34 anos115.

 Quase todos os praticantes do Falun Gong que foram detidos nas instalações de detenção do PCC podem descrever pelo menos uma forma de tortura à qual foram submetidos. Além da lavagem cerebral, coerção e devastação financeira, a tortura é a principal tática usada pelas autoridades comunistas para tentar forçar os praticantes do Falun Gong a renunciarem à sua fé.

 De objetos cotidianos, como escova de dentes, a instrumentos de tortura, como o banco do tigre, de temperaturas frias a ruídos altos, de alimentação forçada a humilhação sexual, de amarrar a vítima em posições dolorosas ao isolamento prolongado, mais de cem métodos de tortura foram descritos por praticantes do Falun Gong libertados de delegacias de polícia chinesas, centros de detenção ou prisões.

 Tais torturas não só causam danos físicos graves aos praticantes, mas também provocam traumas emocionais duradouros neles.

4.1 Espancamento

 “Torturar os praticantes do Falun Gong até a morte não é nada, e isso será considerado como suicídio ou morte por doenças. Não se deve mostrar piedade, especialmente para com aqueles que se recusam a se ‘transformar’. O Partido e o governo estão atrás de você! Portanto, cumpra esta ordem sem qualquer hesitação!”.

 Acima está o que os guardas da Prisão de Duyun, província de Guizhou, disseram aos detentos para encorajá-los a usar todos os tipos de métodos mentais e físicos para torturar os praticantes do Falun Gong116.

4.1.1 Espancamento direto com as mãos 

 Bater é uma das formas de tortura mais comuns usada nos praticantes do Falun Gong. O criminoso frequentemente procura acertar as partes sensíveis da vítima, tais como o nariz, os olhos ou os genitais. Alguns praticantes foram espancados por um longo período de tempo ou com força excessiva.

 Um praticante relatou haver sido esbofeteado mais de 500 vezes.

Caso 1: Morte após nove meses de maus-tratos

 Para privar o Sr. Ding Lihong de poder dormir, os guardas do Centro de Lavagem Cerebral Shijiazhuang, na província de Hebei, batiam na sua cabeça com qualquer coisa que encontravam, acertavam as suas pernas, torciam as suas orelhas e puxavam as suas pálpebras. Em particular, o guarda Zhao Juyong beliscava os globos oculares do praticante até que acabou arrancando-os. Após nove meses, o Sr. Ding morreu devido a maus tratos. Ele tinha 36 anos117.

Caso 2: Brutalidade contra a mulher

 A Sra. Wang Xiuyuan, da cidade de Shenyang, província de Liaoning, foi presa em 19 de abril de 2002 e levada para o Campo de Trabalho Forçado de Longshan, permanecendo lá durante dois anos. Em julho de 2002, a Sra. Wang levou um pontapé no peito de um guarda e foi arremessada a quatro metros de distância. Quando se levantou, o guarda deu-lhe uma bofetada, fazendo com que o sangue escorresse do nariz e de um dos olhos dela. O guarda aplicou-lhe outro pontapé, fazendo-a cair em cima de um tubo de aquecimento, o que lhe causou um ferimento na cabeça que sangrou bastante118.

 A Sra. Jia Shuying foi condenada a cinco anos de prisão em 2002. Na província de Heilongjiang, ela foi submetida a várias torturas com o objetivo de forçá-la a renunciar à sua fé.

 “O guarda da prisão, Xiao Lin, era conhecido pela sua crueldade. Todos os detentos tinham medo só de vê-lo. Uma vez, ele me arrastou para uma sala e começou a me esbofetear. Quando se cansou, sentou-se em uma cadeira. Descansou as mãos e me deu vários pontapés. A dor era ainda mais intensa. Acabou por me esbofetear mais de cem vezes. Quando o outro guarda presente pensou que era demais e quis me tirar dali, Xiao pisou em cima de mim. Eu não conseguia respirar. Caí contra a parede e perdi a consciência”.

“Tive uma dor excruciante no lado direito do meu peito durante mais de seis meses. Tinha que respirar de forma muito superficial e lenta. Às vezes, a dor era tão intensa que me fazia suar. À noite, não conseguia dormir por causa da dor. Estavam mesmo me matando. Mais tarde, percebi que uma costela quebrou quando Xiao me dava pontapés119”.

4.1.2 Espancamento com objetos

 As prisões chinesas usam objetos comuns que seriam os menos prováveis para torturarem pessoas. Por exemplo, uma melancia foi usada para bater na cabeça de um praticante do Falun Gong, colheres e moedas para raspar a caixa torácica de um outro praticante, e usaram um cabide para bater na garganta da vítima. 

 Em outras palavras, ao se infligir danos, qualquer objeto como metal, plástico, couro, borracha, madeira ou papel pode ser usado como um instrumento de tortura.\Em certa ocasião, a polícia colocou um livro no abdômen de um praticante e depois chicoteou o livro com um tubo de borracha. O espancamento foi mais do que suficiente para causar lesões internas, mas o livro forneceu acolchoamento suficiente para que nenhuma lesão externa fosse visível.

Caso 1: Médico de medicina tradicional chinesa é torturado com mais de cem métodos

 O Sr. Shao Chengluo, de 68 anos, médico de medicina tradicional chinesa, foi sentenciado em 2006 a sete anos na Prisão de Shandong. Ele foi torturado com mais de cem métodos de tortura diferentes, como, por exemplo, ser espetado com uma agulha, ter as suas costelas raspadas com escovas de dentes ou espetos de madeira e ter os meios dos seus dedos da mão raspados por uma escova de dentes.

 Uma vez, os guardas amarraram as mãos e as pernas do Sr. Shao e o colocaram em um banquinho de cabeça para baixo. Então eles chutaram o banquinho debaixo dele.

 Os guardas também instigaram os reclusos a arrancar-lhe as sobrancelhas e os bigodes. Colocaram sal nas feridas e queimaram-lhe os joelhos e os tornozelos com um ferro quente. Na tentativa de alimentá-lo à força, abriram a sua boca com uma chave de fendas e danificaram os seus dentes.

 O Sr. Shao tinha lesões por todo o corpo, incluindo a coluna deformada, os ossos dos dedos das mãos e dos pés quebrados, e lesões no pescoço, nas costelas, nos braços e no abdômen. Os seus músculos atrofiaram, o seu peso era menor que 45 kg e ele nunca mais conseguiu endireitar os dedos da mão esquerda120.

Caso 2: Mulher espancada com um rolo de jornal

 A Sra. Geng Li foi presa e levada para a Delegacia de Polícia do Município de Xiheying em 2007. Pelo menos quatro policiais bateram na sua boca, rosto, cabeça e nos braços com rolos de jornal. Quando os rolos de jornal se desgastavam, eles faziam outros e continuavam com a tortura. O rosto e a boca dela ficaram gravemente inchados. Depois deram-lhe choques com bastões elétricos nos braços e nas costas e tentaram forçá-la a ficar de joelhos. Quando se recusou a obedecer, eles deram pontapés nas pernas até ela não aguentar mais. 

 A certa altura, um oficial pisou em uma das suas pernas, enquanto outro batia nos joelhos dela com um cassetete. Depois puxaram-na para cima e bateram nela novamente. Um policial também usou um cassetete para bater repetidamente nas suas pernas, pés, braços e nos ombros. O espancamento deixou-a coberta de feridas arroxeadas121.

Caso 3: Mulher é chicoteada com uma mangueira de borracha

 A Sra. Zhu Xiumin, da cidade de Daqing, província de Heilongjiang, contou uma vez como a polícia a espancou com uma mangueira de borracha depois dela haver sido presa por interceptar sinais de TV a cabo e transmitir vídeos sobre a perseguição ao Falun Gong122:

Os dois oficiais que haviam me prendido, começaram a me bater e a me interrogar. Um deles tirou os meus sapatos e as meias e me obrigou a ficar em pé descalça no cimento. Os meus tornozelos estavam presos às pernas da cadeira de metal com correntes. Os meus braços estavam amarrados a ambos os lados da cadeira e eu estava algemada.

O oficial segurou um pedaço de mangueira de borracha torcida em três vezes e chicoteou as partes de trás das minhas pernas. Ele chicoteava e gritava: “Vou me concentrar nas suas pernas até as pontas dos seus dedos dos pés ficarem azuis e pretas e depois caírem”. Ele continuava a me chicotear sem parar. Porque as minhas pernas estavam amarradas, não conseguia me mexer.

Não pude deixar de gritar. Doía tanto. Ele riu da minha dor e me xingava, usando um linguajar grosseiro. A partir daí, não emiti mais nenhum som. Ele me bateu com todas as suas forças durante meio dia e ficou surpreso ao ver que eu não tinha nenhuma reação ou mesmo uma expressão diferente no meu rosto. Ele soltou um pouco as correntes e depois continuou a me chicotear novamente. Não importava o quanto me batia, eu continuava a não emitir som algum, e não havia expressão em meu rosto. Continuei observando enquanto ele me chicoteava e ele gradualmente parou.

Quase desmaiei com a dor. Não conseguia escapar. As palavras não podem descrever a dor. O tempo passou. Cada segundo era um tormento, e eu pairava entre a vida e a morte. A morte teria sido mais fácil. Eu só tinha um pensamento: “Não posso me submeter a eles. Não serei subjugada por eles nem os deixarei terem prazer com o meu sofrimento”.

4.2 Alimentação forçada

 A alimentação por tubo é realizada inserindo um tubo no nariz, subindo pela cavidade nasal, e descendo pelo esôfago até o estômago. Um nutriente líquido é então forçado através do tubo. O que normalmente é um tratamento médico que salva-vidas, tem sido usado pelo Partido Comunista Chinês para perseguir os praticantes do Falun Gong que fazem greve de fome em centros de detenção, em campos de trabalho e prisões.

 Como eles não são treinados para ter conhecimento desse tratamento médico, os guardas da prisão e os reclusos frequentemente cometem erros quando alimentam à força os praticantes do Falun Gong e acabam por inserir o tubo nos pulmões da vítima. Só é preciso um pequeno erro no uso deste método para matar alguém.

 Para aumentar o sofrimento dos praticantes, os perpetradores, às vezes, alimentam os praticantes à força com água salgada concentrada ou com água muito picante, comida escaldante, fezes, drogas psiquiátricas ou tóxicas. Alguns praticantes fizeram greve de fome de longa duração como último recurso para protestar contra a perseguição. Como resultado, eles foram alimentados à força durante anos enquanto estavam presos.

 Em alguns casos, a alimentação forçada é combinada com outras formas de tortura, tais como expor os praticantes à luz ou ao calor extremo ou forçá-los a assistir aos vídeos de propaganda que difamam o Falun Gong. Alguns foram amarrados a uma cama durante meses e desenvolveram feridas.

Caso 1: Mulher morre por ser alimentada à força123

 A Sra. Sun Lianxia, da cidade de Dalian, província de Liaoning, foi presa quando foi a Pequim para protestar contra a perseguição ao Falun Gong no outono de 2000. No Campo de Trabalho Forçado de Dalian, ela fez uma greve de fome e foi alimentada à força pelos guardas, bem como pelos detentos.

 A sua cavidade nasal e a mucosa do esôfago foram feridas. Seu nariz sangrou quando o tubo de alimentação foi inserido. Como a narina estava bloqueada, ela teve que respirar pela boca. Ela não conseguia parar de tossir muco da sua garganta e esôfago inflamados. Ela vomitou sangue, o que dificultou a alimentação à força.

 Nas últimas duas horas de vida, a Sra. Sun estava em estado crítico, porém não pararam de alimentá-la à força. Ela faleceu em 16 de janeiro de 2001, com a idade de 50 anos.

Caso 2: Engenheiro sobrevive à alimentação forçada diária durante cinco anos de prisão124

 O Sr. Qu Yanlai, engenheiro da área de energia, iniciou uma greve de fome no primeiro dia em que foi preso, em setembro de 2002. Foi alimentado à força durante os cinco anos em que cumpriu pena na Prisão de Tilanqiao, em Xangai.

 “A primeira vez que o médico inseriu o tubo de alimentação no meu estômago, parecia que uma cobra pegando fogo penetrava o meu corpo. Era excruciante”, disse o Sr. Qu.

 Na tentativa de forçá-lo a desistir da sua greve de fome, os guardas e médicos usavam todos os tipos de métodos para torturá-lo, como usar um tubo de alimentação grosso, puxar o tubo de alimentação para a frente e para trás durante a alimentação forçada, ou limitar a quantidade de comida, para matá-lo de fome. Sem nutrientes suficientes, ele sentia-se sonolento e desenvolveu uma dor constante ao redor do coração e do fígado.

 Quando ele foi tratado no hospital da prisão de hemorragia gástrica, os presos amarraram-no firmemente à cama, às vezes com um pneu embaixo dele, ou depois de elevá-lo na cama. Muitos de seus vasos sanguíneos romperam-se como resultado de estar amarrado à cama desta maneira por vários meses.

 O médico da prisão acrescentou cloreto de potássio às suas infusões, o que estimulou os seus vasos sanguíneos e lhe causou enormes dores.

 Durante a sua hospitalização, os detentos diminuíram o ritmo da infusão. Três frascos que normalmente esvaziavam em três horas, eles estenderam para 19 horas. Os braços dele normalmente inchavam muito depois de cada infusão.

 Recordando a tortura, o Sr. Qu disse: “Foi extremamente doloroso ser amarrado à cama com cinco cordas. O tormento era indescritível. Cada minuto e cada segundo era difícil de suportar. Mas eu pensei comigo mesmo: ‘Será que um dia não tem apenas 24 horas?! Cada hora tem 60 minutos e cada minuto tem 60 segundos’. Eu perguntei a mim mesmo: ‘Você consegue aguentar mais um segundo? Não há problema! Então vou aguentar segundo a segundo até que a perseguição termine’”.

4.3 Posições estressantes

 Alguns praticantes foram forçados a ficar em posições dolorosas por longos períodos de tempo, como ficar em pé, sustentar um braço ou uma perna, sentar-se em um pequeno banco, ser pendurado pelos pulsos, ser amarrado em posição de águia ou ter as mãos e os pés acorrentados juntos.

4.3.1 Sentado em um banquinho

 Ser obrigado a ficar sentado num pequeno banco é uma forma amplamente utilizada de tortura nos campos de trabalho e nas prisões chinesas. À primeira vista, pode parecer inofensivo. Mas quando uma pessoa é obrigada a sentar-se nele por longos períodos de tempo, com as pernas juntas e as mãos nos joelhos, sem olhar em volta, sem poder se mexer ou falar, é uma forma muito cruel de tortura. Um praticante que experimentou a tortura disse: “Esse tipo de dor é indescritível. Faz com que um único dia pareça um ano e que viver é pior que morrer”.

 Uma hora após estar sentado no banco, sente-se desconforto seguido de dor. A dor torna-se excruciante, como se inúmeras flechas penetrassem na parte inferior do corpo e vermes consumissem os ossos. Alguns praticantes têm sido forçados a ficar sentados neste pequeno banco todos os dias durante meses, um ano, ou mesmo dois anos. Alguns desenvolveram feridas abertas, sangrentas, que se deterioram nas nádegas, enquanto alguns ficaram com os ossos salientes.
 Se o praticante se mexer de alguma maneira, os detentos usam um fio de cobre para cutucar as costas do praticante; alguns praticantes têm feridas nas costas, como os buracos de uma peneira125.

4.3.2 Amarrados com cordas no Campo de Trabalho Forçado de Xuchang

 No Campo de Trabalho de Xuchang, na província de Henan, uma das torturas mais usadas era amarrar as pessoas com cordas.

 Os praticantes que foram submetidos a esta tortura descreveram-na desta forma: os agressores primeiro amarram uma corda em volta dos braços algumas vezes, depois levantam os braços atrás das costas e por fim trazem a corda sobre os ombros. Quanto mais a corda é apertada, mais alto os braços são puxados para trás do corpo. Quando as cordas estão muito apertadas, o praticante não consegue nem se levantar. O praticante fica com uma dor excruciante, e leva apenas alguns minutos para incapacitar uma pessoa desta maneira. Quando a corda é removida, sente-se como se os ossos dos braços estivessem quebrados, e depois os braços ficam adormecidos por um longo período de tempo.

 Nenhum preso regular pode sobreviver a esta tortura mais de duas vezes. No entanto, os guardas muitas vezes a usaram para torturar os praticantes, sujeitando-os a ela de cinco a seis vezes. O praticante Sr. Li Xingcheng, de Nanzhao, cidade de Nanyang, foi submetido à tortura de ser amarrado sete vezes, deixando os pulsos inchados e cobertos de ferimentos graves126.

4.3.3 Mulher morre pela tortura da “camisa de força”

 Enquanto esteve detida no Campo de Trabalho Forçado de Shibalihe, na província de Henan, a Sra. Guan Ge morreu em consequência da “camisa de força”, em 2003. Feito de lona bem tecida, o colete é colocado sobre a vítima em frente ao externo e apertado nas costas. As mangas têm alças nelas e são cerca de 25,4 cm mais compridas do que os braços da vítima. Os guardas cruzam-nas e amarram os braços das vítimas atrás das costas. Depois puxam os braços para cima por cima dos seus ombros até à frente do peito, amarram as pernas e depois penduram-nas nas janelas ou nas cadeiras.

 De acordo com a mãe da Sra. Guan, que viu o seu corpo127:

Ela tinha muitos cortes e hematomas. Os olhos dela estavam abertos, e tinha sangue na sua boca. Havia um grande galo e cortes profundos na sua cabeça. As orelhas haviam sido espancadas com tanta força que estavam esmagadas. Faltava um pequeno pedaço de tecido no braço esquerdo, e tinha um grande hematoma na parte de trás do pescoço. Uma cicatriz roxa de três centímetros de comprimento era visível na parte inferior das costas, e toda a perna esquerda estava machucada. As suas mãos estavam apertadas com força como punhos.

4.3.4 Mãos e pés acorrentados juntos

 Outra mulher, a Sra. Wang Kefei, morreu em 20 de dezembro de 2001, quando estava no Centro de Detenção de Tiebei, na província de Jilin.

 Como ela praticou os exercícios do Falun Gong, os guardas colocaram grilhões pesados nos seus pés, algemaram-na, e então conectaram os grilhões e algemas em com uma corrente curta, deixando-a incapaz de se sentar, de agachar, ficar em pé, ou de se deitar. Ela tinha que permanecer curvada todo o tempo. Ela não podia comer, beber ou usar o banheiro sozinha. Depois de ficar desta maneira por um longo tempo, a vítima sofre de tensão muscular generalizada, membros inchados e insônia. A maioria das pessoas só pode suportar a tortura por 48 horas, mas a Sra. Wang foi presa desta forma por 11 dias seguidos.

 A fim de causar mais dor, os guardas ordenaram que ela subisse e descesse as escadas para ir a sessões de interrogatório. Ela tinha de andar alguns centímetros de cada vez ao longo do corredor escuro. De muito longe, as pessoas podiam ouvir o barulho dos grilhões arrastando-se no chão de cimento128.

4.3.5 Torturas de estiramento no infame Campo de Trabalho de Masanjia 

 No infame Campo de Trabalho Forçado de Masanjia, na província de Liaoning, muitos praticantes foram submetidos às seguintes torturas de “estiramento”.

 O Sr. Cai Chao, de 22 anos, teve que ficar em pé em uma das extremidades da cama. Os seus pés eram amarrados em uma viga a 20 cm acima do chão, as suas coxas estavam contra a cabeceira, e a parte superior do corpo estava em um ângulo de 90 graus com as mãos algemadas e puxadas em direção à outra extremidade da cama por uma corda. Se os guardas sentissem que as suas mãos haviam ficado dormentes, eles as soltavam e depois repetiam a tortura dez minutos depois. Durante esse tempo, os guardas também lhe deram choques no pescoço, mãos, estômago e costas. Eles torturaram o Sr. Cai desta maneira três vezes em cinco horas. Depois que ele foi liberado dessa tortura, não pôde levantar os braços ou ficar de pé, e demorou um mês e meio para se recuperar.

 O Sr. Li Hailong também foi estirado três vezes ao longo de três horas e meia. Mesmo depois de dois meses, ele não conseguia andar normalmente.

4.3.6 Cama da morte 

 A cama da morte é uma tábua de madeira em que o praticante é amarrado em uma posição de águia. Recebe esse seu nome pelo fato de as vítimas não serem libertadas para dormir, para comer ou ir ao banheiro. Esta tortura é normalmente combinada com a alimentação forçada e outros tormentos.

 A Sra. Duan Xueqin, da Mongólia Interior, foi presa na cama de morte por um período de tempo tão longo que os seus músculos atrofiaram e ela perdeu a força. Entretanto, os guardas a xingaram, cuspiram na cara dela, espetaram os seus braços, bateram nos seus seios, tiraram as suas calças para a humilharem. Os guardas também a proibiram de usar o banheiro.

 Quando duas semanas depois a Sra. Duan foi libertada da cama da morte, o seu corpo estava rígido e ela não conseguia andar. Os reclusos tiveram de beliscá-la para que ela pudesse andar. Antes de recuperar a força muscular, ela teve que se ajoelhar para ter um movimento intestinal (na maioria dos banheiros na China existem apenas um suporte para ficar de cócoras)129.

4.4 Bombardeamento sensorial

 Quando a Sra. Zhao Lerong gemeu de dor sob o sol escaldante, os guardas taparam a sua boca com adesivo e amarraram as suas mãos. Eles se divertiram com isso: “É um girassol. Vira sempre quando o sol brilha130”. 

 As autoridades inventaram formas de tortura que visam causar estresse sensorial, sobrecarregando os praticantes presos com excesso de ruído, luz, calor ou frio.

 Alguns praticantes eram alimentados à força com substâncias rançosas, e alguns tinham fezes espalhadas no rosto e na boca, derramadas sobre eles, ou então aproveitavam os locais de dejetos de fezes afim de mergulhar as vítimas ali. Alguns guardas empurravam as cabeças dos praticantes para as latrinas ou os mantinham em pocilgas ou outros ambientes imundos.

 Outras instalações de detenção usam animais e insetos, como formigas, vespas, mosquitos, escorpiões, aranhas, ratos, cobras e cães de ataque para aterrorizar os praticantes. Além da angústia física e dos machucados, esse bombardeio sensorial também pode causar extrema desorientação mental e sofrimento.

4.4.1 Calor extremo 

 Os guardas muitas vezes queimam os praticantes com chamas, ferros de passar roupas, água em ebulição e cigarros. Eles também os forçam a ficar debaixo do sol por longas horas ou os trancam em quartos extremamente quentes com roupas de inverno. 

 As autoridades do Centro de Detenção nº 3, no distrito de Shuangyang, na cidade de Changchun, província de Jilin, amarravam os praticantes a cadeiras de metal e colocavam aquecedores elétricos de 2 mil watts abaixo deles, o que tornou as cadeiras insuportavelmente quentes. Eles também colocavam uma lâmpada brilhante em cada lado da cabeça da vítima. Esta tortura durava um mínimo de duas horas131.

4.4.2 Congelamento 

 A exposição a baixas temperaturas durante um longo período de tempo também pode levar a lesões graves e permanentes.

 O Sr. He Huajiang foi amarrado a uma cadeira em um banheiro e teve a boca fechada hermeticamente em dezembro. Os guardas abriram a janela para deixar entrar o frio, enquanto despejavam água fria sobre ele, batendo nele com frequência. Ele morreu duas horas depois, com a idade de 42 anos132.

 A Sra. Qiu Liying uma vez foi deixada do lado de fora com uma camisa fina e sandálias quando estava a -20°C como punição por haver praticado os exercícios do Falun Gong. Os guardas algemaram suas mãos atrás das costas e penduraram-na numa árvore. O seu nariz escorria formando um pingente de um metro de gelo. A carne em ambas as mãos dela rachou devido ao frio e o sangue se espalhou133.

 O Sr. Yang Baochun foi forçado a ficar em pé descalço na neve. Quando pode entrar novamente, os guardas derramaram água quente sobre os seus pés, que logo começaram a infeccionar. Os guardas não o mandaram para um hospital no momento, até que ficou claro que a sua vida estava em perigo. Os médicos foram forçados a amputar a sua perna direita134.

4.4.3 Ruído ensurdecedor

 Muitos praticantes sofreram perda auditiva depois de serem forçados a ouvir barulho alto e agudo por longo período de tempo135. Por exemplo, guardas ou presos colocavam um balde sobre a cabeça do praticante e batiam no balde, o que causava ruído ensurdecedor, o qual poderia levar à desorientação mental.

 O Sr. Liu Peng, um praticante de Xangai, foi condenado a cinco anos de prisão em 2008. Ele foi detido na Prisão de Tilanqiao, em Xangai. O guarda Wang Haocheng ordenou aos presos que o torturassem. Ele foi forçado a ficar de frente para uma parede das 7h às 21h. Eles também colocaram os alto-falantes ao lado dos seus ouvidos, em uma pequena sala e aumentaram o volume. Ele teve perda auditiva em ambos os ouvidos.

 A Sra. Mo Qingbo, da cidade de Nanning, foi presa em uma cela no Campo de Trabalho Forçado Feminino de Guangxi por se recusar a desistir do Falun Gong. Durante três meses, os guardas colocavam sons de gritos selvagens e uivos fantasmagóricos durante o dia e a noite, para privá-la de sono. Quando ela pôde sair da pequena cela, parecia mentalmente desorientada.

4.4.4 Agressão aos sentidos do olfato e do paladar 

 Alguns guardas usam excrementos humanos e urina, além de outras substâncias desagradáveis aos sentidos para humilhar e torturar os praticantes do Falun Gong. A boca de alguns praticantes foi cheia de papel higiênico usado, trapos, meias não lavadas ou roupas íntimas.

O Sr. Liu Ze foi privado de sono por mais de 20 dias, espancado e agredido verbalmente no Campo de Trabalho Forçado Masculino de Zhongba. Os agressores bateram a cabeça dele contra a parede, causando inchaços e hematomas. Eles forçaram-no a comer fezes. No final, ele ficou mentalmente desorientado e passou a comer as fezes a partir daí136.

 O Sr. Liu Quanwang era funcionário da Mina de Carvão Xiaolinghe, na província de Liaoning. Quando ele cumpriu um período de prisão de dois anos no Campo de Trabalho Forçado Tuanhe, de Pequim, os guardas ordenaram aos presos para que bloqueassem o dreno do banheiro e mandaram vários deles urinar na bacia. Então os guardas forçaram a cabeça do Sr. Liu a entrar na bacia e pisaram os pés em cima, quase sufocando-o. Quando o Sr. Liu entrou em greve de fome para protestar contra a agressão, os guardas alimentaram-no à força com água de esgoto e resíduos humanos, o que causou vômitos incontroláveis nele137.

4.4.5 Mordidas de animais e picadas de insetos 

 Durante a época dos insetos e mosquitos, a vítima é amarrada a uma cadeira em um local onde os mosquitos e outros insetos proliferam em grande quantidade. A vítima é sujeita a um grande número de picadas destes insetos, enquanto imobilizada e incapaz de coçar as picadas ou de se defender delas, deixando-a suscetível a doenças transmitidas pelos insetos. 

 Como o Sr. Xu Yushan se recusou a desistir da sua crença, um guarda do Campo de Trabalho Forçado de Suihua esfregou água com açúcar à volta de seus genitais e colocou um grande número de formigas na área.

 A Sra. Jia Haiying, da Mongólia Interior, foi uma vez amarrada a uma árvore perto de uma pocilga imunda, em uma noite úmida de verão. Ela estava usando calções e uma camisa sem mangas e enxames de mosquitos e moscas cobriram o seu corpo. Com as mãos algemadas, ela não conseguia se mover ou esmagar os insetos sedentos de sangue. Ela disse que o calvário era simplesmente insuportável138.

 Outros animais usados para torturar os praticantes incluíram cobras, escorpiões, vespas, aranhas, ratos, coelhos, porcos e cães de ataque139.

4.5 Restrição de necessidades básicas

 Alguns dos métodos de tortura usados em praticantes do Falun Gong por oficiais comunistas não são visíveis. Eles incluem restringir as necessidades mais básicas de uma pessoa, incluindo comer, dormir e usar o banheiro. Essa tortura é normalmente projetada para desgastar a força de vontade dos praticantes e a sua capacidade de resistência psicológica.

4.5.1 Privação alimentar

 “O Sr. Mou Lunhui perdeu a consciência por um total de cinco vezes em três dias devido a espancamentos brutais por parte dos guardas. Como se isso não fosse suficiente, os guardas não lhe deram quase nada para comer durante esses três dias. Dez grãos de arroz eram tudo o que ele recebia para três refeições por dia”.

 “30 grãos de arroz por três dias” podem parecer inconcebivelmente cruel, mas foi isso que aconteceu no Campo de Trabalho de Xishanping, em Chongqing. Muitos outros praticantes detidos no mesmo campo de trabalho que o Sr. Mou também foram submetidos à “terapia da fome”. Apesar de ter-lhes dado um pouco mais de comida do que ao Sr. Mou, mal lhes bastava para subsistir.

 Quando os praticantes ficavam perigosamente fracos depois de uma “terapia da fome”140 dessas, os guardas retomaram as rações normais para mantê-los vivos. Entretanto, antes dos praticantes poderem se recuperar completamente, eles eram colocados novamente na “terapia da fome”.

 O que aconteceu no Campo de Trabalho de Xishanping não é um fenômeno isolado. Muitas outras instalações de detenção na China também são conhecidas por usarem a privação de alimentos nas suas tentativas de fazer os praticantes renunciarem ao Falun Gong. Muitos praticantes sofreram graves complicações como resultado desta tortura. Uma praticante detida na Prisão Feminina de Xangai perdeu cerca de 27 kg em seis meses. Ela estava tão faminta que comeu folhas de repolho podres que encontrou em um caixote do lixo. Até mesmo isso foi logo retirado quando os guardas removeram o caixote do lixo depois de descobrirem que ela havia encontrado uma fonte de alimento.

 Limitar os horários das refeições é outra forma de reduzir o consumo alimentar dos praticantes. Os praticantes detidos na Prisão de Wumaping, na província de Sichuan, tiveram apenas 20 segundos para terminar uma pequena tigela de arroz por refeição, porém simplesmente viram os guardas arrancarem as suas tigelas antes de realmente ter a oportunidade de comer.

 O Sr. Zhang Weijie foi obrigado a passar por uma tortura chamada “três”, enquanto estava detido na Prisão de Fanjiatai, na província de Hubei. Ele tinha direito apenas a uma hora de sono, uma ida ao banheiro e uma refeição por dia.

4.5.2 Privação do sono

 A privação prolongada do sono é uma forma especialmente insidiosa de tortura, que afeta tanto as funções mentais como físicas. Ela pode causar sérias deficiências mentais ou alucinações e, às vezes, até mesmo a morte.

 A Sra. Li Xiuzhen foi privada de sono durante 28 dias enquanto esteve na Prisão de Jinan. Quando ela não conseguia mais manter os olhos abertos, os agressores colaram-lhe fita adesiva nas pálpebras e puxavam-nas para cima e para baixo. Às vezes, até usavam a ponta de uma vassoura para lhe abrir as pálpebras. Ela acabou por morrer em outubro de 2009141.

 O Sr. Wang Yonghang, um praticante do Falun Gong e advogado da cidade de Dalian, província de Liaoning, representou e defendeu vários praticantes do Falun Gong contra acusações fabricadas pelo regime chinês. Ele foi preso por mais de 20 agentes da polícia em julho de 2009 e sentenciado a sete anos de prisão. 

 Para forçá-lo a renunciar ao Falun Gong, os guardas não o deixaram dormir durante 13 dias. Ele conta o seu calvário a seguir142:

Durante os três primeiros dias, não me deram nada para comer e me levaram duas vezes ao banheiro. Para mim, a parte mais difícil de aguentar foi a sede e a sonolência. As duas lâmpadas de alta tensão brilhando na minha frente faziam eu sentir ainda mais sede. Os presos que me observavam estavam preparados para me esmurrar no intuito de me impedir de dormir. Um dia, um detento espancou as minhas costas e as minhas costelas quando outros reclusos saíram. Eu desmaiei por causa da dor lancinante.

A partir do quarto dia, nem sequer me deixaram ir ao banheiro. Uma vez por dia, permitiam que eu urinasse na minha cadeira de ferro. Davam-me apenas 250 ml de água todos os dias. Como comia tão pouco, não tive nenhum movimento intestinal durante os dez dias seguintes.

Como a porta e as janelas estavam todas cobertas, eu não conseguia mais distinguir o dia da noite. Eu só tinha uma ideia do tempo, ouvindo os passos dos reclusos que saíam para o trabalho pela manhã e voltavam para as suas celas à noite. Mas fiquei tão desorientado que, em poucos dias, perdi toda a noção de tempo.

No início, a polícia entrou e me interrogou. Depois, deixaram de vir porque o ar estava irrespirável na sala. Um dia, montaram uma câmera de vídeo na minha frente. Assim, a polícia podia ver o meu rosto claramente do escritório deles. Claro que a câmera não captava o preso sentado ao meu lado, que me batia sempre que eu fechava os olhos. Eu usava um par de meias velhas de algodão. Alguns dias depois, as meias ficaram muito fedorentas, que foram atiradas para um canto da sala.

Quando senti que não podia mais suportar a privação do sono, eu gritei: ‘Falun Dafa é bom!’. Nesses momentos, encheram a minha boca com um trapo. Mas o preso, Zheng Jie, que havia me espancado antes, usava sempre as minhas próprias meias fedorentas para encher minha boca. As meias cheiravam terrivelmente mal e deixavam muito algodão na minha boca. Como não me deram muita água para beber, eu tinha a boca muito seca e não conseguia nem cuspir o algodão.

Cerca de seis dias depois da privação de sono, comecei a ter alucinações. Um dia, a minha mente ficou em branco. Esforcei-me muito por me lembrar de algo, mas não conseguia pensar em nada. Não conseguia lembrar quem eu era ou se estava vivo. Estava completamente aterrorizado e tive um colapso mental.

De acordo com o que me disseram depois, me levantei, arrebentei as algemas e comecei a gritar e a berrar. Amarraram-me a um banco e encheram a minha boca com um trapo. Eu sabia que eles queriam me deixar louco. Eu não tinha medo de morrer, mas tinha medo de ficar louco. Se ficasse louco, eles usariam isso para difamar o Falun Dafa.

Depois daquele incidente, escrevi uma declaração de garantia de que não praticaria mais o Falun Gong, mas também deixei claro que, no fundo do meu coração, nunca trairia a minha fé. Eles disseram que contanto que eu assinasse meu nome na declaração, eles não se importavam se eu ainda estava firme em minha fé no meu coração.

4.5.3 Acesso ao banheiro negado

 Negar o acesso ao banheiro é outro tipo de tortura frequentemente utilizado. Alguns centros de detenção limitaram o tempo de defecação para dois ou três minutos. A pessoa seria ferozmente espancada se não se levantasse quando o tempo se esgotasse. Por causa disso, a vítima tinha que interromper a descida do excremento e sair do banheiro. 

 Além disso, os praticantes às vezes só podiam usar o banheiro uma vez por dia para urinar ou uma vez a cada três dias para defecar. Isto levou a problemas de saúde e obrigou as vítimas a urinarem ou a defecarem nas suas calças.

 Enquanto a Sra. Liu Guihua estava detida no Campo de Trabalho Forçado de Wanjia, na província de Heilongjiang, os guardas ataram-lhe as mãos e penduraram-na de lado durante dois dias. Deixaram-na nesta posição e não a baixaram, até mesmo quando ela precisou usar o banheiro. Ela teve que se aliviar nas calças. Os guardas baixaram as calças dela e cobriram a sua boca com as calças sujas de urina e fezes143.

 A Sra. Hu Ruilian, praticante na cidade de Leshan, província de Sichuan, foi forçada a tomar uma grande quantidade de água e foi impedida de usar o banheiro enquanto estava detida no Campo de Trabalho Forçado de Nanmusi, em 2001144.

4.5.4 Proibição de tomar banho ou comprar itens de necessidades diárias

 A Sra. He Lianchun, da província de Yunnan, foi condenada à prisão em 2001 e novamente em 2009, com uma pena de 17 anos no total. Além de muitos abusos físicos, os guardas também usaram formas mais sutis de torturá-la, inclusive proibindo que ela tomasse banho ou comprasse produtos de necessidade diária, como papel higiênico, pasta de dente, sabonete ou sabão para lavar a roupa. Ela recorda:145

Depois de não tomar banho durante meses, eu cheirava muito mal. Todas as detentas no meu quarto começaram a me culpar por isso. Eu disse a elas que não era eu que não queria tomar um banho, mas os guardas que não deixavam. As reclusas não aguentavam mais o cheiro e apelaram aos guardas. Eles finalmente me deixaram tomar banho de vez em quando. Como não podia comprar papel higiênico, tive que usar jornal ou qualquer outro papel que pudesse encontrar quando estava menstruada.

4.6 Choques elétricos

Os meus braços foram então puxados para trás através dos vãos na parte de trás da cadeira de ferro e fui algemado. Os eletrodos foram presos aos meus polegares e ligados a um gerador para me dar choques. Eu fiquei tomando choques desde as 9h às 17h.

Algum tempo depois, um policial tirou os eletrodos do meu polegar direito e prendeu-os aos meus genitais. Depois ele ligou o gerador e me deu choque durante mais cinco ou seis horas. O meu corpo continuou a ter convulsões e o meu coração doía terrivelmente. Eu sentia como se estivesse morrendo.

 Isto foi o que o Sr. Yang Licheng, nos seus 70 anos, suportou na Delegacia de Polícia de Xingongdi em 2009146.

 Os choques que os praticantes receberam com bastões elétricos podem causar severas dores e queimaduras graves. Os guardas muitas vezes visam as áreas sensíveis das vítimas, incluindo o rosto, os olhos, o pescoço, as mãos, os mamilos e os genitais. Além dos bastões elétricos, alguns guardas usaram um dispositivo de manivelas manuais para gerar eletricidade em alguns praticantes presos em cadeiras de metal para aumentar a dor.

Caso 1: Face desfigurada

 A Sra. Gao Rongrong, uma contadora da cidade de Shenyang, província de Liaoning, ficou desfigurada depois de sete horas de tortura por choques elétricos. O seu rosto ficou coberto de bolhas e o seu cabelo ficou encharcado de pus e sangue. Ela mal conseguia abrir os olhos e a sua boca ficou muito inchada e deformada147.

Caso 2: Choques elétricos com seis bastões de 150 mil volts

 O Sr. Mu Junkui, de 49 anos, um empresário da cidade de Changchun, província de Jilin, uma vez recebeu choques com seis bastões elétricos de 150 mil volts ao mesmo tempo, em todo o corpo. Ele ficou gravemente queimado. A dor era tão excruciante que ele sentiu que a sua cabeça explodia. Ficou encharcado em suor. Por conta de haver apertado os dentes com tanta força quando estava sendo eletrocutado, todos os seus dentes amoleceram e ele não pôde comer comida sólida durante mais de duas semanas148.

Caso 3: “Senti que estava sendo picada por uma cobra”

 A Sra. Zhao Yuhong, da cidade de Zhaoyuan, província de Shandong, foi presa em 2002 por haver colocado adesivos com a frase “Falun Dafa é bom”. Enquanto estava presa na Delegacia de Polícia de Mengzhi, ela foi imobilizada em uma cadeira com as mãos algemadas. A polícia conectou-a a um telefone de manivela antigo para lhe provocar choques. Enquanto giravam a manivela rapidamente, a eletricidade atravessava todo o seu corpo e ela sentia como se estivesse sendo picada por uma cobra e que os seus globos oculares estavam prestes a saltar para fora149.

4.7 Afogamentos e sufocamentos

 O afogamento, também chamado de afogamento simulado, é um dos mais brutais métodos de tortura conhecidos pela humanidade.

 No Campo de Trabalho de Masanjia, na província de Liaoning, os membros dos praticantes eram amarrados e as suas bocas preenchidas com meias e seladas com fita adesiva. Os guardas então jogavam água no rosto deles. Com a boca coberta e os membros imobilizados, a vítima só conseguia respirar pelo nariz, que agora estava cheio d´água. Isto facilmente leva à asfixia, assemelhando-se à morte por afogamento. O cérebro fica sem oxigênio.

Caso 1: A tortura de gotejamento d’água

 Outra tática é pingar água fria no topo da cabeça. A vítima sente muito frio no início e depois fica entorpecida. A vítima sente então como se a sua cabeça fosse aberta e o seu cérebro esmagado. Este tipo de tortura é administrado durante um longo período de tempo, causando mais dor do que apenas derramar água fria sobre a pessoa. Esta tática foi usada no Centro de Detenção de Hailin e no Centro de Detenção de Mudanjiang, na província de Heilongjiang.

 O Sr. Wang Xiaozhong, da cidade de Mudanjiang, foi torturado dessa forma. Depois de preso pela polícia de Yangming em 17 de agosto de 2001, foi espancado e recebeu choques com bastões elétricos. Com hematomas e ferimentos em todo o seu corpo, a polícia manteve-o no centro de detenção e continuou a torturá-lo com gotejamento d’água. Ele morreu 12 dias após haver sido preso, aos 36 anos150.

Caso 2: Cabeça coberta com saco plástico

 Os guardas às vezes cobrem a cabeça dos praticantes com sacos plásticos ou com um edredom e quase os sufocam.

 O Sr. Zhang Shunhong e a sua esposa foram levados para a Estação de Polícia de Dongji, na cidade de Liaoyuan, província de Jilin, no dia 26 de abril de 2006, e foram interrogados com torturas durante 16 horas. O Sr. Zhang tinha um corte profundo em sua cabeça, que sangrava profusamente. O oficial Jiang Yang continuou a derrama água fria sobre ele enquanto usou um ventilador para circular ar frio sobre ele. O Sr. Zhang estava tremendo de frio. O agente Jiang acendeu um maço de cigarros e amarrou-os ao cabelo do Sr. Zhang para que os cigarros ficassem pendurados na frente do nariz dele. Depois, colocou um saco de plástico envolvendo a cabeça dele e amarrou no pescoço. O Sr. Zhang morreu mais tarde nesse dia151.

4.8 Confinamento solitário

 Abaixo está um exemplo de um praticante confinado na solitária:152

Cada solitária contém um banco de metal grande o suficiente para caber uma pessoa. Os praticantes que ficaram em confinamento solitário tinham os braços e as pernas algemados e eram forçados a ficarem sentados no banco 24 horas por dia, com apenas duas oportunidades para usar o banheiro. Há seis solitárias no Edifício Zonghe, no Campo de Trabalho de Mansanjia. Não há aquecimento nas celas e fazia muito frio no inverno, mas os guardas da prisão não aceitavam que os praticantes usassem as roupas de frio dadas pelos familiares dos praticantes.

O praticante Wang Xueli, detido no Grupo 2, Equipe 3, esteve na solitária durante dez dias. Ele desenvolveu um edema generalizado e teve grande dificuldade de andar; mesmo agora ele não se recuperou totalmente. Muitos praticantes sofreram um colapso mental. Alguns até entraram em coma.

 Aqueles que são mantidos na solitária enfrentam um isolamento prolongado e qualquer comunicação com o mundo exterior é negada, por vezes durante anos. A maioria dos praticantes é preso em condições estressantes na maior parte do tempo e recebe muito pouco alimento.

Caso 1: Congelamento e fome em confinamento solitário

 O Sr. Xu Wenlong, um artista de 33 anos da província de Heilongjiang, foi mantido sozinho em uma pequena cela durante mais de um mês na Prisão de Tailai, onde era obrigado a escrever diariamente “relatórios de pensamento”. Quando o Sr. Xu escreveu “sou inocente” no seu diário, em 1º de janeiro de 2013, o guarda Gao Bin o espancou e o ameaçou a “mantê-lo na cela para sempre”.

 Na cidade de Qiqihar, no extremo norte da China, as temperaturas caem frequentemente para -23°C em janeiro. Não havia cama, cobertor ou almofada na pequena cela e o Sr. Xu tinha que dormir no chão de cimento gelado. Vestido apenas com uma fina camada de roupa, com as mãos e os pés algemados, ele só conseguia dormir por períodos muito curtos de cada vez devido ao frio e ao desconforto.

 Os guardas davam ao Sr. Xu apenas duas conchas de sopa rala de macarrão por dia. A fome logo o levou a uma constipação severa. O seu peso caiu rapidamente e estava magro quando saiu da pequena cela. As suas gengivas estavam infectadas, porque ele foi proibido de escovar os dentes153.

Caso 2: Foi como viver em um inferno

 A Sra. Hu Aiyun, uma praticante da cidade de Harbin, província de Heilongjiang, uma vez foi amarrada a uma cadeira de metal e mantida em uma solitária durante mais de dois meses154:

Eles me prenderam na cadeira de metal. Tanto os meus tornozelos como as minhas mãos estavam amarrados a ela e eu não conseguia me mexer. Depois de um tempo, me senti muito fraca. Estava perdendo as minhas forças. Meus braços, mãos e pernas incharam severamente. Os meus pés eram como pães cozidos no vapor, que nem cabiam em um sapato grande. O anel de metal à volta do meu tornozelo estava colado na carne. O que mais me assustava era o medo e a angústia que sentia. A completa contenção física deixou-me louca. Eu fiquei deprimida. Senti o meu peito muito apertado e estava à beira do colapso.

Para aumentar o meu sofrimento, os guardas tocavam música de rock muito alto. Para evitar ouvir o barulho, eles próprios fugiam assim que apertavam o botão play. A música perfurava os meus ouvidos e fazia vibrar o teto e o chão da sala. A minha cabeça tremia e os meus ouvidos zumbiam. O meu coração batia muito depressa. Era tão avassalador que a minha mente ficou vazia e dormente e me senti sufocada. Durante os vários meses em que estive presa na solitária, eles não me deixaram tomar banho ou trocar de roupa. Os guardas deixavam um penico no quarto para eu me aliviar. Depois de alguns dias, o cheiro no quarto era terrível. Insetos, mosquitos, moscas e ratos corriam por todo os lados. Não havia janela no quarto, não se via o céu azul nem dava para sentir uma brisa de ar fresco.

À noite, quando todos iam dormir, o silêncio à minha volta era ainda mais assustador. Eu aguentei segundo a segundo, tremendo de arrepios. As noites eram incrivelmente longas.

Eu tinha sarna por todo o meu corpo. Os guardas então usaram uma colher de aço para tirar a sarna. Eu quase desmaiei por causa da dor. As minhas pernas continuavam a sangrar.

4.9 Estupro, agressão sexual e humilhação sexual

 Outra forma de tortura usada consistentemente nos praticantes do Falun Gong é a humilhação sexual ou a agressão sexual. É especialmente eficaz para esmagar as almas das vítimas e enfraquecer a sua força de vontade.

4.9.1 Tortura sexual das mulheres 

 Os abusos incluem estupro, despi-las em frente aos guardas homens da prisão, inserir varas ou escovas de dentes na vagina, bem como eletrocutar a vagina e os seios com bastões elétricos. Muitas sobreviventes de tais abusos ficaram traumatizadas e sofreram de vergonha, tristeza e medo.

Caso 1: 18 praticantes são estupradas por gangues de prisioneiros

 Em um caso infame no infame Campo de Trabalho Forçado de Masanjia, em 19 de abril de 2001, os guardas colocaram 18 praticantes mulheres nas celas dos homens e permitiram que os prisioneiros as estuprassem, o que levou à morte ou à incapacidade ou à instabilidade mental das vítimas155.

 Uma das 18 vítimas, a Sra. Yin Liping, disse que a sua angústia e humilhação foram exacerbadas quando percebeu que tudo havia sido filmado156.

Caso 2: Mulher idosa é estuprada e eletrocutada com choques elétricos na vagina 

 A Sra. Zou Jin, que estava então na casa dos 60 anos, foi estuprada por dois oficiais pouco depois de haver sido presa em fevereiro de 2001. Os oficiais enfiaram-lhe então um bastão elétrico na vagina e deram-lhe choques. Ela chorou de dor. Os guardas só tiraram depois de ela ter perdido a consciência. A vagina dela estava sangrando e ficou inchada, deixando-a com dores intensas. A Sra. Zou não conseguiu sentar-se ou andar durante mais de um mês157.

Caso 3: Guardas introduziram mangueiras no órgão genital da Sra. Wang Jinping 

 Os guardas da Prisão Feminina da Província de Liaoning instruíram as reclusas a abrirem as pernas da Sra. Wang Jinping e outra detenta enfiou uma mangueira na vagina da praticante. Por causa disso, a Sra. Wang foi incapaz de urinar e tornou-se incontinente. As suas pernas ficaram inchadas, pretas e arroxeadas158.

Caso 4: Prisioneiras enfiam pimenta na vagina da Sra. Zhang Shuxia

 A Sra. Zhang Shuxia tinha 60 anos quando foi levada para a Prisão de Feminina de Liaoning, em 2005. A polícia instruiu duas prisioneiras a colocar pimenta na vagina dela. Também a forçaram a beber água salgada e quente, na qual a pimenta havia sido fervida. Derramaram água apimentada sobre as nádegas dela e depois forçaram-na a beber a água suja159.

Caso 5: Bastão de madeira afiado introduzido na vagina da Sra. Wang Lijun

 A Sra. Wang Lijun foi torturada no Campo de Trabalho Forçado de Dalian através de uma corda grossa esfregada para trás e para a frente contra o seu órgão genital em três ocasiões. As criminosas também usaram uma vara de madeira quebrada, com pontas afiadas, para perfurar a sua vagina, causando uma hemorragia e inchaço no seu abdômen e na área genital. Ela não podia puxar as calças para cima ou agachar-se. Ela também tinha dificuldade em urinar160.

4.9.2 Tortura sexual dos homens

 Muitos praticantes do Falun Gong do sexo masculino também relataram haver sido torturados sexualmente enquanto estavam detidos. A violência contra os praticantes inclui frequentemente choques elétricos, agressões aos seus órgãos genitais e remoção à força dos seus pelos púbicos.

 Um guarda da Prisão Benxi deu um choque no pênis do Sr. Meng Xianguang e disse: “Eu vou fazer com que você não possa ter filhos”. O Sr. Meng convulsionou com os choques elétricos somente para que os guardas se divertirem às suas custas.161. Os guardas do Campo de Trabalho Forçado de Hegang beliscaram e puxaram o pênis do Sr. Sun Fengli, que ficou muito inchado e dolorido. O praticante teve dificuldade em urinar e andar por causa da tortura. Ele também foi humilhado pelos detentos162. O guarda Zhao Shuang, do Campo de Trabalho Forçado de Changlinzi, apertou com força os testículos do Sr. Zang Dianyong. A virilha dele ainda estava dolorida, mesmo um ano depois163.

 Quando o Sr. Chen Shaomin cumpriu pena no Campo de Trabalho Forçado n°3 da Província de Henan, em 2004, o guarda Nie Yong forçou o seu pênis na boca do Sr. Chen e ameaçou urinar na sua boca se não desistisse de praticar o Falun Gong164.

Capítulo 5: Mortes decorrentes da perseguição

 Até 10 de setembro de 2019, foram confirmadas as mortes de um total de 4.343 praticantes do Falun Gong por causa da perseguição. O número real de mortos é provavelmente maior, pois nem todos os casos podem ser relatados em tempo hábil devido ao bloqueio de informações na China. Abaixo está uma pequena seleção representativa de casos de mortes publicada pelo Minghui.org.

5.1 Autoridades retiram suporte de vida de mulher presa sem o consentimento da família165

 A Sra. Li Changfang da cidade de Linyi, província de Shandong, foi presa por se recusar a desistir de sua fé no Falun Gong. Ela foi hospitalizada em 5 de julho de 2019 e operada no dia seguinte sem o consentimento da sua família. Quando a sua família se recusou a assinar a desistência para levá-la para casa, a polícia os deteve por um dia, incluindo uma criança de seis anos de idade.

 No dia 12 de julho, as autoridades tiraram a Sra. Li do oxigênio quando sua família não estava por perto e ela morreu. Exigiram então que a família dela negociasse os termos de compensação antes de revelar onde o corpo dela estava sendo guardado.

5.1.1 Principais eventos que levaram à morte da Sra. Li

 A Sra. Li foi presa no dia 23 de outubro de 2018, por se recusar a renunciar ao Falun Gong. Ela foi condenada a dois anos e meio de prisão e multada em 10 mil yuans em 27 de março de 2019. Em 5 de julho de 2019, a sua família foi para um hospital local após ser avisada que a sua condição ameaçava a sua vida. A Sra. Li estava consciente e disse que estava sofrendo de dor abdominal há 15 dias. Ela tinha hematomas nas coxas e os seus dentes estavam soltos. 

 Os guardas do Centro de Detenção da Cidade de Linyi, onde a Sra. Li tinha sido detida, recusaram-se a explicar o que tinha lhe acontecido e o que poderia ter resultado nas lesões e problemas de saúde. Os médicos primeiro disseram que ela tinha apendicite e depois disseram que ela tinha uma perfuração gástrica.

 Com tantas perguntas sem resposta, a família da Sra. Li recusou-se a assinar um formulário de consentimento para a cirurgia.

 Orientados pelo centro de detenção e pela polícia, os médicos ainda operaram a Sra. Li, cortando-a do peito até o abdome em 6 de julho. Ela nunca mais recuperou a consciência e permaneceu ligada a um suporte de vida após a cirurgia. Na manhã de 10 de julho, mais de duas dúzias de policiais foram ao hospital. Quando a sua família se recusou a assinar uma renúncia para que ela tivesse alta do hospital, a polícia prendeu o seu marido, filho, filha e o seu neto de seis anos. Eles só foram libertados no dia seguinte.

 Por volta das 18h do dia 12 de julho, quando a família dela não estava presente, os agentes do Centro de Detenção da Cidade de Linyin e da Delegacia de Polícia de Dongguan, na cidade de Linyi apareceram na ala da Sra. Li e desligaram o oxigênio. Ela morreu pouco depois.

5.2 Mulher de Liaoning falece 13 dias após sua admissão na prisão166

 Enquanto muitas famílias se reuniam e celebravam o Ano Novo Chinês em fevereiro de 2019, a Sra. Li Yanqiu foi condenada a cinco anos de prisão por não haver renunciado à sua fé no Falun Gong.

 Ela foi encarcerada na Prisão Feminina de Liaoning em 19 de fevereiro de 2019 e morreu 13 dias depois.

 A Sra. Li foi designada para a "Ala de Correção", que foi criada especificamente para perseguir as praticantes do Falun Gong e tentar forçá-las a renunciar à sua fé. Ela estava extremamente fraca no dia em que chegou. Ela estava em greve de fome e foi alimentada à força desde a sua prisão em 14 de dezembro de 2018, por distribuir calendários com informações sobre o Falun Gong.

 Ela continuou a sua greve de fome na prisão, então os guardas levaram-na para o hospital da prisão, onde foi alimentada à força. Eles permitiram que a sua família a visitasse pela primeira vez desde a sua prisão. Ela usava um andador quando saiu para se encontrar com eles.

 A sua família apelou para uma liberdade condicional médica para a Sra. Li após a visita, mas o pedido deles foi recusado e foram proibidos de visitá-la desde então.

 De acordo com as reclusas que a conheciam, os guardas mudaram a Sra. Li para a 12ª enfermaria depois dela ser alimentada à força e a mantiveram na solitária nos seus últimos dias, apesar do seu estado.

 Os guardas tiraram-lhe a roupa e obrigaram-na a sentar-se no chão frio de concreto. A temperatura estava entre - 3,89 °C e 2,78 °C, e não havia aquecimento na sala. Alguns dias depois, ela começou a urinar sangue e não conseguia manter-se em pé sozinha, mas os guardas da prisão não buscaram cuidados médicos para ela. Ela morreu poucos dias depois, em 4 de março de 2019, com 52 anos.

 A morte súbita da Sra. Li devastou a sua família. O pai, que vivia com ela, teve de se mudar para casa do irmão mais velho, depois da prisão. Nos seus 80 anos, o homem, que era geralmente muito extrovertido, tornou-se retraído e teve dificuldade para dormir desde que a Sra. Li foi presa. Ele também tinha sangramentos nasais frequentes, desconforto no coração e tonturas causadas por pressão alta. Temendo que as notícias pudessem ser demais para ele, a família da Sra. Li não lhe contou sobre a sua morte.

5.3 Mulher de Hebei morreu ao cair tentando escapar de ser presa167

 Apenas alguns meses antes do casamento da sua filha, uma mulher do condado de Wen'an, província de Hebei, veio a óbito enquanto tentava escapar da polícia, descendo da varanda do seu apartamento no terceiro andar. Ela tinha 55 anos. A Sra. Yang Xiaohui se tornou alvo da polícia por se recusar a renunciar à sua fé no Falun Gong. Oito agentes bateram na porta da casa da Sra. Yang por volta das 23h do dia 8 de abril de 2019. Quando ela se recusou a deixá-los entrar, eles usaram ferramentas para abrir a porta.

 O marido e a filha da Sra. Yang, que estavam presentes neste momento, ficaram aterrorizados e não sabiam o que fazer. Quando a polícia estava prestes a invadir a casa, a Sra. Yang correu para a varanda e tentou fugir dali. Ela caiu no chão. Sem reagir, ela foi levada para o hospital, onde foi declarada morta por volta das 2h da manhã. A polícia monitorou de perto e gravou em vídeo a Sra. Yang durante as tentativas de ressuscitá-la.

 Li Zhongjie, o chefe da Divisão de Segurança Interna, negou qualquer responsabilidade pela morte da Sra. Yang e disse que eles estavam apenas seguindo ordens superiores.

 A família da Sra. Yang ficou indignada quando a polícia, que alegou ter que obter a aprovação dos superiores antes de permitir que ela fosse cremada e enterrada, proibiu-os de fazer os preparativos para o seu funeral.

 Desde 1999, a Sra. Yang foi repetidamente visada por não ter renunciado à sua fé. As suas repetidas prisões, assédios e saques residenciais deixaram a sua família vivendo temerosa nas últimas duas décadas, o que causou a saúde precária de seu marido. A Sra. Yang foi levada a sessões de lavagem cerebral duas vezes entre novembro de 2003 e junho de 2004. Ela recebeu pontapés nas costas e foi espancada na face. O pessoal do centro de lavagem cerebral amarrou-a a uma cama e alimentou-a à força, ferindo gravemente seu esôfago. Também aplicaram injeções com drogas desconhecidas que a impossibilitaram de dormir e, subsequentemente, de acordar.

 A última provação da Sra. Yang foi em 2 de janeiro de 2017, quando ela e outros oito praticantes do Falun Gong (dois homens e seis mulheres) viajaram para o mercado rural na cidade de Daliu, condado de Wen'an, para distribuir calendários com informações sobre o Falun Gong. Eles foram denunciados à polícia e presos nove dias depois. Os policiais saquearam as casas dos praticantes e levaram seus materiais do Falun Gong.

5.4 Morte de Jin Shunnu

 A Sra. Jin Shunnu entrou em coma em 6 de outubro de 2018, enquanto estava presa por sua fé no Falun Gong. Depois que seus familiares foram para o hospital, a polícia obrigou-os a assinar um termo de responsabilidade sobre o que ocorreu com à Sra. Jin, sob a ameaça de dar a ela uma pesada pena de prisão caso se recusassem a assinar.

 O marido e a filha da Sra. Jin ficaram no hospital durante quatro dias, mas ela nunca recuperou a consciência. Ela faleceu por volta das 4h da manhã do dia 10 de outubro. O corpo dela foi cremado no mesmo dia, sem autópsia, e a certidão de óbito emitida pelo hospital descreveu que ela morreu de um derrame. Ela tinha 66 anos. A Sra. Jin foi presa em 19 de setembro de 2018, no escritório do seu comitê residencial local. Ela havia ido pedir os documentos necessários para restabelecer a sua aposentadoria, que havia sido suspensa porque ela havia sido anteriormente presa durante 13 anos por se recusar a renunciar ao Falun Gong.

 Ela explicou aos funcionários do escritório que a sua prisão por causa da sua fé era ilegal e que a sua aposentadoria não deveria ter sido suspensa, assim, ela foi pedir os documentos para que a pagassem novamente. Em vez de lhe emitir os documentos, um funcionário chamou a polícia. Oficiais da Delegacia de Polícia de Xinhua vieram e levaram-na para o Centro de Detenção de Nangou.

 Não ficou claro o que aconteceu com a Sra. Jin durante a sua breve detenção, que a fez entrar em coma e morrer dias depois.

 Enquanto a Sra. Jin esteve presa entre 2002 e 2015, o seu marido, Sr. Shen Shan, cumpriu uma pena de 11 anos por causa da fé que compartilhavam.

 A filha deles, Sra. Shen Chunting, também recebeu três anos de trabalho forçado por praticar o Falun Gong. A família foi finalmente reunida em 2015, porém, perdeu a Sra. Jin três anos depois168.

5.5 Outros casos de morte

 A Sra. Peng Guangzhen, de 70 anos, está à procura de justiça pela morte do seu filho, o Sr. Xu Langzhou. O Sr. Xu morreu em circunstâncias suspeitas, enquanto estava encarcerado por causa da sua crença no Falun Gong:

O meu marido faleceu quando o nosso filho tinha cinco anos de idade. Não foi fácil criar dois filhos sendo uma mãe sozinha. Eu sobrevivi apenas por causa do meu filho. Ele era tão gentil e me amava muito. Ele me disse uma vez: “Vou tomar conta de você, mãe, mesmo que acabe sendo um mendigo”. Trabalhei tanto para criá-lo. Ele era forte e saudável, mas morreu quando tinha apenas 39 anos. Eles (autoridades da Prisão de Wumaping) disseram que não eram responsáveis.

Caso 1: Sr. Xu Langzhou– Excelente policial morre na prisão sob circunstâncias suspeitas

 Enquanto o Sr. Xu Langzhou esteve preso na Prisão de Guangyuan durante seis anos, proibiram-no de ligar para a sua família. Em sete ocasiões, sua mãe idosa viajou da cidade de Panzhihua para vê-lo, mas os guardas a mandaram embora.

 No inverno de 2010, o Sr. Xu foi transferido para a Prisão de Wumaping, no condado de Muchuan. Como ele se recusou a usar o uniforme da prisão, os guardas da prisão ordenaram aos reclusos que rasgassem suas roupas. Ele foi autorizado a usar apenas um par de cuecas. O Sr. Xu entrou em greve de fome para protestar contra a perseguição. Finalmente, em dezembro de 2011, as autoridades da prisão permitiram que a sua família lhe enviasse roupas e mil yuans em dinheiro.

 Em 7 de março de 2012, a prisão avisou a família do Sr. Xu de que eles seriam autorizados a visitá-lo, alegando que ele tinha que fazer uma operação de úlcera duodenal. No dia seguinte, a sua mãe, a Sra. Peng Guangzhen, foi forçada a assinar documentos autorizando a operação enquanto o Sr. Xu estava inconsciente. Três dias após a operação, o Sr. Xu foi capaz de comer mingau de aveia. O hospital recusou-se a permitir que a mãe cuidasse dele, por isso ela teve de ficar em um hotel fora do hospital. Na noite de 18 de março, o hospital informou a família que o Sr. Xu havia falecido169.

Caso 2: Sra. Cheng Fuhua – Mulher de Liaoning morre sete meses após ser colocada em liberdade condicional médica

 A Sra. Cheng Fuhua foi agredida no centro de internação local após a sua prisão em 1º de junho de 2015, por haver falado com as pessoas sobre o Falun Gong. Ela entrou em greve de fome para protestar contra os maus-tratos, mas sofreu retaliação.

 A Sra. Cheng desenvolveu um edema e teve episódios frequentes de desmaios. Ela também perdeu a mobilidade. O centro de detenção local avisou a sua família no final de janeiro de 2016 para ir buscá-la. Ela nunca foi capaz de se recuperar dos sintomas causados pelas agressões. Ela morreu no dia 6 de agosto de 2016, com 69 anos de idade170.

Caso 3: Sr. Hu Guojian – Homem de Liaoning morre após dois anos em coma

 O Sr. Hu Guojian, da cidade de Fushun, província de Liaoning, morreu em 15 de maio de 2018, depois de haver ficado em coma por quase dois anos. O Sr. Hu foi preso em 7 de julho de 2015 e condenado a quatro anos de prisão, cinco meses depois. Ele sofreu uma grave hemorragia cerebral devido aos espancamentos dos guardas e entrou em coma. Ele foi operado, mas nunca recuperou a consciência.

Caso 4: Sra. Liu Fengmei – Mulher morre após tormento e assédio interminável

 Pouco depois de haver sido presa antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a Sra. Liu Fengmei foi condenada a 13 anos de prisão. A prisão aceitou-a, apesar de ela haver sido reprovada no exame físico.

 Após três anos de tortura, incluindo alimentação forçada, trabalho pesado, lavagem cerebral e sentar-se em um pequeno banco por longas horas, a saúde da Sra. Liu se deteriorou e ela foi diagnosticada com câncer de mama em estado avançado e tumores no ovário em julho de 2012. Ela foi libertada em agosto de 2012, mas as autoridades locais continuaram a assediá-la. Após dois anos e quatro meses de agonia, a Sra. Liu faleceu em 18 de dezembro de 2014, com 48 anos.

Caso 5: Sr. Gao Yixi – Homem saudável morre dois dias após a hospitalização decorrente de greve de fome

 O Sr. Gao Yixi morreu dois dias depois de ser levado ao hospital por estar em greve de fome para protestar contra a sua prisão ilegal e da sua esposa e pela detenção por causa de sua fé. A sua morte ocorreu apenas dez dias depois de haver sido preso em 19 de abril de 2016. Ele tinha 45 anos. O Sr. Gao, apesar da greve de fome, estava com boa saúde quando entrou no hospital. No entanto, ele foi submetido a infusões contínuas no hospital. Ele perdeu gradualmente a capacidade de falar ou de se mexer e morreu apenas 43 horas depois. A sua família notou marcas de algemas nos pulsos, inchaço severo no peito e um abdome afundado. A polícia fez uma autópsia no dia seguinte, mas recusou-se a mostrar o relatório à família171

Caso 6: Sra. Fu Guichun – Forçada a fazer um aborto, morre após oito anos de perseguição na prisão

 A Sra. Fu Guichun foi condenada a oito anos de prisão em setembro de 2002, dois meses após haver sido forçada a fazer um aborto após a sua prisão em maio de 2002. Na Prisão Feminina de Harbin, a Sra. Fu foi mantida em isolamento, pendurada pelos pulsos, congelada e privada de sono nas tentativas das autoridades de forçá-la a renunciar à sua fé. Ela desenvolveu diabetes e outros problemas de saúde. Quando foi libertada em 2009, estava traumatizada e ferida tanto mental como fisicamente. A Sra. Fu morreu em 1° de maio de 2012, apenas com cerca de 40 anos172.

Caso 7: Sr. Li Kunlian e a Sra. Wang Fuqin – Marido e mulher morrem com cinco anos de diferença depois de ter as três filhas presas por se recusarem a renunciar ao Falun Gong

 As três filhas da Sra. Wang Fuqin foram presas uma após outra em meados de 2004 por se recusarem a renunciar ao Falun Gong. A mais nova foi condenada a quatro anos de prisão. A Sra. Wang tentou visitá-la sete vezes, mas sempre a proibiram de ver a sua filha mais nova. Ela ficou tão traumatizada pelas prisões das suas filhas que teve um derrame e morreu em março de 2004, aos 69 anos.

 O seu marido, o Sr. Li Kunlian, sofreu um colapso mental após a morte da sua esposa. Todos os dias depois do anoitecer, ele pegava uma faca ou um pedaço de madeira para afugentar os “bandidos imaginários” que ele pensava que vinham para tirar-lhe os seus entes queridos. Ele morreu cinco anos depois, em novembro de 2009, aos 71 anos.

Caso 8: Sr. Ren Dongsheng – Homem de meia idade morre sete anos depois de ficar louco devido a prisão

 O Sr. Ren Dongsheng foi preso em 8 de março de 2006 e condenado a cinco anos de prisão. Ele sofreu torturas inimagináveis na Prisão de Gangbei, na cidade de Tianjin, como ter as mãos queimadas com um isqueiro, o rosto esbofeteado e os dedos dos pés pisados até que as unhas caíssem. Ele foi forçado a comer comida atirada no chão e, enquanto algemado e agrilhoado, as refeições foram intencionalmente colocadas fora do seu alcance. Quando a sua sentença de cinco anos acabou, ele foi enviado diretamente para um centro de lavagem cerebral, onde foi enganado e levado a tomar um pó branco desconhecido. Quando foi libertado uma semana depois, o seu filho ficou chocado ao ver que o seu pai não era mais o homem forte e amoroso de quem ele se lembrava. O Sr. Ren ficava murmurando e exibia comportamentos estranhos. A sua mãe, nos seus 80 anos, ficou tão devastada ao ver o que havia ocorrido ao seu filho depois de cinco longos anos, que desmaiou.

 A esposa do Sr. Ren, Sra. Zhang Liqin, também pratica o Falun Gong. Ela foi despedida do emprego um mês após a prisão do marido. Ela mesma foi presa em 12 de fevereiro de 2009 e condenada a sete anos de prisão. Quando foi libertada em 11 de fevereiro de 2016, quem a recebeu em casa foi um marido psicótico que quebrava móveis e janelas.

 O Sr. Ren permaneceu em estado psicótico a maior parte do tempo depois de haver voltado para casa. Ele se recusou a cortar o cabelo e quebrou tudo à sua volta. Ele saía correndo e gritando nos dias de chuva. Ocasionalmente, saía de casa no meio da noite e voltava dias depois, coberto de terra. Sempre que alguém mencionava a polícia, o Sr. Ren murmurava que tinha que correr ou a polícia o apanhava. Ele corria para fora e, mais tarde, dormia à beira da estrada.

 Às vezes, acordava de repente no meio da noite, gritando: “Eu não tenho medo de você”. Ele muitas vezes maltratava a mãe e batia no filho. Uma vez, expulsou a sua mãe de casa na noite do Ano Novo Chinês, deixando-a sozinha na rua. Outra vez, bateu no filho, que correu chorando para sua avó.

 Depois de apresentar uma queixa contra os guardas que torturaram o Sr. Ren, a sua esposa, Sra. Zhang Liqin, foi repetidamente assediada e detida pelas autoridades. Ela teve de viver longe de casa para evitar ser presa. Algumas vezes, ela não fazia refeições para economizar dinheiro para viajar a diferentes lugares e buscar justiça para o marido.

 Oito dias depois que a Sra. Zhang concordou em ser interrogada pelo Tribunal Superior da Cidade de Tianjin, em 4 de setembro de 2018, ela ficou de coração partido por perder o seu marido, que morreu após sete anos de sofrimento173.

Caso 9: Sr. Xu Dawei – Chefe alegre e amável, morre após oito anos de prisão

 O Sr. Xu Dawei foi preso em janeiro de 2001 e, mais tarde, condenado a oito anos de prisão. Antes, um jovem saudável, o Sr. Xu foi reduzido a pele e ossos quando foi libertado, em fevereiro de 2009. O seu corpo estava coberto de ferimentos e contusões devido à tortura por choque elétrico e espancamentos. O seu rosto estava sem expressão, os seus olhos moviam-se lentamente e ele era incapaz de reconhecer a sua família. Ele morreu apenas 13 dias após ser libertado, com 36 anos. Após a sua morte, a sua esposa trabalhou incansavelmente para procurar justiça para ele. Em uma carta aberta às autoridades, a esposa do Sr. Xu, a Sra. Chi Lihua escreveu o seguinte174:

Não quero pensar em como passei aqueles oito anos ansiosamente à espera. É difícil para alguém que não tenha experimentado pessoalmente entender. Eu tomei conta de nossa filha pequena e dos meus pais idosos. As dificuldades, a miséria, a preocupação e as penúrias são indescritíveis. Eu não sei quantas vezes chorei. Fiquei sem lágrimas. Só o sangue escorria do meu coração.

Pensei que finalmente a espera havia acabado após oito longos anos, mas veio um golpe fatal. A minha mãe não aguentou e desmaiou quando soube. Os meus pais já não estão vivos. Eu os perdi e não tenho casa nem renda.

Os pais de Dawei pediram-me para ir morar com eles, mas eu estou relutante em ir. Até certo ponto, não estou enfrentando a realidade.

Não é porque eles vivem em uma pequena vila nas montanhas. E não é porque não me dou bem com eles. Os pais de Dawei não me tratam como uma nora, mas sim como a sua própria filha. E eu também os trato como se fossem meus pais. Eu não quero ir viver com eles só porque não quero que a minha presença os faça recordar do filho deles. Tenho ainda mais medo do que dizer quando a avó de Dawei, de 99 anos, me perguntar por que Dawei ainda não voltou para casa.


Capítulo 6: Lesões físicas e trauma mental

 A perseguição ao Falun Gong é responsável por um número incalculável de tragédias, tanto para os praticantes como para suas famílias. Mesmo crianças, idosos e deficientes não são poupados.

 A Sra. Wang Bo, um prodígio musical, foi condenada a três anos de trabalho forçado quando tinha apenas 19 anos de idade porque falou contra a perseguição. Depois de ser libertada em 2005, ela foi presa novamente em 2006 e condenada a mais cinco anos175.

 A Sra. Zhang Chunyu, uma ex-empresária, tem sido maltratada na Prisão Feminina da Província de Heilongjiang enquanto cumpre uma sentença de quatro anos e meio de prisão. Ela ficou cega do olho esquerdo depois de haver sido golpeada por um guarda durante um período anterior em que esteve presa em um campo de trabalho176.

 A Sra. Tan Meili, cujas pernas ficaram incapacitadas após ter contraído poliomielite quando era criança, foi repetidamente presa e condenada a uma pena total de sete anos e meio. Ela está atualmente cumprindo quatro anos e meio na prisão177.

 O Sr. Liu Dianyuan foi condenado a 11,5 anos quando tinha 79 anos. Ele já havia cumprido sete anos de prisão178.

 Simplesmente por manterem a sua crença no Falun Gong, uma família de seis pessoas em Tongliao, Mongólia Interior, tem sido repetidamente presa e detida em um total geral de 41 anos. O pai, o Sr. Tian Fujin, foi preso duas vezes e passou cerca de nove anos na prisão antes de ser torturado até a morte. A mãe, a Sra. Liu Xiurong, foi encarcerada durante dez anos. Mais recentemente, a filha do meio, a Sra. Tian Xin, foi condenada a três anos de prisão em 2015. O seu marido divorciou-se dela e o seu filho adolescente tem sido cuidado pelos avós paternos desde a sua prisão mais recente179.

 Apesar da tortura brutal e das longas penas de prisão, a morte física ainda não se equipara à angústia mental que a perseguição tem infligido aos praticantes e aos seus familiares.

 Nada pode apagar a dor que a jovem Xu Xinyang sentiu quando viu o seu pai preso, o Sr. Xu Dawei, pela primeira vez, quando ela estava com sete anos. Além disso, ele morreu apenas 13 dias depois de ser libertado da prisão, cheio de ferimentos180.

 O que a Sra. Jiang Zixiang, 88 anos, teve de aguentar é indescritível. O marido dela ficou tão aflito com a perseguição que morreu no início dos anos 2000. Então, o seu filho de 45 anos, Sr. Gao Yixi, foi torturado até à morte dez dias após a sua prisão. As suas filhas ainda estavam cumprindo pena na prisão por causa da sua fé no momento da morte do Sr. Gao. A saúde da mulher idosa sofreu um impacto tão grande que ela morreu 20 meses depois181.

 Com cerca de 30 anos, a Sra. Zhao Yuhua perdeu todos os dentes depois da sua filha morrer de ataque cardíaco, devido à ansiedade e medo que sentia pelos pais, que foram forçados a viver longe de casa para evitar a perseguição. Ao saber da morte da jovem, a polícia aproveitou a oportunidade para prender a Sra. Zhao e esperou-a perto da sua casa, dia e noite182.

 O pai do Sr. Ma Zhanguo sofria de pressão arterial alta e teve um ataque cardíaco quando não pôde visitar o filho após a sua detenção, em outubro de 2016. Como o Sr. Ma era o único responsável pelo ganha pão da família, a sua prisão deixou a família em grande sofrimento. Na tentativa de ajudar a família, seu pai idoso e enfermo, Ma Dengke, às vezes apanhava garrafas de água, latas de bebidas ou papel usado para vender a empresas de reciclagem e ganhar um pouco de dinheiro. Ele foi encontrado morto em uma pilha de lixo183.

 A mãe da Sra. Bi Jianhong, a Sra. Wang Yanqin, foi forçada várias vezes a ver sua filha ser torturada e ouvir os seus gritos quando ambas foram presas juntas por causa de sua fé. A mãe quase sofreu um colapso mental184.

 Apesar da sua idade, a avó de Liang Yuzhen, de 98 anos, teve as mãos quebradas pela polícia enquanto assistia a sua neta, a única pessoa que tomava conta dela, ser levada pela polícia. Depois de saber que os dois advogados tiveram os direitos de visita negados, a avó ficou indignada. Com ajuda, ela dirigiu-se ao Centro de Detenção Heshan. Todos os guardas evitaram falar com ela e recusaram-se a prestar qualquer assistência185.

 A mãe do Sr. Jin Fuzhang, 84 anos, lutou para cuidar de si mesma depois do seu único filho ser sentenciado a cinco anos de prisão por praticar o Falun Gong. Ela teve que, sozinha, fazer compras na mercearia, encontrar um encanador para arrumar um cano quebrado e colocar um vidro no seu armário da cozinha186.

 No caso da Sra. Chen Shulan, os seus pais, dois irmãos e uma irmã mais nova morreram todos em consequência da perseguição. Como única sobrevivente, a Sra. Chen foi condenada duas vezes em um total de 11,5 anos. Após anos de tortura, a Sra. Chen tem graves dores nas costas e depende da filha para cuidar dela187.

 A Sra. Feng Xiaomei, a sua irmã Sra. Feng Xiaomin e os seus pais viveram períodos felizes. Mas, por causa da perseguição, Xiaomei perdeu o seu pai, o seu marido e a sua irmã. O seu cunhado foi preso depois de oito anos vivendo como andarilho para evitar a perseguição. Xiaomin e a sua mãe idosa foram os únicos que ficaram para cuidar do seu filho, Wang Boru, que perdeu o seu pai aos 13 anos, e o seu sobrinho, Wang Tianxing, que perdeu a sua mãe quando tinha menos de dois anos. Quando Xiaomei foi presa novamente em 2009, a sua mãe perdeu todo o seu cabelo em uma noite. Boru teve que deixar a escola e fazer trabalhos temporários para sustentar a família. Tianxing quase foi enviado para um orfanato188.

6.1 Consequências de tortura e agressões físicas

 Muitos praticantes ficaram gravemente feridos, incapacitados, paralisados ou loucos como resultado da tortura em instalações de detenção. Abaixo estão alguns desses casos.

Caso 1: Ex-economista incapacitada por fratura nas pernas

 A Sra. Gong Xingcan, uma ex-economista, caiu das escadas quando tentava escapar de ser torturada em um campo de trabalho. Ela quebrou a perna direita, ficando com os ossos expostos. Quando foi levada ao hospital, o médico colocou o molde de gesso sem alinhar os ossos. Por isso, a perna direita ficou deformada e um centímetro mais curta do que a esquerda189.

Caso 2: Homem com cerca de 30 anos perde a maior parte dos seus dentes ao ser alimentado à força

 O Sr. Tang Maoting perdeu a maioria dos seus dentes depois que os guardas do centro de detenção usaram um alicate de bico fino para abrir sua boca e depois um fórceps para alimentá-lo à força. Ele teve que usar dentadura postiça com cerca de 30 anos. Os guardas também pisotearam as suas costas. Sem tratamento médico a tempo, a sua coluna lombar ficou deformado190.

Caso 3: Mãos de mulher ficam incapacitadas por tortura no Campo de Trabalho de Wanjia

 Em 2000, quando tinha 41 anos, as mãos da Sra. Fu Li ficaram incapacitadas e o seu corpo coberto de feridas devido às torturas que sofreu no Campo de Trabalho Forçado de Wanjia, na província de Heilongjiang.

 A polícia amarrou uma corda em volta dos polegares da Sra. Fu e depois pendurou-a pela corda para que os polegares dela suportassem o peso do seu corpo. Depois de ser suspensa desta maneira por muito tempo, suas mãos ficaram incapacitadas191.

Caso 4: Ignorado pedido de indenização a praticante incapacitado

 O Sr. Fan Zhongzhuang, da província de Zhejiang, foi uma vez interrogado durante cinco dias seguidos, período durante o qual foi impedido de dormir. A polícia também algemou as mãos e os pés dele e o torturou. Em 27 de agosto de 2005, a polícia espancou-o tão severamente que as vértebras do seu pescoço foram fraturadas e ele ficou permanentemente incapacitado192.

 O Sr. Fan apresentou uma queixa na polícia de 1,37 milhões de yuans para cobrir os seus custos médicos e salários perdidos. O subchefe Yang Changchun respondeu: “O pedido de indenização está muito fora do calculado. Se quiser a indenização, concordamos com 10 mil yuans, mas primeiro terá que pagar 20 anos de juros sobre isso”.

Caso 5: Mulher fica cega durante a custódia

 A Sra. Wu Yangzhen, 73 anos, foi aposentada do Instituto de Meteorologia da Província de Guangdong. Ela ficou cega do olho direito depois de apenas 19 dias de detenção em um centro de lavagem cerebral local. Os guardas primeiro obrigaram a Sra. Wu a ficar em pé por longas horas e depois a amarraram com as pernas cruzadas por quatro horas. Ocasionalmente eles soltavam as pernas dela antes de amarrá-la na mesma posição novamente. A dor era intensa e a visão dela ficava desfocada devido a diminuição do fluxo sanguíneo.

 Quando foi levada ao hospital, cerca de duas semanas depois, estava totalmente cega do olho direito e a visão no olho esquerdo estava gravemente prejudicada193.

Caso 6: Mulher permanece hospitalizada durante anos depois de ser espancada pela polícia até ficar inconsciente

 A Sra. Shi Yunlan teve de fazer uma craniotomia depois de haver sido espancada pela polícia até ficar inconsciente em 9 de outubro de 2014. Ela tem a fala desarticulada e está paralisada da cintura para baixo.

 O governo local recusou-se a cobrir todas as despesas médicas dela. Uma cirurgia programada para reparar o seu crânio foi adiada indefinidamente por falta de fundos194.

Caso 7: Preso e torturado durante cinco anos, homem de Heilongjiang fica incapaz de caminhar ou falar após a libertação

 O Sr. Zhang Jinku foi preso em 29 de março de 2013, depois de encontrarem cartazes dizendo “Falun Dafa é bom” pendurados na sua cidade. Quando o Sr. Zhang foi transferido para a Prisão de Hulan, em 1º de outubro de 2013, ele já estava impossibilitado de andar devido à tortura por parte de guardas e detentos.

 O Sr. Zhang, que foi libertado no final de sua sentença, em 2 de junho de 2018, magro e irreconhecível, descobriu que a sua esposa, Sra. Li Yali, havia morrido devido à angústia que o seu calvário lhe causou. Ela tinha 47 anos.

 Quando a mãe do Sr. Zhang lhe perguntou por que estava tão magro, ele escreveu lentamente com sua mão esquerda, não dominante (seu braço direito havia sido quebrado devido à tortura na prisão): “Eu fiz greve de fome por cerca de cinco anos. Eles colocaram drogas na comida”. Sua filha tornou-se distante e retraída e não estava disposta a se encontrar com seus avós paternos, que compartilham a mesma casa que seus pais. A jovem não estava lá para receber o pai quando ele foi libertado195.

Caso 8: Mulher se torna insana; forçada pela polícia a ingerir urina e fezes

 A Sra. Zhang Juxian foi levada para o hospital fora da Prisão Feminina de Liaoning, coberta com um lençol branco. Muitas pessoas pensavam que ela havia morrido. Na verdade, ela sobreviveu depois de voltar para casa, mas ficou mentalmente desorientada a partir de então. A Sra. Zhang foi presa várias vezes anteriormente, mandada para o campo de trabalho duas vezes em um total de cinco anos e condenada a três anos de prisão. Uma vez, foi forçada a ingerir fezes e urina quando entrou em greve de fome para protestar contra a perseguição196.

6.2 Condições das famílias: em suas próprias palavras

Caso 1: Pedido de recurso escrito pela mãe do Sr. Mo Zhikui, em busca da libertação do seu filho, que se encontra em estado grave após haver sido torturado na prisão197

“Sou a mãe de Mo Zhikui e tenho 89 anos de idade. Já passou mais de um ano desde que o meu filho foi levado. Estou extremamente preocupada com a segurança dele. Eu continuo a fazer a pergunta: ‘O meu filho não fez nada de ilegal, então por que a polícia o prendeu só por praticar o Falun Gong e a tentar ser uma boa pessoa? Foi condenado a 12 anos de prisão e a sofrer maus tratos na Prisão de Hulan.

Desde que o meu filho foi preso, a nossa família de quatro gerações, outrora feliz, não desfruta de um único dia de conforto e paz. A polícia revistou a nossa casa e continua a perguntar: ‘A quem pertence a casa? A escritura da casa está em que nome?’. O pessoal do comitê de bairro local continua a telefonar para ameaçar a minha nora. Também foram à creche para interrogar a minha neta para saber onde ela morava. Sempre que ouço bater à porta, o meu coração palpita e tremo de medo.

O meu filho já foi preso oito vezes e sofreu tantas agressões. Espancaram-no selvagemente e o insultaram. Agora ele tem tuberculose e, quando tosse, expele sangue, sofre de dormência em ambas as pernas até a virilha. Este foi o resultado dos maus tratos sofridos na Prisão de Hulan.

A minha nora, neto, neta e genro foram tentar visitá-lo cinco vezes e após viajarem até à prisão, foram proibidos de vê-lo. Um dos meus netos tem uma deficiência congênita e a minha bisneta sofre de uma doença de pele. O tratamento deles é caro. Sem o meu filho para nos apoiar, a minha família esforça-se para sobreviver. Eu anseio todos os dias pelo seu regresso”.

Caso 2: Relato da Sra. Li Songrong, filha do Sr. Li Kun e da Sra. Liang Guifen, que foram repetidamente presos e sentenciados por causa da fé deles198

“Sempre que ia visitar o meu pai na prisão, ficava muito nervosa, pois não sabia se conseguiria vê-lo. Perguntava-me como ele poderia estar e se estaria sendo torturado. Lembrava-me que não deveria chorar quando o via para que não ficasse preocupado comigo. Embora só nos fosse permitido vê-lo por 20 minutos cada vez, era muito precioso para nós. Outros parentes diziam-me: ‘Não se preocupe. O seu pai vai voltar em breve’. Quando ouvia outras crianças falarem sobre os momentos divertidos que passaram com os seus pais, ficava ali sentada escutando. Eu continuava a dizer a mim mesma: ‘O meu pai vai voltar muito em breve’. Eu repeti a mesma coisa para mim mesma dos meus nove anos até os 23 anos. Quando tinha dez anos, não me atrevia a dormir à noite. Eu tinha medo que alguém pudesse vir revistar a nossa casa a qualquer momento. Estava muito frio naquele inverno. A minha mãe pegou o casaco de inverno do pai e o colocou em cima de mim. A minha mãe contava-me histórias para me ajudar a adormecer. Mas, no meio da noite, eu ainda acordava.

Fora da nossa casa, alguém gritou o nome da minha mãe e disse-lhe para abrir a porta. A minha mãe não respondeu e continuou a confortar-me. Passado algum tempo, a gritaria parou. Pensamos que eles haviam ido embora. Mas passado pouco tempo, ouvimos pessoas batendo à nossa porta. Sempre que batem à porta, também batem no meu coração. Assim, quando pensávamos que a porta estava quase se partindo e o meu coração quase parando de bater, a minha mãe desceu as escadas. Eu estava tão assustada que não a segui.

Depois de uma curta conversa, os agentes a levaram. Eu chorei e implorei que ela não saísse. Ela disse-me: ‘Está tudo bem. Volte a dormir. Eu voltarei em breve’. Eu não fazia ideia de que ‘em breve’ poderia ser tão longo. Quando a minha mãe voltou, já era verão do ano seguinte. Em todos estes anos, quando eu estava quase pronta para desistir e perder a esperança por causa de toda a dor e sofrimento, a minha mãe nunca desistia. Ela trabalhou muito e era muito frugal para me apoiar, para que pudesse ir para a faculdade. Sempre que me queixava das minhas frustrações, ela me dizia sempre: ‘Não aponte sempre o dedo para os outros’. Deve olhar para si mesma primeiro e pensar onde não se saiu bem no conflito’.

Depois de me formar e ir para outra cidade para trabalhar e viver sozinha, comecei a entender o quanto ela tem feito por mim há tantos anos. Ela é uma mãe muito boa. O amor dela por mim é como as montanhas e o oceano, é rocha firme, mas gentil.

Assim que a data de libertação do meu pai se aproximou, a minha mãe, de quase 60 anos, foi novamente detida e condenada. Só quero viver a minha vida com a minha família. Por que uma felicidade tão simples é tão difícil?

Desde que minha mãe foi presa, estou sempre preocupada com ela e não consigo dormir nem comer. Enquanto escrevo esta carta, todas as memórias do que sofremos e suportamos, que tinha tentado tanto esquecer, voltaram para mim tão vividamente que eu explodi em lágrimas.

Finalmente entendi o que significa chorar de todo coração. No final, até tossi sangue. Senti-me muito fraca e as lágrimas não paravam.

Caso 3: A poetisa Sra. Fu Ying narra a devastação da família nos anos de perseguição199

Depois de sobreviver mais de 3 mil dias na prisão e suportar inúmeros sofrimentos, pensei que a minha primavera finalmente havia chegado e que o meu sofrimento iria acabar, pois a minha data de libertação estava se aproximando. Mas a realidade não era nada parecida com o que havia imaginado.

Em 11 de julho de 2010, finalmente deixei a prisão. Apenas no início dos meus 40 anos, o meu cabelo havia ficado grisalho muito tempo antes. Fiquei contente por ver o sol novamente. Todos os dias na prisão, começava a trabalhar antes do sol nascer e só voltava à noite. Fazia muito tempo que havia visto o sol pela última vez.

Ao voltar para casa, as minhas irmãs disseram-me que, nos últimos nove anos, muitas tragédias haviam acontecido na nossa família. O meu pai, Fu Chengyong, e o meu terceiro cunhado faleceram em 2008 devido à angústia da perseguição. O meu tio também morreu. A minha irmã mais velha, Fu Wen, sofreu uma hemorragia cerebral três meses antes de eu ser libertada. Ela foi operada e estava acamada desde então.

Na verdade, quando o meu pai me visitou em 2008 pela última vez, ele me disse: “Não posso esperar mais por você”. Não percebi o que ele queria dizer naquele momento. Soube, mais tarde, que ele fez uma cirurgia depois daquela visita e morreu alguns meses depois.

Nove meses depois disso, a minha mãe, Tong Shuping, também nos deixou. Não tive oportunidade alguma de cumprir as minhas responsabilidades como filha. Depois dos meus pais morrerem, a casa deles também foi destruída à força pelas autoridades.

Com a minha irmã mais nova, Fu Yan, ainda cumprindo a pena de prisão de 13 anos por praticar Falun Gong, a responsabilidade de cuidar da sua filha caiu sobre os meus ombros. Quando fui presa, foi a minha mãe quem cuidou da menina, Qingquan, depois que a minha irmã foi presa em 2001.

Yan tinha uma família feliz. Mas depois de haver sido sentenciada a uma longa sentença, o marido não aguentou a pressão e se divorciou dela. Ele também se recusou a cuidar da sua filha, tampouco pagou qualquer pensão de alimentos à nossa família.

A pobre menina foi privada do amor da sua mãe e viveu com a sua avó desde os três anos. Eu disse a mim mesma que, por mais difícil que fosse, tinha que cuidar bem dela. Eu não podia imaginar como ela suportou tudo o que aconteceu durante todos estes anos.

Em 2012, para dar a ela uma educação melhor, nos mudamos para a cidade de Shenyang. Encontrei um emprego como babá. A vida era difícil, mas era simples e pacífica. Infelizmente, não durou muito até que a polícia saqueou a nossa casa, me prendeu durante mais de 30 dias e fechou a escola dos praticantes do Falun Gong que Qingquan frequentava. Fomos deixadas sem casa novamente.

Pouco depois disso, conheci o meu marido, Ouyang Hongbo. Casamos em 16 de maio de 2014. Aos 46 anos, eu finalmente tive uma família novamente.

Desta vez, apenas 40 dias após o nosso casamento, o meu marido foi preso e, mais tarde, condenado a seis anos de prisão, deixando a mim e ao seu pai, de 83 anos, sozinhos em casa. Tudo era tão irreal, tal como um pesadelo.

Na perseguição ao Falun Gong, há muitas tragédias familiares como essa e separações forçadas como a nossa. A perseguição tem de acabar. Estou ansiosa pelo dia em que os perpetradores sejam levados à justiça.


Capítulo 7: Extração de órgãos: um crime sem precedentes

 A matança de praticantes do Falun Gong para fornecer órgãos para transplante foi trazida à luz pela primeira vez em 2006.

 Uma testemunha que se apresentou foi Peter (pseudônimo), um jornalista que passou seis anos investigando uma instalação escondida em Sujiatun, província de Shenyang, que mantinha um grande número de praticantes do Falun Gong. Outra foi Annie (pseudônimo), a ex-mulher de um cirurgião que participou da remoção de córneas de praticantes do Falun Gong. Ambas as testemunhas disseram que os órgãos e os tecidos das vítimas foram removidos enquanto elas ainda estavam vivas e então, depois, os seus corpos foram cremados200.

 Pouco tempo depois, um médico militar chinês corroborou o relato de Annie e disse que Sujiatun era apenas um componente de uma rede de 36 campos de concentração na China201.

 Vários pesquisadores internacionais, jornalistas e organizações não-governamentais têm investigado e corroborado essas alegações desde então. O Minghui divulgou um relatório detalhado sobre o processo em 2016: Relatório do Minghui de Direitos Humanos: Praticantes do Falun Gong são sistematicamente assassinados na China para extração de seus órgãos202.

7.1 Disponibilidade abundante de órgãos com curtos períodos de espera, apesar de escassez de fontes legais

 O transplante de órgãos na China cresceu rapidamente no início dos anos 2000, e mais de 600 hospitais estavam realizando transplantes de órgãos em 2007.

 Enquanto os períodos de espera para transplantes de rins e fígado nos EUA eram em média de dois a três anos, os hospitais chineses podiam fornecer órgãos em uma ou duas semanas. Além disso, os transplantes podiam ser agendados com antecedência, o que exigiria que a morte de um doador fosse planejada com antecedência.

 Esse rápido crescimento nos transplantes de órgãos ocorreu na ausência de doações. A China só começou a estabelecer um sistema nacional de doação e distribuição de órgãos em 2010. A outra fonte de órgãos identificada pelo governo vinha de prisioneiros no corredor da morte, mas o número de execuções legais a cada ano não poderia, de forma alguma, fornecer órgãos suficientes para o número de transplantes realizados203. Portanto, as fontes da maioria dos órgãos utilizados em transplantes na China não puderam ser contabilizadas.

 Essa diferença entre doações e transplantes realizados persiste hoje. Embora o governo tenha anunciado em 2015 que interrompeu o fornecimento de órgãos de prisioneiros no corredor da morte e começou a depender inteiramente de doações voluntárias, descobriu-se que suas estatísticas de doação de órgãos foram manipuladas. Os tempos de espera por órgãos permanecem em dias ou semanas e o turismo de transplantes para a China continua em larga escala, apesar das declarações oficiais de que essa prática cessou204.

7.2 Praticantes do Falun Gong desaparecidos

 Depois que o Partido Comunista Chinês lançou a sua perseguição nacional contra o Falun Gong em 20 de julho de 1999, praticantes de toda a China viajaram para Pequim para pedir ao governo central para acabar com a repressão. No seu auge em 2000 e 2001, o Bureau de Segurança Pública de Pequim estimou que mais de um milhão de praticantes do Falun Gong estavam fazendo petições em Pequim205. Os registros internos da polícia indicaram, em abril de 2001, que houve mais de 830 mil prisões de praticantes por apelarem em Pequim206.

7.2.1 Praticantes não identificados

 O quadro acima não inclui os praticantes que se recusaram a fornecer as suas identidades à polícia. Muitos fizeram isso para protegerem as suas famílias, colegas e amigos de retaliação. Sob a política de punição coletiva do Partido Comunista Chinês, os membros da família dos praticantes do Falun Gong podem ser demitidos dos seus empregos, os seus colegas e superiores no local de trabalho podem ter seus bônus negados e até mesmo os governantes locais podem ser demitidos de seus postos.

 Essa política torna efetivamente todos os associados a um praticante do Falun Gong contra ele. A fim de protegerem suas carreiras, os ex-oficiais locais passivamente faziam o que era necessário para impedir que os praticantes fossem a Pequim. Eles também enviaram a polícia local para o Escritório Nacional de Apelações em Pequim para prender os praticantes em massa e transportá-los de volta para as suas cidades natais.

 Como resultado, a partir de 2000, muitos praticantes que foram presos, se recusaram a informar os seus nomes e os endereços de suas casas. Esta prática foi amplamente vista nos relatos do Minghui da época como um meio de combater o castigo coletivo. Como um praticante se lembrou de dizer aos outros detentos:

 Se não lhes dissermos nossos nomes e nossos endereços, mesmo que sejamos perseguidos mais severamente, seremos libertados depois de ficarmos detidos por mais uma semana. Mas se dermos nossos nomes e endereços, seremos levados de volta a um centro de detenção ou campo de trabalho na nossa cidade natal e as nossas famílias e nossos locais de trabalho serão afetados207.

7.2.2 Transferências para outras regiões

 O Minghui informou, em agosto de 2000, que um grande número de praticantes que foi preso em Pequim e se recusou a revelar sua identidade, foi transferido, em 19 de julho de 2000, para vários centros de detenção em Tianjin. Os veículos brancos de transporte de prisioneiros formaram um comboio tão longo na rodovia que “não se podia ver o fim dele208”.

 Um praticante que foi preso depois de protestar na Praça Tiananmen, no dia 29 de dezembro de 2000, recordou:

Aqueles que não deram os seus nomes foram levados... cada pessoa recebeu um número e teve a sua foto tirada. Na noite de 31 de dezembro, a polícia chamou os nossos números e nos colocou em veículos da polícia que tinham cada um 12 a 13 pessoas... O veículo parou em Jinzhou, onde fomos distribuídos em ônibus para vários centros de detenção. Havia 50 de nós em meu ônibus e fomos levados para o Primeiro Centro de Detenção de Anshan... A polícia nos enganou ao se oferecer para nos deixar ligar para nossas famílias e prometer proteger a nossa privacidade, pois, logo depois, policiais das nossas cidades natais apareceram. Quando o chefe-adjunto da Delegacia de Polícia de Donghuashi do Distrito de Chongwen em Pequim veio buscar as pessoas em 11 de janeiro de 2001, ele as identificou usando fotografias e nos levou de volta [a Pequim]. Quando saímos do Primeiro Centro de Detenção de Anshan, um agente da polícia de lá disse: “Apressem-se e voltem. Não podemos libertar ninguém que não dê o seu nome ou que não seja reclamado [pela força policial local]. Há ordens lá de cima. Não seremos responsáveis se alguém morrer e ninguém sequer saberá”209.

 Outro praticante testemunhou como os praticantes não identificados nos centros de detenção de Pequim foram transferidos para o nordeste da China em 2001:

Depois de 20 de dezembro de 2000, o número de praticantes enviados para os centros de detenção subitamente aumentou para dezenas ou até mais centenas por dia... Todos os praticantes receberam um número... Em poucos dias as celas estavam cheias. Os guardas interrogavam-nos todos os dias e perguntavam pelos nossos nomes. Eles usaram bastões elétricos e outras formas de tortura nos praticantes e também encorajaram os detentos a baterem nos praticantes. A maioria dos praticantes ainda se recusava a dizer os seus nomes. Os guardas finalmente pararam de perguntar e disseram: "Ok, se recusar a me dizer, eu o enviarei para um lugar onde você vai contar”. 

No início de 2001, grupos de praticantes foram enviados em grandes ônibus no início da manhã, dia sim, dia não. Uma jovem de 18 anos da província de Shandong compartilhou comigo a mesma cela. O número dela era K28. Uma manhã, o número dela foi chamado por engano. Ela entrou no ônibus, mas depois voltou. Ela disse que todos os praticantes estavam lá para serem levados para o nordeste da China. Mais tarde, os guardas disseram-nos abertamente que estavam enviando praticantes para o nordeste da China210.

7.3 Envolvimento dos militares

 Como o sistema judicial não pode reter reclusos sem nomes ou endereços por muito tempo, muitos praticantes não identificados foram transferidos para instalações de detenção militar, incluindo os campos de concentração referidos pelo médico militar no início deste capítulo.

 A China tem um extenso sistema médico militar, incluindo hospitais gerais do Exército de Libertação do Povo (ELP) e cada filial do ELP, bem como hospitais associados a unidades médicas militares. A revista Life Week informou em abril de 2006 que “98% do fornecimento de órgãos da China é controlado por sistemas fora do Ministério da Saúde”211. Hospitais militares e hospitais da polícia armada controlam uma grande parte das fontes de órgãos, e a maioria dos hospitais civis que realizam um grande número de transplantes de órgãos tem estreita ligação com hospitais militares. Muitos dos seus cirurgiões de transplante servem simultaneamente em hospitais militares.

 No seu relatório de investigação Bloody Harvest, David Matas e David Kilgour entrevistaram vários pacientes que foram à China para receber transplantes de órgãos. Os cirurgiões que operaram estes pacientes tinham todos antecedentes militares. Um dos pacientes foi internado no Hospital do Povo nº 1 de Xangai. O seu cirurgião foi o Dr. Tan Jianming, que é o cirurgião chefe do Hospital Geral de Fuzhou, da Região Militar de Nanjing (anteriormente conhecido como o 93º Hospital). Tan também faz cirurgias no 85º Hospital do ELP da Região Militar de Nanjing, em Xangai.

 Outro paciente foi primeiro ao Hospital Huashan, em Xangai (filiado à Universidade Fudan), para um transplante de fígado. Ele foi colocado sob os cuidados de Qian Jianmin, vice-director do Centro Hepático do Hospital Huashan.

 Quando nenhum órgão compatível foi encontrado após vários dias, Qian sugeriu que ele fosse transferido para o Hospital Changzheng, em Xangai, que é filiado à Segunda Universidade Médica Militar, dizendo que era mais fácil conseguir órgãos lá. Um fígado compatível foi encontrado para o paciente no dia em que ele foi transferido para o Hospital de Changzheng.

 Outros exemplos de estreitas ligações entre as instalações civis e militares e as equipes podem ser encontrados no Relatório do Minghui de Direitos Humanos: Praticantes do Falun Gong são sistematicamente assassinados na China para extração de seus órgãos.

7.4 Exames de sangue forçados

 A análise do sangue é um passo necessário para a correspondência de potenciais doadores e receptores de transplantes de órgãos. Os praticantes do Falun Gong têm sido submetidos a exames de sangue forçados e outros exames de órgãos desde antes de 2006 até os dias de hoje. Esses exames visam especificamente os praticantes do Falun Gong, não outros prisioneiros.

 Os exames involuntários de sangue dos praticantes do Falun Gong são realizados rotineiramente em campos de trabalho, centros de detenção, prisões e centros de lavagem cerebral. Relatos semelhantes foram dados em entrevistas por David Matas e David Kilgour em Bloody Harvest. Como os praticantes são rotineiramente torturados nestas instalações, não recebem tratamento médico se forem descobertas condições adversas e não recebem os resultados dos testes em si, os investigadores concluíram que estes testes não são feitos para a saúde dos praticantes; ao contrário, são usados para localizar os praticantes saudáveis para fins de compatibilidade de órgãos.

 As autoridades também realizaram amostragens forçadas de sangue fora dos centros de detenção estaduais, prendendo os praticantes para esse fim ou recolhendo o sangue diretamente em suas casas e locais de trabalho. A polícia em algumas regiões alegou que a coleta de amostras de sangue era para o propósito de construir uma base de dados de DNA de praticantes do Falun Gong212213.

7.5 Relatos de testemunhas

 Além dos testemunhos de Peter, Annie e do médico militar chinês no início deste capítulo, a confissão de indivíduos envolvidos no sistema de transplante ilegal, em várias funções, lançaram luz sobre o assassinato por órgãos feito pelo regime chinês.

 Em 17 de novembro de 2006, o maior jornal de Israel noticiou as prisões de quatro homens acusados de embolsar milhões de dólares que os pacientes haviam pago para realizar transplantes de órgãos. Yaron Izhak Yodukin, CEO da Medikt Ltd., e os seus associados enfrentaram acusações por não relatar a renda obtida com a mediação de transplantes de órgãos para israelitas na China e nas Filipinas.

 O principal suspeito admitiu em um jornal israelense que os órgãos vieram de reclusos e prisioneiros de consciência chineses, incluindo praticantes do Falun Gong.

 Grupos voluntários que trabalham para parar a perseguição ao Falun Gong na China receberam um relatório de um oficial da polícia em 2009 que testemunhou médicos extraindo órgãos de uma praticante do Falun Gong enquanto ela ainda estava viva. O evento ocorreu em uma sala de cirurgia no 15º andar do Hospital Geral da Região Militar de Shenyang, no dia 9 de abril de 2002. A vítima tinha 30 e poucos anos e era professora de uma escola de ensino fundamental. Ela morreu com plena consciência de que os seus órgãos estavam sendo extraídos. O oficial também viu a vítima ser espancada e estuprada repetidamente no mês anterior à extração dos órgãos.

7.6 Acesso a investigações telefônicas

 Investigadores internacionais têm realizado telefonemas para hospitais chineses sob o pretexto de perguntar sobre a disponibilidade de transplantes de órgãos em nome de possíveis receptores. O pessoal médico e outros indivíduos envolvidos em transplantes ilícitos admitiram nessas conversas que os órgãos foram retirados de praticantes do Falun Gong.

 Abaixo estão alguns poucos exemplos; muitos outros foram publicados por pessoas que se voluntariaram para investigar a perseguição ao Falun Gong na China ao longo dos anos214.

Caso 1: Lu Guoping, do Hospital de Minzu, da cidade de Nanning, Região Autônoma de Guangxi

 Lu Guoping, cirurgião do Hospital Minzu, da cidade de Nanning, na Região Autônoma de Guangxi, reconheceu várias vezes em uma conversa telefônica que os praticantes do Falun Gong eram a fonte de abastecimento de órgãos. Ele disse: “Alguns são do Falun Gong. Alguns são de familiares de pacientes”. A seguir, é descrito um trecho da conversa entre Lu e um investigador:

Investigador: Então o seu colega disse a você que as operações [de transplante de órgãos] que realizaram foram todas [com fontes de órgãos do] Falun Gong, certo?

Dr. Lu: Algumas são do Falun Gong. Algumas são de familiares de pacientes.

Investigador: Oh. Então se eu quiser encontrar esse tipo para meu filho, esse tipo [de órgão] do Falun Gong, você acha que ele pode me ajudar a encontrar algum?

Dr. Lu: Ele definitivamente pode encontrá-lo para você.

Investigador: O que você usou antes [de órgãos de praticantes do Falun Gong], era(m) do(s) centro(s) de detenção ou da(s) prisão(ões)?"

Dr. Lu: Das prisões.

Investigador: Das prisões? E era de praticantes saudáveis do Falun Gong...?

Dr. Lu: Correto. Nós podemos escolher os bons porque asseguramos a qualidade em nossas operações.

Caso 2: Representante do Hospital ELP nº 307 intermedia rins de praticantes do Falun Gong 

 Os investigadores contataram um representante do Hospital do Exército de Libertação do Povo nº 307, em Pequim, sob o pretexto de ajudar os familiares e amigos a encontrar os rins adequados para os seus pedidos de transplante. O contato estendeu-se por várias semanas.

 Trecho da conversa:

Investigador: então vá em frente e me ajude a checar isso, se...

Representante do Hospital ELP nº 307: Eu já te disse antes, não disse? Eu já te disse antes que contamos a história verdadeira, já fizemos em dois casos. Sabe, nós fizemos em dois casos...

Investigador: Quer dizer, duas operações envolvendo praticantes do Falun Gong como fonte?

Representante do Hospital ELP nº 307: É verdade, nós fizemos dois casos. A prisão nos disse que eles praticavam isso, o Falun Gong. Eu também disse àquela senhora que nós realmente fizemos essas operações. Agora, no entanto, está ficando mais difícil do que antes.

Investigador: Antes, onde encontravam as fontes de rins?

Representante do Hospital ELP nº 307: No Distrito de Xicheng [em Pequim].

Investigador: Muito bem, além disso, como pode ter tanta certeza de que ele (a fonte) era um praticante do Falun Gong; descobriu com certeza?

Representante do Hospital ELP nº 307: Como identificar positivamente um praticante do Falun Gong, bem, quando chegar a hora… quando chegar a hora para nós, o nosso chefe terá pessoas mostrando as informações, sabe, ele te mostrará as informações e os dados, pode ter certeza.

Investigador: Oh, está bem.

Caso 3: Li Honghui, Diretor do Hospital Yuquan (nº 2 Filiado ao Hospital da Universidade de Tsinghua)

 No dia 28 de abril de 2006, um jornalista da Sound of Hope fez contato com Li Honghui, diretor do Departamento de Transplante de Rins do Hospital Yuquan, também conhecido como Hospital nº 2 Filiado ao Hospital da Universidade de Tsinghua. Li admitiu que os órgãos foram extraídos de praticantes do Falun Gong.

 Trecho da conversa:

Li Honghui: Acontece que nos vários últimos anos, aqueles doadores de órgãos eram praticantes do Falun Gong.

Investigador: Quer dizer que este tipo de doador era muito fácil de conseguir há vários anos?

Li Honghui: Isso é verdade.

Investigador: Pode fornecer doadores jovens e saudáveis, tais como pessoas que praticam o Falun Gong?

Li Honghui: Esse pedido pode ser considerado; vou te dizer quando chegar a hora.


Capítulo 8: Perseguição estendida para fora da China continental

 O PCC estendeu a sua perseguição ao Falun Gong para outros países através da sua rede da Agência 610 e das suas embaixadas e consulados que, por sua vez, dirigem a comunidade chinesa, empresas e associações estudantis para interferir com as atividades do Falun Gong, coletar informações sobre os praticantes e tentar fazer com que funcionários, legisladores e organizações cívicas se voltem contra o Falun Gong. Além disso, o PCC pressiona os meios de comunicação fora da China para não cobrirem os eventos do Falun Gong ou relatar sobre a perseguição na China. Ele também usa a mídia chinesa em outros países para espalhar propaganda contra o Falun Gong.

 Um ex-diplomata do Consulado Chinês em Sydney revelou que as embaixadas e consulados chineses criaram seções políticas dedicadas a controlar e reprimir dissidentes estrangeiros. Em Sydney, por exemplo, o “Grupo Especial contra o Falun Gong”, é constituído pelo chefe de cada departamento, inclui os responsáveis pela investigação política, cultura, vistos, educação e cidadãos chineses no país estrangeiro. Esses grupos de trabalho especiais eram chefiados pelo embaixador ou cônsul-geral215.

8.1 Violência e ameaça contra os praticantes no exterior

 Os consulados chineses recrutaram membros das comunidades chinesas locais para difamar e assediar os praticantes do Falun Gong, que instalaram cabines de informação para aumentar a conscientização sobre a perseguição na China. Por exemplo, os ataques coletivos aos praticantes do Falun Gong foram ligados ao cônsul-geral chinês em Nova York, Peng Keyu, que foi gravado em uma entrevista por telefone admitindo o envolvimento em encorajar os participantes da multidão a atacar praticantes216. Em Hong Kong, tais ataques são realizados por outras organizações que servem como extensões do PCC.

8.1.1 Os praticantes do Falun Gong australianos recebem tiros durante visita oficial chinesa à África do Sul217

 Zeng Qinghong, um dos principais responsáveis pela perseguição de Jiang Zemin contra o Falun Gong, visitou a África do Sul em junho de 2004. Depois de saber que Zeng Qinghong e outros oficiais chineses estavam em visita a África do Sul, nove praticantes australianos do Falun Gong chegaram ao Aeroporto Internacional de Joanesburgo em 28 de junho, visando acabar com a perseguição ao Falun Gong, através de processos contra oficiais chineses que ordenaram a perseguição (praticantes em outros países haviam entrado com processos contra Jiang Zemin por genocídio e tortura). Como não havia praticantes do Falun Gong em Joanesburgo, um praticante de outra cidade da África do Sul os recebeu. Os nove praticantes australianos deixaram o aeroporto em dois carros e dirigiram-se para o Presidential Guest House, em Pretória. No caminho, alguém em um carro branco atirou na traseira do segundo veículo conduzido pelos praticantes, mirando os pneus e o motorista. O carro recebeu pelo menos cinco tiros. O motorista, David Liang, foi atingido em ambos os pés. O carro foi severamente danificado e parou. Os homens armados fugiram. David Liang foi rapidamente levado para o Hospital Chris Hani-Baragwanath com fraturas e esmagamento em um pé.

8.1.2 Agentes do PCC invadem casas de praticantes para roubar informações

 Em 8 de fevereiro de 2006, agentes do PCC armados invadiram a casa do praticante do Falun Gong, Dr. Li Yuan, em Atlanta, Geórgia. O Dr. Li era o diretor-chefe técnico do The Epoch Times. Os agentes cobriram-no com um pesado edredom até que quase sufocasse. Depois levantaram o edredom e começaram a bater nele, especialmente nas têmporas. Espancaram a boca, os olhos e os ouvidos dele; amarraram os seus braços atrás das costas e amarraram suas pernas. Ele não conseguia se mover, ver ou gritar.

 Um dos homens perguntou ao Dr. Li em mandarim: “Onde está o seu cofre?”. Eles procuraram no andar de cima e no andar de baixo por cerca de meia hora e abriram os seus armários de arquivos. Os agentes roubaram dois laptops, mas não tocaram em coisas valiosas. O vizinho do Dr. Li chamou a polícia depois que os intrusos saíram. O Dr. Li foi levado para um hospital de ambulância e precisou de 15 pontos no rosto218.

 No dia 10 de março do mesmo ano, assaltantes invadiram a casa de outro praticante em Osaka, Japão, e roubaram dois computadores de mesa, um laptop e uma câmera digital, mas não tocaram em dinheiro ou em outros objetos de valor. Uma investigação policial no local concluiu que o roubo tinha como objetivo roubar informações. A casa servia como escritório administrativo para o The Epoch Times e o assalto ocorreu um dia depois do jornal publicar um artigo expondo o regime chinês pelo assassinato de praticantes do Falun Gong através da extração forçada de seus órgãos.

 No dia anterior ao assalto, um jornalista chinês enviou ao Japão um aviso ao pessoal do The Epoch Times durante uma entrevista: “Recentemente, os praticantes do Falun Gong foram espancados em Hong Kong e a gráfica do The Epoch Times em Hong Kong foi destruída. Eu gostaria de lembrar aos praticantes do Falun Gong e aos grupos no Japão para serem extremamente cautelosos sobre sua segurança”. O proprietário da casa, Sr. Cai, disse que havia sido assediado por telefone219.

8.1.3 Os consulados chineses instigam ataques e outros crimes de ódio nos EUA

 Em Flushing, Nova York, 13 praticantes entraram com uma ação judicial em 2015 descrevendo quase 40 incidentes nos quais praticantes do Falun Gong foram espancados, molestados ou ameaçados de morte em uma campanha de violência e intimidação bem coordenada. Essas ameaças foram acompanhadas por cartazes em mandarim exibidos de forma proeminente em Flushing, incitando residentes e visitantes a “bater nos adeptos do Falun Gong como se fossem ratos”.

 Em um incidente, os praticantes Li Xiurong e Cao Lijun estavam andando em Flushing quando foram atacados por Li Huahong, que convocou uma multidão de quase 30 pessoas. Enquanto Cao conseguia escapar e buscar ajuda, a multidão agarrou-se em Li e gritou: “Matem-na!” e “espanquem-na até à morte!”.

 O processo descreveu um incidente similar no qual três praticantes do Falun Gong estavam andando no Flushing em 14 de julho de 2014, quando um dos acusados disse a eles: "Vocês são ainda piores que cães. Eu vou reuni-los e exterminá-los todos dentro de três meses. Vou estrangular todos até a morte... vou acabar com vocês. Vou arrancar seus corações, fígados e pulmões. Alguém vai matar vocês”.

 Em 2008, ataques da máfia aos praticantes do Falun Gong em Flushing estavam relacionados ao Consulado Chinês de Nova York. O cônsul-geral, Peng Keyu, admitiu isso em uma gravação de áudio, em que “secretamente encorajou” os participantes da máfia, agradeceu pessoalmente os membros da máfia e “dirigiu outras coisas no local”. Várias fontes informaram ao The Epoch Times que Peng pagava aos membros da máfia entre $50 a $100 por dia para participarem nas atividades perturbadoras220.

 Crimes de ódio similares ocorreram em outras cidades, tenham sido diretamente instigados por organizações ligadas ao PCC, ou devido à propaganda contra o Falun Gong espalhada através da mídia e associações controladas pelo PCC. Depois de uma série de ataques físicos aos praticantes em São Francisco, o congressista americano, Ed Royce, escreveu ao Departamento de Estado para expressar a sua preocupação a respeito da perspectiva “profundamente perturbadora” dos representantes oficiais chineses promoverem a perseguição ao Falun Gong nos EUA221. Em um desses ataques, o perpetrador deu um soco no rosto de um idoso antes de gritar uma série de obscenidades contra o Falun Gong, acrescentando: “Se estivéssemos na China continental, eu quebraria a sua perna”.

8.1.4 Diplomatas chineses são responsáveis por violência e perturbações durante as visitas de Estado 

 Quando as autoridades chinesas visitam outros países, os cônsules chineses locais contratam “grupos de boas-vindas” para agitar bandeiras chinesas e impedir que as delegações chinesas vejam as faixas dos praticantes do Falun Gong que fazem protestos pacíficos para pedir o fim da perseguição na China.

 No ano 2014, quando grupos de boas-vindas contratados pelo PCC na Austrália tentaram bloquear e até atacar praticantes em Brisbane e Camberra, durante a visita do presidente chinês Xi Jinping ao G20, em 2014, a polícia local os afastou, arrancou suas faixas e os proibiu de se aproximarem dos manifestantes do Falun Gong. Os policiais também ajudaram os praticantes a pendurar as suas faixas no alto para que a comitiva de Xi Jinping pudesse vê-las.

 Dois diplomatas chineses foram presos na Argentina e na República Tcheca por usarem a força para interromper os protestos pacíficos dos praticantes locais do Falun Gong durante as visitas da delegação chinesa no verão de 2014. 

 Em Auckland e Wellington, Nova Zelândia, a polícia ajudou os praticantes a encontrarem o melhor lugar para exibirem as suas faixas. Quando os grupos de boas-vindas chegaram, a polícia os orientou a ficar do outro lado da rua. Sete policiais foram colocados para proteger os praticantes.

8.1.5 Intimidação e ataques a praticantes e turistas em Hong Kong 

 Desde 2012, a Hong Kong Youth Care Association, que atua como uma extensão da Agência 610 da China, tem assediado regularmente os praticantes do Falun Gong e interrompido os seus eventos em Hong Kong222. Membros da Youth Care Association usam camisas verdes e rotineiramente vigiam os praticantes nos locais dos eventos, usam megafones a curta distância para gritar insultos e ameaças, cospem nos praticantes e até mesmo os agridem fisicamente. Em um incidente, um indivíduo filiado à Hong Kong Youth Care Association apontou uma faca grande para ameaçar um praticante do Falun Gong. Além de encobrir as faixas dos praticantes, os membros da Hong Kong Youth Care Association exibiram as suas próprias faixas difamando o Falun Gong. 

 Um visitante de Hong Kong lembrou um incidente de janeiro de 2019223:

Assim que um praticante começou a falar sobre a perseguição pelo PCC, os membros da Hong Kong Youth Care Association entraram e interromperam. As roupas dos membros da Hong Kong Youth Care Association estavam cheias de palavras difamando o Falun Gong. Eles também carregavam alto-falantes e transmitiam mensagens similares.

Eles não deixavam os turistas lerem os cartazes dos praticantes e os intimidaram, filmando-os e ameaçando colocar os vídeos on-line. Cada membro da Hong Kong Youth Care Association tinha uma câmera de vídeo pendurada no pescoço para que pudessem facilmente gravar qualquer pessoa que interagisse com os praticantes. Eles eram muito agressivos. Em contraste, os praticantes seguravam faixas e cartazes pacificamente.

 Em 24 de setembro de 2019, a praticante do Falun Gong, a Sra. Liao Qiulan foi atacada por dois mafiosos no bairro Lai Chi Kok, em Hong Kong. Depois de ser atingida inúmeras vezes com bastões extensíveis, a sua cabeça sangrou profusamente. O ataque ocorreu quando a Sra. Liao deixou a Estação da Polícia de Cheung Sha Wan depois de uma reunião para discutir a emissão de uma licença para as atividades do Falun Gong, em 1º de outubro, celebração do Dia Nacional do PCC224.

8.2 Perseguição em outros países e repatriação de praticantes para a China

 Vários governos nacionais com conexões ideológicas com o regime chinês ou sob pressão direta de Pequim escolheram cooperar com a política de perseguição do PCC em diferentes momentos, prendendo praticantes do Falun Gong e/ou repatriando-os para a China, onde enfrentam tortura ou até mesmo a morte.

Caso 1: Casal cambojano deportado é levado para campo de trabalho forçado na China225

 Um casal de idosos chineses estava trabalhando no Camboja, quando o seu empregador descobriu que eles praticavam o Falun Gong, abrindo ilegalmente o correio deles. Depois que o seu empregador os denunciou à embaixada chinesa, funcionários da embaixada e da polícia cambojana prenderam o casal e os enviaram de volta à China em agosto de 2002, apesar do status de refugiados das Nações Unidas (ONU). O casal foi subsequentemente levado para um campo de trabalho forçado.

 Os funcionários da embaixada chinesa no Camboja também tentaram prender dois outros praticantes idosos, que conseguiram fugir da prisão escondendo-se. Um alto funcionário do gabinete de refugiados das ONU interveio e esses dois praticantes acabaram se refugiando em outro país.

Caso 2: Rússia deporta praticantes do Falun Gong apesar de seus status de refugiados da ONU

 Apesar de haverem obtido o status de refugiados da ONU, a Sra. Ma Hui e a sua filha de oito anos, Ma Jingjing, foram levadas de sua casa por seis oficiais do Departamento de Deportação do Bureau de Imigração em São Petersburgo em 28 de março de 2007. Naquela noite, uma mulher da polícia russa e vários oficiais do governo chinês forçaram a mãe e a filha a embarcar em um voo para Pequim. Entretanto, a sua família não viu nem a Sra. Ma nem a sua filha no aeroporto de Pequim. Mais tarde, receberam um telefonema de um homem que lhes disse que Ma Jingjing havia chegado à casa de sua irmã, mas não ficou claro se a Sra. Ma poderia ir para casa. A família dela suspeitava que ela havia sido presa pelo pessoal de segurança do Estado226.

 No dia 12 de maio do mesmo ano, vários oficiais de imigração russos levaram o Sr. Gao Chunman, de 73 anos, para longe da sua casa, sem qualquer explicação ou documentação. Nessa noite, a polícia informou a sua esposa russa, Mira, que as autoridades haviam levado o Sr. Gao para Moscou para aguardar o primeiro voo para Pequim. O Sr. Gao, ex-professor da Universidade de Tsinghua, havia fugido da China devido à perseguição ao Falun Gong. Ele recebeu o status de refugiado da ONU em 2003227.

Caso 3: Vietnã sentencia dois praticantes por transmitir notícias sem censura para a China via rádio228

 Em novembro de 2011, em Hanói, o Sr. Vu Duc Trung, um CEO de 31 anos de uma empresa de alta tecnologia, e o seu cunhado de 36 anos, o Sr. Le Van Thanh, foram condenados à prisão, por três e dois anos, respectivamente. Eles foram acusados de “transmitirem informação ilegalmente na rede de telecomunicações” por haverem transmitido programas de notícias da rádio Sound of Hope via rádio de ondas curtas na China. Os programas da Sound of Hope normalmente relatam violações dos direitos humanos, corrupção e repressão aos praticantes do Falun Gong e outros grupos perseguidos. Trung iniciou as transmissões em abril de 2009, e os dois homens foram presos em 11 de junho de 2010. 

 A sua sentença veio em meio a uma intensificação mais ampla do assédio vietnamita à comunidade local do Falun Gong, após pressão direta do Partido Comunista Chinês. De acordo com a acusação, o governo vietnamita prendeu os homens depois que um memorando diplomático foi enviado em 30 de maio de 2010 da Embaixada da China no Departamento de Investigação e Segurança do Vietnã. “O memorando declarou que o Departamento de Polícia na China descobriu sinais de rádio vindos do território vietnamita, contendo o mesmo conteúdo sobre o Falun Gong que foi ouvido na estação de rádio Sound of Hope”, segundo a acusação. “Foi recomendado que todas as atividades dos indivíduos do Falun Gong em território vietnamita devem ser atacadas e interrompidas”.

 O julgamento estava originalmente agendado para outubro. Na manhã da data marcada para o julgamento, pelo menos 30 outros praticantes do Falun Gong, que haviam estado concentrados pacificamente em frente ao Consulado Chinês, foram levados sob custódia pelas autoridades vietnamitas. De acordo com testemunhos oculares, os indivíduos foram forçados a entrarem em um ônibus, alguns violentamente, e depois separados em grupos menores e levados para locais separados. Vários praticantes que haviam meditado no Parque Le Van Tam também foram detidos229.

Caso 4: Coreia do Sul deporta praticantes e nega asilo sob pressão do PCC 

 Entre 2009 e 2011, o governo sul-coreano deportou pelo menos dez praticantes do Falun Gong de volta à China e negou asilo a mais 56 praticantes. Um funcionário do governo sul-coreano disse aos repórteres que Li Changchun, um membro do Comitê Permanente Politburo do PCC, pressionou o governo sul-coreano a “expulsar os praticantes do Falun Gong da Coreia do Sul”. Isto ocorreu pouco antes do Ministério da Justiça da Coreia do Sul começar a negar os pedidos de asilo dos praticantes do Falun Gong. As repatriações começaram em seguida230.

 Yin Xiangzi, uma praticante que foi deportada da Coreia do Sul de volta à China em 30 de janeiro de 2010, conseguiu, mais tarde, escapar da China. Abaixo estão trechos do que ela passou depois de ser levada de volta para a China231:

Os agentes da Segurança do Estado revistaram ilegalmente a minha casa, puseram-me sob vigilância e me assediaram. 

A polícia trouxe um ex-praticante que havia sido enganado pelo PCC para tentar me fazer uma lavagem cerebral. Essa pessoa era fria e calculista. Ele continuou despejando a sua interpretação desonesta do Falun Gong na minha mente. Até então, eu quase não havia dormido por 72 horas e não estava pensando claramente. Assinei uma declaração de garantia prometendo que eu não praticaria mais o Falun Gong. Então fui libertada. Eles exigiram que eu reportasse a eles antes de ir a qualquer lugar. Eles também começaram a controlar o meu telefone.

Durante os interrogatórios, descobri que o sistema policial do PCC tinha um amplo conhecimento sobre os praticantes do Falun Gong na Coreia do Sul. Eles mencionaram em várias ocasiões os nomes de vários coordenadores na Coreia do Sul, assim como os nomes de praticantes do Falun Gong que foram da cidade de Yanji para a Coreia do Sul. Eles me perguntaram se eu os conhecia. Eles me mostraram uma fotografia da Banda Marcial Sul-coreana Tian Guo tirada em um desfile. Notei que eu estava na foto. Eles me pediram para identificar os praticantes do Falun Gong na foto. Eles também me mostraram uma lista de praticantes do Falun Gong que haviam ajudado outros praticantes a se candidatarem ao status de refugiados. Os agentes especiais do PCC até visitaram o local de prática do Falun Gong que eu frequentava na Coreia do Sul. 

Depois de eu ser libertada, embora não estivesse presa, eu estava em extrema miséria. O Falun Gong não somente restaurou a minha saúde, mas também me proveu de uma mente saudável. No entanto, traí o Falun Gong contra a minha própria consciência. Senti desespero, humilhação e arrependimento.

 A Sra. Yin decidiu começar a praticar o Falun Gong novamente um mês depois. No entanto, de forma discreta, pois estava sob vigilância e frequentemente perseguida por indivíduos suspeitos. Ela recordou:

Em meados de março de 2011, membros da Agência 610 de Yanji me telefonaram e pediram para se encontrarem comigo em uma casa de chá. A reunião durou cerca de 30 minutos. Eles me disseram que eu poderia ir à Coreia do Sul novamente, com uma condição: se os ajudasse a reunir informações sobre os praticantes do Falun Gong na Coreia do Sul.

Eles queriam me recrutar como um agente especial do PCC e planejavam me ensinar habilidades de informática para que pudesse enviar a inteligência do Falun Gong novamente para eles pela internet. Recusei a sua oferta na hora. Eles então me disseram que se me recusasse a cooperar, não haveria chance alguma de eu poder deixar a China. Meu nome estava na lista negra da alfândega e qualquer um naquela lista era proibido de deixar a China.

Nos vários meses seguintes, não tive notícias deles. Vivia com medo constante. Mudei de casa várias vezes, mas o meu medo me seguia. Decidi fugir da China.

8.3 Intimidação de oficiais estrangeiros e organizações cívicas

 Os consulados chineses ao redor do mundo rotineiramente entram em contato com as organizações e funcionários dos seus países anfitriões, desde políticos nacionais até vereadores, com o propósito de difamar o Falun Gong e interferir com as atividades dos praticantes. As estratégias dos consulados incluem tanto campanhas de desinformação como ameaças diretas.

8.3.1 Interferência nas manifestações pacíficas

 Além de bloquear, ameaçar e agredir os praticantes do Falun Gong que realizam protestos pacíficos para aumentar a conscientização pública sobre a perseguição na China, o PCC também pressionou governos estrangeiros a negar aos praticantes os seus direitos à reunião e à liberdade de expressão durante as visitas dos oficiais chineses. Alguns governos violaram as suas próprias leis ao concordar com as exigências do regime chinês.

Caso 1: Islândia cede a pressão do PCC e barra entrada de praticantes

 Quando o líder do PCC, Jiang Zemin, visitou a Islândia em junho de 2002, o governo islandês proibiu que praticantes do Falun Gong entrassem no país depois de ser pressionado por autoridades chinesas. Isso provocou uma forte reação dos cidadãos islandeses, que se uniram para apoiar os praticantes do Falun Gong232. “É o assunto da cidade... todo o país está apoiando o Falun Gong”, disse Joel Chipkar, praticante do Falun Gong do Canadá, que estava na Islândia por vários dias. “Todos os meios de comunicação, todas as estações de TV, todas as estações de rádio, todos os jornais... têm sido a principal notícia aqui”.

 Em 9 de junho de 2002, um grande grupo de islandeses juntou-se aos praticantes do Falun Gong no parque para aprender os exercícios do Falun Gong e expressaram sua preocupação com a situação. “Eu apoio vocês”, se ofereceu um homem, que acrescentou: “Se os delegados chineses tentarem atirar em vocês, eles terão que atirar primeiro em mim”.

 “Temos recebido um fluxo constante de e-mails e telefonemas de apoio do povo islandês", disse o porta-voz do Centro de Informação do Falun Dafa, Peter Jauhal. "Estamos todos comovidos e encorajados com a efusão de apoio”.

 A maioria das cartas expressou indignação com a proibição do governo islandês de proibir os praticantes do Falun Gong durante a visita de Jiang Zemin. Muitos se ofereceram para realizarem apelos pacíficos contra a perseguição ao Falun Gong no lugar daqueles cuja entrada havia sido negada.

Caso 2: Sérvia impede entrada dos praticantes do Falun Gong durante a cúpula da China

 Onze praticantes do Falun Gong europeus foram retirados à força de Belgrado, Sérvia, antes da cúpula da CEE-China (Europa Central e Oriental), em 16 e 17 de dezembro de 2014. Eles foram detidos do lado de fora de Belgrado durante o evento e deportados para a Bulgária, Eslováquia e Finlândia após o término da cúpula. As autoridades locais negaram o pedido de autorização de protesto dos praticantes sem apresentar uma justificativa233.

Caso 3: Hong Kong impede a entrada dos praticantes para participarem de protesto pacífico234

 Cerca de 70 praticantes do Falun Gong de Taiwan foram deportados de Hong Kong nos dias 26 e 27 de abril de 2019, no caminho para participar da “Marcha em comemoração do 20º aniversário do apelo de 25 de abril”. Todos eles tinham documentos de viagem legais para entrar em Hong Kong.

 A Sra. Ding, uma das praticantes de Taiwan deportadas de Hong Kong, recordou:

O funcionário da alfândega em Hong Kong apresentou uma expressão tensa quando viu o meu nome. Ele me pediu para preencher um formulário e me levou para uma pequena sala. Ele disse que, embora eu tivesse um visto válido, a política era não permitir que eu entrasse em Hong Kong.

 O Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan (CACT) emitiu uma declaração contra os maus-tratos do governo de Hong Kong aos cidadãos de Taiwan. “Nós consideramos a liberdade de expressão e a liberdade de religião como direitos humanos básicos. Esperamos que o governo de Hong Kong possa reagir racionalmente e respeitar as expressões legais e pacíficas dos cidadãos de Taiwan”, afirmou o Sr. Chiu Chui-cheng, vice-ministro e porta-voz do CACT. Ele passou a questionar como o governo de Hong Kong obteve informações sobre os planos de viagem dos cidadãos de Taiwan e bloqueou seletivamente a entrada de todos os praticantes do Falun Gong no voo, acrescentando que o passo seguinte seria investigar a invasão da privacidade dos cidadãos de Taiwan.

8.3.2 Interferência nas atividades comunitárias

 Quando os praticantes se candidatam a participar de desfiles e outros eventos comunitários, os consulados chineses frequentemente entram em contato com organizações de hospedagem para exigir que excluam os praticantes do Falun Gong e retirem o apoio das suas atividades.

 Em São Francisco, os praticantes foram repetidamente impedidos de participar do desfile de Ano Novo Chinês pela Câmara de Comércio Chinesa, sob a direção de Rose Pak, uma amiga pessoal de Jiang Zemin que tinha conexões estreitas com o Consulado Chinês e apoiava ativamente a perseguição ao Falun Gong na área da Baía de São Francisco235.

 Na Dinamarca, o convite aos praticantes do Falun Gong para participarem em um festival cultural asiático em 2002 foi subitamente revogado após organizações chinesas terem ameaçado retirar-se do evento depois de serem pressionadas pelo governo chinês. De acordo com o jornal dinamarquês Politiken: “A embaixada chinesa em Copenhague não estava feliz pelo [Falun Gong] estar originalmente na foto do festival, embora eles só planejassem apresentar uma dança [tradicional] chinesa”. O organizador do festival, mais tarde, deu aos praticantes permissão para fazer parte do último dia do evento de três dias236.

 Para o Desfile de Natal de 2018 em Perth na Austrália, os praticantes do Falun Gong foram informados na manhã do desfile que não podiam exibir faixas do Falun Gong ou usar camisetas com o nome da prática, nem a estação de TV que cobria o evento podia mencionar o Falun Gong. Nenhum outro grupo no desfile teve tais restrições. O jornal nacional The Australian reportou que um homem que afirmava trabalhar para o Consulado Geral da China em Perth havia telefonado para o organizador do desfile no dia anterior e disse a eles para banir a participação dos praticantes237.

 Na Escócia, o consulado chinês escreveu ao organizador do Festival Mundial de Edimburgo, em 2003, exigindo que o festival retirasse um workshop de praticantes do seu programa. O organizador ignorou a reclamação e disse: “Podemos convidar quem quisermos!”238

8.3.3 Interferência nas apresentações do Shen Yun 

 O Shen Yun Performing Arts é uma companhia de dança e música clássica chinesa fundada por praticantes do Falun Gong. A sua missão é reviver a essência da cultura tradicional chinesa através das artes cênicas. Como alguns dos programas do Shen Yun retratam no palco a perseguição ao Falun Gong na China, o PCC tem sistematicamente tentado sabotar o espetáculo desde o seu início em 2006.

 Uma das estratégias do PCC é ordenar que as suas embaixadas e consulados ao redor do mundo pressionem os teatros a não assinarem contratos com o Shen Yun ou para anular acordos existentes, ameaçando os gestores de teatro de que as relações políticas e econômicas dos seus países com a China seriam prejudicadas se não concordassem239. No entanto, essa estratégia tem tido pouco sucesso, uma vez que muitos poucos teatros cancelaram os seus contratos com o Shen Yun. Por exemplo, duas empresas alemãs que fizeram parceria com o Shen Yun receberam telefonemas do consulado chinês em Frankfurt, mas recusaram-se a cancelar a parceria. Uma empresa respondeu dizendo: “Nós temos liberdade de expressão na Alemanha. Nós é que decidimos o que queremos fazer”240.

 No entanto, um pequeno número de locais obedeceu ao PCC. Por exemplo, o Teatro Real Dinamarquês repentinamente retirou-se de um acordo quase finalizado, depois da embaixada chinesa levantar a sua questão com o Shen Yun em uma reunião com o Ministério das Relações Exteriores Dinamarquês em 2007. Depois de mais rejeições nos anos seguintes, foi revelado em 2018 que a Embaixada da China pediu ao Teatro Real para não permitir que o Shen Yun acessasse os palcos nacionais241.

 Na Coreia do Sul, o regime chinês ameaçou o Serviço Coreano de Radiodifusão (KBS) de perder 8 bilhões de dólares em receitas dos seus negócios com a China se permitisse ao Shen Yun atuar no KBS Hall. A KBS cancelou posteriormente o seu contrato com o Shen Yun. O cancelamento foi declarado nulo pelo Tribunal Distrital de Seul, mas o mesmo tribunal reverteu, mais tarde, sua decisão, meia hora antes de todos os escritórios administrativos, tribunais, embaixadas e teatros entrarem em um feriado nacional. Não houve tempo para recorrer da decisão antes da data de término das apresentações programadas242

 Além das ameaças, o PCC adotou táticas mais desleais, como a adulteração dos veículos turísticos do Shen Yun. Em um caso, alguém cortou o pneu dianteiro do ônibus de tal forma que não esvaziou imediatamente, mas poderia explodir sob alta pressão na rodovia. No entanto, os danos foram descobertos durante as inspeções e não houve acidente243.

 Em 2010, sete espetáculos esgotados do Shen Yun em Hong Kong tiveram de ser cancelados depois que os vistos de seis membros-chave da produção foram negados na região autônoma chinesa. Embora os apresentadores do programa tenham solicitado os vistos em outubro de 2009, as recusas dos vistos foram anunciadas apenas uma semana antes do show de abertura, em 27 de janeiro. Dada a decisão tardia, não houve tempo para os apresentadores responderem com ações legais244.

 Os consulados chineses também tentaram intimidar os membros da audiência para impedir que eles participem do espetáculo. Em algumas cidades norte-americanas, essas ameaças foram facilitadas pelas associações empresariais e estudantis chinesas. Alguns consulados também disseram aos estudantes chineses que seriam proibidos de voltar à China se fossem encontrados em imagens fotográficas ou em vídeo do espetáculo245

 Apesar das suas intenções, os esforços do PCC para impedir que políticos e outros membros da audiência assistissem ao Shen Yun serviram, pelo contrário, para promover o show. Em resposta ao recebimento de informações difamatórias das embaixadas chinesas, um legislador alemão prontamente decidiu ir assistir ao espetáculo, e o presidente e um vice-presidente do Parlamento Europeu enviaram conjuntamente uma carta de congratulações para estender os seus melhores votos para o sucesso do Shen Yun na Alemanha246.

8.3.4 Interferência na legislação 

 Uma resolução condenando a perseguição ao Falun Gong na China (SJR-10) foi aprovada pelo comitê judicial do Senado do Estado da Califórnia, em 31 de agosto de 2017. No entanto, o senado inexplicavelmente votou para reenviar o projeto de lei para o comitê de regras, essencialmente bloqueando-o de entrar em votação no senado em 1º de setembro, como planejado originalmente.

 A razão dada para a votação surpresa foi que os senadores tinham recebido e-mails do Consulado Chinês em São Francisco sugerindo que a aprovação da resolução poderia “sabotar a amizade e o desenvolvimento sustentável das relações entre a Califórnia e a China”247

 A decisão levou os praticantes do Falun Gong a realizarem manifestações em São Francisco, Sacramento, Los Angeles e San Diego. O senador estadual, Joel Anderson, que iniciou o projeto de lei, expressou indignação com a extensão da supressão da liberdade de expressão do regime chinês ao Senado Estadual da Califórnia e a sua interferência como potência estrangeira no processo legislativo do Estado.

 Vale a pena notar que o deputado Randy Voepel, co-signatário da resolução, havia recebido anteriormente uma carta ameaçadora do Consulado Chinês em Los Angeles quando era prefeito de Santee, Califórnia. A carta difamava o Falun Gong e listava um número de exigências: “Esperamos que a cidade, da perspectiva das relações entre China e EUA, e do interesse dos seus cidadãos, considere os nossos pedidos com cuidado e não dê ao Falun Gong [organização] qualquer prêmio ou apoio, incluindo nomear um certo dia ou semana com o nome do Falun Gong, do Falun Dafa, ou do seu fundador. Nós também pedimos que a cidade não permita que o Falun Gong registre...” e assim por diante248.

 Em Minnesota, logo após dois projetos de lei (SF2090, HF2166) que condenavam o regime chinês pela extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong serem apresentados à Câmara e ao Senado em 2015, o Consulado Chinês em Chicago pressionou os legisladores estaduais, tentando bloquear os projetos de lei antes de serem aprovados pelos subcomitês. O consulado enviou aos legisladores cartas difamando o Falun Gong e o vice-cônsul geral reuniu-se com o senador estadual Dan D. Hall, autor do SF2090. O senador Hall, mais tarde, escreveu uma postagem no seu site sobre a reunião e reafirmou a importância da liberdade religiosa e da liberdade de expressão249.

8.3.5 Campanhas fraudulentas de e-mail visando desacreditar os praticantes do Falun Gong

 O regime chinês tem realizado múltiplas campanhas de e-mails fraudulentos em suas tentativas de difamar o Falun Gong aos olhos das autoridades estrangeiras. Esses e-mails são enviados em nome dos praticantes do Falun Gong no exterior, mas eles são cheios de linguagem ameaçadora e depreciativa e normalmente podem ser rastreados da China continental.

 Em meados do Dia Mundial do Falun Dafa, em 13 de maio de 2015, alguns membros do Parlamento Canadense começaram a receber e-mails de duas fontes diferentes. Um remetente com o nome de “Andrew Tang” chamou o destinatário de “estúpido” por não participar das celebrações do Dia do Falun Dafa e perder “a última chance de você ser salvo”. O outro remetente disse ao destinatário: “Esperando por você estará uma ELIMINAÇÃO COMPLETA!”. O vice-líder do Partido Verde, Bruce Hyer, disse aos praticantes: “Não fazia sentido para mim e imediatamente presumi que provavelmente era verdade que esses e-mails vinham de outro lugar”250.

 Autoridades nos EUA, na França, na Noruega, na Austrália e na Nova Zelândia receberam e-mails semelhantes. Após o terremoto de Christchurch, agentes do PCC enviaram e-mails para vereadores da cidade de Auckland, fazendo-se passar por praticantes do Falun Gong e alegando que o terremoto ocorreu porque as pessoas de lá não acreditavam no Falun Gong. A conselheira, Dra. Cathy Casey, disse que acreditava que os e-mails eram originários do regime chinês, porque todos os conselheiros de Auckland haviam recebido anteriormente e-mails oficiais do cônsul-geral chinês difamando o Falun Gong e incitando as pessoas a não comparecerem ao show do Shen Yun programado em Auckland em fevereiro251.

8.3.6 Compra de influência política com entretenimento luxuoso e chantagem 

 O regime chinês convida rotineiramente os políticos estrangeiros, professores e outras figuras influentes para visitar a China, onde recebem tratamento suntuoso em troca de apoiar a posição do PCC e elogiar o regime depois do seu retorno. Muitos se alegram com esses benefícios, fecham os olhos para as violações dos direitos humanos cometidos pelo PCC ou ajudam ativamente o regime a encobrir os seus crimes.

Caso 1: Prefeito de Vancouver desativa o local de protesto do Falun Gong após retornar da China

 Os praticantes em Vancouver, Canadá, começaram os protestos pacíficos 24 horas por dia em frente ao consulado chinês em agosto de 2001, ajudando muitos locais a aprender sobre a perseguição ao Falun Gong na China. O cônsul-geral, Yang Qiang, pediu ao prefeito Li Jianbao para remover as estruturas de protesto dos praticantes, mas Li recusou, citando os valores canadenses de liberdade de expressão e liberdade de crença. Yang, mais tarde, admitiu publicamente que havia pedido à cidade de Vancouver muitas vezes para impedir os protestos dos praticantes do Falun Gong, mas foi em vão.

 Depois que Sam Sullivan foi eleito prefeito de Vancouver em 2005 e fez uma visita à China, ele solicitou uma liminar da Suprema Corte da Colúmbia Britânica em 2006 para remover os painéis de protesto dos praticantes do Falun Gong e o pequeno estande azul que ficava em frente há mais de cinco anos. O mandado de segurança foi concedido em 2009, mas os praticantes, mais tarde, ganharam o caso no Tribunal de Recurso da Colúmbia Britânica no ano seguinte. 

 Sullivan inicialmente negou ter qualquer contato com o consulado chinês antes de tomar a decisão de desativar o local do protesto. Quando lhe perguntaram novamente sobre isso, mais tarde, ele disse que foi convidado por Yang Qiang para um jantar privado realizado na residência do antigo cônsul-geral, onde Sullivan disse a Yang que havia apresentado o pedido ao Supremo Tribunal da Colúmbia Britânica e que uma decisão seria tomada em breve.

 Os jornais controlados pelo PCC publicaram vários artigos falando em alto tom de Sullivan. O Vancouver Sun publicou uma entrevista com Sullivan na qual ele disse: “Durante a minha visita à China, eles me receberam com um tapete vermelho e me trataram como um imperador. É uma pena que Vancouver não tenha um orçamento tão grande para que eu possa retribuir a eles”252.

Caso 2: Ex-deputado canadense recorda suas viagens à China

 O ex-deputado canadense, Rob Anders, lembrou como o regime chinês tentou sistematicamente obter seus favores e os de outros políticos canadenses: “A primeira isca que lançaram foi um acordo de negócios. Se você não aceitar, eles passarão para a segunda: garotas jovens e bonitas. Se ainda não cair na armadilha, elas vão tentar o álcool ou outras coisas”.

 Ele observou que o PCC tratava os funcionários e familiares da mesma forma: “Eu sei que quando os funcionários dos ministros foram à China, sem exceção, uma garota vinha e perguntava se eles queriam se divertir um pouco, ir jantar juntos ou ir cantar karaokê. Então, eles bebiam e se divertiam. E depois é como uma reação em cadeia... Vão mostrar a você uma gravação em vídeo sua na China. [Vão dizer], “Sabe, somos amigos, certo? Não queremos que este tipo de vídeo afete a sua carreira, por isso devolvemos o vídeo a você, mas não podemos garantir que não haja cópias. Você entende que somos amigos, então agora que ajudamos tanto você, não deveria mostrar algum apreço?”.

 Anders descreveu outro caso em que foi à China com um outro deputado, que levou seu filho de 14 anos. Cinco minutos depois de se hospedarem no hotel, uma chinesa bateu na porta do quarto do filho, fez comentários lisonjeiros e convidou-o para comer, cantar karaokê e dançar. Seu filho saiu com a garota e não foi visto novamente durante toda a semana de sua estadia253.

Outros exemplos de influência através de favores e chantagem

 O prefeito de Ottawa, Larry O'Brien, costumava emitir uma proclamação para o Dia Mundial do Falun Dafa todo ano. Porém, depois de fazer uma viagem de negócios à China, ele se recusou a fazê-lo em maio de 2010, explicando que havia “assumido um compromisso” na China254.

 O ex-diplomata chinês, Chen Yonglin, descreveu o caso de um deputado australiano que fez sexo com uma menina menor de 16 anos na China. Ele foi detido, gravado e liberado sem nenhuma publicidade. Mais tarde, ele falou na TV a favor do governo chinês. Chen explicou: “Quando delegações importantes vão à China, elas estão sob vigilância rigorosa e, se necessário, o PCC vai montar algumas armadilhas. Não importa se as delegações são da Austrália ou do Canadá”255.

8.4 Censura de meios de comunicação internacionais

 O PCC também usou embaixadas e consulados chineses para censurar a mídia de idioma mandarim no exterior. Por exemplo, o cônsul-geral da China em Melbourne, Austrália, instruiu os chefes dos jornais chineses locais a não publicarem artigo algum relacionado ao Falun Gong antes de enviá-los por fax para o consulado chinês para aprovação. Devido a isso, os jornais chineses em Melbourne recusaram-se a publicar artigos sobre o Falun Gong desde então, tendo alguns pontos de venda confessado aos praticantes que a pressão sobre eles era muito grande.

 Em 2008, Repórteres sem Fronteiras em Paris publicou um arquivo de um áudio mostrando que a EutelSat, um operador de satélites francês, parou de transmitir para a China a NTDTV, uma estação de televisão independente fundada por praticantes do Falun Gong, porque o PCC exerceu pressão sobre o EutelSat. Sun Yuxi, o embaixador chinês na Itália, disse em uma entrevista por telefone: “Eu contatei o presidente e o vice-presidente do EutelSat. Perguntei a eles por que ajudam o Falun Gong a transmitir notícias para a China. Eles me explicaram que não tinham intenção e foram enganados pelos outros, blá blá blá blá. De qualquer forma, essa foi a explicação deles”.

 A EutelSat informou a Sun logo após pararem as transmissões. Sun acrescentou: “Eles também nos prometeram que não se envolveriam em nenhum negócio com o Falun Gong... Eu os elogiei por pararem as transmissões. Eu também disse para não se envolverem mais. Disse e eles que precisam colaborar conosco e promover a imagem positiva da China. Eles continuaram pedindo desculpas e prometeram que isso não aconteceria novamente”.

 Quando perguntaram o que EutelSat receberia em troca, Sun explicou: “Eles querem colaborar com a TV Central Chinesa”. Além disso, a EutelSat tem satélites de comunicação e meteorológicos, por isso querem colaborar com a indústria aeroespacial chinesa. Eles querem alugar o nosso equipamento para lançar os seus satélites”256.

 No entanto, nem todas as organizações jornalísticas atendem às exigências do PCC. No início de março de 2001, o cônsul-geral chinês em São Francisco escreveu ao World Journal, dizendo para parar de imprimir anúncios para o Falun Gong, acrescentando que publicar tais anúncios prejudicaria a reputação do jornal. Um executivo do jornal disse que o Falun Gong era livre para ter suas próprias opiniões.

8.5 Pressão sobre negócios fora da China

 Assim como as empresas estrangeiras braços-fortes do PCC que operam na China para censurar informações sobre o Falun Gong envolvem-se na discriminação contra os seus praticantes, algumas empresas que operam fora da China também cederam à pressão do regime para proteger o seu acesso ao mercado chinês.

Caso 1: Marriott, de Bangkok, cancela a aula de exercícios Falun Gong 257

 Durante uma conferência nacional de saúde em Bangkok, em 2003, o gerente do centro de fitness do Marriott Resort & Spa de Bangkok, em Royal Gardens Riverside, convidou o Dr. Paitoon para ensinar os exercícios do Falun Gong no hotel. Três semanas após as aulas, o Dr. Paitoon recebeu um telefonema do gerente do hotel, que o informou que as aulas não poderiam continuar. O gerente reconheceu que o hotel havia sido pressionado pela embaixada da China para cancelar a aula. 

 Um funcionário da academia disse, mais tarde, a um jornalista que um hóspede chinês reclamou sobre a aula do Falun Gong e que alguns tailandeses também tinham opiniões negativas sobre o Falun Gong depois de serem influenciados pela mídia chinesa na Tailândia. 

Caso 2: Acupunturista do Reino Unido é forçada a deixar o emprego depois da clínica sofrer pressão do consulado chinês258

 Zhao Liping, uma médica de medicina tradicional chinesa e praticante do Falun Gong, foi contratada como acupunturista por uma clínica médica chinesa em Edimburgo, em novembro de 2002. Em setembro seguinte, ela recebeu uma carta do gerente da clínica pedindo a ela para não falar sobre o Falun Gong na clínica. Uma semana depois, em um diálogo com o chefe da clínica, a Sra. Zhao descobriu que a clínica havia recebido uma carta de aviso do Consulado Chinês em Edimburgo.

 A Sra. Zhao disse: “Eu não fiz nada de errado. Sou médica de medicina chinesa. É natural para mim apresentar o Falun Gong aos meus pacientes. O Falun Gong efetivamente ajuda as pessoas a ganharem saúde física e mental, o que é um fato bem conhecido. Eu tenho praticado o Falun Gong por muitos anos e tenho me beneficiado muito do meu cultivo. Sem dúvida seria forçada a sair do meu trabalho se mencionasse o Falun Gong no meu escritório na China. Mas, para minha grande surpresa, esse tipo de coisa está acontecendo no Reino Unido”.

8.6 Infiltração em instituições acadêmicas

 O PCC tem estabelecido sua presença nas universidades e escolas ocidentais a fim de exportar a sua ideologia e estender o seu controle e “batalha” contra os praticantes do Falun Gong e outros grupos-alvo em todo o mundo. Assim, o regime foi capaz de perseguir o Falun Gong por meio de seu controle sobre os Institutos Confúcio e as associações de estudantes chineses, bem como através de pressionar as universidades a cumprirem suas demandas de censura com o uso de ameaças econômicas.

8.6.1 Os Institutos Confúcio 

 Durante a maior parte do seu reinado, o PCC denunciou o confucionismo, uma das pedras angulares da cultura tradicional chinesa, especialmente durante a Revolução Cultural. Nos últimos anos, entretanto, o regime tem estabelecido “Institutos Confúcio” nos campi universitários ao redor do mundo. Até 2013, 440 Institutos Confúcio haviam sido abertos em 120 países e 646 salas de aula do Instituto Confúcio estavam operando em escolas de ensino fundamental.

Entretanto, ao invés de ensinar a cultura tradicional chinesa e os valores confucionistas, esses institutos são usados pelo PCC para exportar a sua ideologia comunista em nome da educação cultural e linguística como parte de sua campanha de “linha de frente” para se infiltrar na sociedade ocidental259. Os instrutores dos Institutos Confúcio são examinados de perto pelas autoridades chinesas e precisam dirigir a discussão em salas de aulas para promover os pontos de vista do PCC sobre tópicos como os direitos humanos e o Falun Gong.

Um estudante do Instituto Confúcio em Sofia, na Bulgária, lembrou: “De forma alguma eu entendi algo sobre o ensino do filósofo chinês Confúcio, nem tive um senso de filosofia oriental, mas sim senti... o espírito do Partido [Comunista Chinês]”260.

 Um número crescente de universidades e distritos escolares decidiram encerrar os seus Institutos Confúcio ao saberem da sua agenda oculta. Por exemplo, o Conselho Escolar do Distrito de Toronto (TDSB), o maior conselho escolar do Canadá, decidiu encerrar o seu acordo com o Instituto Confúcio em 2014. Michel Juneau-Katsuya, ex-chefe do Serviço Canadense de Inteligência de Segurança Ásia-Pacífico, disse à TDSB: “Existe uma informação pública disponível afirmando claramente que as agências ocidentais de contraespionagem identificaram os Institutos Confúcio como formas de agências de espionagem usadas pelo governo [chinês] e empregadas pelo governo [chinês]”. A curadora da TDSB, Pamela Gough, citou “ligações diretas entre os Institutos Confúcio e o Partido Comunista da China” na decisão dos curadores, acrescentando: “Eles [curadores] estavam muito desconfortáveis com a falta de liberdade de expressão por parte dos professores [do Instituto Confúcio] contratados na China para virem aqui”261.

 No mesmo ano, mais de 100 professores da Universidade de Chicago assinaram uma carta solicitando aos funcionários da universidade a revogação do contrato da universidade com Hanban, a sede do Instituto Confúcio. A carta diz, em parte, que: “A questão substancial é que isto está aliado a um tipo anômalo de acordo onde uma entidade fora da universidade, uma entidade poderosa e uma entidade que tem um forte interesse no que é ensinado, está de fato influenciando seriamente quem está ensinando e o que é ensinado sob o nosso nome e dentro do nosso currículo”.

 A Associação Canadense de Professores Universitários (CAPU) aprovou uma resolução em dezembro de 2013 para acabar com todas as conexões com os Institutos Confúcio devido à forte influência exercida pelo PCC sobre os Institutos. James Turk, diretor executivo da CAPU, disse: “Ao concordar em hospedar os Institutos Confúcio, as universidades e faculdades canadenses comprometem a sua própria integridade ao permitir que o Conselho Internacional de Língua Chinesa tenha voz em vários assuntos acadêmicos, tais como currículo, textos e tópicos de discussão em classe. Tal interferência é uma violação fundamental da liberdade acadêmica”262.

8.6.2 Associações de Estudantes e Bolsistas Chineses (AEBCs)

 Muitas associações de estudantes chineses nos campi universitários são financiadas e controladas por uma embaixada ou consulado chinês, que dirige as associações para interromper os eventos realizados pelos praticantes do Falun Gong e recruta estudantes chineses para ameaçar e espionar os praticantes. No Consulado Chinês em Sydney, por exemplo, a seção de educação foi encarregada de incentivar os estudantes chineses a difamarem o Falun Gong nas suas universidades, fornecerem materiais de propaganda contra o Falun Gong às associações estudantis chinesas, “enviarem estudantes internacionais para se envolverem em batalhas direcionadas” contra os praticantes do Falun Gong quando eles realizam eventos em ocasiões especiais, e recrutarem estudantes “confiáveis” para “ajudar [o consulado] a entender a situação”263.

8.6.2(a) Manipulação de eleições para inserir presidentes da associação pró-PCC 

 Os consulados chineses geralmente conquistam os líderes das associações estudantis chinesas dando-lhes benefícios pessoais, como por exemplo, convidá-los para reuniões no consulado, pedindo-lhes que organizem comitês de boas-vindas quando as autoridades chinesas visitam a sua área e apresentando-os aos líderes políticos e empresariais na China e nas comunidades chinesas no exterior264. Os funcionários do consulado também são conhecidos por manipularem as eleições dessas associações, através de mobilização dos estudantes para apoiar os candidatos pró-PCC que são seus favorecidos e atacar os candidatos opositores.

 Antes da eleição de 2004 para presidente da AEBC na Universidade de Minnesota, dois membros do grupo de educação do Consulado Chinês em Chicago convidaram mais de dez membros permanentes da AEBC para jantar, incluindo dois praticantes do Falun Gong, Wang Xiaodan e Chi Xuedong. Um dos funcionários da embaixada registrou os nomes e antecedentes de cada um dos chineses, em qual universidade chinesa se formaram, o seu endereço residencial na China, detalhes sobre os seus pais e se planejavam voltar para a China no futuro. Depois que Wang e Chi foram embora, o outro funcionário disse aos estudantes: “Se o Falun Gong realizar alguma atividade na sua universidade, vocês devem protestar e se manifestar contra isso. Enquanto estiverem nos Estados Unidos, vocês só podem contar com o consulado chinês. Se algo acontecer com vocês nos EUA, somente o consulado pode representá-los”. 

 Wang Xiaodan concorreu à presidência contra um estudante chamado Li Ming. No dia da eleição, mais de cem estudantes apareceram: uma afluência sem precedentes. Quando Li Ming fez o seu discurso, disse: “O Falun Gong está tentando controlar a AEBC”. Quando foi a vez de Wang Xiaodan falar, alguns alunos criaram um distúrbio e usaram uma linguagem rude. Quando uma estudante que não praticava o Falun Gong votou em Wang Xiaodan, ela foi atacada no local e acusada de ser “o elemento mais profundamente escondido do Falun Gong na AEBC”. Li Ming acabou por ser eleito presidente. Antes da eleição, Li disse uma vez que a razão pela qual ele havia decidido se eleger era para evitar que Wang Xiaodan fosse eleito, pois Wang praticava o Falun Gong. 

 You Youqing, presidente da AEBC em 2002 e 2003 e membro do comitê permanente em 2004, disse: “Tudo isso foi arranjado pelo consulado chinês. Na noite anterior à eleição, o Consulado Chinês chamou cada um dos membros do comitê da AEBC”. Ele lembrou-se de muitos líderes que disseram a ele que ainda tinham familiares na China e que não queriam que fossem implicados265.

8.6.2(b) Perturbação contra o Falun Gong e em outros eventos de direitos humanos 

 O Minghui relatou múltiplos incidentes nos quais as AEBCs foram utilizadas para interromper simpósios e eventos comunitários realizados por praticantes do Falun Gong.

 Na Universidade de Columbia, líderes da AEBC tentaram interromper um fórum sobre o assassinato de praticantes do Falun Gong pelo regime chinês para extração de órgãos e, mais tarde, colocaram propaganda contra o Falun Gong no site do seu clube estudantil. Depois dos praticantes conversarem com os administradores universitários, professores e outros estudantes para torná-los cientes da perseguição e do papel da associação estudantil chinesa na difamação do Falun Gong em nome do PCC, a AEBC foi forçada a remover a calúnia de seu site e seus líderes foram advertidos a não interferirem novamente com as atividades do Falun Gong, já que suas ações não eram bem-vindas nos EUA266.

 Na Alemanha, a AEBC da Universidade Otto von Guericke, de Magdeburg publicou no seu site: “Com o apoio do departamento de educação da embaixada [chinesa], foi formada uma nova sessão da associação de estudantes chineses e Song Zheyang foi eleito presidente”. Depois que os praticantes do Falun Gong participaram em um festival de estudantes, Song pediu a um praticante que lhe desse detalhes sobre a sua vida pessoal. No ano seguinte, os praticantes foram proibidos de participarem do festival porque o presidente da AEBC fez uma propaganda difamadora do PCC e advertiu o anfitrião de que irromperiam conflitos entre estudantes chineses se ele autorizasse os praticantes a demonstrar os exercícios do Falun Gong.

 As associações de estudantes chineses em diferentes universidades dentro da mesma região são conhecidas por copiar literalmente as propagandas on-line uns dos outros para atacar o Falun Gong e usar estratégias similares para interferir com o mesmo evento267, sugerindo que as associações são coordenadas centralmente.

8.6.2(c) Recrutamento e coação de estudantes para espionarem os praticantes do Falun Gong

 Em 2006, o diplomata chinês, Wang Pengfei, foi forçado a deixar o Canadá após ser encontrado pagando aos membros da Associação de Estudantes Chineses da Universidade de Ottawa para recolherem informações sobre os praticantes locais do Falun Gong. Zhang Lingdi, que estudou na universidade, recebeu um e-mail de alguém afirmando ser o vice-presidente Xu da Associação de Estudantes Chineses da universidade.

 O e-mail dizia: “A Associação de Estudantes Chineses é liderada diretamente pelo Escritório de Educação da Embaixada da China no Canadá, e nós estamos observando cada movimento que você faz”. No e-mail, Xu referiu-se a conferências de imprensa e outras atividades em que Zhang havia participado para buscar ajuda para resgatar o seu pai, Zhang Kunlun, que havia sido preso ilegalmente por praticar o Falun Gong na China. O e-mail também dizia: “De acordo com relatórios de estudantes e uma investigação dos líderes da Associação Estudantil, você ainda é um praticante do Falun Gong”. Presumivelmente, como uma tática de intimidação, Xu continuou a dar detalhes pessoais e informações familiares de um praticante do Falun Gong em Ottawa268.

 O Sr. Xu (sem nenhum relacionamento com o Xu acima), um praticante do Falun Gong e ex-presidente-adjunto da AEBC na Florida Atlantic University (FAU), lembrou a sua experiência após a perseguição ao Falun Gong ser iniciada em 1999269:

O presidente da AEBC veio me ver e tentou me convencer a desistir da prática do Falun Gong. Claro que recusei e informei a ele a verdade sobre o Falun Gong. No final, ele disse de forma estranha: “Se não quer desistir, então tenho que denunciá-lo ao Consulado Chinês em Houston. Eles estão me pedindo nomes”.

A partir daí, apesar de sermos bons amigos, ele sempre me pareceu estranho quando me encontrava. Depois que os praticantes do Falun Gong se candidataram para participar do Festival Internacional de Estudantes e receberam autorização de demonstrar os exercícios do Falun Gong no palco, ele agiu como se estivesse enfrentando um inimigo formidável. Ele foi ver os [administradores] da universidade e aos organizadores do evento várias vezes para criar discórdia, tentando nos impedir de participar. Ele até disse: “Está fazendo isso porque não quer voltar para a China, mas eu ainda tenho entes queridos na China e ainda quero voltar. Eles disseram que se não fizer as coisas dessa maneira, também estaria envolvido. Eu só posso me livrar dos problemas denunciando você”.

8.6.3 Universidades estrangeiras são censuradas e estudantes internacionais sofrem ameaça de perda de renda

 Uma das organizações estudantis da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS) foi o Clube de Meditação Falun Dafa, que sediou a Exposição Internacional de Arte Verdade, Benevolência e Tolerância em abril de 2005, para aumentar a conscientização pública da perseguição ao Falun Gong na China.

 Após esse evento, a UTS foi pressionada pelo regime chinês, que ameaçou os investimentos na universidade em Xangai e Hong Kong. Como a UTS recrutou muitos estudantes internacionais da China a cada ano, os administradores da universidade inicialmente atenderam à exigência do PCC e removeram informações sobre o clube do Falun Dafa do site da UTS por alguns dias.

 A Associação dos Estudantes da UTS aprovou uma resolução em junho de 2005 e escreveu à liderança da universidade, aos ministros australianos das relações exteriores e educação e a outros oficiais em protesto contra o tratamento injusto contra o grupo do Falun Dafa. A Presidente da Associação de Estudantes, Michelle Sparks, escreveu na carta da associação ao ministro das Relações Exteriores que, dado o tempo que durou a perseguição ao Falun Gong, se a universidade permanecesse em silêncio em meio à perseguição, seria o mesmo que ser cúmplice do crime.

 Porque a UTS, mais tarde, tomou uma posição ética e se recusou a remover o clube Falun Dafa do seu site, o regime chinês bloqueou o acesso para o site inglês da universidade na China. Foi alegadamente anunciado em uma reunião do conselho universitário em junho que uma das principais razões para a universidade ter que aumentar o número de estudantes que pagavam a mensalidade completa era a inacessibilidade do seu site na China, o que resultou em uma perda de renda para os estudantes internacionais270.

8.7 Restrição da liberdade dos praticantes de viajar

Caso 1: Consulados chineses se recusam a renovar o passaporte dos praticantes, a menos que eles renunciem ao Falun Gong

 Mesmo quando os praticantes do Falun Gong vivem no exterior como residentes permanentes ou como estudantes, o PCC rotineiramente nega os seus direitos básicos, inclusive a renovação dos seus passaportes chineses, efetivamente tornando-os apátridas. Nesses casos, os funcionários consulares frequentemente recusam-se a fornecer uma razão para a negação. Quando pressionados, eles exigem que o praticante assine uma declaração denunciando o Falun Gong antes que o seu passaporte possa ser renovado.

 Li Qing, uma estudante de doutorado da Universidade de Stanford em 2004, tentou obter uma renovação de passaporte do consulado chinês quando se preparava para uma viagem acadêmica à Alemanha271. Depois de perguntar por que o seu passaporte havia sido recusado, o diretor da Seção dos Passaportes disse: “Você está participando de atividades que desafiam o governo...”. Ele desligou sem terminar sua explicação.

 Depois do supervisor de Li e o diretor de estudantes internacionais da universidade escreverem cartas para o consulado, ela conseguiu um encontro com o cônsul. No entanto, o cônsul exigiu que ela assinasse uma declaração de garantia de não praticar o Falun Gong antes que ele renovasse o seu passaporte. Li se recusou a assinar.

 A secretária do departamento de Li considerou preparar documentos alternativos para que ela pudesse viajar para a Alemanha e reentrar nos EUA, mas a o diretor estudantil internacional considerou a abordagem demasiado arriscada. Li explicou a preocupação do diretor:

Posso não ter problemas em deixar os Estados Unidos, mas, uma vez que for parada na alfândega alemã, posso ser deportada de volta para a China. Como estou na lista negra do governo chinês como praticante do Falun Gong, seria horrível se fosse deportada de volta para a China... Tanto o diretor quanto a secretária pediram ao meu supervisor para assegurar que eu não iria para a Alemanha. Fiquei profundamente tocada. Para aquelas pessoas, eu era simplesmente uma estudante estrangeira que haviam conhecido apenas uma vez. A sua sincera preocupação pela minha segurança pessoal contrastava fortemente com os meus cruéis compatriotas que me tornaram uma refugiada incapaz de voltar para casa novamente.

Li então lembrou-se:

Vários meses depois, pessoas do Escritório de Segurança Nacional disseram aos meus pais na China: “A nação dá muita importância à sua talentosa filha. Esperamos que ela volte para servir o país depois de terminar seus estudos”. Minha mãe respondeu com raiva: “Vocês não vão nem mesmo renovar o passaporte dela. Ela não tem mais cidadania. Para quê falar em servir o país?”. Pessoas do Escritório de Segurança Nacional também pediram aos meus pais para me convencerem a desistir da prática de cultivo do Falun Gong.

Caso 2: Miss Mundo Canadá tem negada sua entrada na China

 Um exemplo que chamou a atenção dos meios de comunicação foi o da Miss Mundo Canadá, Anastasia Lin, que teve negada uma carta convite e um visto para entrar na China para a última fase do concurso Miss Mundo em dezembro de 2015. Lin foi proibida porque ela é uma praticante do Falun Gong e expôs os fatos da perseguição e de outras violações dos direitos humanos na China, para aumentar a conscientização pública sobre esses assuntos.

 Porém, fora da China, Lin ganhou um grande número de adeptos. A porta-voz dos Negócios Estrangeiros Canadense, Amy Mills, disse: “O Canadá recomenda a Sra. Lin pelos seus esforços para aumentar a conscientização em relação a essas questões”. Ela também expressou preocupação, em nome do governo canadense, de que o governo chinês tenha assediado a família da Sra. Lin na China.

 O New York Times comentou: “O seu choque de David e Golias com o governo chinês chamou a atenção da mídia e legiões de apoiadores em todo o mundo, proporcionando a ela uma plataforma ainda maior para falar sobre a prisão e tortura que os adeptos do Falun Gong enfrentam na China”.

8.8 Coerção de praticantes para espionarem para o PCC

 Numerosos praticantes do Falun Gong que viajaram para a China foram raptados, interrogados e chantageados a espionarem outros praticantes depois de retornarem ao exterior.

Caso 1: Ao regressar à China para se casarem, estudantes dos EUA são presos no aeroporto de Pequim 

 Enquanto passava pela alfândega no Aeroporto Internacional de Pequim em 21 de maio de 2013, Li Yue, uma estudante chinesa que estudava nos EUA, foi presa juntamente com o seu noivo por agentes do Escritório de Segurança Interna de Pequim. O casal havia planejado ir à sua cidade natal para se casar, mas em vez disso passaram as primeiras semanas de férias separados, sendo interrogados pela polícia. Sob pressão e intimidação, Li Yue concordou em espionar os seus colegas praticantes e fornecer informações sobre as atividades do Falun Gong após o seu retorno aos Estados Unidos.

 Após a sua prisão, Li foi vendada e levada a um apartamento que foi usado para interrogatórios. Ao longo de vários dias, agentes perguntaram a ela todos os detalhes sobre as atividades do Falun Gong em que havia participado nos EUA, conferências de compartilhamento de experiências que havia participado, com quem havia ido e onde ela estava no desfile do Falun Gong. Eles perguntaram em que teatro o Shen Yun estaria se apresentando na sua região e em que hotel os artistas ficariam. Os agentes também vasculharam os seus dispositivos eletrônicos e exigiram que ela fornecesse as senhas das suas contas Skype, QQ, e-mail e Renren (uma rede de mídia social chinesa), através das quais eles poderiam identificar e controlar outros praticantes do Falun Gong.

 Antes de deixá-la ir, os agentes disseram a ela para voltar aos EUA e participar das atividades do Falun Gong como de costume, mas exigiram que se reportasse a eles regularmente usando uma conta de e-mail especial e um telefone celular fornecido. Eles disseram a ela que continuariam a entrar na sua conta na mídia social para controlar outros praticantes. Eles instruíram-na sobre como responder às perguntas dos outros sobre o que havia acontecido a ela na China, já que a sua prisão havia sido relatada no Minghui.org. Finalmente, os agentes fizeram ela e seus familiares próximos jurarem segredo, ameaçando despedi-la dos seus empregos se revelasse o seu papel como informante. Depois que voltou para os EUA, um agente e um policial contataram-na pelo Skype e deram a ela sete tarefas específicas para coletar informações sobre outros praticantes.

 O marido de Li ficou detido em Pequim por três dias, depois foi levado de volta para a sua cidade natal, Langfang por uma semana, após o que foi transferido para um centro de lavagem cerebral272.

Caso 2: Praticante britânico é assediado por agentes de segurança do governo de Pequim

 Liang Yunxiang, um praticante chinês que vive na Inglaterra, foi visitar os seus pais em Pequim em 2010. Ele foi preso e interrogado durante sete horas. No final, os agentes o forçaram a escrever uma declaração de garantia jurando nunca participar de atividades do Falun Gong no exterior. Após retornar à Inglaterra, ele recebeu correspondência dos agentes ordenando que permanecesse em contato. Abaixo estão trechos da sua experiência na China273:

Um funcionário da alfândega ficou visivelmente nervoso ao ler informações no computador, depois de digitar as informações do meu passaporte. Ele falou com outro agente, que fez um telefonema. Um minuto depois, fui “autorizado” a entrar em Pequim.

Um homem e uma mulher, ambos de camisa preta, começaram a me seguir.

Os oficiais de segurança do Estado me levaram a um edifício residencial de seis andares chamado Tianzhulu, perto do Aeroporto Internacional de Pequim. Dois deles se revezaram para me interrogar. “Que atividades frequentou no estrangeiro?”, “Onde estão os locais de prática?”, “Onde as pessoas estudam juntas?”, “Conhece os membros da Banda Tian Guo?”, “Você já foi a outros países em atividades do Falun Gong?”. Eles também queriam saber os nomes dos membros da Associação do Falun Dafa no exterior e os números de telefones dos praticantes no exterior.

Eles mencionaram os nomes de vários praticantes no exterior que eram de Pequim e me perguntaram se eu os conhecia. Eles me perguntaram como eu sabia onde e quando as atividades seriam realizadas, se conhecia os praticantes na China e se os havia encontrado desde que voltei, se havia relatado a minha situação atual aos praticantes no exterior, e se eu era um cidadão britânico.

Li, um chefe do Departamento de Segurança do Estado, gritou comigo antes de eu dizer qualquer coisa, dizendo que eles sabiam tudo o que eu fazia fora da China e que era melhor que eu confessasse tudo o que eu fiz. Ele me disse que, se eu não lhes dissesse quais atividades havia frequentado e se eles tivessem que dizê-las por mim, haveria consequências. Meu pai me avisou antes que se não cooperasse, eles me entregariam ao departamento de polícia e me colocariam em um campo de trabalho forçado. Eu estava aterrorizado.

Os agentes me levaram para um edifício de escritórios perto da ponte Guanyuan, no distrito de Xicheng, em Pequim. Desta vez, eu revelei os nomes de vários praticantes. Também dei a eles o número do celular do meu parente no estrangeiro e o meu endereço de e-mail.

Voltei para a Inglaterra em 28 de agosto. Alguns dias depois, um amigo meu na Austrália me ligou e disse que havia recebido mensagens de texto assediando-o no seu celular. Mais tarde, um colega de trabalho, que também era praticante, voltou para a China em negócios. Agentes da Segurança do Estado encontraram-no e forçaram-no a escrever uma declaração de garantia. Percebi então que os agentes podiam invadir o meu e-mail sem a minha senha.

Em 8 de outubro de 2010, recebi um e-mail ameaçador de um agente. Ele disse que, se eu mantivesse a minha promessa de nunca participar das atividades do Falun Dafa, eles iriam manter as promessas deles e a China sempre me receberia de volta. Além disso, eles queriam se manter em contato comigo.

O agente ligou para o meu pai em janeiro de 2011 e o assediou. Quando meu parente no exterior voltou à China para me visitar, os agentes da Segurança do Estado conversaram com ele e o forçaram a revelar o meu endereço na Inglaterra.

Parte 2: Principais perpetradores da perseguição


 Como em campanhas anteriores ao longo da história do Partido Comunista Chinês, a campanha contra o Falun Gong foi estruturada e implementada em termos amplamente extralegais, por exemplo, “como uma repressão violenta” (douzheng) em vez de uma atividade normal do sistema de justiça criminal. Portanto, funcionários do Partido, juízes e policiais são obrigados a operar fora da lei.

 Como os alvos das anteriores campanhas “douzheng” na China, pessoas identificadas como praticantes do Falun Gong são demonizadas como “inimigos do Estado”, “elementos hostis”, “anti-humanidade”, “vírus “antissociedade” e outras imagens desumanizadoras para instigar e legitimar a sua violação constante dos direitos humanos.

 Em suma, a perseguição não tem base legal.

Principais destaques

 O ex-líder do PCC, Jiang Zemin, planejou e dirigiu pessoalmente a campanha “douzheng” contra o Falun Gong. Jiang impôs a sua própria vontade à liderança do Partido para incriminar o Falun Gong como uma ameaça apoiada por forças estrangeiras, dirigiu a criação da Agência 610 para realizar a campanha e preparou uma estrutura para a onda de propaganda demoníaca que seria usada para justificar a repressão. 

 A campanha da perseguição é executada através da Agência 610, que está fortemente integrada com ao Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos (CAPJ) e estende-se desde o Comitê Central do PCC até os níveis de bairro e de vila. A Agência 610 coordena o pessoal do Estado para realizar a “transformação” dos praticantes do Falun Gong. Como parte dessa função, ela obriga o pessoal do judiciário e do executivo a prender e condenar os praticantes do Falun Gong que mantêm a sua fé. As filiais locais da Agência 610 também participam diretamente da prisão, detenção, tortura e lavagem cerebral dos praticantes. Enquanto Jiang Zemin foi o arquiteto e o condutor da campanha, outros altos funcionários desempenharam papéis importantes em lançar e materializar a perseguição. São eles:
 - Luo Gan (罗干), membro do Comitê Permanente do Politburo, secretário do CAPJ Central, líder da Agência 610 Central
 - Zeng Qinghong ( 曾 庆 红 ), secretário do Secretariado do Comitê Central do PCC e líder do Departamento Organizacional do PCC
 - Liu Jing (刘京), ministro procurador da Segurança Pública e chefe da Agência 610
 - Zhou Yongkang (周永康), ministro da Segurança Pública
 - Li Lanqing (李岚清), primeiro chefe da Agência 610 Central

 Ao dirigir a perseguição ao Falun Gong, Jiang Zemin violou a Constituição Chinesa, o Direito Penal Chinês, a lei internacional contra o genocídio e os crimes contra a humanidade. Desde 2015, mais de 200 mil praticantes do Falun Gong apresentaram queixas legais contra Jiang Zemin ao mais alto tribunal chinês, pelas injúrias, pelas violações dos direitos humanos e pelos danos econômicos que sofreram devido às suas ordens.

Capítulo 9: Principais perpetradores

 Nos sete anos entre a introdução do Falun Gong ao público, em 1992, e o início da perseguição, em 1999, a prática espalhou-se rapidamente, de boca em boca, enquanto as pessoas experimentavam o seu efeito na saúde e na moralidade. No final da década, 100 milhões de pessoas estavam praticando o Falun Gong. Estimulado pela paranoia e pela inveja da crescente popularidade do Falun Gong, o então líder do PCC, Jiang Zemin, planejou, lançou e expandiu a perseguição, jurando “aniquilar o Falun Gong em três meses”.

9.1 O papel de Jiang Zemin

 Na época, Jiang Zemin ocupava três cargos principais: ele atuou como secretário geral do PCC (1989-2002), presidente da China (1989- 2003) e presidente da Comissão Militar Central (1989-2005). Em outras palavras, ele tinha poder absoluto através do controle do Partido, do governo e dos militares.

 Depois que os praticantes do Falun Gong apelaram pacificamente no Escritório de Apelação Nacional, em Pequim, em 25 de abril de 1999, para garantir a libertação dos praticantes que haviam sido presos injustamente em Tianjin (verApêndice 1), Jiang Zemin ordenou ao Politburo que tomasse medidas imediatas para atacar o Falun Gong. Quando o Politburo se opôs à sua ordem, Jiang avançou com a sua campanha, escrevendo cartas e dando discursos aos principais líderes. Ele posteriormente ordenou a formação do “Grupo central de líderes para lidar com a questão do Falun Gong” e seu braço operacional, a “Agência 610” (nomeada com base na data de sua fundação), para executar a perseguição. Jiang continuou a encontrar resistência, até que finalmente anunciou a campanha contra o Falun Gong através do Ministério de Assuntos Civis. 

 Jiang Zemin continuou a supervisionar a perseguição depois de se aposentar das suas funções como secretário geral e presidente, usando o seu tempo como presidente da Comissão Militar Central e inserindo seguidores leais em posições-chave de liderança. Ele ampliou o Comitê Permanente do Politburo de sete para nove membros, acrescentando Luo Gan (encarregado das forças de segurança como chefe do Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos) e Li Changchun (encarregado da propaganda). Jiang também identificou outros aliados para avançar com sua política de perseguição, incluindo Zeng Qinghong (membro do Comitê Permanente do Politburo e secretário do Secretariado do Comitê Central do PCC) e Zhou Yongkang (ministro da Segurança Pública).

9.1.1 Política de perseguição

 No início da perseguição, Jiang Zemin emitiu uma ordem para “arruinar a sua reputação, levá-los à falência financeira e destruí-los fisicamente”. Ele também declarou que “espancá-los até à morte não é nada; espancá-los até à morte conta como suicídio” e “não verificar as suas identidades [após a morte sob custódia policial] e cremá-los imediatamente”.

9.1.1(a) Difamação

 Para justificar tal perseguição, violenta e generalizada, Jiang Zemin iniciou uma série de campanhas de propaganda para retratar o Falun Gong como um “culto do mal” e retratou os seus praticantes como indivíduos mentalmente doentes que representavam um perigo para a sociedade. As campanhas mais contundentes incluem um incidente de autoimolação encenado na Praça Tiananmen, no qual atores que alegavam ser praticantes do Falun Gong atearam fogo em si mesmos (verApêndice 2) e um relatório de 1.400 mortes em que se alegou que essas foram causadas pelo Falun Gong (verApêndice 3). Jiang também difamou o Falun Gong como uma ameaça ao governo do PCC ao descaracterizar um apelo pacífico dos praticantes no Escritório de Apelação Nacional como um “cerco” ao Complexo Central do Governo (verApêndice 1) e alegar que o Falun Gong era uma conspiração dos governos ocidentais para desestabilizar o regime chinês.

 Desde então, toda a população chinesa foi inundada por essa propaganda, por meio de estações de TV, jornais e outros meios de comunicação controlados pelo governo chinês. Uma geração inteira de crianças foi incentivada a odiar o Falun Gong como resultado da propaganda incluída nos livros didáticos, nos exames acadêmicos e nas atividades de denúncia obrigatória. O PCC também estendeu sua difamação contra o Falun Gong fora da China, por meios de comunicação internacionais controlados pelo Partido e por embaixadas e consulados chineses.

9.1.1(b) Falência financeira

 Conforme mostrado no Capítulo 2, os praticantes do Falun Gong foram forçados a deixar seus empregos, perderam suas aposentadorias e tiveram negadas oportunidades educacionais. As autoridades também tiraram grandes quantias de dinheiro dos praticantes, através de sequestrá-los e exigirem dinheiro de seus familiares em troca de sua libertação (um procedimento extralegal) e de confiscar dinheiro e bens pessoais em saques domésticos.

9.1.1(c) Destruição física

 A diretriz para “destruí-los fisicamente” foi realizada através de tortura em campos de trabalho forçado, prisões e outras instalações de detenção, bem como do assassinato de praticantes para transplantes de órgãos em hospitais do Estado e militares.

9.1.2 Retaliação contra os praticantes por exporem a perseguição on-line

 Embora o regime chinês consiga efetivamente censurar informações sobre a perseguição, por meio de seu controle total sobre os meios de comunicação tradicionais, o aumento do acesso à internet representava um desafio para as autoridades comunistas, que lançaram ondas de restrições de conteúdo cada vez mais pesadas e requisitos de monitoramento dirigidos às operadoras de sites e cibercafés.

 Nos dias que se seguiram ao início da perseguição em 20 de julho de 1999, as comunicações por e-mail em toda a China diminuíram e os serviços de e-mail popular chinês, como o 163.com, estavam inacessíveis. A polícia também vigiou as atividades on-line em busca de conteúdo relacionado ao Falun Gong. A partir de 2002, 20 províncias tinham pessoal policial especial treinado para perseguir usuários “subversivos” da internet. 

 Desde o início da perseguição, os praticantes enviaram informações sobre seus casos locais de perseguição para o Minghui.org, que distribui as informações para todos os praticantes na China e em outros países. Portanto, as autoridades chinesas viram todo o uso do Minghui.org como o “problema principal” a ser abordado, independente da maneira que a informação fluía, e fez do site a sua prioridade máxima de censura. Entre julho de 1999 e abril de 2004, houve pelo menos 97 casos documentados de praticantes do Falun Gong detidos, presos, levados para campos de trabalho forçado, e/ou torturados por enviar ou receber informações do Minghui.org. Alguns praticantes foram torturados até a morte e outros foram sentenciados a até 15 anos de prisão. Abaixo estão alguns exemplos.

Caso 1: Yuan Jiang escapa após ser torturado, mas morre devido aos ferimentos274

 Yuan Jiang começou a praticar o Falun Gong em 1993. Depois de se formar na Universidade Tsinghua em 1995, ele retornou à sua cidade natal na província de Gansu e voluntariou-se a dirigir um local de instrução do Falun Gong. Ele também trabalhou como gerente-adjunto de uma empresa de engenharia de TI sob o Escritório de Telecomunicações da Cidade de Lanzhou. 

 Depois que a perseguição ao Falun Gong começou em 1999, o Sr. Yuan foi a principal pessoa de contato com o Minghui.org na província de Gansu, e coordenou a coleta e a distribuição de informações entre os praticantes locais e o site.

 O Sr. Yuan foi, mais tarde, rebaixado do seu cargo de gerente geral porque se recusou a renunciar à sua fé. Foi obrigado a sair de casa em janeiro de 2001 para evitar de ser perseguido ainda mais, mas foi preso em um ônibus em 30 de setembro de 2001 por não ter identidade. 

 Depois de sua prisão, agentes do Gabinete de Segurança Pública da Província de Gansu torturaram o Sr. Yuan durante quase um mês. Yuan conseguiu escapar por volta de 26 de outubro. Severamente ferido por causa da tortura e de haver realizado uma greve de fome de longo prazo, o Sr. Yuan estava extremamente fraco. Ele teve dificuldade em andar e entrou em uma caverna, onde ficou inconsciente durante quatro dias. Enquanto isso, dois a três mil oficiais militares foram empregados para procurá-lo por toda Lanzhou. Eles procuraram praticamente em todas as casas de praticantes do Falun Gong e até mesmo em outros condados e cidades.

 Mais tarde, o Sr. Yuan rastejou-se para fora da caverna e foi para a casa de um praticante, onde sucumbiu devido a lesões internas e faleceu em 9 de novembro. Um praticante que o viu depois de sair da caverna lembrou-se de que ele estava magro até ser irreconhecível, sangrava pelo nariz e pela boca, e mal conseguia se mover. A canela direita dele estava preta e faltavam pedaços de carne.

 Após a morte do Sr. Yuan, a polícia lançou uma grande busca e prendeu muitos praticantes que o haviam ajudado. A família dos seus pais também foi vigiada de perto. Yu Jinfang, um praticante em Lanzhou que havia ajudado o Sr. Yuan, foi preso e torturado até à morte.

Caso 2: Wang Chan é torturado até à morte após 28 dias em detenção; a mãe, sem saber, ouve o filho ser espancado275

 O Sr. Wang Chan trabalhou na sede do Banco do Povo da China. Depois da perseguição começar, ele enviou informações sobre o Falun Gong para departamentos do governo em toda a China e escreveu uma carta para Jiang Zemin para pedir que parasse a perseguição. Com a aprovação pessoal de Jiang, a polícia de Pequim deteve o Sr. Wang por três meses no final de 1999, sem apresentar um motivo.

 Após a sua libertação, o Sr. Wang foi forçado a sair de sua casa para evitar a prisão. Nos três anos seguintes, ele viajou para mais de dez províncias e estabeleceu canais de comunicação entre praticantes dessas áreas e o Minghui.org, o que permitiu às pessoas de dentro e de fora da China receberem atualizações em tempo real sobre a perseguição. As autoridades ofereceram uma recompensa de 100 mil yuans pela sua captura. 

 O Sr. Wang foi preso em um ponto de ônibus no condado de Liangshan, província de Shandong, na tarde de 21 de agosto de 2002. No centro detenção, ele foi agredido e espancado por policiais, teve as suas mãos algemadas atrás de suas costas em uma posição excruciante e foi privado de sono durante muitas noites. Ele foi torturado até a morte em 28 dias. Uma testemunha ocular viu que o Sr. Wang apresentava ferimentos graves e muito sangue na parte de trás da cabeça. 

 Após a morte do Sr. Wang, a Agência 610 da cidade de Jining e a polícia avisaram os seus dois irmãos para não dizerem à sua mãe que ele havia sido torturado até à morte. Eles também ameaçaram os irmãos, dizendo que eles perderiam seus empregos se levassem o caso do Sr. Wang às autoridades superiores. A mãe do Sr. Wang não soube da sua morte até receber uma carta, no dia 16 de setembro, de uma pessoa que sabia sobre o assunto.

 A mãe do Sr. Wang, a Sra. Han Yuhua, foi presa pouco depois da detenção do filho. A mãe e o filho foram detidos no mesmo centro de detenção sem que eles próprios soubessem disso. A Sra. Han recordou:

Nesses poucos dias, todas as manhãs, às cinco ou seis horas, eu ouvia a polícia batendo em alguém.Não conseguia imaginar que a pessoa que estava sendo espancada fosse o meu filho. Também não conseguia imaginar que esses poucos dias foram os que estaríamos mais próximos um do outro antes de ele morrer. Menos ainda podia imaginar que o meu filho seria espancado até à morte quase ao meu lado, enquanto eu não fazia ideia de que isso estava acontecendo.

Na noite em que ele morreu, ouvi um tumulto. Soube depois de ser libertada que foi o período quando o meu filho estava à beira da morte. Os perpetradores tinham medo de ser expostos e não me disseram nada; em vez disso, transferiram-me para o Centro de Detenção da Cidade de Yanzhou. Eles cremaram o corpo dele e não me avisaram nem me permitiram ver o meu filho uma última vez.

Caso 3: Mais de 40 presos, dez sentenciados por “vazamento de segredos de Estado” pela denúncia do estupro de uma praticante276

 A Sra. Wei Xingyan era uma estudante de pós-graduação de 28 anos da Universidade de Chongqing. Dois dias após haver sido presa em 11 de maio de 2003, um policial a estuprou na frente de duas presas no Centro de Detenção de Baihelin. A Sra. Wei entrou em greve de fome em protesto e foi ferida enquanto era alimentada à força, o que a tornou incapaz de falar. 

 Depois que outros praticantes em Chongqing enviaram informações sobre o caso da Sra. Wei para Minghui.org, a Agência 610 ordenou que a Universidade de Chongqing negasse que a Sra. Wei era uma estudante de lá e inclusive a existência da sua pesquisa, Corrente Principal de Transmissão Contínua de Alta Voltagem. 

 Quando Zhang Siping, um vice-presidente da universidade, foi questionado sobre este incidente em um simpósio na Wharton Business School nos EUA, ele respondeu: “A nossa universidade não expulsará um estudante pela sua crença religiosa... exceto pelo Falun Gong”. Alguns dias depois, a Universidade de Chongqing publicou um aviso afirmando que a Sra. Wei era uma “barista” e não uma estudante. 

 Enquanto isso, a Agência 610 de Chongqing prendeu mais de 40 praticantes do Falun Gong em sua tentativa de prender a pessoa que publicou o incidente. Pelo menos dez foram sentenciados entre 5 a 14 anos de prisão por “vazamento de segredos de Estado”. O suposto autor e quem enviou o artigo para o Minghui foram condenados a 10 anos de prisão cada um.

9.1.3 Crimes cometidos por Jiang Zemin

 Na perseguição ao Falun Gong, Jiang Zemin violou as leis chinesas e internacionais, inclusive cometeu tortura, genocídio e crimes contra a humanidade.

 9.1.3(a) Constituição da China

 Em julho de 1999, Jiang declarou o Falun Gong uma organização ilegal através do Ministério de Assuntos Civis. Embora o Ministério não tivesse essa autoridade, ela foi usada como base legal para a perseguição. 

 Desde então, um grande número de praticantes tem sido ameaçado, preso, detido e torturado por causa de sua crença. Os seguintes artigos da Constituição da China foram violados277:

Artigo 35º: Os cidadãos da República Popular da China têm a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de associação, de desfile e de manifestação. 

Artigo 36: Os cidadãos da República Popular da China têm a liberdade de crença religiosa. Nenhum órgão do Estado, grupo social ou indivíduo pode obrigar os cidadãos a acreditar ou não acreditar em qualquer religião, ou discriminar cidadãos que acreditam ou não acreditam em alguma religião.

O Estado protege as atividades religiosas normais.

Artigo 37: A liberdade individual dos cidadãos da República Popular da China é inviolável.

Nenhum cidadão pode ser preso a não ser com a aprovação ou por decisão da procuradoria popular ou por decisão de um tribunal popular, e as prisões devem ser feitas por um órgão de segurança pública.

É proibida a detenção ilegal ou a privação ou restrição da liberdade do cidadão por outros meios, e é proibida a revista ilegal individual dos cidadãos.

Artigo 38: A dignidade pessoal dos cidadãos da República Popular da China é inviolável. É proibido insulto, calúnia, falsa acusação ou falsa incriminação dirigida contra os cidadãos por qualquer meio.

Artigo 39: As residências dos cidadãos da República Popular da China são invioláveis. É proibida a busca ilegal ou intrusão na residência de um cidadão.

Artigo 40: A liberdade e a privacidade da correspondência dos cidadãos da República Popular da China são protegidas por lei. Nenhuma organização ou indivíduo pode, por qualquer motivo, infringir a liberdade e a privacidade de correspondência dos cidadãos, exceto nos casos em que, para atender às necessidades de segurança do Estado ou de uma investigação criminal, segurança pública ou órgãos de procuradorias, são autorizados a examinar a correspondência de acordo com os procedimentos prescritos por lei.

Artigo 41: Os cidadãos da República Popular da China têm o direito de criticar e fazer sugestões relativas a qualquer órgão do Estado ou funcionário e têm o direito de apresentar aos órgãos do Estado queixas ou acusações relevantes, ou exposições de qualquer órgão do Estado ou funcionário por violação da lei ou negligência do dever, mas não devem fabricar ou distorcer fatos para fins de difamação ou falsa incriminação.

 9.1.3(b) Direito penal chinês

 Jiang Zemin violou os artigos 247, 232, 248, 254, 234(a), 236, 237, 37, 238, 397, 399, 263, 267, 270, 275, 245, 244, 251, 234, e 246 do direito penal chinês:

O artigo 247 do Direito Penal da República Popular da China (a seguir denominada “direito penal chinês”) proíbe “extorquir uma confissão de suspeitos ou réus por tortura” ou “usar a força para extrair depoimentos de testemunhas”. 

O artigo 232 do direito penal chinês proíbe “matar outra [pessoa] intencionalmente”.

O artigo 248 do direito penal chinês proíbe “espancar ou agredir fisicamente” reclusos sob custódia nas prisões, centros de detenção e outros locais de guarda.

O artigo 254 do direito penal chinês proíbe que os empregados do governo “abusem de sua autoridade, retaliem ou incriminem acusadores, peticionários, críticos ou informantes, em nome da condução de negócios oficiais”.

O artigo 234(a) do direito penal chinês proíbe “organizar a venda de órgãos humanos”, “remover os órgãos de uma pessoa sem o seu consentimento”, “remover os órgãos de um menor”, “obrigar ou enganar outra pessoa para doar órgãos”, e “remover os órgãos do corpo de uma pessoa falecida contra a vontade de quando ela estava viva” ou “onde a pessoa nunca consentiu na remoção quando estava viva” ou “contra a vontade dos parentes imediatos da pessoa falecida”.

O artigo 236 do direito penal chinês proíbe qualquer pessoa de “por violência, coerção ou outros meios, estuprar uma mulher”.

O artigo 237 do direito penal chinês proíbe qualquer pessoa de “por violência, coerção ou outros meios, forçar, molestar ou humilhar uma mulher” ou “reunir uma multidão para cometer” este crime.

O artigo 37 da Constituição da República Popular da China proíbe a restrição ilegal da liberdade de um cidadão por meio de detenção ou de outros meios.

O artigo 238 do direito penal chinês proíbe “detenção ilegal ou privação de liberdade” e exige uma punição mais severa para “um funcionário de um órgão estatal [que] abusa da sua autoridade” para cometer este crime.

O artigo 397 da lei penal chinesa proíbe qualquer pessoa do Estado de “abusar do seu poder ou negligenciar os seus deveres, causando grandes prejuízos à propriedade pública e aos interesses do Estado e do povo”.

O artigo 399 do direito penal chinês proíbe qualquer pessoa judicial de “agir com parcialidade e destruir os fins da justiça”, incluindo “sujeitar a acusação pessoas que saibam claramente que são inocentes” e “ir intencionalmente contra fatos e leis em julgamentos criminais para proferir sentenças que abusam da lei”.

O artigo 263 do direito penal chinês proíbe “roubar propriedade pública ou privada usando força, coerção ou outros métodos” incluindo “invadir casas alheias para roubar”, “causar ferimentos graves ou morte durante o roubo” e “cometer roubo usando armas”.

O artigo 267 do direito penal chinês proíbe a “apreensão de propriedades públicas e privadas”.

O artigo 270 do direito penal chinês proíbe “invadir ilegalmente a propriedade de outra pessoa sob a sua custódia”.

O artigo 275 do direito penal chinês proíbe “destruir intencionalmente a propriedade pública ou privada”.

O artigo 245 do direito penal chinês proíbe “a revista física ilegal ou a revista ilegal de residências alheias” ou “a invasão ilegal de residências alheias”, e exige uma punição mais severa para os funcionários judiciais que cometem tal crime.

O artigo 244 do direito penal chinês proíbe “obrigar outras pessoas a trabalharem por meio de violência, intimidação, ou por meio da restrição de sua liberdade pessoal” ou “recrutar ou transportar pessoal ou prestar assistência de outra forma”.

O artigo 251 do direito penal chinês proíbe roubar os cidadãos do direito à crença religiosa e invadir os hábitos ou costumes das minorias.

O artigo 234 do direito penal chinês proíbe a tortura intencional de uma pessoa.

O artigo 246 do direito penal chinês proíbe a fabricação de histórias para insultar outros através da força física.

 9.1.3(c) Crimes contra a humanidade

 A jurisdição é apropriada para as acusações nos termos 15 e 16 da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, assinada pela República Popular da China em 18 de abril de 1983 e ratificada em 17 de julho de 1983; e a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, assinada pela República Popular da China em 12 de dezembro de 1986 e ratificada em 4 de outubro de 1988.

O artigo 1.1 da Convenção Contra a Tortura proíbe “qualquer ato pelo qual seja infligida dor ou sofrimento severo, físico ou mental, a uma pessoa para fins tais como obter dele, ou de uma terceira pessoa, informações ou uma confissão, punindo-a por um ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido” ou intimidando-o ou coagindo-o ou a uma terceira pessoa, ou por qualquer razão baseada em discriminação de qualquer tipo, quando tal dor ou sofrimento for infligido por ou por instigação de ou com o consentimento ou aquiescência de um funcionário público ou outra pessoa agindo na qualidade oficial”. 

O artigo 2 da Convenção Contra o Genocídio proíbe uma série de atos cometidos com a “intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”, incluindo “matar membros do grupo”, “causar sérios danos físicos ou mentais a membros do grupo” e “infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial”. 

 A jurisdição é apropriada para as acusações 17 e 18 segundo o direito internacional consuetudinário, a prática geral dos Estados, que é aceita e observada como lei, tal como definido pelo Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça, art. 38(1)(b), do qual a República Popular da China é parte em virtude da sua ratificação da Carta das Nações Unidas. O costume do direito internacional obriga os países a prever a jurisdição universal para as seguintes violações das normas do jus cogens: perseguição, exílio forçado, desaparecimento como crime contra a humanidade e detenção arbitrária. 

O direito internacional consuetudinário define os crimes contra a humanidade como um conjunto específico de atos quando cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático dirigido contra qualquer população civil, com conhecimento do ataque, incluindo perseguição, exílio forçado, desaparecimento e outros atos desumanos. 

O desaparecimento forçado é definido como a prisão, detenção ou rapto de pessoas por um Estado ou uma organização política, ou com a autorização, apoio ou aquiescência de um Estado ou de uma organização política, seguido pela recusa de reconhecer essa privação de liberdade ou de dar informação sobre o destino ou o paradeiro dessas pessoas, com a intenção de as retirar da proteção da lei por um período prolongado de tempo. 

O exílio forçado é definido como o movimento de uma ou mais pessoas para outro local, por expulsão ou por outros atos coercitivos.

A perseguição é definida como um ato praticado contra qualquer grupo ou coletividade identificável, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos, de gênero, envolvendo a privação intencional e grave de direitos fundamentais contrários ao direito internacional, em virtude da identidade do grupo ou coletividade.

As normas de jus cogens do direito internacional consuetudinário proíbem a detenção arbitrária prolongada de pessoas. 

 9.1.3(d) Genocídio

 A perseguição ao Falun Gong foi lançada pelo ex-líder do Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin, em 20 de julho de 1999. Ao se favorecer da agência do governo, leis, políticas e todo o aparato do Estado, ele reprimiu dezenas de milhões de praticantes, tanto física quanto espiritualmente. 

 De acordo com os artigos 6 e 7 do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, publicado pelas Nações Unidas em 17 de julho de 1998, a perseguição de Jiang contra os praticantes do Falun Gong nos últimos 20 anos equivale a Genocídio e Crimes Contra a Humanidade278

 No artigo 6 do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional279, “genocídio” é definido como:

Qualquer dos seguintes atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, e como tal:
 (a) Matar membros do grupo;
 (b) Causar sérios danos corporais ou mentais a membros do grupo;
 (c) Deliberadamente infligir ao grupo condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física, no todo ou em parte;
 (d) Impor medidas destinadas a evitar nascimentos dentro do grupo;
 (e) Transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.

 No artigo 7 do estatuto, “crime contra a humanidade” é definido como:

Qualquer dos seguintes atos quando cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático dirigido contra qualquer população civil, com conhecimento do ataque:
 (a) Homicídio;
 (b) Extermínio;
 (c) Escravidão;
 (d) Deportação ou transferência forçada da população;
 (e) Prisão ou outra privação grave de liberdade física, em violação das regras fundamentais do direito internacional;
 (f) Tortura;
 (g) Violação, escravidão sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada, ou qualquer outra forma de violência sexual de gravidade comparável;
 (h) Perseguição contra qualquer grupo ou coletividade identificável de cunho político, racial, nacional, étnico, cultural, religioso, de gênero, tal como definido no parágrafo 3 ou outros motivos que são universalmente reconhecidos como não permitidos pelo direito internacional, em conexão com qualquer ato referido neste parágrafo ou qualquer crime dentro da jurisdição do tribunal;
 (i) Desaparecimento forçado de pessoas;
 (j) O crime de apartheid;
 (k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, intencionais, que causem grande sofrimento ou lesões graves ao corpo ou à saúde mental ou física.

9.2 Outros perpetradores principais

9.2.1 Luo Gan

 Entre 2002 e 2007, Luo Gan foi um dos principais líderes da China, servindo como membro do Comitê Permanente do Politburo de nove pessoas e como secretário do CAPJ Central, que se tornou um dos mais poderosos cargos políticos e burocráticos bem financiadas da China durante o seu mandato. Ele também serviu como chefe do Grupo Central de Líderes para lidar com a questão do Falun Gong de 2003 a 2007. 

 Entre 2001 e 2003, quando a perseguição foi mais severa, Luo Gan fez pelo menos oito discursos públicos procurando forçar o sistema político e judicial chinês a listar o Falun Gong como o “alvo de ataque” mais importante. O genocídio dos praticantes do Falun Gong foi então, e ainda é hoje, realizado de forma aberta e sistemática. 

 Sempre que Luo Gan fazia um discurso ou ia a algum lugar para supervisionar pessoalmente o “progresso” local, a perseguição aos praticantes do Falun Gong naquela área ou em toda a China se intensificava. Por exemplo, em 29 de agosto de 2000, dois dias após o discurso de Luo Gan no “Encontro de Troca de Experiências e Recompensa do Trabalho de Educação e Transformação do Ministério da Justiça” (também conhecido como o “Discurso de transformação”), a Boxun News Net relatou: “Pequim planeja aumentar o esforço para perseguir o Falun Gong e erradicá-lo em três meses”. 

 Mesmo depois que a comunidade internacional soube que a retórica do PCC contra o Falun Gong era difamação e, apesar da crescente oposição interna à perseguição, Luo Gan ainda fez discursos públicos encorajando a intensificação dos esforços para perseguir o Falun Gong. Estes incluem o seu discurso no “Encontro Nacional de Trabalho Político e Judiciário”, em 7 de dezembro de 2004; um artigo publicado na revista Qiu Shi em fevereiro de 2005; e outro discurso no “Encontro de Heróis e Modelos com Mérito na Assembleia Nacional da Área de Segurança Pública”, em 25 de agosto de 2005.

 Em setembro de 2005, vários dias depois de Luo fazer um discurso público, o PCC começou a reunir e deter um grande número de praticantes do Falun Gong em toda a China. Muitos foram severamente torturados. 

 Luo falou repetidamente sobre a chamada “situação de longo prazo, complicada e difícil”, indicando que a campanha contra o Falun Gong deveria ser de longo prazo e brutal. Por exemplo, ele disse que os campos de trabalho forçado “devem fazer um trabalho rigoroso e completo nos pensamentos das pessoas”, referindo-se à lavagem cerebral forçada. 

 Para evitar que as pessoas “transformadas” contra a sua vontade praticassem o Falun Gong novamente, Luo disse: “Os campos de trabalho forçado precisam construir um sistema regular de comunicação e feedback com os locais de trabalho que têm praticantes do Falun Gong. Quando eles [praticantes do Falun Gong] são libertados, as comunidades e escritórios residenciais devem continuar a fazer um trabalho de ‘pensamento’ sobre eles. Os campos de trabalho forçado devem estabelecer um sistema de comunicação com os locais de trabalho daqueles praticantes ‘transformados’ para obter feedback regular sobre se eles estão praticando novamente”. 

 De acordo com os discursos de Luo, os métodos detalhados de perseguição incluem o uso de praticantes “transformados” do Falun Gong para trabalhar com o PCC para “transformar” outros praticantes, assim como desenvolver métodos, coletar e disseminar a experiência de perseguição para todo o país.

9.2.2 Zeng Qinghong

 Como membro suplente do Politburo, secretário do Secretariado do Comitê Central do PCC e chefe do Departamento de Organização estágio inicial da perseguição, Zeng tomou a “luta” contra o Falun Gong como um importante teste para o PCC. Ele usou sua autoridade como chefe do Departamento da Organização, que controla o pessoal dentro do PCC, para pressionar outros oficiais a participarem da perseguição.

 Zeng foi um dos que planejou a encenação da autoimolação na Praça Tiananmen em 23 de janeiro de 2001 (vejaApêndice 2). Entre 27 de janeiro e 1º de de fevereiro, Zeng visitou Jiangsu, Hunan e outras províncias para difamar o Falun Gong com base em fraudes. Ele ordenou que a supressão do Falun Gong fosse “uma tarefa importante a ser feita rapidamente e bem-feita, sem absolutamente nenhuma hesitação ou suavidade”.

 Em 20 de abril de 2001, em uma conferência nacional em Pequim sobre “educação para o estudo do pensamento” para funcionários de vilas em áreas rurais, Zeng elogiou a teoria política das “Três Representações” de Jiang Zemin novamente chamou as pessoas do campo para reprimir o Falun Gong. 

 Antes de 1º de outubro de 2001 (Dia Nacional na China), Zeng Qinghong e Luo Gan organizaram pessoalmente a “Operação Tempestade nº 3”, que levou muitos praticantes do Falun Gong à prisão. Como parte dessa operação, o governo central enviou uma rede especial de computadores para cada província, para vigiar e impedir o acesso ao Minghui.org. A polícia temporariamente empregou jovens para vigiar áreas, ruas públicas e residenciais nas principais cidades a qualquer hora do dia. Por causa disso, vários praticantes foram detidos. 

 Zeng dirigiu pessoalmente a perseguição em algumas regiões. Por exemplo, entre 17 e 23 de janeiro de 2001, ele e Luo Gan foram para a província de Hunan. Luo foi para a cidade de Hengyang e Zeng foi para a cidade de Changsha (a capital da província de Hunan). Em seis dias, mais de 1.600 praticantes do Falun Gong foram presos e levados para campos de trabalho forçado em Hengyang e um número desconhecido foi preso em Changsha. 

 Três meses depois, no final de abril de 2001, Zeng Qinghong foi para a cidade de Hefei, província de Anhui, onde um grande número de praticantes foi preso nos dias 29 e 30 de abril, sob sua direção.

9.2.3 Liu Jing

 Como ex-vice-ministro de Segurança Pública e ex-diretor da Agência 610 Central, Liu Jing foi um dos principais autores da perseguição, abaixo de Jiang Zemin. Liu criou métodos para forçar os praticantes do Falun Gong a renunciarem à sua fé, deu ordens para a polícia atirar e matar praticantes que vissem, coordenou prisões em massa de praticantes e ajudou a orquestrar a farsa da autoimolação na Praça Tiananmen (verApêndice 2) para difamar o Falun Gong. 

 Em um exemplo de desenvolvimento e promoção de métodos para “transformar” os praticantes, Liu Jing instruiu pessoalmente seis indivíduos a atuarem como praticantes do Falun Gong, a se infiltrarem no Campo de Trabalho Forçado de Masanjia e a manipularem praticantes para renunciarem ao Falun Gong; como forma de fabricar e interpretar mal os ensinamentos do Falun Gong. Liu Jing e Luo Gan deram palestras em toda a província para que outros campos de trabalho, centros de detenção e prisões adotassem os mesmos métodos de “transformação” usados em Masanjia. 

 Antes do Ano Novo Chinês, em fevereiro de 2002, Liu realizou uma reunião no Hotel Nanhu, em Changchun, província de Jilin, onde criticou a falta de eficácia da província em reprimir os praticantes e deu uma ordem para “eliminar completamente” o Falun Gong. O Departamento de Segurança Pública de Changchun realizou subsequentemente prisões em larga escala de praticantes várias noites seguidas. Os oficiais foram autorizados a atirar para matar no ato os praticantes descobertos colocando cartazes ou pendurando faixas sobre o Falun Gong. 

 Depois que os praticantes transmitiram informações sobre a perseguição usando sinais de TV em Changchun, em 5 de março de 2002, Jiang Zemin ordenou que os participantes fossem “mortos sem perdão”. Ele enviou Luo Gan, Liu Jing e outros oficiais à província de Jilin em várias ocasiões para dirigirem o esforço de supressão lá. Em uma prisão em massa em toda a província naquele mesmo mês, as autoridades de Changchun despacharam mais de 6 mil policiais e prenderam mais de 5 mil praticantes do Falun Gong. Depois de torturados em Changchun, eles foram levados para prisões em toda a província de Jilin e continuaram sendo agredidos. Pelo menos seis praticantes foram mortos e outros 15 foram condenados de 4 a 20 anos de prisão. 

 Quando Liu representou a China nas reuniões de 2000 e 2001 da Comissão de Direitos Humanos da ONU, ele difamou o Falun Gong e negou que praticantes na China estivessem sendo presos e torturados.

9.2.4 Zhou Yongkang

 Zhou Yongkang foi selecionado para substituir Jia Chunwang como Ministro da Segurança Pública em 9 de dezembro de 2002. Durante a transição, o papel de Zhou como o novo administrador da “Campanha forte golpe”, contra o Falun Gong foi enfatizado em um relatório da APA e da Reuters. Por exemplo, em 9 de dezembro de 2002 “A China obtém um novo ministro da Segurança Pública”, a APA (edição de Pequim) republicou o anúncio do People's Daily da nomeação de Zhou para o cargo, que enfatizava a “Campanha forte golpe” contra o Falun Gong como uma das principais realizações do ex-chefe de polícia antes de Zhou. 

 Em 26 de dezembro de 2002, em “Chefe de Segurança Pública da China recomenda melhores padrões para o trabalho de execução da lei”, a British Broadcasting Corporation (BBC) relatou as observações feitas por Zhou em uma teleconferência vinculada. Entre outras coisas, Zhou incitou todas as organizações de segurança pública em toda a China a “em particular, se protegerem estritamente e ‘atacarem com força’ as atividades causadoras de problemas e prejudiciais realizadas por forças hostis dentro e fora deste país, [incluindo] a organização de culto do Falun Gong”. 

 Em 28 de maio de 2004, o China News Service noticiou as observações de Zhou na reunião de assuntos ministeriais convocada pelo Ministério da Segurança Pública. Entre outros tópicos: “Ele ressaltou que devem adotar medidas eficazes mais adiante; atacar fortemente as atividades ilegais e criminosas... e prestar muita atenção às tendências operacionais nas forças hostis internas e externas, nas forças terroristas violentas, nas forças étnicas separatistas, nas forças religiosas extremistas e em organizações de culto como o Falun Gong; tomar precauções rigorosas; e dar um ‘forte golpe’ em suas atividades perturbadoras e destrutivas”. A participação direta de Zhou na perseguição foi realizada principalmente por meio de sua administração da Agência 610. As forças policiais e de segurança (incluindo as da Agência 610) que prenderam, detiveram, fizeram lavagem cerebral e torturaram praticantes do Falun Gong, receberam ordens do Departamento de Segurança Pública nos níveis provincial e/ou municipal, que estavam sob o Ministério da Segurança Pública, do qual Zhou Yongkang era encarregado.

9.2.5 Li Lanqing

 Como primeiro chefe da Agência 610 Central, Li Lanqing usou a linguagem persecutória de Jiang Zemin, além de sua própria influência ideológica e estatura para implementar a campanha “douzheng” de Jiang. Por exemplo, em fevereiro de 2001, em uma Reunião do Prêmio Nacional, Li Lanqing elogiou os membros das forças de segurança chinesas por sujeitar o Falun Gong a “douzheng” e à “transformação”. Ele também instruiu os líderes do Partido e do governo em todos os níveis a continuar a campanha “douzheng” contra o Falun Gong, a fim de fortalecer a confiança e os objetivos do Partido. Li atuou como chefe da Agência 610 de junho de 1999 a novembro de 2002, quando se aposentou.

Capítulo 10: Organizações líderes da perseguição

 Desde que chegou ao poder, o Partido Comunista Chinês tem estabelecido um sistema de regras do Partido, em vez de um Estado de Direito. As decisões do Partido estão acima do sistema judiciário e penal e tornaram a lei e as agências judiciais em meros fantoches do Partido. Jiang Hua, ex-chefe do Supremo Tribunal Popular, disse certa vez: “Durante a guerra, cabia ao comitê do Partido decidir quem deveria ser preso ou mesmo morto, fosse no exército do povo ou na base revolucionária. O povo tem seguido esta regra desde então”.

 Depois de décadas de lavagem cerebral, o regime comunista chinês fez com que o público acreditasse plenamente que a lei reflete a vontade do Partido e foi criada para proteger os interesses do Partido no poder. Como um novo culto, “seguir a política, mas não a lei” tornou-se a regra subliminar dentro do sistema político e legal na China. 

 Os comitês partidários em diferentes níveis, incluindo províncias, municípios, condados e regiões autônomas, cada um tem o seu respectivo Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos (CAPJ), que supervisiona a aplicação da lei e as agências judiciais. A maioria dos secretários dos comitês partidários encabeça simultaneamente o CAPJ, criando uma intrincada rede de poder. 

 Depois de Jiang Zemin ordenar a perseguição ao Falun Gong em 1999, ele deu mais poderes ao CAPJ para implementar a campanha de repressão. O CAPJ e a Agência 610 trabalham lado a lado (muitas vezes compartilhando os mesmos escritórios e líderes) para comandar os recursos do governo contra os praticantes do Falun Gong, bem como para coordenar a extração forçada de órgãos de praticantes vivos para abastecer o sistema de transplante de órgãos da China. Em cada nível, o CAPJ define a estratégia de perseguição a ser executada pela Agência 610. 

10.1 Liderança e recursos compartilhados

 Depois de Jiang estabelecer a Agência 610 em junho de 1999, muitos subsecretários dos CAPJ foram nomeados para chefiar a Agência 610, além das funções já existentes. Por exemplo, Xiao Xiangxin, o secretário-adjunto do CAPJ no condado de Wan'an, província de Jiangxi, foi também diretor da Agência 610. 

 Tanto o CAPJ quanto a Agência 610 às vezes usam nomes diferentes para esconder a sua ilegalidade. Por exemplo, na cidade de Daqing, província de Heilongjiang, a placa da porta do CAPJ era “Escritório do Comitê de Governança Integral da Segurança Social Municipal”, e a Agência 610 era conhecida como o “Escritório do Governo Municipal para a Prevenção e Controle de Cultos”. 

 Em uma reunião anual de troca de experiências da Agência 610 na cidade de Wuhan, província de Hubei, no verão de 2010, Zhou Yongkang, o ex-chefe do CAPJ Central, repetiu a ordem de Jiang Zemin para erradicar o Falun Gong na China. Zhou também distribuiu mais recursos financeiros para a Agência 610 continuar a perseguição.

10.2 Controle sobre a polícia, o poder judiciário e o sistema penal

 Na maioria dos países democráticos, a polícia, os promotores de justiça e os tribunais trabalham independentemente uns dos outros, ao mesmo tempo que servem de supervisão mútua. Contudo, não é este o caso na China. Enquanto o executivo e as agências judiciais já estavam sob a supervisão do Partido antes do início da perseguição ao Falun Gong, em 1999, Jiang Zemin e a Agência 610 reforçaram o controle a fim de executar a sua política de perseguição, ao mesmo tempo em que anularam o Estado de Direito. 

 Por exemplo, os presidentes da Suprema Procuradoria Popular e do Supremo Tribunal Popular, assim como o Ministro da Justiça, todos membros do CAPJ, tiveram que se reportar a Zhou Yongkang e Meng Jianzhu, os dois ex-chefes do Ministério da Segurança Pública e do CAPJ. O mesmo acontece com muitos procuradores e juízes locais, que devem se reportar aos funcionários da polícia, que também chefiam o CAPJ local. Esse aumento de controle também contribuiu para uma rápida expansão do poder do sistema de segurança pública na China. 

 Essa estrutura torna impossível que os sistemas policiais e judiciais funcionem com imparcialidade e justiça. Na perseguição ao Falun Gong, os praticantes são submetidos a julgamentos de fachada enquanto as sentenças são predeterminadas pelo CAPJ e pela Agência 610. 

 Um exemplo é o da Sra. Gao Deyu, de 68 anos, da cidade de Xichang, província de Sichuan, que foi presa em setembro de 2009 por praticar o Falun Gong. O advogado dela enfrentou uma grande dificuldade para visitá-la. Liu, o vice-reitor do CAPJ da cidade de Xichang, disse ao seu advogado: “Não discuta a lei comigo. Nós não seguimos a lei”. Um ano depois, um juiz do Tribunal de Xichang condenou a Sra. Gao a 12 anos de prisão. 

 Na província de Hebei, seis praticantes do Falun Gong foram condenados entre 7 a 8 anos pelo Tribunal da Cidade de Qian'an no dia 6 de dezembro de 2009. O juiz presidente, Feng Xiaolin, disse às famílias dos praticantes: “Nós não seguimos a lei quando se trata de casos do Falun Gong”. 

Outro juiz da cidade de Yiyang, província de Hunan, disse à praticante do Falun Gong, Sra. Zhang Chunqiu: “Agora é o poder do Partido que se sobrepõe à lei para reprimir o Falun Gong. Nós só estamos cumprindo as formalidades [no processo de sentença]. Nós não podemos fazer nada a respeito. Você não pode nos culpar por isso”. 

 O juiz Gu Yingqing, do Tribunal de Suzhou, na província de Jiangsu, disse uma vez à filha do Sr. Lu Tong, que foi condenado a quatro anos de prisão em 17 de dezembro de 2008: “Você não deve esperar que a lei esteja acima da política. É inútil falar sobre a lei comigo, porque estou falando com você sobre política”. 

 O diretor Ma, da Agência 610, no condado de Nong'an, província de Jilin, disse a um praticante: “Nós tomamos as decisões aqui. Falamos de política, não de lei. Pode ir em frente e apresentar queixas contra nós quando quiser”.

 Quando os praticantes são presos, o CAPJ e a Agência 610 ordenam aos guardas que façam lavagem cerebral nos praticantes e os obriguem a renunciar à sua fé. A taxa de transformação, ou seja, o número de praticantes que renunciam à sua fé, está ligado às promoções e bônus dos guardas. Por isso, os guardas usam de tortura severa para aumentar as suas taxas de transformação para ganho pessoal. Alguns guardas até ameaçaram os praticantes: “ou é transformação ou é cremação”.

10.3 A Agência 610

 A Agência 610 foi criada como uma organização dentro do Partido Comunista Chinês exclusivamente para coordenar e executar a perseguição e a erradicação do Falun Gong. É uma organização de espionagem ilegal que permanece secreta em níveis altos enquanto é claramente evidente em níveis baixos. As suas funções incluem estratégias, planejamento e direção de todas as atividades relacionadas com a perseguição ao Falun Gong. Para realizar essas tarefas, ela é efetivamente autorizada a controlar departamentos do governo em todos os níveis, incluindo o sistema judiciário (polícia, procuradores e tribunais), para violar a lei chinesa e a Constituição Chinesa. 

 As Agências 610 foram criadas não apenas em todos os níveis do governo, mas também em escritórios de segurança do Estado, departamentos de polícia, universidades, escolas, agências governamentais e grandes empresas. Os agentes das Agências 610 atuam em relações estrangeiras, vigilância da internet, de empresas estrangeiras, de indústria de viagens e de atividades criminosas. 

 Após vários procedimentos de ajustes, fortalecimento e renomeação, a Agência 610 permanece acima da lei. Seu objetivo se expandiu para incluir igrejas domésticas, bem como outras religiões e organizações de qigong.

10.3.1 Criação e expansão 

 Em uma reunião do Politburo do PCC em 7 de junho de 1999, Jiang Zemin fez um discurso sobre a necessidade urgente de “punir o Falun Gong”. Ele anunciou que o Comitê Central lançaria uma força-tarefa para formar rapidamente estratégias para erradicar o Falun Gong. Ele seria liderado por Li Lanqing, um membro do Comitê Permanente do Politburo, e assistido por Luo Gan e Ding Guangen, dois outros membros do Politburo. 

 O “Grupo líder central para tratar com a questão do Falun Gong” foi formado três dias depois, em 10 de junho de 1999. Os seus membros incluíam funcionários do Supremo Tribunal Popular, da Suprema Procuradoria Popular, do Ministério da Segurança Pública, do Ministério da Segurança do Estado, do Departamento de Propaganda e do Ministério das Relações Exteriores. O seu ramo de operações foi chamado de “Agência do grupo central de líderes para tratar com o Falun Gong”, ou Agência 610 Central. 

 Os comitês inferiores do PCC nas províncias, nos conselhos, nos condados, nas cidades e até mesmo nos bairros, espelhavam essa estrutura com o seu próprio “Grupo líder para lidar com o Falun Gong”, juntamente com uma “Agência do grupo líder para lidar com o Falun Gong” (Agência 610). A maioria estava ligada ao CAPJ de seu respectivo Comitê do PCC e alguns estavam ligados ao Escritório do Comitê do Partido no seu nível. 

 Embora nenhum documento foi tornado público quando os grupos líderes foram formados nos níveis provincial e municipal, muitos documentos registram o estabelecimento e as funções das agências nos níveis municipal, de bairro e inferior. Essas Agências 610 locais seguem a Agência 610 Central. Nas áreas urbanas, as Agências 610 foram estabelecidas em comitês de bairro com funcionários dedicados. Nas áreas rurais também foram estabelecidos grupos de trabalho chefiados por secretários do Partido da vila, além de serem também criadas as Agências 610. 

 Nem o Comitê Central do PCC nem o Conselho Estadual reconheceram abertamente a existência dessa organização, seja em estruturas de organizações acessíveis ao público, ou em comunicados de imprensa oficiais, mas ela aparece em reportagens de mídias e em sites do governo local. A existência da Agência 610 Central também pode ser verificada através de documentos do Conselho Estadual, do Ministério e de governos locais, bem como nas reportagens de mídia. O sigilo da organização é similar ao do “Grupo Líder do Comitê Central do PCC para a Revolução Cultural” nos anos 60, que respondeu somente a Mao Tsé-Tung e exerceu vastos poderes extralegais.

10.3.2 Ilegalidade

 A Agência 610 foi estabelecida sem seguir os procedimentos legais ou obter aprovação do Congresso Nacional do Povo, o órgão máximo do poder na China. Ela também viola a Constituição Chinesa, especificamente o artigo 36 (liberdade de crença religiosa) e o artigo 89 (poderes enumerados do Conselho de Estado).

 Devido à sua confidencialidade, muitos detalhes das Agências 610 não são conhecidos pelo público. Embora a Agência 610 tenha sido mencionada na cobertura jornalística inicial, ela não apareceu nas políticas públicas do Comitê Central do PCC, nos documentos legais, ou nos documentos do governo. Uma imagem do website do governo da cidade de Changde, província de Hunan, indica que a Agência 610 iniciou as suas operações em julho de 1999, embora o seu estabelecimento não tenha sido oficialmente aprovado pelo Comitê do Partido da Província de Hunan até março de 2001. Durante quase dois anos, a Agência 610 de Changde funcionou como uma entidade não registrada dentro do Comitê Provincial do Partido. As suas atividades durante esse período podem ser vistas no exemplo abaixo:

O Sr. Ou Keshun, nascido em 1962, era um praticante do Falun Gong do condado de Linli, da cidade de Changde. A polícia de Linli o prendeu em 12 de janeiro de 2001 e o manteve em um centro de lavagem cerebral dentro do Centro de Reabilitação de Drogas de Changde. Oficiais de um grupo de trabalho da Agência 610 de Changde e do CAPJ forçaram o Sr. Ou e vários outros praticantes a renunciarem à sua fé. Os policiais o prenderam com viciados em drogas e os instigaram a torturá-lo. Depois de haver sido espancado severamente e vomitado sangue, o Sr. Ou morreu oito dias depois, em 20 de janeiro. Para encobrir a causa da morte, os oficiais do grupo de trabalho ordenaram a sua cremação em Changde antes da chegada da sua família. 

10.3.3 Estrutura organizacional 

 Quando foi criada, a Agência 610 Central estava sob o Comitê Central do PCC como uma organização temporária no nível de gabinete, mas, mais tarde, foi elevada a uma agência permanente no nível de ministério. A partir de 2010, o sistema do seu código de serviço civil da China era 959. 

 O primeiro diretor da Agência 610 foi Wang Maolin, que, mais tarde, foi substituído por Liu Jing, vice-ministro de Segurança Pública. Em 2009, Liu foi substituído por Li Dongsheng, vice-ministro do Departamento Central de Propaganda e vice-diretor da Agência 610 Central. Outros ex-diretores e vice-diretores foram Xu Haibin (vice-diretor executivo, ex-secretário de Luo Gan), Gao Yichen (ex-vice-ministro da Segurança do Estado), Yuan Yin, Wang Xiaoxiang, e Dong Jufa. Li Anping foi secretário geral da Agência 610 Central. 

 Abaixo está a estrutura conhecida da Agência 610 Central:
 - Secretaria da Agência (também conhecida como Agência Geral). Diretor: Wang Tixian
 - Primeira Agência (poderia ser o mesmo que a Secretaria da Agência). Diretor: Wang Tixian; diretor-adjunto: Li Xiaodong; inspetor: Song Quanzhong.
 - Segunda Agência: Diretor: Shao Hongwei; diretor-adjunto: Gao Xiaodong.
 - Terceira Agência: Não há informações adicionais disponíveis.

 As funções exatas dessas três agências são atualmente desconhecidas no exterior, mas pode-se fazer referência à estrutura interna das Agências 610 inferiores. Essas agências locais variam de lugar para lugar, mas normalmente têm uma secretaria, uma filial geral e uma filial de educação. Uma Agência 610 de nível regional é normalmente composta por um grupo geral e um grupo educacional. Uma Agência 610 de nível de condado normalmente compreende uma seção geral e uma seção de educação. Em um exemplo específico, a estrutura da Agência 610 do Partido do Distrito de Luhe, na cidade de Nanjing, província de Jiangsu, contém a Seção de Coordenação Geral, Seção de Educação e Transformação e Seção de Prevenção e Controle. Não é comum que uma Agência 610 de nível de bairro tenha três ramos. No entanto, elas podem corresponder a três ramos da Agência 610 Central.

 As responsabilidades desses ramos são as seguintes:
 - Ramo do secretário: processamento do trabalho diário e coordenação dos assuntos administrativos; envio/recepção/circulação de mensagens; elaboração de documentos; gestão do selo oficial, confidencialidade e arquivo dos documentos; organização de reuniões.
 - Ramo geral: processamento de documentos e informações de inteligência, pesquisa abrangente, análise de tendências, revisão do trabalho, confidencialidade, trabalho político e de recursos humanos, logística administrativa e rotina diária.
 - Ramo da educação: propaganda difamatória contra o Falun Gong, lavagem cerebral nos praticantes do Falun Gong, forçar os praticantes a renunciarem à sua crença (referida como “educação e transformação”), contato, coordenação, supervisão, inspeção, coordenação de outras agências no tratamento dos assim-chamados assuntos do Falun Gong.

 Em suma, o ramo geral foca em coletar inteligência, analisar informações e formular estratégias de perseguição, enquanto o ramo da educação conduz operações e força os praticantes a renunciarem à sua crença. 

 Depois que o nome da Agência 610 ganhou fama, foi mudado para “Agência de Prevenção e Tratamento de Assuntos de Culto”. Em alguns lugares, é chamado de “Escritório de Manutenção da Estabilidade”. Por exemplo, um documento do Comitê de Estrutura Organizacional do Condado de Lingchuan, da província de Shanxi, mostra dois títulos para a Agência 610: o “Escritório do Comitê do Partido Lingchuan para Prevenir e Manejar Problemas de Culto” e o “Escritório Lingchuan de Prevenção e Manejo de Problemas de Cultos”. No entanto, a sua função continua a ser a mesma, e internamente continua a ser referido como a Agência 610.

10.3.4 Composição do pessoal

 Como a Agência 610 foi originalmente concebida para ser uma agência temporária, as autoridades retiraram pessoal do sistema político e jurídico para gerir a organização, enquanto mantinham seus empregos existentes. Por exemplo, se um policial fosse transferido para a Agência 610, ele manteria o seu cargo e o seu poder de aplicação da lei no departamento de polícia. Esse pessoal era por vezes referido como “policiais 610”. Se a pessoa era secretário do Partido ou diretor de uma certa agência, permanecia um diretor; embora não tivesse poder de imposição da lei, ganhava autoridade para ordenar a força policial para realizar uma tarefa específica contra os praticantes do Falun Gong. Outros membros da equipe foram retirados de agências, da procuradoria, dos tribunais, dos departamentos de propaganda, de secretarias judiciais, de secretarias de finanças e de escritórios de apelação.

 Como a perseguição continuou muito além dos três meses que Jiang Zemin havia previsto, a Agência 610 tornou-se uma organização permanente, com funcionários em tempo integral. Apesar do alto grau de sigilo que a envolve, a limitada informação pública revela que essa “gestapo moderna” tem um detalhado e completo organograma, desde o governo central em Pequim até diferentes regiões em cada parte do país.

 Embora seja impossível determinar quantas pessoas trabalham no sistema das Agências 610 em toda a China, o número é, sem dúvida, elevado, considerando a sua presença em todas as agências governamentais e não-governamentais, bem como nos comitês do Partido, no nível de província, de município, de condado, de vila e de bairro. A extensa presença das Agências 610 em todo o país também reflete a profundidade e a escala da perseguição ao Falun Gong.

10.3.5 Controle sobre departamentos governamentais e empresas comerciais

 A Agência 610 tem ramos incorporados na polícia e em sistemas educacionais, bem como nas grandes empresas estatais e privadas, para permitir que monitorem e ordenem as prisões de praticantes do Falun Gong em todas as áreas da sociedade.

 10.3.5(a) O sistema de polícia

 Depois que a Agência 610 e outras agências não conseguiram erradicar o Falun Gong em três meses, como Jiang Zemin havia previsto inicialmente, ele ordenou que a Agência 610 fosse expandida ao Ministério da Segurança do Estado, ao Ministério da Segurança Pública e aos departamentos de polícia locais, durante uma reunião interna no final de 2000 ou no início de 2001.

 O Ministério de Segurança Pública emitiu o Aviso nº 157 em 2001, sobre a criação de um departamento específico dentro do sistema de segurança pública para lidar com os casos sobre o Falun Gong e outras “organizações de qigong nocivas”. Esse aviso marcou a criação da Agência 610 no sistema de segurança pública. 

 O Ministério da Segurança Pública também acrescentou um departamento adicional, o 26º Departamento, como a sede formal da Agência 610. Em algumas regiões, a Agência 610 está sob a alçada do Primeiro Departamento do Ministério de Segurança Pública, o de Segurança Nacional, e compartilha o mesmo prédio de escritórios com duas placas em portas diferentes. O chefe ou chefe-adjunto do Departamento de Segurança Nacional também passou a ser o chefe da Agência 610. 

 Além do sistema policial, a Agência 610 também permeou a agência e o departamento do governo, incluindo as procuradorias, os tribunais, os departamentos de justiça, o sistema prisional, o comitê de finanças, a Administração Nacional de Alimentos, o Escritório de Comércio, o Departamento de Propaganda e o Departamento de Trabalho da Frente Unida.

 10.3.5(b) O sistema educacional 

 Para avançar a política de perseguição e promover a propaganda do Partido demonizando o Falun Gong, o regime comunista chinês estabeleceu uma Agência 610 dentro do sistema educacional, desde o nível provincial até o nível municipal e desde universidades e escolas médicas, chegando no ensino médio e inclusive em escolas de ensino fundamental.

 No final de 2005, a Agência 610 apareceu no mapa do campus da Universidade de Jilin, marcando a mudança de ser filiada ao Escritório do Comitê do Partido das Universidades para operar independentemente. Tal mudança, entretanto, não era comum nas universidades da China, já que a maioria das Agências 610 permanece sob o Comitê do Partido no campus. Em janeiro de 2006, a nova liderança da Faculdade de Direito da Universidade de Jilin anunciou os funcionários de sua Agência 610, tornando-a a primeira Faculdade de Direito na China a anunciar a existência da Agência 610 dentro da sua organização. 

 Na cidade de Zibo, província de Shandong, a Secretaria de Educação do Distrito de Zhangdian emitiu um aviso em outubro de 2006, ordenando a todas as escolas do distrito, incluindo escolas de ensino fundamental, que “aperfeiçoassem e implementassem a política de criar Agências 610 de acordo com a situação de cada escola”.

 10.3.5(c) O serviço postal 

 A Agência 610 pressionou o serviço postal a inspecionar cartas e pacotes de materiais relacionados ao Falun Gong. Na província de Yunnan, por exemplo, os funcionários dos correios foram obrigados a abrir envelopes para verificar as cartas escritas por praticantes do Falun Gong para aumentar a conscientização da população sobre a perseguição280. Os correios em toda a China também retiveram queixas criminais contra Jiang Zemin enviadas por praticantes do Falun Gong ao Supremo Tribunal Popular e à Suprema Procuradoria Popular (a serem discutidas mais adiante no Capítulo 12).

 Esse tipo de política viola o Artigo 40 da Constituição Chinesa (liberdade e privacidade de correspondência). Também viola a Lei Postal Chinesa, especificamente o Artigo 35 (proibição de abrir, esconder ou destruir correspondência pertencente a outros) e o Artigo 38 (abuso de poder por parte dos funcionários dos correios). Finalmente, viola os artigos 252 e 253 da Lei Penal Chinesa, que tratam da abertura, ocultação e destruição do correio alheio por cidadãos ou funcionários do serviço postal.

 10.3.5(d) Grandes empresas 

 Como muitas empresas estatais, públicas e privadas têm os seus próprios Comitês do Partido Comunista Chinês, as Agências 610 foram naturalmente criadas também dentro destas organizações. Exemplos documentados incluem o Grupo Mineiro Shuicheng, na cidade de Liupanshui, província de Guizhou e o Grupo Mineiro Xinkuang, na cidade de Taian, província de Shandong. Em outro exemplo, a 10ª Divisão do Corpo de Produção e Construção de Xinjiang, uma organização econômica e paramilitar única, listou o número de telefone do seu diretor da Agência 610 na sua lista de endereços.

Caso 1: Daqing Oilfield perseguiu pelo menos 27 praticantes até à morte 

 Entre as grandes empresas na China, a Daqing Oilfield Company (uma filial da PetroChina) tem sido responsável pela maior parte das mortes de praticantes do Falun Gong desde que a perseguição começou. Desde abril de 2013, pelo menos 27 empregados dessa empresa estatal foram perseguidos até a morte por praticarem o Falun Gong, sendo responsáveis por 40% das mortes de praticantes em Daqing e por 5% das mortes de praticantes na província de Heilongjiang281.

 A Agência 610 da Daqing Oilfield Company criou centros de lavagem cerebral, forçou as unidades da empresa a pagarem para enviar seus empregados que praticam o Falun Gong para os centros de lavagem cerebral para serem torturados, reteve salários e bônus dos praticantes do Falun Gong, orientou a polícia e o judiciário da Daqing a deter e prender os praticantes e distribuiu materiais de propaganda difamatória sobre o Falun Gong. Muitos dos praticantes visados eram trabalhadores modelo e, em alguns casos, os seus líderes permitiram que continuassem a trabalhar, apesar da pressão da Agência 610 para demiti-los282.

Caso 2: Agentes da Agência 610 da Corporação do Grupo Gezhouba perseguem praticantes até à morte

 Os praticantes do Falun Gong empregados pela Corporação do Grupo Gezhouba na cidade de Yichang, província de Hubei, foram agredidos, seguidos, intimidados e submetidos a lavagem cerebral pela Agência 610 e pela Seção de Segurança das oito empresas filiais do Gezhouba. 

 Uma delas foi a Sra. Shen Ju, que começou a praticar o Falun Gong em maio de 1998 e viu a sua saúde melhorar devido a isso. Depois da perseguição começar, ela foi a Pequim três vezes para apelar por justiça para o Falun Gong. Ela foi presa e levada de volta à cidade de Yichang, onde agentes da Agência 610 e o oficial Xu Hong, da Segunda Corporação do Grupo Gezhouba extorquiram dela uma grande soma de dinheiro e a mantiveram prisioneira. Nos anos seguintes, a polícia e os agentes da empresa prenderam repetidamente a Sra. Shen e a mantiveram em centros de lavagem cerebral. 

 Após anos de sofrimento físico e psicológico, a Sra. Shen entrou em coma por 24 horas e morreu em um hospital em 10 de janeiro de 2006. Ela tinha 34 anos e sobrevivia para cuidar do filho de seis anos283

Capítulo 11: Cúmplices da perseguição

 Como discutido no Capítulo 9, Jiang Zemin usou o seu controle no Partido, no governo e nas forças armadas, para conduzir a perseguição ao Falun Gong. Através dos Comitês de Assuntos Políticos e Jurídicos (CAPJ) e da Agência 610, Jiang conseguiu fazer da perseguição uma parte da vida e do trabalho de todos os cidadãos chineses. As pessoas em toda a sociedade têm sido obrigadas a participar da perseguição, seja voluntariamente, através de obter vantagens pessoais, seja involuntariamente, através de pressão política e intimidação. Essas incluem quase todo o Partido, governos e organizações militares, bem como os que se dedicam à educação, à saúde, à medicina, às finanças e às relações exteriores.

11.1 Autoridades no nível comunitário

 Os comitês de vizinhança são exclusivos do PCC e são usados para controlar os cidadãos no nível de bairro. Esses escritórios locais historicamente tinham baixo prestígio como uma fonte de emprego. Entretanto, quando a perseguição ao Falun Gong começou em 1999, se tornaram parte integrante da campanha do PCC e foram constantemente elevados. Os membros do quadro de funcionários se tornaram funcionários públicos e foram obrigados a fazer exames do serviço público. Eles também começaram a receber mais de 10 mil yuans por ano, bem como aposentadoria e benefícios médicos284.

 Algumas comissões de bairro têm suas próprias Agências 610 e têm abertamente listado a perseguição ao Falun Gong como parte de suas responsabilidades de trabalho.

 No distrito de Kuiwen, em Weifang, província de Shandong, o comitê de bairro realizou uma campanha de difamação contra o Falun Gong. Os membros da equipe publicaram e distribuíram materiais de propaganda em todo o bairro e até entraram nas casas dos residentes para entregar a mensagem verbalmente. No mesmo distrito, a Associação Comunitária Yingyuan realizou uma exposição contra o Falun Gong, na qual mais de 200 residentes e estudantes viram uma exibição de 76 painéis difamatórios sobre o Falun Gong e foram forçados a assinar denúncias. Por realizar essas atividades e estabelecer instalações da polícia e controlar dentro da comunidade, a Associação Comunitária Yingyuan foi nomeada uma “comunidade modelo” e recebeu prêmios de nível municipal.

 Esses comitês de bairro também foram incentivados por prêmios monetários. O Comitê do Partido da Província de Shandong e o governador nomearam a sua associação anticulto como uma organização “avançada”. A associação premiou cada comunidade que participou na perseguição com 5 mil yuans e cada município, com 10 mil yuans. Entre 2000 e 2009 desembolsou um total de 345 mil yuans em tais prêmios.

 Além das campanhas de difamação, os comitês de bairro também cooperaram com a polícia e com as agências judiciais para investigar e controlar os praticantes. A equipe do comitê frequentemente assedia e intimida os praticantes em casa, os fotografa e os filma, confisca os seus livros do Falun Gong e os coage a assinar declarações de renúncia à sua fé.

11.2 Empresas estrangeiras e organizações de mídia

 Da autocensura à cooperação ativa, muitas empresas estrangeiras e mídia de notícias têm ajudado direta e indiretamente o regime chinês na perseguição ao Falun Gong.

11.2.1 As empresas de tecnologia ajudam a construir a infraestrutura de controle da censura 

 Em 2000, o regime chinês começou a implementar um sistema de filtragem e controle de informações on-line conhecido como o Grande Firewall (GFW). Os seus requisitos foram definidos pelo Politburo, pelo Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos, pelo Ministério de Segurança do Estado e pela Agência 610. 

 As principais empresas de tecnologia que contribuíram para o desenvolvimento do Grande Firewall foram a Cisco e a Nortel. Uma apresentação interna da Cisco que foi descoberta, revelou que ela estava ciente de que os seus produtos seriam usados para este fim e um slide afirmava o objetivo do projeto como “combater o culto maligno do ‘Falun Gong’ e outros elementos hostis”, interpretando a retórica difamatória do regime chinês contra o Falun Gong285. De acordo com um estudo de 2005 do Professor John Palfrey, da Universidade de Harvard, o Grande Firewall bloqueou 100% das informações sobre o Falun Gong, 60% das informações relacionadas com partidos políticos da oposição, cerca de 50% das informações sobre o massacre de 4 de junho de 1989 na Praça Tiananmen e 10% dos sites pornográficos286.

11.2.2 Empresa estrangeira cumpre exigências do PCC para censurar e demitir praticantes 

 Em setembro de 2003, uma praticante do Falun Gong compartilhou a sua experiência positiva com a prática enquanto fazia um discurso para a filial chinesa da empresa de cosméticos Mary Kay em Shenzhen. Após um repórter avisar as autoridades, três praticantes do Falun Gong foram presos. A Agência 610 pressionou a Mary Kay a seguir a diretriz do Partido sobre o Falun Gong, sob a ameaça de ter as suas operações comerciais na China interrompidas ou descontinuadas. 

 Mary Kay cumpriu a demanda e exigiu que todos os funcionários assinassem uma declaração que não praticariam ou defenderiam o Falun Gong; caso contrário, seus empregos seriam rescindidos. Vários funcionários da Mary Kay perderam os seus empregos posteriormente por se recusarem a assinar a declaração. Outro funcionário que falou a favor do Falun Gong foi detido pelas autoridades chinesas.

 No dia 17 de novembro de 2003, os membros do Congresso dos EUA, Chris Smith, Tom Lantos e Ileana Ros-Lehtinen, escreveram para o diretor executivo da Mary Kay, Richard R. Rogers, solicitando que a empresa filial chinesa anulasse a exigência para que os empregados assinassem uma declaração relacionada com a participação religiosa, espiritual e política. Um porta-voz da empresa disse à Agence France-Presse (AFP) que a Mary Kay já estava a favor da retirada do requisito e negou que qualquer funcionário houvesse sido despedido por se recusar a assinar a declaração287.

11.2.3 Meios de comunicação repetem a propaganda do Partido Comunista Chinês 

 Ao contrário das campanhas políticas anteriores nas quais o PCC fechou as portas da China, o regime envolveu a imprensa estrangeira desde o início de sua campanha contra o Falun Gong, com o objetivo de propagar a sua retórica contra o Falun Gong em todo o mundo afim de ganhar apoio internacional para a perseguição. Nos primeiros dias da perseguição, muitas grandes organizações midiáticas ao redor do mundo retransmitiram a propaganda do PCC da mídia controlada pelo governo chinês, como a CCTV. Ainda hoje, a mídia ocidental usa frequentemente a linguagem depreciativa do regime chinês, como “culto”, “seguidores” e “ameaça” para se referir ao Falun Gong e aos seus praticantes. 

 Nos anos que se seguiram, alguns órgãos da mídia internacional continuaram a repetir a desinformação do PCC sobre o Falun Gong ou permaneceram em silêncio sobre o assunto, devido a incentivos econômicos ou intimidação por parte do regime chinês. Em um exemplo, aTalentvision, uma estação de TV em mandarim no Canadá, retransmitiu um programa da CCTV e acusou falsamente os praticantes do Falun Gong de um assassinato em Pequim. A Comissão Canadense de Rádio-Televisão e Telecomunicações decidiu em 16 de agosto de 2002 que a alegação da Talentvision de que o Falun Gong estava ligado ao caso de assassinato em Pequim sem provas factuais violaram múltiplas políticas do código de ética profissional da comissão e constituíram um ataque ao Falun Gong. A Comissão exigiu que a estação transmitisse a sua decisão durante o horário nobre288.

 Acredita-se também que o governo chinês usa as conexões financeiras e de publicidade como alavanca para evitar que os meios de comunicação estrangeiros publiquem notícias sobre o Falun Gong. Ao mesmo tempo, ele tem feito acordos com os principais jornais para incluírem inserções do China Daily como uma forma de aumentar o alcance das campanhas de propaganda do Partido Comunista Chinês.

11.3 Oficiais chineses que ajudaram a implementar a perseguição

 Em comparação com os principais perpetradores, relacionados na Seção 9.2, que foram os principais responsáveis pelo lançamento da perseguição, os funcionários abaixo foram recrutados, mais tarde, para a campanha, e desempenharam papéis secundários. No entanto, eles impulsionaram ativamente a perseguição para construir o seu próprio capital político e causaram um sofrimento indescritível aos praticantes do Falun Gong dentro das suas jurisdições.

11.3.1 Li Dongsheng

 Como diretor-adjunto da Televisão Central da China (CCTV) entre janeiro de 1993 e julho de 2000, Li Dongsheng (李东生) realizou a campanha de propaganda nacional do PCC contra o Falun Gong. Quando a Agência 610 foi estabelecida em junho de 1999, ele foi nomeado diretor-adjunto e colocado no comando da propaganda. Depois de Liu Jing se aposentar, em outubro de 2009, Zhou Yongkang nomeou Li como vice-ministro de Segurança Pública para chefiar a Agência 610. 

 Li influenciou a opinião pública através do “Focus”, um programa popular da CCTV em horário nobre sobre assuntos atuais. O programa apresentou 102 programas contra o Falun Gong, durante seis anos e meio, entre 21 de julho de 1999 e o final de 2005. Houve 70 episódios desse tipo somente entre julho e em dezembro de 1999. 

 Li também desempenhou um papel importante em orquestrar a encenação da autoimolação na Praça Tiananmen, intensificando a campanha de propaganda.

11.3.2 Bo Xilai

 Como prefeito da cidade de Dalian, província de Liaoning, Bo Xilai (薄熙来) implementou ativamente a campanha de repressão de Jiang Zemin contra o Falun Gong. Ele expandiu o sistema de prisões e campos de trabalho enquanto construía novos. 

 Muitos dos praticantes do Falun Gong que foram a Pequim para apelar pelo direito de praticar a sua fé foram levados para os campos e prisões recém estabelecidos. Bo deu ordens a todos os níveis do executivo para espancar e matar os praticantes. Ele também liderou o processo de uso de praticantes para a extração forçada de órgãos e para a plastinação corporal em Dalian, através de sua implementação da diretiva de Jiang para “destruí-los fisicamente”. Bo foi rapidamente promovido a governador da província de Liaoning.

 Após Bo haver sido nomeado secretário do Partido de Chongqing em 2007, multidões após multidões de praticantes na cidade foram presos, detidos ou levados para centros de lavagem cerebral.

11.3.3 Wen Shizhen

 Wen Shizhen (闻世震), secretário do Partido da província de Liaoning de agosto de 1997 a dezembro de 2004, também usou a sua autoridade e influência para implementar as ordens de Jiang Zemin para o “douzheng” do Falun Gong. Em julho de 1999, ele instruiu outros líderes do Partido a “seguirem as ordens do Comitê Central do PCC de Jiang para eliminar o Falun Gong... na nossa província” através da conversão ideológica, usando a tortura (“transformação”) para prevalecer contra eles. Novamente, em outubro de 1999, depois de Jiang haver informado o jornal francês Le Figaro e, um dia depois, o People's Daily haver publicado as mentiras de Jiang Zemin, Wen pediu aos líderes do Partido da província de Liaoning para avançarem a campanha “douzheng”, baseada na calúnia de Jiang Zemin sobre o Falun Gong.

11.3.4 Wang Maolin

 O primeiro a liderar a Agência 610 Central, Wang Maolin (王茂林) implementou ativamente a campanha de Jiang Zemin contra o Falun Gong. Por exemplo, no seu prefácio do influente livro do Partido “Falun Gong e os cultos do mal”, Wang argumenta que o livro “captura a importância e a necessidade da batalha contra o Falun Gong”.

11.3.5 Ding Shifa

 Como secretário do CAPJ da província de Liaoning, Ding Shifa (丁世发) reforçou as observações de Wen Shizhen para promover a perseguição contra o Falun Gong. Em outubro de 1999, ele exortou os seus companheiros na província de Liaoning a “participarem diligentemente do ‘douzheng’ [contra o Falun Gong] com total entusiasmo político e a triunfarem”.

 Antes, em julho de 1999, Ding liderou os funcionários do Departamento de Organização do Partido de Liaoning, Departamento de Propaganda e Escritório de Segurança Pública para a cidade de Huludao e exigiu que as autoridades locais executassem estritamente as estratégias da liderança central do PCC (emitidas por Jiang Zemin) para terem sucesso na campanha contra o Falun Gong.

11.3.6 Zhang Xinxiang

 Enquanto servia como secretário-adjunto do Comitê do Partido da Província de Liaoning, Zhang Xinxiang (张行湘) exortou os colegas funcionários, especialmente os de Huludao, a “estarem preparados para uma longa campanha ‘douzheng’ contra o Falun Gong”, que ele caracterizou como “inimigos do Partido”.

Capítulo 12: Mais de 200 mil queixas-crime foram apresentadas contra Jiang Zemin

 Enquanto vários praticantes na China tentavam registrar os primeiros processos legais contra Jiang Zemin, em agosto de 2000, as autoridades simplesmente recusavam-se a registrar as queixas289. Embora vários processos tenham sido registrados livremente fora da China nos anos seguintes, os praticantes na China sempre enfrentaram obstáculos para apresentar as suas queixas na justiça.

 No dia 1º de maio de 2015, o Supremo Tribunal Popular implementou uma nova “Reforma do Sistema de Registro”, que estipula que todas as queixas-crime devem ser registradas junto ao tribunal, uma vez recebidas. Muitos praticantes do Falun Gong começaram a exercer o seu direito legal de processar Jiang Zemin por iniciar a perseguição ao Falun Gong e causar grandes danos e sofrimento enorme a eles.

Principais destaques

 Ao dirigir a perseguição contra o Falun Gong, Jiang Zemin violou a Constituição Chinesa, o direito penal chinês e as leis internacionais sobre tortura, genocídio e crimes contra a humanidade. Jiang também ordenou que os ministérios do governo realizassem ações para as quais eles não tinham autoridade legal. 

 209.908 ações judiciais foram movidas contra Jiang no Supremo Tribunal Popular e na Suprema Procuradoria Popular. Entre o final de maio e 31 de dezembro de 2015, 201.803 indivíduos entraram com queixas-crime contra Jiang, dos quais 171.059 enviaram cópias para o Minghui.org. 134.176 (78,4%) das reclamações enviadas pelo correio receberam confirmação de entrega. As autoridades locais em muitas regiões retaliaram aqueles que apresentaram processos contra Jiang. Os casos de retaliação incluem assédio, interrogatório, detenções ou inclusive penas de prisão. No final de 2017, o PCC lançou uma campanha de “bater nas portas” para manter os praticantes que haviam processado Jiang sob controle e verificar se ainda praticavam o Falun Gong.

12.1 Exemplos de queixas-crime contra Jiang Zemin

 As queixas-crime contra Jiang Zemin são enviadas ao Supremo Tribunal Popular e à Suprema Procuradoria Popular. O Minghui.org também recebe cópias de queixas-crime contra Jiang de muitos praticantes do Falun Gong. 

 Os relatos seguintes, extraídos dessas queixas-crime, descrevem à violência brutal e repetida, simplesmente por serem praticantes do Falun Gong e por apelarem ao governo pelo seu direito à liberdade de crença. Três praticantes do Falun Gong poderiam ter morrido facilmente devido à tortura. Um deles, o Sr. Yang Zhiqiang, perdeu a sua esposa como resultado da crueldade implacável na custódia policial290.

Caso 1: Luo Zhihui
 Local: Cidade de Shijiazhuang, província de Hebei
 Data de arquivamento da queixa: 8 de junho de 2015

 A Sra. Luo Zhihui, de 64 anos, trabalhava no Centro de Abastecimento de Grãos Qiaoxi, na cidade de Shijiazhuang. Ela começou a praticar o Falun Gong em 1997, o que a ajudou a recuperar-se completamente de uma anemia grave. Agradecida pelas melhoras na sua saúde, bem como pela orientação espiritual que ela obteve ao praticar o Falun Gong, a Sra. Luo apelou repetidamente para pararem a perseguição. Ela foi presa mais de 20 vezes. Ela foi torturada e envenenada enquanto estava presa em campos de trabalho forçado, em um hospital psiquiátrico e em centros de lavagem cerebral.

 A Sra. Luo foi detida pela primeira vez em outubro de 1999, quando visitou Pequim para apelar pelo Falun Gong. Ela ficou detida em várias delegacias e em centros de detenção, totalizando pelo menos 55 dias. A polícia usou as torturas de “voar de avião” e “carregar uma espada nas costas” (algemada nas costas com uma mão cruzada sobre um ombro). Ela ficou presa em uma cadeira por oito dias seguidos e tinha que levar a cadeira com ela quando ia ao banheiro. 

 Em março de 2000, a Sra. Luo foi tirada da sua casa e foi detida em um hospital psiquiátrico por mais de dez dias. Ela foi torturada na “cama da morte” e alimentada à força. 

 A Sra. Luo visitou Pequim novamente em maio de 2000 e julho de 2001 para apelar ao governo em nome do Falun Gong. Ela foi presa nas duas vezes. Na primeira vez, foi condenada a um ano e na segunda vez foi condenada a três anos de trabalho forçado. No campo de trabalho forçado, os guardas a espancaram, bateram com a cabeça dela contra a parede e arrancaram os seus cabelos. Acorrentaram-na a um aquecedor para impedi-la de dormir. A privação do sono a longo prazo tornou-a hipertensa. 

 Os guardas também instruíram os prisioneiros a colocar drogas na comida da Sra. Luo, o que a deixou tonta e com problemas de memória. 

 A Sra. Luo foi obrigada a fazer trabalhos em um ritmo intensivo. Uma vez ela foi forçada a trabalhar 48 horas sem dormir.

 A sua saúde deteriorou-se a tal ponto que ela foi temporariamente libertada por vários meses para tratamento médico. A polícia colocou-a novamente no campo de trabalhos quando ela foi para Pequim para apelar pelo Falun Gong novamente enquanto estava em liberdade condicional.
 Antes dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, a polícia invadiu a casa da Sra. Luo, prendeu-a e condenou-a a três anos e meio de prisão preventiva. Entretanto, a saúde da Sra. Luo era tão precária que nenhuma prisão a aceitou. A polícia teve de liberá-la. 

Caso 2: Dong Ming
 Local: cidade de Changchun, província de Jilin
 Data de arquivamento da queixa: 17 de julho de 2015 

 O Sr. Dong Ming, 45 anos, costumava trabalhar para o Instituto de Tecnologia e Informação, na província de Jilin. Por praticar o Falun Gong, foi despedido de seu emprego, preso seis vezes e levado para campos de trabalho forçado por três vezes, durante um total de três anos e nove meses.

 O Sr. Dong foi preso pela terceira vez em março de 2001, enquanto participava de uma conferência de compartilhamento de experiências do Falun Gong, na província de Guangxi. Ele ficou detido durante mais de um mês no centro de lavagem cerebral da polícia. Ele foi alimentado à força depois de haver entrado em greve de fome. Após isso, foi isolado e forçado a assistir a vídeos difamatórios contra o Falun Gong. Ele não pôde ver a sua família.

 O Sr. Dong foi a Pequim no dia 23 de dezembro de 1999, para apelar pelo Falun Gong. Ele ficou detido durante 15 dias. Depois que foi libertado, foi demitido do seu emprego porque se recusou a renunciar ao Falun Gong. No entanto, isso não impediu o Sr. Dong de se manifestar. Ele foi para Pequim novamente em 31 de dezembro de 2000, pelo direito de praticar o Falun Gong. Desta vez, ficou detido durante oito dias. A polícia bateu nas suas costelas e no seu rosto, usou palitos para ferir os seus dedos até a pele ficar esfolada, foi alimentado violentamente o que causou ferimentos na sua boca e gengivas.

 Em 13 de março de 2002, o Sr. Dong foi preso e levado para um campo de trabalho forçado, onde permaneceu durante 16 meses. Os guardas bateram nele com uma tábua até que ela se partisse em três pedaços. Ele foi forçado a sentar-se em um “pequeno banco” por longos períodos de tempo e o uso do banheiro foi restrito. Ele levou pontapés na parte inferior das costas, causando dores fortes que duraram um mês. Ele foi privado das visitas familiares. Logo após o fim do seu período prisional, o Sr. Dong foi levado para um centro de lavagem cerebral. 

 Em 27 de maio de 2004, o Sr. Dong foi preso quando visitava a casa de um praticante do Falun Gong. Ele foi levado para um campo de trabalho forçado, onde permaneceu durante mais 16 meses. Ele foi torturado no “banco do tigre”. Os guardas jogaram água gelada em cima dele, repetidamente, até ele desmaiar. Eles também puseram óleo de wasabi no seu nariz. Logo após o término desse período no campo de trabalho, ele foi levado para um centro de lavagem cerebral novamente, mas foi libertado logo após haver entrado em greve de fome para protestar. 

 Em julho de 2007, a polícia o prendeu em sua própria loja e confiscou os seus bens. Alguns deles nunca foram devolvidos. A polícia o esmurrou e bateu na sua cabeça com uma garrafa de água. O Sr. Dong foi obrigado a ficar em um campo de trabalho durante um ano e 28 dias.

Caso 3: Yang Zhiqiang
 Local: Tianjin
 Data de arquivamento da queixa: 15 de agosto de 2015

 O Sr. Yang Zhiqiang, de 61 anos, entrou com uma queixa-crime em nome da sua esposa e dele próprio. A sua esposa, Dong Yuying, morreu depois de passar três anos e dez meses no Campo de Trabalho Feminino de Tianjin por causa de sua crença no Falun Gong. No campo de trabalho, ela foi torturada e agredida sexualmente pela polícia, que inseriu quatro escovas de dentes na sua vagina. Ela foi espancada e alimentada à força, o que provocou a perda de três dentes. O peso dela caiu de 80 kg para 40 kg. A Sra. Dong morreu no dia 17 de março de 2005, quatro meses depois de haver deixado o campo de trabalho.

 O Sr. Yang foi preso três vezes e detido por um total de 19 meses e 15 dias. Ele foi preso e detido pela primeira vez durante 15 dias em 20 de julho de 1999, quando ele e a sua esposa foram a Pequim para apelar em nome do Falun Gong.

 O casal foi para Pequim novamente em outubro de 1999. A esposa ficou detida por mais de um mês e forçada a pagar 10 mil yuans antes de ser libertada. O Sr. Yang foi enviado para um campo de trabalho forçado por 18 meses. Ele foi sujeito a trabalho escravo e espancado com bastões de borracha. Os guardas deram choques na cabeça e no corpo dele com bastões elétricos durante longos períodos de tempo. O Sr. Yang ainda tem cicatrizes por todo o seu corpo mesmo passado 15 anos.

 Enquanto a sua esposa estava em um campo de trabalho forçado entre 2000 e 2004, o Sr. Yang esteve detido em um centro de lavagem cerebral durante um mês, deixando as crianças sem vigilância.

Caso 4: Ex-juíza chinesa apresenta queixa-crime contra Jiang Zemin291

 A Sra. Sun Linghua, uma ex-juíza da cidade de Jinzhou, província de Liaoning, apresentou uma queixa-crime contra Jiang no dia 8 de junho junto à Suprema Procuradoria Popular Chinesa. A Sra. Sun foi demitida do seu trabalho e torturada em campos de trabalho forçado, bem como na prisão, por causa da sua crença no Falun Gong. 

 A Sra. Sun foi nomeada juíza-chefe da divisão econômica e juíza-chefe da divisão administrativa do Tribunal do Condado de Yixian, na cidade de Jinzhou. Em 1995 e 1996, ela recebeu prêmios por ser uma funcionária modelo no sistema jurídico da cidade de Jinzhou.

 A Sra. Sun foi encarcerada três vezes no infame Campo de Trabalho Forçado de Masanjia, na província de Liaoning. Em junho de 2003, ela foi sentenciada a sete anos e meio e enviada para a prisão de Dabei, onde foi forçada a realizar trabalho forçado, enquanto era pressionada a desistir da sua crença. Quando a Sra. Sun foi condenada, foi despedida do seu emprego e está desempregada desde então.

 Na sua ação judicial, a Sra. Sun lembrou de uma mulher cujo caso ela havia julgado e que a visitou enquanto estava presa no centro de detenção. A Sra. Sun escreveu: “Esta mulher disse à polícia do centro de detenção: ‘Há cerca de 100 juízes e funcionários do tribunal nesta área. Sun Linghua é provavelmente a única que se recusa a aceitar subornos. Uma pessoa honesta como ela não deve ser presa’”.

 Muitas pessoas a apoiaram e condenaram a perseguição, recordou a Sra. Sun. “Um policial do centro de detenção disse-me uma vez que me respeitava pelos meus padrões morais. Uma supervisora do local onde eu trabalhava chorou quando me visitou no centro de detenção. Ela prometeu se esforçar para me tirar de lá”.

 Antes de praticar o Falun Gong, a Sra. Sun tinha numerosos problemas de saúde, incluindo espondilose lombar, neurastenia, doença reumática do coração, mastite e colite. Naquele ano, um médico a apresentou ao Falun Gong. Após um ano de prática, todas essas enfermidades foram curadas. Ela nunca mais teve que ir a um hospital desde 1996.

 Na denúncia, a Sra. Sun também acusou Jiang Zemin de criar propaganda difamatória para enganar as pessoas e despertar o ódio público contra o Falun Gong, além de forçar e instigar oficiais do governo a se envolverem na perseguição. 

Caso 5: Comodoro da Marinha aposentado processa ex-ditador chinês292

 Um comodoro reformado da Marinha Chinesa enviou uma queixa-crime para a Suprema Procuradoria Popular, acusando o ex-ditador chinês, Jiang Zemin, por lançar a brutal perseguição contra o Falun Gong, que levou ao seu enorme sofrimento.

 O comodoro Zhou Yi, de 79 anos, aposentou-se como professor associado da Universidade Náutica, Aeronáutica e Astronáutica. Ele alega que Jiang violou o seu direito constitucional à liberdade de crença e abriu as portas para a sua prisão ilegal por não fazer nada de errado. Quanto à perseguição ao Falun Gong em geral, Zhou diz que Jiang cometeu genocídio, tortura e crimes contra a humanidade.O Sr. Zhou pede ao Supremo Tribunal Popular que ordene a Jiang que peça desculpas abertas por caluniar o Falun Gong, incitando o ódio público e repare o sofrimento infligido ao fundador e aos praticantes do Falun Gong, incluindo a Zhou e sua família.

12.2 Estatísticas resumidas

 Entre o final de maio e 31 de dezembro de 2015: 

 - 201.803 praticantes do Falun Gong e seus familiares entraram com queixas-crime contra Jiang no Supremo Tribunal da China. 

 - 171.059 deles enviaram cópias para o Minghui.org. 

 - 134.176 casos receberam confirmação de entrega à Suprema Procuradoria Popular e ao Supremo Tribunal Popular, representando 78,4% de todas as reclamações enviadas.

 Entre os querelantes, 2.189 são de Taiwan e 28 outros países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Austrália, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Tailândia, Japão, Reino Unido, Malásia, Alemanha, Holanda, Suécia, Cingapura, França, Espanha, Indonésia, Irlanda, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Itália, Portugal, Suíça, Polônia, Romênia, Bélgica, Peru e Hungria.

 A parte queixosa da China provém de 33 divisões administrativas no nível de província, incluindo 22 províncias, quatro regiões metropolitanas (Pequim, Tianjin, Xangai e Chongqing), cinco regiões autônomas (Guangxi, Mongólia Interior, Tibete, Ningxia e Xinjiang) e 2 unidades especiais e regiões administrativas (Hong Kong e Macau).
 Em 25 de outubro de 2016, um total de 209.908 queixas-crime foram registradas contra Jiang Zemin.

12.3 Retaliação contra os praticantes

 Muitos praticantes foram perseguidos, interrogados, presos ou mesmo condenados por apresentarem queixas-crime contra Jiang Zemin. No final de 2017, o PCC também lançou uma campanha “bater nas portas” para acompanhar os praticantes que haviam processado Jiang e/ou ainda continuavam praticando o Falun Gong. 

 Entre os 19.095 casos de assédio e detenção de praticantes do Falun Gong, 7.056 foram em retaliação por apresentarem queixas-crime contra Jiang Zemin293.

12.3.1 Exemplos de retaliação  

 12.3.1(a) 36 condenados em Chaoyang, província de Liaoning294

 Mais de 300 moradores da cidade de Chaoyang e suas regiões subordinadas foram presos em novembro de 2015. Os praticantes haviam apresentado queixas-crime contra Jiang Zemin, acusando o ex-ditador chinês de iniciar a perseguição contra o Falun Gong, que causou repetidas prisões e detenções. As autoridades locais rapidamente agiram para processar os praticantes do Falun Gong presos nos meses subsequentes. Até o momento, foi confirmado que 36 dos presos foram sentenciados à prisão, com prazos que variam de 6 meses a 12 anos.

 Abaixo estão os praticantes e as suas sentenças de prisão:

 1. Jiang Wei, 12 anos
 2. Liu Dianyuan, 11,5 anos
 3. Li Guojun, 11 anos
 4. Lin Fengfen, 10 anos
 5. Chen Suying, 9 anos
 6. Ma Yanhua, 7 anos
 7. Lin Jiangmei, 7 anos e multado em 20 mil yuans
 8. Wu Jinping, 7 anos
 9. Xie Jianping, 7 anos
 10. Xu Jinfeng, 7 anos
 11. Yin Xiuzhu, 7 anos e multado em 20 mil yuans
 12. Zhou Ruixue, 6,5 anos
 13. Song Zhifu, 6 anos
 14. Liu Shuhua, 5 anos
 15. Wang Guojun, 5 anos
 16. Wang Qing, 5 anos
 17. Wang Yuhua, 5 anos
 18. Chi Shuhua, 4 anos
 19. Wang Zhiguo, 4 anos
 20. Zhao Hongjun, 4 anos
 21. Zhang Yongkui, 3 anos
 22. Zhang Haifeng, 3 anos
 23. Li Zhihong, 3 anos e liberdade condicional de 4 anos
 24. Liu Yaping, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 25. Sun Liancheng, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 26. Xu Xiuhua, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 27. Yang Zemei, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 28. Zhang Weimin, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 29. Zhao Hongxue, 3 anos e liberdade condicional de 3 anos
 30. Yang Qinghua, 3 anos e liberdade condicional de 4 anos
 31. Lv Xin, 2 anos e liberdade condicional de 3 anos
 32. Jing Fei, 1 ano, multado em 2 mil yuans
 33. Ren Man, 1 ano
 34. Huo Huixian, seis meses
 35. Sha Jingtang, liberdade condicional (sentença exata desconhecida)
 36. Huang Lixin, liberdade condicional (sentença exata desconhecida)

 12.3.1(b) Casal condenado por processar ex-ditador chinês295

 Um casal no condado de Binchuan foi condenado à prisão por apresentar queixas-crime contra Jiang Zemin e por responsabilizar o ex-ditador chinês de iniciar a perseguição ao Falun Gong. O Sr. Shi Jianwei e sua esposa, a Sra. Xiao Zhu, foram perseguidos repetidamente ao longo de 17 anos por se recusarem a renunciar ao Falun Gong. Depois de registrar uma queixa legal, o Sr. Shi foi condenado a seis anos e meio de prisão e a Sra. Xiao a cinco anos. Eles estão agora na justiça apelando das suas sentenças.

Caso 1: Condado vizinho assume o controle após a queixa do advogado 

 O casal foi preso em 16 de outubro de 2015. O Sr. Shi foi levado ao Centro de Detenção do Condado de Binchuan e a Sra. Xiao ao Centro de Detenção da Cidade de Dali.

 O advogado deles encontrou muitos obstáculos em sua ação para defender o direito constitucional de ambos de buscar justiça contra Jiang por violar o direito deles à liberdade de crença.

 Os dois centros de detenção negaram quatro vezes o pedido do advogado de se reunir com os seus clientes. Yang Yu, chefe do Escritório de Segurança Doméstica do Condado de Binchuan, afirmou que a ação do casal dizia respeito à segurança nacional e que não eram permitidas reuniões com advogados.

 O advogado então apresentou uma queixa contra Yang junto às agências governamentais apropriadas.

 Depois disso, um promotor-adjunto da Procuradoria de Binchuan negou o pedido do advogado para analisar a ação do casal. O advogado iniciou uma queixa contra o promotor e solicitou que o caso fosse transferido para uma jurisdição diferente.

 A Procurador da Cidade de Dali e o supervisor administrativo da Procuradoria de Binchuan, ordenaram que a Procuradoria do Condado de Xiangyun e o Tribunal do Condado de Xiangyun, ambas do condado vizinho, assumissem o controle.

Caso 2: Acesso restrito à audiência 

 A Procuradoria do Condado de Xiangyun indiciou um casal que foi julgado pelo Tribunal do Condado de Xiangyun em 23 de junho de 2019.

 Apenas alguns membros da família do casal tiveram permissão de estar na galeria do fórum. Os praticantes locais do Falun Gong que apareceram para apoiar o casal foram impedidos de entrar no tribunal. 

Caso 3: Promotores não listados

 Assim que a audiência começou, o Sr. Shi solicitou que juízes e promotores, que também eram membros do Partido Comunista Chinês, fossem recusados, porque os considerava impróprios para julgar à sua esposa e a ele. Como resposta, o juiz presidente ordenou um recesso.

 Em seguida, o advogado observou que estavam presentes mais dois promotores, embora a acusação houvesse listado apenas um. Ele exigiu conhecer as identidades dos dois promotores adicionais.

 O juiz-presidente inicialmente ignorou o pedido, mas cedeu e anunciou um segundo recesso quando o advogado continuou protestando contra a violação processual. Os promotores adicionais revelaram as suas identidades quando a audiência foi retomada. Eles eram agentes especiais da Procuradoria da Cidade de Dali.

Caso 4: Casal testemunha contra a polícia 

 O Sr. Shi disse que Yang Yu, o anteriormente mencionado oficial de Segurança Doméstica, ordenou que mais de uma dúzia dos seus oficiais o espancassem três vezes. Eles torceram os seus braços atrás das costas, deram pontapés nas costas e na barriga dele e o jogaram no chão, espancando sua cabeça.

 A Sra. Xiao disse que também foi agredida durante o interrogatório da polícia. Ela também testemunhou que a polícia a ameaçou, colocando a segurança da filha do casal em jogo.
 O casal explicou que se sentiu compelido a fazer tudo o que pôde para parar a perseguição ao Falun Gong e que processar Jiang Zemin é um passo à frente.

 Eles foram condenados em 5 de agosto. 

 12.3.1(c) Polícia lança campanha “bater nas portas” para assediar praticantes do Falun Gong254

 A polícia de muitas regiões da China foi às casas dos praticantes do Falun Gong antes do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, em outubro de 2017. Os policiais disseram que estavam cumprindo as ordens de “bater nas portas”.

 Os praticantes foram questionados se ainda praticavam o Falun Gong. Os oficiais também perguntaram sobre suas ocupações e outros aspectos das suas vidas. Alguns disseram que não tinham más intenções, mas precisavam ter algo a relatar aos seus supervisores. Em algumas áreas, a polícia tentou convencer os praticantes a assinar uma “declaração de garantia” para não praticar mais, não participar de atividades relacionadas ao Falun Gong e não apelar para os tribunais superiores. Outros verificaram computadores ou impressoras na casa dos praticantes e se eles estavam usando a internet. Alguns confiscaram os seus livros do Falun Gong. Os oficiais muitas vezes tinham uma lista de praticantes que eram conhecidos antes do início da perseguição ao Falun Gong pelo Partido Comunista Chinês em 1999, bem como os nomes dos praticantes que haviam apresentado queixas-crime contra o ex-líder chinês, Jiang Zemin, que dirigiu a perseguição.

Uma campanha nacional

 A polícia de Lechang, província de Guangdong, perseguiu os praticantes que haviam sido registrados pela polícia em 1999 ou que participaram no movimento para processar Jiang Zemin. Os oficiais até questionaram os familiares de praticantes que já haviam falecido.

 A polícia e os agentes de segurança doméstica no distrito de Kuiwen, cidade de Weifang, província de Shandong, perseguiram os praticantes que haviam apresentado queixas-crime contra Jiang. Eles trouxeram equipamentos de gravação de áudio e vídeo para monitorar esses praticantes, que depois conversaram com eles sobre o Falun Gong e a perseguição.

 Cerca de 100 praticantes no distrito de Fushun, província de Liaoning, foram assediados. A polícia local e o pessoal da comunidade foram às casas dos praticantes ou telefonaram, afirmando que eles estavam agindo sob as ordens dos seus supervisores para investigar. Alguns oficiais tiraram fotos ou filmaram os praticantes, confiscaram os seus livros e materiais escritos sobre o Falun Gong e verificaram se estavam usando a internet.

 No município de Guanshan, província de Shanxi, os policiais interrogaram os praticantes sobre quem eles haviam contatado recentemente e se ainda praticavam o Falun Gong. Eles tentaram convencer os praticantes a assinarem um documento denunciando o Falun Gong, mas não tiveram sucesso.

 Alguns praticantes de Henan, Jiangsu, Jiangxi e Ningxia foram ameaçados durante as tentativas de forçá-los a assinar cartas afirmando que desistiriam de praticar o Falun Gong. Os praticantes que, em algumas áreas, assinaram os seus nomes eram, em sua maioria, os que já haviam desistido de sua prática no início da perseguição.

12.4 Aumento do apoio do público

 A onda de processos contra Jiang recebeu amplo apoio dentro e fora da China.

12.4.1 Relatório de 2016: mais de 14 mil pessoas pedem para responsabilizar Jiang296

 Muitas pessoas que não são praticantes também uniram forças para levar o ex-ditador chinês à justiça pelos seus crimes contra os praticantes do Falun Gong. Eles demonstraram o seu apoio, assinando petições preparadas pelos praticantes.

 De acordo com informações compiladas pelo website Minghui, foram confirmadas um total de 14.408 pessoas que apresentaram queixas criminais contra Jiang ou assinaram petições a partir de maio de 2016.
 Eles incluem: 7.484 pessoas em Yueyang, província de Hunan; 1.522 em Linquan, província de Anhui; 1.207 em Wuhan, província de Hubei; 2.707 de Laizhou, província de Shandong; e 1.488 em Teiling, província de Liaoning.

12.4.2 Taiwan: Câmara Municipal Nova Taipé aprova resolução para processar o ex-líder chinês297

 A Câmara Municipal Nova Taipé aprovou por unanimidade uma resolução de “apoio às ações contra Jiang Zemin e para instar o fim imediato da perseguição ao Falun Gong”.

 Em 20 de outubro de 2016, Nova Taipé tornou-se a 13ª cidade de Taiwan a aprovar uma resolução de apoio ao movimento de centenas de milhares de vítimas e apoiadores para processar o ex-líder do Partido Comunista Chinês (PCC), Jiang Zemin, por iniciar a perseguição ao Falun Gong.

 “A perseguição do PCC que dura 17 anos contra o Falun Gong e a extração forçada de órgãos de praticantes vivos não pode ser tolerada”, disse o membro do conselho Cheng Chin-long, que apresentou a resolução. “Os governos democratas da Nova Taipé, de Taichung e de outras cidades, respeitam os direitos humanos básicos. É um valor universal em Taiwan”.

 Ele disse que, apesar do rápido desenvolvimento da China, o país está muito atrasado no que diz respeito aos direitos humanos. “Liberdade e direitos humanos são valores universais. A aprovação da resolução representa as vozes de quatro milhões de cidadãos de Nova Taipei. Isso exige que o governo chinês respeite os direitos humanos, especialmente dos praticantes do Falun Gong”. acrescentou Cheng.

 O membro do conselho, Hsu Chao-hsing, disse em uma entrevista: “Apoiamos os praticantes do Falun Gong contra o tratamento injusto. Espero que continuem a sua luta pela liberdade, pois é a coisa certa a se fazer”.

 “A extração forçada de órgãos de pessoas vivas é desumana e contra o direito básico à vida”, disse o membro do conselho Lin Chiu-hui, em entrevista. “A liberdade de crença faz parte da vida. Danificá-la traria condenação ao redor do mundo”.

 Ele enfatizou: “Jiang deve ser responsabilizado pelos seus crimes. Os direitos devem ser devolvidos aos praticantes do Falun Gong e os seus nomes devem ser limpos”.

12.4.3 Mais de 2,6 milhões assinam petição de apoio às ações legais contra Jiang 

 Em 8 de dezembro de 2017, mais de 2,6 milhões de pessoas assinaram uma petição pedindo que Jiang Zemin fosse levado à justiça por iniciar a perseguição ao Falun Gong. Isso inclui 770 mil assinaturas recolhidas em sete países asiáticos (exceto na China) somente em 2015.

 Uma pessoa na China que assinou a petição explicou298:

Minha mãe recuperou-se das suas doenças e estava com boa saúde depois de praticar o Falun Gong, antes de julho de 1999. No entanto, ela desistiu da prática por medo, depois que Jiang Zemin iniciou a perseguição ao Falun Gong. Depois disso, ela passou a não ter mais tolerância, muitas vezes repreende os outros. As suas doenças retornaram e ela teve que se submeter a uma cirurgia. Eu sei que a minha mãe não estaria em tal condição se não houvesse perseguição. Foi Jiang Zemin que trouxe danos à minha mãe. Então, eu também queria processar Jiang e espero que a Suprema Procuradoria o leve à justiça”.

 Um morador de Taipé disse depois de assinar: “Assinar a petição é a coisa certa a fazer. [O PCC] extrai e vende órgãos [de praticantes] é um erro terrível e qualquer pessoa pode intervir, condenar [os autores], exigir que Jiang seja processado e pare a perseguição”299.

Parte 3: Situação atual do Falun Gong

Principais destaques

 Na China, os praticantes continuam usando meios não-violentos para resistir à perseguição. Para garantir que as pessoas ao seu redor entendam o Falun Gong e os maus-tratos pelas autoridades aos praticantes, eles conversam com as pessoas na rua, imprimem e distribuem materiais informativos, penduram faixas e cartazes em suas comunidades, escrevem cartas e fazem ligações telefônicas. Alguns procuraram os perpetradores da polícia e do judiciário para dissuadi-los de seguir atos ilegais que ordenam perseguir os praticantes. 

 Fora da China, os praticantes aumentam a conscientização pública sobre a perseguição, ao apresentar e participar de eventos da comunidade. Eles também realizam manifestações e protestos pacíficos nas principais datas comemorativas, e buscam apoio em todos os níveis do governo. Para resgatar os praticantes que enfrentam a perseguição na China, eles coordenam os esforços para telefonar para os perpetradores. Além disso, praticantes que são artistas criaram pinturas, produziram documentários e formaram grupos de artes cênicas que mostram o espírito e a essência do Falun Gong. 

 Mais pessoas estão aprendendo sobre o Falun Gong em todo o mundo. Alguns aprendem os exercícios com os praticantes em locais de prática em grupo em parques públicos e em eventos da comunidade. Outros participam de seminários locais, incluindo os realizados na Livraria Tianti, em Nova York e em Seul. Os praticantes ensinaram os exercícios do Falun Gong em muitas escolas da Índia, da Indonésia e de outros lugares. Cada vez mais turistas chineses estão parando em estandes montados pelos praticantes nos principais destinos turísticos com intuito de aprenderem sobre a perseguição, que é fortemente censurada em seu país de origem. Agora, o Falun Gong é praticado em mais de 80 países, e seus ensinamentos foram traduzidos para mais de 40 idiomas. 

 A comunidade internacional continua apoiando os esforços dos praticantes para acabar com a perseguição na China. Tanto governos como organizações não-governamentais pediram a libertação de praticantes do Falun Gong presos por causa de sua fé na China. Os principais responsáveis pela perseguição foram processados fora da China por crimes de genocídio e tortura. Os EUA agora planejam restringir a obtenção de vistos, visando negar a entrada de violadores de direitos humanos, incluindo autoridades chinesas que participaram da perseguição contra o Falun Gong. 

Capítulo 13: Combatendo a perseguição dentro da China

 Desde que a perseguição começou em julho de 1999, os praticantes da China usaram uma variedade de meios para resistir à perseguição e combater a propaganda difamatória espalhada pelos meios controlados pelo Partido. Como todos os canais de apelo lhes foram negados e as fontes independentes de informação foram censuradas, os praticantes recorrem frequentemente a métodos criativos para divulgar informações sobre a perseguição.

 Por exemplo, alguns têm mensagens impressas de “Falun Dafa é bom” em cédulas de dinheiro. Nos primeiros anos da perseguição, os praticantes interceptaram sinais de TV para transmitir programas que expõem a propaganda do Partido (um desses casos é detalhado na Seção 1.4.7).

As seções a seguir abordam os principais métodos utilizados pelos praticantes na China para combaterem a perseguição. 

13.1 Apelos e protestos iniciais

Logo após as prisões haverem começado durante a noite do dia 20 de julho de 1999, os praticantes de todo o país viajaram para os escritórios de apelações do governo e o Escritório Nacional de Apelações em Pequim sob a impressão de que o governo estava perseguindo o Falun Gong, devido a um mal-entendido. Eles procuraram contar às autoridades públicas sobre suas próprias experiências positivas com a prática do Falun Gong e sobre os benefícios da prática para a sociedade. 

Uma característica notável desses apelos foi que eram atos individuais, não organizados centralmente, pois o Falun Gong não possui membros formais ou estrutura organizacional. A maioria dos praticantes teve que pensar muito antes de decidir ir a Pequim, pois sabia que isso poderia colocar em risco sua segurança pessoal e seus meios de subsistência. 

 Um praticante relatou 300

O país inteiro foi subitamente coberto por mentiras. Vendo a retidão e a compaixão do Mestre e do Dafa sendo tratados dessa maneira, como discípulo do Dafa, tive que fazer o governo entender as vozes dos nossos cultivadores. Decidi então apelar primeiro ao governo provincial. 

 Ele chegou à capital da província e encontrou as ruas cheias de policiais e sob lei marcial:

Oficiais nos colocaram à força em veículos e nos levaram para um estádio. Já estava cheio de praticantes do Dafa que haviam sido presos.

Ficamos sentados em silêncio, esperando para falar com um funcionário do governo da província sobre o Dafa e como ele melhorou a saúde dos cultivadores e elevou sua moralidade.

...

Os carros da polícia começaram a se reunir por volta das 8 ou 9 horas da manhã. Outro grupo de policiais veio e começou a prender pessoas.

Os primeiros a serem retirados foram professores e alunos. A polícia não deu aos praticantes qualquer oportunidade de explicação. Uma professora – uma mulher elegante e refinada que parecia ter mais de 40 anos – foi puxada pelo braço para um veículo da polícia. Os homens ainda foram tratados de forma pior: grupos formados por quatro oficiais simplesmente nos pegaram e nos jogaram. Naquele momento, eu sabia que o governo da província não ouviria as nossas petições.

...

Fui apelar em Pequim antes do dia 20 de julho de 2000. Quando cheguei, vi que o Escritório Nacional de Apelações estava apenas prendendo pessoas, sem dar aos praticantes a chance de falar, decidi ir à Praça Tiananmen para segurar faixas e dizer ao mundo: “O Falun Dafa é bom!”.

 Um estudante de intercâmbio dos EUA na China relembrou o seu primeiro encontro com o Falun Gong 301:

Os meus amigos e eu estávamos tirando fotos na Praça Tiananmen. Vimos alguns praticantes do Falun Gong erguendo as suas faixas em silêncio e em paz. A polícia chinesa imediatamente pulou sobre eles, dando socos e pontapés, depois arrastou-os para dentro de veículos da polícia e para a delegacia da polícia. Os meus dois amigos tiraram algumas fotografias da polícia espancando os praticantes, mas o filme foi confiscado. Ambos também foram detidos. 

 Esta cena se desenrolava diariamente nos primeiros anos da perseguição: depois de um praticante do Falun Gong desdobrar uma faixa na Praça Tiananmen, a polícia descia até o manifestante e levava-o para um veículo estacionado que estava à espera; muitas vezes, a polícia dava socos e pontapés no praticante durante esse processo.

 Embora os manifestantes viajassem para Pequim por sua própria vontade, o grande número de praticantes do Falun Gong na China na época, que era de 70 a 100 milhões, de acordo com estimativas do governo, significava que, embora uma pequena porcentagem dentre o total de praticantes decidisse fazer a viagem, o número de manifestantes seria grande.

 No auge dos apelos, em 2000 e 2001, o Departamento de Segurança Pública de Pequim estimou que mais de um milhão de praticantes do Falun Gong estavam apelando em Pequim 302. Registros internos da polícia indicaram que, a partir de abril de 2001, havia mais de 830 mil prisões de praticantes por apelarem em Pequim, sem incluir praticantes que se recusavam a fornecer as suas identidades para proteger as suas famílias e colegas303

 Alguns praticantes fora da China também viajaram para Pequim para participar nos apelos. Isso incluiu um grupo de mais de 40 praticantes do Japão que foram à Praça Tiananmen e praticaram os exercícios do Falun Gong na véspera do novo milênio304. Em 20 de novembro de 2001, 36 praticantes ocidentais de 12 países (incluindo do Reino Unido, da Suíça, da Alemanha, dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália) fizeram um apelo pacífico pelo Falun Gong na Praça Tiananmen. Eles exibiram uma faixa com os dizeres “Verdade, Benevolência, Tolerância” e estavam sentados em meditação. Um deles gritou: “O Falun Dafa é bom!” para os turistas e foi espancado pela polícia. Todos os 36 foram presos alguns minutos depois.

 Um praticante telefonou brevemente para um amigo de uma delegacia de polícia perto da Praça Tiananmen contando sobre a situação deles e disse que repórteres da CNN e de outras mídias estrangeiras foram presos junto com eles.

13.2 Falando pessoalmente com as pessoas

 Os praticantes aproveitam muitas oportunidades em suas vidas diárias para conversar com as pessoas sobre o Falun Dafa e sobre a perseguição, incluindo aquelas que encontram em ônibus, nas ruas, em parques ou em outros locais públicos. No local de trabalho, eles conversam com os seus chefes, colegas de trabalho, clientes e parceiros de negócios. Alguns vão de porta em porta no campo, onde os moradores têm ainda menos acesso a fontes independentes de informação.

 Se os chefes e colegas de trabalho de um praticante têm uma má impressão do Falun Gong, como resultado da campanha de propaganda do Partido Comunista Chinês, os praticantes precisam trabalhar duro para mudar essas atitudes.

 Um praticante da província de Henan disse 305:

Como praticante do Falun Dafa, uso os princípios Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍) para medir e esclarecer a verdade aos colegas da minha empresa. Muitas pessoas entenderam a verdade depois de entrarem em contato comigo e algumas delas agora também usam os princípios do Falun Dafa para se avaliarem em suas vidas diárias.

Comecei como balconista geral... e fui promovido a gerente de departamento em três meses. Eu era tolerante com o meu supervisor quando ele dificultava as coisas para mim e resolvia os nossos conflitos. O meu chefe disse: “Você é tão honesto. Sinto-me confiante quando lido com centenas de milhões em ativos com você”. 

 Fora das áreas urbanas, alguns praticantes tomaram a iniciativa de ir de vila em vila e de casa em casa 306:

Nessas vilas, fomos de casa em casa e descobrimos que as pessoas de lá sabiam o que aconteceu em 20 de julho de 1999, quando o Dafa foi banido pelo Partido Comunista Chinês. Eles somente sabiam o que a mídia havia dito sobre o Dafa. Lamentamos que não os tenhamos visitado antes. Esclarecemos a verdade de porta em porta, bem como para um grupo de pessoas que conversava na frente de uma casa.

Pacientemente, respondemos às perguntas deles e dissemos que as pessoas em todo o mundo agora praticam o Falun Dafa. Informamos a eles que o incidente da autoimolação de Tiananmen foi executado pelo PCC para justificar a perseguição. Também os informamos sobre a extração forçada de órgãos de praticantes vivos do Dafa, sancionada pelo governo chinês.

Quando dissemos a eles que mais de 200 mil pessoas haviam apresentado queixas-crime contra Jiang Zemin, o ex-chefe do PCC que iniciou a perseguição, uma idosa disse: “Jiang Zemin, aquele velho malvado, nunca fez qualquer coisa boa. Ele é muito ruim. Você tem a petição aí? Eu também quero assinar para apoiar o processo”.

 Mesmo quando são presos por causa de sua fé, os praticantes aproveitam a oportunidade para conversar com prisioneiros e guardas sobre o Falun Gong e a perseguição. Como resultado, muitos detentos criminosos e policiais passaram a simpatizar com os praticantes e a se inspirar neles. Alguns até decidiram começar a praticar o Falun Gong.

 Uma praticante que estava presa escreveu 307:

Uma prisioneira violenta chamada Xiao Ping (pseudônimo) foi transferida para a minha cela em 2005. Ela e eu acabamos compartilhando o mesmo beliche.

Um guarda chamado Wang Ling (pseudônimo), que conhecia os fatos sobre o Falun Gong, disse a ela enquanto apontava para mim: “Você deveria aprender com ela; ela pode ensinar a você como ser uma boa pessoa”.

Xiao Ping tinha um temperamento violento e comportamentos rudes, razão pela qual ninguém gostava dela. Ela também gritava e chorava sempre que enfrentava circunstâncias difíceis. Eu realmente me perguntei se ela poderia aprender o Falun Gong. Às vezes eu conversava com ela sobre a prática, mas ela ficava muito inquieta e achava difícil ouvir. Então, um dia, ela perguntou: “Pode me ensinar a praticar o Falun Gong?”. Expliquei então o que é o Falun Gong e como o Partido Comunista Chinês (PCC) persegue a prática. Também escrevi vários ensinamentos curtos do Dafa e sugeri que ela os lesse.

Vários dias depois, perguntei: “Entende o que o Mestre está dizendo?”. Ela respondeu: “Sim. Eu entendo”.

Ela somente desejava que, após sua libertação, encontrasse um praticante do Falun Gong para ajudá-la a continuar o seu cultivo.

Fui libertada da prisão há dez anos, mas Xiao Ping não parou de praticar o Falun Gong. Ela agora é amplamente elogiada na prisão, assim como eu era quando estava lá.

 Um detento, que foi repetidamente preso por roubo, escreveu sobre seu encontro com praticantes do Falun Gong em um centro de detenção308:

Eles foram detidos por irem a Pequim apelar pelo Falun Gong ou por praticarem o Falun Gong nos parques. Eles não me desprezaram só porque eu era um ladrão condenado. Em vez disso, eles me disseram para ser uma boa pessoa, não ser um ladrão e não fazer mais algo errado.

Fiquei profundamente tocado com essas suas palavras. Em particular, eles não tinham ódio ou reclamações quando estavam sendo amaldiçoados ou espancados pelos guardas. Eles sempre trataram esses guardas gentilmente e disseram a eles os princípios de se tornar uma boa pessoa. Fiquei muito surpreso e também perplexo. A TV estava dizendo o quão mau era o Falun Gong. Então, como tantas pessoas se tornaram tão boas depois de aprenderem o Falun Gong? Eu tive de admitir que eram pessoas realmente boas pelo que eu vi.

De repente, eu me arrependi de haver feito tantas coisas ruins nos últimos dez anos. Como seria maravilhoso se eu pudesse ser uma boa pessoa como esses praticantes do Falun Gong! 

 Além de mostrar como os praticantes mantêm a sua fé em ambientes hostis, os relatos acima destacam a eficácia do Falun Gong na reabilitação dos criminosos. Isso contrasta fortemente com os abusos praticados no sistema penitenciário chinês, que instiga os presos a torturarem praticantes, incentivando o assédio moral e a violência.

13.3 Distribuição de informação e exibição de cartazes e pôsteres

Com muita dificuldade, finalmente encontrei uma copiadora. Perguntei ao proprietário: “Você faz cópias dos materiais do Falun Gong?”. Ele respondeu: “O material deve criticar o Falun Gong”. Hesitei, mas assim ainda entreguei os [materiais] a ele... Mais tarde, ele descobriu que os materiais estavam esclarecendo os fatos sobre o Falun Gong, então secretamente me denunciou à polícia. Logo depois, fui preso... [e] perdi o meu emprego e os livros do Dafa. 

 Um praticante na China lembrou a experiência acima em 2001, quando acabara de se mudar para uma nova província e queria conscientizar mais pessoas sobre a perseguição309.

 Em um ambiente em que não é permitido divulgar informações verdadeiras sobre o Falun Gong, informar o público sobre as violações dos direitos humanos ao seu redor é ainda mais valioso e necessário. Praticantes de toda a China enfrentaram esse desafio monumental, por isso transformam as suas casas em pequenos locais de produção de materiais; eles imprimem panfletos, livros, CD/DVDs, pôsteres, calendários, lembranças e outros materiais para informar as pessoas sobre o Falun Gong.

 Esses locais de produção são inteiramente financiados pelos próprios praticantes, que usam os seus salários e as suas economias, e distribuem os materiais gratuitamente, muitas vezes colocando em risco sua segurança pessoal. Como pôde ser visto nos muitos casos de perseguição nesse relatório, as autoridades da China rotineiramente apreendem computadores, impressoras e folhetos descobertos nas casas dos praticantes como “evidência” para processá-los e prendê-los.

 No entanto, os praticantes encontraram grande demanda ao distribuírem cópias dos "Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês", bem como jornais, calendários e DVDs. Abaixo está uma história compartilhada por um praticante na China310

Vamos ao mercado principal, aos municípios e vilas próximas todos os dias, independentemente do clima. Muitas pessoas passaram a nos conhecer. Nós vimos uma pessoa em particular repetidamente. Esclarecemos a verdade a ela e lhes demos folhetos muitas vezes. Ela disse: “Eu os aprecio. Vocês são todas boas pessoas”.

Ele costumava nos ajudar a distribuir calendários de mesa e convencer as pessoas a renunciarem ao PCC. Ele costumava gritar: “O Falun Dafa é bom! Verdade, Benevolência e Tolerância são bons!”.

Quando ele nos viu um dia, exclamou: “Finalmente os encontrei!”.

Ele estava sem calendários de mesa e queria mais. Só me restavam alguns e não queria ficar sem. Mas ele implorou: “Prometi a muitas pessoas que levaria um calendário. Eu não quero decepcioná-los”. Eu cedi e dei a eles os poucos que tinha. 

 Os praticantes também colocaram grandes pôsteres em locais públicos com informações sobre a perseguição e com o apelo de levar Jiang Zemin à justiça.

13.4 Escrita de cartas pessoais aos perpetradores

 Além de informar o público em geral, os praticantes também escreveram cartas para os policiais e oficiais para dissuadi-los de participarem da perseguição. Os autores dessas cartas geralmente tratam de casos locais relacionados ao destinatário e esclarecem as informações difamatórias sobre o Falun Gong, as quais são propagadas pelos canais governamentais.

 Um praticante compartilhou a sua experiência de trabalhar com outras pessoas na sua área para escrever cartas a policiais e funcionários judiciais, prisões, centros de lavagem cerebral, comitês residenciais, funcionários de escolas e outros311

Depois de um diretor de um departamento da polícia da cidade ler a [carta], ele parou de participar da perseguição. Ele disse: “Estes praticantes do Falun Gong são todos gentis, não revidam quando agredidos, nem respondem quando insultados. Eles só querem apegar-se às suas crenças. Eu realmente não sou cruel o suficiente para continuar a tratá-los injustamente assim. Recebi as cartas todos os meses e li todas elas. Eu não sou cruel o suficiente para fazer isto!

Muitas das cartas me comoveram e as palavras nas entrelinhas sacudiram a minha consciência! Enquanto estiver nesta posição, farei o possível para proteger os praticantes e tratá-los com gentileza!”.

Em 2004, um funcionário sênior da procuradoria começou a receber uma carta de esclarecimento da verdade todos os meses. Depois de ler as cartas, a sua atitude em relação aos praticantes mudou drasticamente. Ele questionou por que essas pessoas eram enviadas para as prisões ou para os campos de trabalho forçado. Ele disse que não queria mais fazer coisas que o fizessem perder virtude. Quando recebia instruções ou designações do PCC, ele encontrava desculpas para não as cumprir. Ele até encontrou secretamente praticantes para pedir uma cópia do Zhuan Falun para ler. 

 Embora os praticantes tenham considerado esse um método eficaz para diminuir a perseguição a outros praticantes e impedir que os agressores cometam mais crimes, enviar cartas como essas apresenta desafios e riscos à segurança:

Como nós enviamos muitas cartas, um praticante precisava comprar muitos selos de correio. Os agentes de segurança do governo tinham conexões nos correios... Tivemos que enviar as cartas de diferentes locais e, por vezes, tivemos de percorrer uma longa distância para enviar uma carta. 

 Outro praticante da província de Liaoning observou312:

Os correios mudaram as suas regras em relação à venda de selos após o início da perseguição ao Falun Dafa em 20 de julho de 1999. Cada pessoa só tinha permissão para comprar 20 selos de cada vez, e perguntavam-lhes por que os estavam comprando. No entanto, as pessoas eram autorizadas a comprar selos ilimitados sem serem questionadas durante o Ano Novo Chinês. Então, eu comprava muitos selos para usar durante o ano inteiro.

Enviei cartas para os departamentos judiciais locais, ao Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos, comunidades, prisões, centros de detenção e funcionários do governo da vila. Também enviei cartas a praticantes que, segundo o Minghui, precisavam urgentemente de ajuda.

Escrevi todas as minhas cartas com sinceridade, como se estivesse conversando com a pessoa pessoalmente. As minhas cartas eram diretas ao ponto e tinham energia positiva. Quando eu estava impaciente, a minha letra era desleixada, então eu reescrevia a carta.

13.5 Divulgação de informações através de telefonemas e internet

 Além de conversar pessoalmente com as pessoas e distribuir publicações impressas, os praticantes na China enviam mensagens de texto, de multimídia e fazem ligações telefônicas para os agressores e o público em geral.

 Um praticante lembrou313:

Direcionei minhas mensagens para prisões, campos de trabalho forçado, Agências 610, departamentos de polícia, delegacias, centros de detenção, centros de lavagem cerebral, tribunais, procuradoria, hospitais e escolas. Os que receberam as mensagens foram um diretor, chefes locais, um diretor de justiça, um chefe de justiça, secretários do Partido, comissários políticos, líderes de equipes, policiais e agentes de segurança. Depois de receber a mensagem, alguns deles se arrependeram, enquanto outros persistiram nas más ações. 

 Outro praticante compartilhou314:

Podemos usar celulares para divulgar a nossa mensagem para uma grande área em um período muito curto de tempo. Parece que sempre há restrições com outros métodos, mas usando celulares podemos chegar a qualquer pessoa, independentemente do seu status social, formação profissional ou idade.

 Porém, enviar mensagens e telefonar usando celulares também apresentam riscos à segurança, uma vez que as autoridades chinesas investiram bastante em recursos de vigilância e rastreamento por telefone. Em 2014, quatro praticantes em Sanhe, província de Hebei, foram presos por enviar mensagens de texto em grupo sobre o Falun Gong. Foi revelado que os celulares de vários praticantes estavam sendo vigiados, mesmo quando estavam desligados315.

 Essa vigilância também se estende a outras formas de comunicação eletrônica, incluindo às mídias sociais. Em janeiro de 2019, um professor universitário em Guangzhou foi condenado a três anos e meio de prisão e multado em 10 mil yuans desde que a polícia descobriu que ele havia compartilhado informações sobre a perseguição ao Falun Gong na plataforma QQ entre outubro de 2014 e janeiro de 2017316. Na província de Sichuan, um homem foi preso e agredido em um centro de lavagem cerebral e a sua mulher espancada depois dele enviar mensagens no WeChat para informar às autoridades judiciais que a Administração de Imprensa e Publicação da China havia revogado a sua proibição da publicação dos livros do Falun Gong em 2011317. Houve muitos outros casos de praticantes presos após colocarem informações sobre o Falun Gong on-line.

 Para ajudar as pessoas na China a terem acesso a notícias e informações livremente, os praticantes também distribuíram softwares para romper a censura on-line, como Freegate, Dynaweb e UltraSurf. Dois grupos de praticantes que desenvolvem softwares anticensura acabaram formando o Global Internet Freedom Consortium, cujas ferramentas também foram amplamente utilizadas no Irã, em Mianmar, em Cuba, na Coreia do Norte e na Síria318,319.

Capítulo 14: Aumento da conscientização fora da China

 Enquanto os praticantes na China trabalham para expor a perseguição e informar a verdade ao público chinês, muitas vezes arriscando a sua segurança pessoal no processo, aqueles fora da China também têm trabalhado ativamente para conscientizar o público sobre a perseguição e esclarecer a difamação propagada pelo regime chinês.

14.1 Protestos em embaixadas e consulados da China

 Ao longo das últimas duas décadas, os praticantes do Falun Gong têm mantido faixas e realizado atividades em frente às embaixadas e consulados chineses ao redor do mundo para informar o público sobre o Falun Gong e a perseguição na China.

 Oficiais chineses frequentemente tentam interromper tais eventos através de negar a renovação dos passaportes dos praticantes chineses, ocultando faixas com objetos ou com extintores, ou ameaçando proprietários das instalações. Os praticantes têm ocasionalmente procurado a ajuda da polícia para manter os seus direitos. 

14.2 Manifestações e petições

 Todos os anos, os praticantes se reúnem nos EUA, no Capitólio, para aumentar a conscientização pública sobre a perseguição na China e pedem ações para acabar com ela. Os legisladores dos EUA, ativistas de direitos humanos e representantes de organizações não-governamentais frequentemente participam na manifestação anual dando o seu apoio à resistência pacífica dos praticantes à perseguição. Em uma dessas manifestações, em 20 de junho de 2018, os oradores na manifestação condenaram a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência na China, sancionada pelo governo chinês, destacando os valores universais do Falun Gong, Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍), e clamaram ao público a ver através da farsa do Partido Comunista Chinês.

 O congressista Dana Rohrabacher (CA) dirigiu-se aos praticantes com comentários sinceros. Ele disse que era um apoiador de longa data do Falun Gong, não meramente baseado nos direitos das pessoas de expressar as suas opiniões, mas sim, por se identificar com os princípios centrais do Falun Gong. “Estou orgulhoso de estar com vocês e sempre estarei”, comentou.

 Após a manifestação, um grande desfile partiu da Colina do Capitólio, percorreu ao longo das Avenidas Pennsylvania e Constitution e terminou no Monumento de Washington.

 Os praticantes carregavam no desfile retratos daqueles que perderam as suas vidas durante a perseguição na China, enquanto outros carregavam faixas pedindo ao público para reconhecer que o Partido Comunista Chinês é responsável pela perseguição ao Falun Gong. Uma vigília à luz de velas foi realizada no Monumento de Washington na noite de 22 de junho de 2018, o terceiro dia de atividades em larga escala dos praticantes em Washington D.C. “Por favor, sentem-se ao meu lado. Vamos fechar os nossos olhos em serenidade. Uma voz ressoa do fundo de nossos corações: acabem com a tortura, acabem com a matança e acabem com todas as perseguições. A nossa compaixão e perseverança prevalecerão”, disse o anfitrião.

 Outras manifestações também são realizadas ao redor do mundo para aumentar a conscientização sobre a perseguição na China.

14.3 SOS Walk e Ride to Freedom

 Além desses eventos de grande escala, os praticantes também têm organizado outros tipos de atividades para expor a perseguição ao Falun Gong na China. Um exemplo foi a SOS Walk, em 2001, quando quatro praticantes caminharam de Ottawa até à sede das Nações Unidas em Nova York.

 Com os seus acompanhantes adultos, os jovens praticantes fora da China também se beneficiaram do Falun Gong. Alguns participam de acampamentos de verão localizados em todo o mundo, de Nova Jersey a San Diego, da França a Taiwan. 

 Em 2015, um grupo de jovens praticantes participou do Ride to Freedom, uma viagem de 4,8 mil quilômetros de bicicleta pelos EUA para conscientizar e resgatar cinco crianças órfãs devido à perseguição ao Falun Gong na China.

 Os ciclistas receberam elogios do senador americano, Patrick J. Toomey, do prefeito da Filadélfia, Michael A. Nutter, e dos membros da Câmara Municipal da Filadélfia. Eles participaram do concerto em Washington D.C., realizado por praticantes do Falun Gong. O residente local, William Craig, disse-lhes: “A performance é mágica”. Apenas o fato de podermos ouvir essas músicas que foram cantadas nessas prisões e por pessoas que passaram pelo sistema de tortura chinês é notável. É como se estivéssemos alcançando-os e comovendo-os através de uma pequena iniciativa, embora eles estejam a milhares de quilômetros de distância”.

14.4 Aumento da conscientização em eventos comunitários e pontos turísticos

 Além de expor a perseguição, os praticantes também participam de eventos comunitários para comemorar feriados e apresentar o Falun Gong a mais pessoas.

 Maio é um mês movimentado para os praticantes do Falun Gong, que realizam atividades em homenagem ao Dia Mundial do Falun Dafa, no dia 13 de maio de cada ano, em homenagem ao aniversário da introdução do Falun Gong ao público, em 1992. 13 de maio é também o aniversário do fundador da prática, o Sr. Li Hongzhi. A seguir figura uma seleção desses eventos realizados em diferentes regiões do mundo em 2019.  

14.4.1 Ottawa, Canadá

 Em 20 de maio de 2019, os praticantes da área de Ottawa participaram do 67º Festival Internacional da Tulipa. Este festival popular atraiu aproximadamente 650 mil visitantes e muitos expressaram interesse em aprender os exercícios do Falun Gong.

 Enquanto observava os praticantes demonstrando os exercícios, o calouro da universidade, Mudar Ayouby, disse que queria juntar-se a eles porque sabia que a meditação pode aliviar o estresse. Ayouby disse que apreciava os princípios orientadores do Falun Gong, Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍). Ele observou: “Todas as pessoas deveriam tentar. Isso ajudaria todos em todo o mundo a sentir paz e experimentar uma redução no estresse. As suas vidas seriam mais significativas”.

14.4.2 Nova York, Estados Unidos

 Em 16 de maio de 2019, cerca de 10 mil praticantes de dezenas de países realizaram um desfile através de Manhattan, Nova York. A Banda Marcial Tian Guo liderou o desfile, seguida da dança do dragão, de um carro no formato de barco de flores de lótus, de praticantes demonstrando os exercícios do Falun Dafa e de praticantes de diferentes nacionalidades em trajes tradicionais.

 O percurso de 3,3 quilômetros começou na Praça das Nações Unidas, atravessando a Times Square e terminou perto do Consulado Chinês. Jane, uma assistente social aposentada, assistiu a quase todo o desfile com o seu marido. Ela disse que foi “emocionante” e acrescentou: “Vamos nos lembrar da Verdade, da Benevolência e da Tolerância. Todos neste mundo precisam desses valores”.

14.4.3 Hamburgo, Alemanha

 Em 18 de maio de 2019, praticantes de Hamburgo, Alemanha, realizaram um Dia de Informação sobre o Falun Gong. Eles apresentaram a prática e apelaram pelo fim da perseguição na China. Muitas pessoas assinaram a petição condenando a extração forçada de órgãos dos prisioneiros de consciência pelo governo chinês.
 Rosemarie Gohlke comparou a perseguição ao Falun Gong com o genocídio nazista. Ela foi incapaz de acreditar na perseguição de um grupo pacífico e agradeceu aos praticantes por lhe contarem sobre essa atrocidade. Três estudantes da África disseram que desejavam apresentar a questão da perseguição na China durante uma discussão nas próximas aulas.

14.4.4 Antália, Turquia

 No final de abril de 2019, os praticantes turcos em Antália participaram de um Festival de Turismo de dois dias.

 Begüm Borçetin ficou emocionada quando ouviu sobre os princípios Verdade, Benevolência, Tolerância, do Falun Gong (真善忍). Ela aprendeu os cinco exercícios do Falun Gong e planejava participar do local de exercícios em grupo da cidade.

 Iffet e Nimet sentiram que os seus corpos estavam “leves como pássaros” quando aprenderam os exercícios. “Todo o estresse desapareceu”, disse Iffet.
 A organizadora do evento, Hatice Bozkurt, disse aos praticantes que o festival não teria tido a diversidade ou a rica cultura se não fosse a participação do Falun Gong. Ela convidou os praticantes para participarem de um outro evento da comunidade local.

14.4.5 São Paulo, Brasil

 Em 11 de maio de 2019, praticantes de São Paulo foram para o Brás, um bairro comercial local semelhante ao bairro chinês, para distribuir folhetos e conversar com as pessoas a fim de esclarecer e conversar com as pessoas sobre a difamação espalhada pelo Partido Comunista Chinês (PCC) contra o Falun Gong. Eles também demonstraram os exercícios, exibiram faixas e painéis de informações.

 Os praticantes de Brasília realizaram uma atividade similar no dia seguinte.

14.4.6 Miaoli, Taiwan

 A Banda do Tambor de Cintura, formada por praticantes locais do Falun Gong, se apresentou no Desfile Anual de Toufen em 11 de maio, na cidade de Toufen, condado de Miaoli. A sua apresentação foi calorosamente recebida pelo público e pelos líderes da comunidade local. Muitas pessoas exclamaram “Falun Dafa é bom!”, enquanto o grupo se aproximava.

14.4.7 Sydney, Austrália: Turistas chineses aprendem sobre o Falun Gong e renunciam ao PCC320

 Todos os fins de semana, os praticantes do Falun Gong em toda a Austrália realizam atividades para aumentar a conscientização pública sobre o Falun Gong e sobre a perseguição da prática pelo comunismo na China. Um local de eventos tem sido a atração turística popular em Sydney, a Cadeira da Senhora Macquarie. Devido à sua localização panorâmica sobre o porto de Sydney, muitos turistas de outros países, incluindo turistas chineses, a visitam.

 Os praticantes distribuem informações sobre o Falun Gong, demonstram os exercícios e encorajam os turistas chineses a renunciarem ao Partido Comunista Chinês (PCC) e às suas organizações filiadas.

 Como a prática está sendo perseguida na China, muitos turistas chineses vêm para assistir à demonstração dos exercícios. Eles leem os materiais e conversam com os praticantes. Quando um turista disse que havia visto praticantes do Falun Gong em Hong Kong, uma praticante perguntou se ele já havia renunciado ao PCC. Ela explicou que os praticantes estavam lá para responder a perguntas e dissipar quaisquer mal-entendidos que as pessoas tivessem devido à propaganda do Partido contra o Falun Gong.

 O homem imediatamente disse que desejava deixar a Liga da Juventude e os Jovens Pioneiros. Quando outro turista chinês disse que era proibido de levar os materiais informativos do Falun Gong de volta à China, um praticante disse: “Pode baixar o software do site do The Epoch Times para transpor a censura do Partido”, e deu-lhe toda a informação. O homem ficou muito satisfeito e lhe agradeceu.

 Casal de cientistas abandona o PCC 

 Um homem disse aos praticantes que era um cientista e confessou: “Sou ateu e não acredito na espiritualidade. Sou professor em uma universidade conhecida em Pequim. Sou também responsável por um instituto de investigação. Minha esposa é minha colega. Eu também sou o diretor executivo de uma empresa. O que pode dizer para me convencer?”.

 Um praticante disse-lhe: “Cientistas famosos como Newton e Einstein acreditavam na religião. Por quê? Eles sabiam que só os deuses podiam expor as complexidades do universo. O Falun Gong é praticado em todo o mundo. Muitas pessoas que o praticam são cientistas. Muitos líderes nacionais o praticam, assim como pessoas de diferentes grupos étnicos”.

 Quando o praticante se ofereceu para ajudá-los a renunciar ao PCC e às suas organizações filiadas, eles concordaram.

14.5 Exibições internacionais de artes

 A Exposição Internacional de Arte Verdade, Benevolência, Tolerância tem sido exibida em todo o mundo. As pinturas que compõem a exposição foram criadas por um grupo de artistas talentosos que também são praticantes do Falun Gong. Os trabalhos destacam a beleza e a serenidade do Falun Gong e a brutalidade da perseguição do Partido Comunista Chinês. As pinturas requintadas e as histórias reais por trás de cada imagem comovem os espectadores.

 A exposição foi realizada na prefeitura de Toronto de 26 de agosto a 1º de setembro de 2019. O ex-senador canadense, Consiglio Di Nino, disse na cerimônia de abertura: “Estou impressionado com o altíssimo nível artístico destas obras. Elas exibem os valores espirituais que podem nos guiar. Isto é particularmente importante”. O Sr. Sharpe, um funcionário do governo que visitou a exposição, disse aos anfitriões: “Estes quadros são muito bonitos... agradeço por trazerem obras de arte tão fantásticas para Toronto”.

 Em 17 de agosto de 2010, a exposição de arte foi exposta na Galeria Caminul Artei, em Bucareste, na Romênia. A exposição foi realizada em Romanshorn, de 20 a 29 de agosto de 2010. A notícia de sua chegada foi publicada quatro vezes em um jornal local e causou comoção entre os moradores locais. Um cavalheiro disse aos praticantes depois de ver as pinturas: “Eu os apoio e estarei com vocês”. Ele escreveu no livro do visitante: “Eu expresso a minha mais profunda simpatia e estou ao seu lado porque acredito que o amor universal e a verdade prevalecerão”. 

 Um casal idoso elogiou a técnica das pinturas e disse que a obra “Cumprir votos” provia uma resposta a todos os problemas: quando todas as pessoas de diferentes origens viverem juntas pacificamente, todos os problemas serão resolvidos. O cavalheiro disse que o PCC tomou a decisão errada de perseguir o Falun Gong e, em vez disso, deveria encorajar as pessoas a praticá-lo. A senhora ficou emocionada ao aprender sobre a iconografia das flores de lótus, que emergem limpas da lama.

14.6 Documentários

 Alguns documentários foram produzidos sobre a perseguição contra o Falun Gong. Abaixo estão dois filmes destacados sobre este assunto.

14.6.1 Free China: The Courage to Believe

 O premiado documentário Free China: The Courage to Believe conta a história de dois praticantes do Falun Gong que foram presos e torturados pelo regime chinês. Os praticantes do Falun Gong já apresentaram mais de 1.500 exibições do filme, inclusive no Capitólio nos EUA, no Parlamento Europeu e em cinemas ao redor do mundo.

 Um membro da audiência em Turim, Itália disse que os praticantes de Falun Gong são “santos dos tempos modernos”. Ele acrescentou: “Eu vejo a história se repetindo. A firme determinação que os praticantes do Falun Gong continuam a mostrar é tão sagrada quanto a dos cristãos que foram perseguidos durante o Império Romano”.

14.6.2 Letter from Masanjia

 “O que começa como uma incomum história de uma ‘mensagem em uma garrafa’ constrói um poderoso conto de sofrimento humano, compaixão e perseverança”, escreveu Kevin Crust, do Los Angeles Times, na sua crítica ao documentário Letter from Masanjia. Baseada em uma história verdadeira, a carta de pedido de socorro encontrada em uma caixa de decorações de Halloween “made in China” em uma loja de departamentos no Oregon Kmart logo iniciou uma cadeia de eventos que finalmente levou ao encerramento de todo o sistema de campos de trabalho forçado na China.

 O autor da carta, o praticante do Falun Gong, Sun Yi, foi preso por causa de sua fé no infame Campo de Trabalho Forçado de Masanjia. Após aprender técnicas de filmagem com o diretor do filme pelo Skype, Sun captou secretamente imagens assustadoras de sua vida diária, visando expor as atrocidades horrendas contra os direitos humanos dentro da China.

 O filme ganhou mais de uma dúzia de prêmios em 2018, inclusive no Calgary International Film Festival, no Atlanta DocuFest e no Milano International Film Festival Awards. Foi também um dos concorrentes na categoria Documentário de Longa Metragem do 91º Óscar.

 “Precisamos ter diálogos abertos com a China sobre estes problemas. Um dos problemas foi, e ainda é, a extração (forçada) de órgãos. Nós não podemos parar os nossos diálogos abertos. Não podemos dizer que este problema não existe”, disse Tomas Zdechovsky, membro do Parlamento Europeu, da República Checa, após uma exibição do filme no Parlamento Europeu em 4 de dezembro de 2018.

14.7 Partidos internacionais trabalham para assegurar a libertação dos praticantes na China

 “Se não houvesse pessoas, mais a mídia apoiando no exterior, a situação seria trágica”, disse uma vez um policial a um praticante em Pequim321. Inúmeros praticantes na China escreveram sobre a eficácia dos telefonemas feitos por praticantes e governos de fora da China, bem como investigações de jornalistas estrangeiros.

 Abaixo está um desses relatos322:

Uma praticante foi presa em 15 de maio de 2013, enquanto distribuía materiais informativos sobre o Falun Dafa. Ela foi levada a um centro de detenção. Os praticantes locais rapidamente se organizaram para resgatá-la, publicando os números de telefone dos perpetradores no site Minghui.

Os policiais que participaram da perseguição dela na prisão ficaram temerosos depois de receberem telefonemas de praticantes de fora da China. Eles tentaram descobrir quem havia revelado os seus números de telefone e lamentaram haver participado na prisão dela.

A praticante presa foi libertada em 22 de maio de 2013: algo sem precedentes. A polícia nunca havia libertado um praticante após um período de tempo tão curto. 

 Esse tipo de exposição pública e telefonemas têm efetivamente combatido a impunidade dos oficiais chineses na perseguição aos praticantes do Falun Gong. Por exemplo, um secretário-adjunto do Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos, na província de Henan, que perseguiu ativamente os praticantes para benefício pessoal, foi dissuadido de fazer isso depois de suas informações serem publicadas no Minghui.org. A sua esposa recordou323:

Há tantas pessoas que praticam o Falun Gong no estrangeiro. Recebia dez chamadas todos os dias. Cada vez que atendia o telefone, o meu coração batia mais rápido. Por causa disso, ele teve de se transferir. Quando penso sobre isso com cuidado, o que esses praticantes do Falun Gong disseram é muito razoável. O PCC não é invencível; temos que pensar no nosso futuro.

 Alguns telefonemas oportunos do estrangeiro pararam os perseguidores mesmo antes deles estarem prestes a torturar praticantes. Um relatório descreveu a experiência de um praticante em um campo de trabalho forçado324

No campo, um policial estava prestes a torturar um praticante para tentar forçá-lo a renunciar ao Falun Gong. Quando o praticante entrou na sala, o policial recebeu um telefonema do exterior. 

Durante a chamada, ele disse a palavra “culto” cinco vezes e ridicularizou a pessoa que telefonou a ele: “Se tem a habilidade, voe até aqui para que eu te veja, então vou acreditar em você”. O praticante que telefonou não ficou intimidado com as suas palavras e continuou a falar com ele por cerca de cinco minutos. Enquanto o oficial ouvia, seus olhos figuravam um olhar vazio e parecia sobrar-lhe pouca energia. Ele virou-se para o praticante na sua sala e disse-lhe: “Você: vá para casa!”. 

Depois daquele telefonema, esse policial solicitou a transferência da brigada que tortura os praticantes do Dafa para uma que produzia materiais.

Capítulo 15: Novas pessoas descobrem e adotam o Falun Gong apesar da perseguição

 Apesar da contínua perseguição na China, um fluxo constante de novos praticantes iniciou a prática do Falun Gong depois de aprenderem com os seus amigos e familiares, após encontrarem-se com os praticantes meditando em parques públicos, eventos comunitários ou pesquisando on-line.

 Este capítulo fornece uma seleção de relatos pessoais de praticantes iniciantes, experiências e reações de turistas chineses que se depararam com os praticantes enquanto viajavam ao exterior.

15.1 China: relato de uma ex-presidiária sobre seu aprendizado do Falun Gong durante sua detenção325

 Eu fui detida na Prisão Feminina Heizuizi, em Changchun, por ter me envolvido em um esquema de pirâmide em 2008. Conheci vários praticantes do Falun Gong que foram detidos por causa de sua crença. Devido à propaganda do governo comunista chinês, a princípio eu me recusei a ouvi-los. Mas me perguntei por que eles estavam na prisão. Se o Falun Gong era ruim, por que tantas pessoas o praticam? Mas se era bom, por que eles haviam sido presos? Eu duvidei do que diziam sobre o Falun Gong na TV. Esses praticantes pareciam ser boas pessoas. Eles foram enganados pelo Falun Gong? Caso contrário, por que se recusaram a desistir da prática apesar de estarem presos?

 Esses praticantes disseram-me que foram torturados pelos policiais por se recusarem a desistir das suas crenças. Eles disseram que os praticantes eram até mortos por causa da extração dos seus órgãos. Eu não acreditei neles. Desde jovem, eu havia sido doutrinada pelos livros e programas de TV do Partido Comunista Chinês e acreditava que os policiais eram bons. Naquela época, tinha muito respeito pela polícia e pensava que eles estavam lá para mudar o mundo. Não podia acreditar que pudessem tratar os praticantes do Falun Gong tão cruelmente.

 Um dia, uma praticante foi espancada e sofreu choques com um bastão elétrico no peito. Antes de ela se tornar uma praticante, a sua perna tornou-se incapacitada e ela havia sofrido um ataque cardíaco. No entanto, os guardas não consideraram a sua condição. Isto chamou a minha atenção. Aquelas que eu pensava que eram pessoas más eram as boas. Aquelas que considerava boas, eram na verdade, as más!

 Eu decidi aprender mais sobre o Falun Gong. Eu fazia todo o tipo de perguntas todos os dias às praticantes. Mais tarde, pedi a elas para recitarem os poemas do Mestre Li do Hong Yin e eu os decorei. Um dia, ao recitar um dos seus poemas, senti a profundidade do Dafa.

 Embora fosse apenas uma praticante iniciante, experimentei alguns fatos extraordinários. Na prisão, não se pode mudar de cela sem permissão. Sempre que a praticante ao meu lado me ensinava tudo o que sabia, os guardas me mudavam para outra cela, onde outra praticante podia me ensinar algo diferente. Um dia, finalmente pude ler o "Zhuan Falun", o livro principal do Falun Gong. Depois de terminar de ler a primeira palestra, sabia que era o que procurava. Eu sempre quis praticar o cultivo e finalmente encontrei o Dafa!

 Sou grata ao Mestre Li Hongzhi (o fundador do Falun Gong) por não desistir de mim. Durante a minha sentença de um ano na prisão, eu aprendi alguns dos ensinamentos do Mestre. Tenho praticado há quase dez anos. Vivi muitos milagres e tenho uma fé inabalável no Dafa. Quero que todos saibam que o Falun Dafa é bom.

15.2 Escolas tibetanas na Índia dão as boas-vindas ao Falun Dafa326

 Eu sou uma praticante ocidental que vive na Índia. Fui a dois estados montanhosos no norte da Índia durante seis semanas. 

 A maioria das 23 instituições que visitei eram escolas, sendo que as crianças mais novas do jardim de infância tinham cerca de dois a três anos de idade. Fui também a dois albergues, uma faculdade e um instituto privado de formação industrial.

 A ênfase desta viagem foi a apresentação do Falun Gong às escolas tibetanas. Durante os últimos 60 anos, muitos milhares de refugiados tibetanos fugiram para a Índia devido à crescente repressão e às graves violações dos direitos humanos no Tibete. A maioria deles permaneceu na Índia.

 A jornada foi desafiadora, pois tive que me mudar 11 vezes, carregando as muitas bolsas contendo folhetos e expositores a respeito do Falun Gong e da perseguição contra a prática na China, encontrando o calor inesperado e chuvas fora de época. Apesar das tribulações esperadas e inesperadas, a viagem foi muito bem-sucedida. Apresentei o Falun Gong a muito mais escolas do que havia planejado originalmente.

 A maioria dos lugares que visitei era completamente novo para mim. Em quase todos os lugares que fui, encontrei pessoas, professores, crianças e outros que já havia encontrado antes, principalmente durante as minhas muitas visitas a Ladakh e outras partes da Índia. Alguns tinham praticado o Dafa em suas escolas, recebido folhetos em exposições ou visto cartazes. Várias vezes, quando conheci novas pessoas senti uma profunda conexão, como se estivesse vendo novamente amigos perdidos há muito tempo. O sentimento muitas vezes parecia mútuo. O diretor de uma escola me escreveu uma carta que dizia: “Isto é para expressar a minha profunda gratidão e agradecimento sincero por compartilhar os cinco exercícios da prática do Falun Gong com a equipe e os alunos da nossa escola”.

 É sempre animador quando as crianças, mesmo as que tiveram aulas do Falun Dafa em suas escolas anos atrás, dizem “Falun Dafa” ou “Falun Dafa é bom” com prazer quando me veem na rua ou em sua nova escola. Quando estava lotado, quente ou era sábado, os alunos às vezes ficavam inquietos enquanto praticavam os exercícios em pé. Mas eles acalmavam-se completamente durante o quinto exercício, que é um exercício sentado de meditação. De fato, ouvia-se um silêncio tão profundo a ponto de ouvir o cair de um alfinete, depois do qual todos repetiam de coração: “Verdade, benevolência e tolerância são boas, o Falun Dafa é bom”.

 O diretor acima mencionado também escreveu: “Eu realmente admiro o seu espírito e dedicação... Através desses exercícios, a capacidade de concentração dos alunos, que falta hoje em dia, irá melhorar. Agradeço-lhe pela sua dedicação e preocupação”.

(1) Exibições da perseguição na China 

 Muitas crianças ficaram surpresas com os cartazes e as legendas que descrevem a perseguição que os praticantes do Falun Dafa, incluindo crianças pequenas, enfrentam na China. Uma menina olhou para cada fotografia por um longo tempo.

 Uma diretora escreveu: “Este é definitivamente um serviço puro e incondicional à humanidade. Eu aprecio o seu amável serviço à causa da humanidade”.

 Ao falar desses abusos dos direitos humanos e ao mostrar os cartazes, notei que alguns olhos estavam molhados, com lágrimas caindo silenciosamente ou enxugadas. Alguns deles talvez estivessem lembrando das graves violações dos direitos humanos que os tibetanos vêm enfrentando, como haver deixado para trás familiares e amigos, que muitas vezes são torturados ou até mortos. Suas experiências são muito semelhantes às que os praticantes do Falun Dafa e muitas outras pessoas de diferentes religiões sofrem na China. A respeito dessas atrocidades, muitos tibetanos comentaram que os tibetanos e praticantes do Falun Dafa “estão todos no mesmo barco”. As muitas cartas de agradecimento que recebi expressavam, não apenas uma profunda apreciação pelo Falun Dafa, mas também, muitas vezes, uma compreensão clara sobre a perseguição.

 Uma diretora escreveu: “Nós temos muito apreço e admiração pelo seu trabalho em promover essas mensagens de paz e bem-estar, enquanto também destaca a cruel perseguição ao Falun Gong pelo regime comunista na China contra o seu próprio povo, muito parecida com a perseguição aos tibetanos no Tibete”.

 “Que você possa falar sobre a questão tibetana junto com o Falun Gong e ajudar a criar consciência nos muitos lugares para os quais viaja; é nossa esperança. Portanto, um grande ‘Obrigado’ em nome de todos os tibetanos dentro e fora do Tibete”. 

 Os princípios do Falun Dafa ressoam com a ética secular agora ensinada em todas as escolas tibetanas. A mesma diretora escreveu: “O encontro também foi significativa para nós, pois os três princípios Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍) estão de acordo com o que estamos tentando introduzir aos nossos alunos através das lições de ética secular que a nossa escola está realizando, conforme a orientação do Departamento de Educação da Administração Tibetana no Exílio”.

 Desde a primeira chegada dos refugiados tibetanos à Índia, há cerca de 60 anos, tornou-se evidente que uma das suas necessidades mais críticas era encontrar um meio de cuidar das muitas crianças que haviam ficado órfãs ou foram separadas das suas famílias durante a árdua fuga de sua terra natal. A razão para o estabelecimento de escolas separadas para tibetanos na Índia era fornecer uma excelente educação e, ao mesmo tempo, ajudar a preservar o idioma e a cultura tibetanos. Todas essas escolas, grandes ou pequenas, são incrivelmente bem administradas, com muitos professores e funcionários dedicados a manterem-se fiéis ao lema das suas escolas: “Os outros em primeiro lugar”.

 Um diretor da escola escreveu em uma carta de agradecimento que os funcionários e os alunos “apreciam esse evento extraordinário e praticam os princípios do Falun Dafa ‘Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍)’ como nossos padrões éticos orientadores.

 “Nós sinceramente expressamos a nossa solidariedade aos praticantes do Falun Dafa e rezamos pelo renascimento e o florescimento desta antiga prática espiritual. Que a paz prevaleça na Terra. Com profundo apreço”.

 O diretor de um instituto privado de preparação industrial escreveu após um evento para ensino do Falun Dafa: “Nós sinceramente reconhecemos e apreciamos muito o seu programa de conscientização sobre a importância da Verdade, da Benevolência e da Tolerância, que são de primordial importância no mundo de hoje. Nós expressamos a nossa solidariedade aos praticantes do Falun Dafa e desejamos a eles sucesso na sua contribuição para a paz mundial”. 

 Além de distribuir folhetos, revistas, livros, DVDs, histórias dos antigos contos de sabedoria, cartazes etc, para as bibliotecas escolares, eu recomendo a leitura dos Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês. Embora a maioria dos tibetanos esteja plenamente consciente e tenha experimentado a maldade do PCC, muitos não conhecem os detalhes ou a história do PCC.

 Além das escolas, visitei muitos outros lugares e pessoas e coloquei cartazes nas lojas.

 Quando falo sobre a perseguição na China, menciono que a China é apenas um país e tem uma história muito antiga, assim como a Índia, e que o povo chinês é como as pessoas em todo o mundo: alguns são bons, outros são maus, e quem é que pode mudar? Alguns bons podem se se tornar maus e outros maus podem se tornar bons.

 Nas apresentações do Falun Dafa, as crianças foram aconselhadas a entender racional e compassivamente o que é bom, o que é mau e o porquê.

 Outro diretor escreveu: “Estes exercícios para aprimoramento do corpo e da mente que demonstrou hoje certamente ajudarão em longo prazo a promover uma sociedade melhor e um mundo mais harmonioso, pois os alunos são as sementes e o nosso futuro depende de como os criamos e que valores ensinamos e eles”.

 “Eu também gostaria de expressar a minha gratidão por fazerem frente à perseguição do governo comunista chinês ao seu próprio povo inocente. Aprecio a valiosa lição que transmitiu aos estudantes, de que devemos ser racionais e fazer uma distinção entre o que é bom e o que é mau”.

 Muitos professores já conheciam o The Epoch Times, a NTD Índia, e diferentes sites do Falun Dafa, mas aqueles que não conheciam ficaram informados sobre esses meios de comunicação independentes. Certamente, no futuro, e com a ajuda de todos esses canais informativos, mais conscientização se espalhará entre as crianças e muitos outros.

(2) Ideias e iniciativas

 Muito obrigado pelas muitas “mãos amigas”, sem as quais este esforço não teria sido possível: aos dirigentes, diretores e diretoras, professores, funcionários, crianças e tantos outros.

 Eu admiro muito os tibetanos e os meus muitos contatos com os meus bons amigos tibetanos nos meus 28 anos de estadia na Índia. Por várias vezes, foram os tibetanos que me deram ideias e sugestões sobre como seguir em frente no meu caminho como praticante.

 Em Ladakh, que está localizada mais ao norte da Índia, há mais de 15 anos, ouvi falar pela primeira vez do Falun Dafa durante a visita de uma praticante sino-americana que estava acompanhada por uma tibetana local. Ambas estavam praticando os exercícios do Falun Dafa em um festival feminino local. Esse foi o meu primeiro contato com o Falun Dafa.

 Em agosto de 2007, quando estava colocando cartazes em um restaurante local em Leh, Ladakh, um professor tibetano sugeriu que eu fosse à sua escola. O diretor da escola concordou e fiz a primeira apresentação do Falun Dafa em uma escola em Ladakh, seguida nos anos seguintes por apresentações nessa mesma escola e em muitas de suas filiais e em muitas outras escolas.

 Em 2008, quando a primeira apresentação foi realizada em Leh para lembrar o 20 de julho de 1999, o dia em que a perseguição começou na China, outro jovem tibetano desocupou voluntariamente a sua “loja” ao ar livre para a ocasião. Realizei muitas outras apresentações ao longo dos anos.

 Anos atrás, um parente de uma grande amiga tibetana minha teve a ideia de exibir os cartazes e faixas na longa parede da sua casa em ocasiões especiais. Desde então, milhares de tibetanos e turistas receberam folhetos durante essas apresentações. Mesmo onde moro, fui inspirada a realizar apresentações semanais, geralmente de outubro a abril, depois de ver um jovem tibetano vendendo a sua mercadoria em uma tenda na rua. Tenho feito isso há muitos anos e encontrei muitas pessoas da comunidade local, bem como de toda a Índia e do mundo.

 Todas essas ideias e iniciativas foram sugeridas pelos tibetanos. Portanto, de certa forma, essa viagem às escolas tibetanas na Índia foi algo como um retorno a esses “favores”, não para os indivíduos envolvidos, mas pelo menos para muitos membros de sua comunidade.

 A Índia é um vasto país, com muitas culturas, tradições, tribos, religiões e castas diferentes. Vários praticantes na Índia visitaram escolas e universidades e, durante o processo, tiraram muitas fotografias e receberam muitas cartas de agradecimento. Neste vasto país com tantos jovens, esperamos visitar muito mais escolas em diferentes partes da Índia nos próximos tempos.

 Olhando para trás, o sucesso dessa viagem surpreendente só foi possível devido aos arranjos do Mestre: o momento certo, fortes conexões cármicas e muitos outros fatores.

 Algumas escolas colocaram videoclipes, reportagens e fotos sobre seu evento do Falun Dafa no Facebook e em outras mídias sociais. Algumas já haviam visto o vídeo de três minutos “A way to the heart” ou haviam distribuído previamente esse vídeo e a sua reportagem relacionada na NTD Índia.

15.3 Indonésia: 500 estudantes de escola secundária e professores aprendem os exercícios do Falun Gong327

 O diretor da Escola Pública de Ensino Fundamental nº 38 na Ilha Batam, Indonésia, havia visto estudantes praticando o Falun Gong em um site de mídia social e queria aprender mais sobre essa prática de cultivo para aprimoramento da mente e do corpo da China. Então, ele convidou os praticantes do Falun Gong para apresentarem a prática a professores e estudantes no dia 16 de fevereiro de 2019. Aproximadamente 500 estudantes e professores mostraram-se dispostos a aprender os exercícios do Falun Gong, bem como os princípios desta prática tradicional chinesa de cultivo.

 Os praticantes explicaram que os movimentos dos exercícios são relaxantes e fáceis de aprender. Os princípios do Falun Gong são Verdade, Benevolência e Tolerância, princípios que ressoam na mente de muitas pessoas. Os praticantes explicaram ainda mais que qualquer pessoa, de qualquer idade ou formação, pode aprender o Falun Gong.

 Os praticantes do Falun Gong da Indonésia frequentemente visitam escolas da região para compartilhar a bondade do Falun Gong com a comunidade local. A esperança deles é que mais pessoas possam usufruir dos benefícios da prática. Depois de praticar os exercícios, o diretor disse: “A música e o movimento dos exercícios mantêm a pessoa focada. Sinto o meu corpo inteiro, especialmente o meu tórax, as articulações e as costas, muito confortáveis depois de praticar os exercícios”. Um professor de artes comentou: “Quando fechei os olhos e ouvi a música, pude sentir a presença da luz. Eu tinha machucado o meu braço e não conseguia levantá-lo muito alto. Porém, agora, depois do quarto exercício, posso levantar o meu braço acima da cabeça; que experiência maravilhosa!”.

15.4 Estados Unidos: A jornada espiritual de um desenvolvedor de software328

 Segundo algumas pessoas, Santhosh tinha tudo: uma boa educação, pais atenciosos, uma carreira promissora que o levou a mudar-se para os Estados Unidos e ter o seu emprego atual como gerente de uma empresa de software. Ele tinha uma esposa amorosa e duas filhas lindas. “Eu estava no auge da boa forma. Não tinha problemas de saúde”, lembrou ele. Mas uma doença autoimune o abateu e mudou tudo isso. Santhosh consultou os médicos, mas eles não conseguiram identificar a causa principal. No final, seus médicos recomendaram esteroides fortes. Alertaram para os efeitos secundários e o aconselharam a tomá-los pelo resto da sua vida.

 “O diagnóstico me atingiu como um raio. Sempre pensei que tinha todas as respostas para uma vida feliz com os amigos e com a família. Mas quando isso aconteceu, logo fiquei frustrado e deprimido”.

 “A situação iria se deteriorar e, no meu caso, iria afetar os meus olhos. Então, se não cuidasse disso, poderia ficar totalmente cego”.

 Santhosh já estava com dor nos pulsos, nos joelhos e com dificuldade para levantar objetos na sua vida diária. “Cheguei a um ponto em que sentia que não havia esperança, porque era incapaz de praticar qualquer exercício físico”. Em busca de uma solução, ele começou a pensar mais profundamente sobre a própria vida, procurando on-line sobre Deus e sobre o universo. “Enquanto procurava por respostas espirituais, ficava literalmente perdido. Nasci em uma família religiosa, mas agora não conseguia perceber o que estava acontecendo e o que se passava”.

 Então, um dia, um colega de trabalho me contou sobre o Falun Gong. “Eu fiquei muito interessado. Surgiu exatamente no momento certo”. O seu colega enviou-lhe um link para o site do Falun Dafa (Falundafa.org), dizendo que os ensinamentos e as instruções dos exercícios estavam disponíveis on-line gratuitamente. Em um final de semana, Santhosh baixou os livros Falun Gong e o Zhuan Falun.

 “Assim que comecei a ler, soube que era algo muito especial”, disse ele. “Era muito claro e explicava as coisas, respondendo às muitas perguntas que tinha na minha mente. Então, soube imediatamente que isto era muito diferente das coisas que havia aprendido no passado”.

(1) Saúde rapidamente restaurada 

 Em apenas alguns dias, Santhosh experimentou uma tremenda melhora em sua saúde. A dor e o desconforto desapareceram lentamente até que foram embora completamente, como se nunca houvessem existido. 

 “Não podia acreditar. Estas foram as mudanças que eu experimentei ao praticar os exercícios diariamente. Esta é uma experiência pessoal, é inegável!”.

 “O meu ponto de vista mudou porque o principal ensinamento do Falun Dafa é Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍). O que realmente me comoveu profundamente é a pureza na base do ensino: você tem que ser verdadeiro e tem que ser compassivo, mesmo que os outros estejam zangados ou insultem você. Isso é o máximo e realmente toca o meu coração”.

 Santhosh já não se irrita facilmente ou se zanga como antes. “Eu costumava ficar muito irritado e era extremamente sensível. Tudo isso está mudando, agora estou predisposto a ser gentil com as pessoas”, acrescentou ele. Os seus pais moravam com ele naquela época, e ambos viram as suas mudanças positivas. Seu pai ficou muito impressionado, dizendo que Santhosh era uma pessoa nova e melhor.

(2) Uma família mais feliz 

 Santhosh costumava discutir com a sua esposa, como muitos casais fazem. “Quando tinha que fazer tarefas em casa, como lavar a louça, às vezes pensava: ‘Lavei ontem, hoje é a vez dela. Por que eu deveria lavar a louça todos os dias?’. Ou seja, pensava que tudo tinha que ser dividido”. Depois dele começar a praticar o Falun Gong, os seus pensamentos mudaram completamente: “Agora, não penso que ela precise fazer isso ou que isso é coisa dela. Sempre que puder ajudar, ajudarei”.

 A esposa dele reparou rapidamente. Ela descobriu que Santhosh parou de discutir e, em vez disso, calmamente a ajudou a fazer as coisas. Ele parou de reclamar. Então, ela lhe perguntou sobre o Falun Dafa e se interessou e algumas vezes leu os livros também. 

 As filhas dele também sentiram a mudança positiva. O pai delas costumava ficar agitado por causa de muitas coisas. Agora é mais calmo e paciente. “Parece que não grita com a gente há muito tempo”, lembrou uma das suas filhas, de oito anos de idade.

(3) Melhora no trabalho

 Santhosh é chefe de equipe e muitas vezes estabelece metas que a sua equipe tem que alcançar. Depois de começar a praticar o Falun Dafa, ele descobriu que esta abordagem era um tanto egoísta. “No meu coração, eu não me importava com os membros da minha equipe. Então, era um pouco insistente e pressionava muito a equipe a cumprir a meta”, lembrou ele.

 “Mas a opinião da equipe sobre mim mudou à medida que me tornei menos exigente e mais prestativo. A ligação deles comigo tornou-se muito mais forte”, disse ele. Às vezes, mesmo antes de pedir que façam algo, Santhosh descobre que a equipe já superou as expectativas e cumpriu os objetivos. “Um dos membros da equipe disse-me que viu uma tremenda melhora no meu estilo geral de gestão, especialmente com reuniões e prazos”, acrescentou ele.

 “A incorporação do ensinamento central, Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍), no trabalho trouxe realmente grandes benefícios, não só para mim, mas para toda a empresa”, concluiu ele.

(4) Um benefício para toda a sociedade

 Ele levou algum tempo para entender a perseguição que o Falun Dafa enfrenta na China. “Por que alguém iria perseguir o Falun Dafa, que ensina alguém a ser uma pessoa melhor, desenvolver valores morais mais elevados e ser verdadeiros e bondosos?”.

 “É uma verdadeira tragédia, porque, por um lado, tem o ensinamento positivo de ser bom; por outro lado, você tem o negativo, ou o mal, tentando suprimir o bom. As verdadeiras vítimas, como vejo, são o povo chinês, que é enganado pelo Partido Comunista Chinês com sua propaganda caluniosa. Eu realmente espero que a perseguição acabe rapidamente e que cada pessoa na China possa ver a magnificência e a verdade sobre o Falun Dafa”.

 “Na minha experiência, diria que o Dafa é a prática de cultivo mais virtuosa e pragmática, muito simples, porém conveniente, que já encontrei em toda a minha vida. Sou uma pessoa bastante espiritualizada e fui criado em uma família com valores altamente tradicionais, mas nunca havia encontrado uma maneira tão elegante, positiva e simples de praticar, que pudesse te levar a um nível espiritual realmente elevado. É uma prática que realmente beneficia a sua mente e o seu corpo”.

 "Na verdade, ela realmente o ajuda a viver sua vida de uma maneira completa e saudável, seja na família, com os seus amigos, com os parentes, com o trabalho e com todos os outros, até mesmo desconhecidos. Você sempre se apresenta como uma pessoa muito boa e gentil, o que é uma coisa muito positiva. Isto é algo muito precioso”.

15.5 Turistas chineses buscam a verdade sobre o Falun Gong durante as viagens ao exterior

 “Eu sei que de todos os grupos que o Partido Comunista Chinês reprimiu, a perseguição ao Falun Gong é a mais brutal. Os praticantes têm sofrido tanto. Eu me sinto muito mal”, disse um turista chinês a um praticante que havia esclarecido a verdade sobre a perseguição a ele durante a sua viagem à Suíça. “Vocês [praticantes] são muito maltratados, ainda sim ajudam os outros”. 

 Os principais destinos turísticos ao redor do mundo tornaram-se centros fundamentais, onde o público pode aprender sobre a perseguição, especialmente a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência do Falun Gong, sancionada pelo governo chinês, que está encoberta na China, e saber o que o público chinês realmente pensa, o que é inacessível para a maioria fora da China devido à propaganda do Partido exportada para o Ocidente. Alguns turistas chineses enviaram saudações ao fundador do Falun Gong e esperam que ele possa voltar à China em breve. Eles se envolvem em discussões com praticantes do Falun Gong em locais turísticos para aprender sobre a encenação da autoimolação e as atrocidades da extração forçada de órgãos de praticantes vivos

 As viagens ao exterior também apresentam oportunidades para os cidadãos chineses renunciarem às suas filiações ao PCC e às suas organizações juvenis, a Liga da Juventude e os Jovens Pioneiros. Os voluntários do Centro de Serviço Global de Renúncia ao PCC têm ajudado o povo chinês em todo o mundo. Os turistas não apenas deixam o Partido, como também levam a informação aos seus amigos e familiares na China.

O número de turistas “membros” do Partido que decidiram deixá-lo tem aumentado constantemente em toda a América do Norte e na Europa. A Sra. Zhou, uma praticante do Falun Gong que é voluntária em um local turístico na Inglaterra, descreveu no verão de 2014 uma tendência que notou: 

Em 2008 e 2009, eu podia ajudar algumas centenas de chineses a abandonarem o PCC em um ano. Em 2010, aumentou para cerca de mil por ano. Depois de 2012, dobrou e triplicou para alguns milhares por ano. Desde o início deste ano, são cerca de mil por mês.

15.6 Taiwan: o Falun Dafa ajuda novo praticante a recuperar uma vida vibrante329

 Eu era uma pessoa muito pouco receptiva e frágil há três anos. O estresse da minha busca por “fama e ganho pessoal” teve impacto na minha saúde e frequentemente ficava doente. Sofria de dores de cabeça, tonturas, palpitações e dores no peito. Embora fosse academicamente bem-sucedida e tivesse um currículo estruturado, não era feliz. Pensei que havia chegado a um beco sem saída e sentia-me presa. A vida não tinha sentido e não tinha esperança para o futuro.

 Tive a sorte de poder aprender o Falun Dafa e começar o meu caminho no cultivo. O cultivo ajudou-me a ficar mais satisfeita e pacífica, e eu gradualmente recuperei a alegria de viver.

(1) Em busca de respostas 

 Eu havia acabado de me formar na universidade neste ano. Desde a minha juventude, sempre estive entre as melhores da minha classe. Estudei nas melhores escolas e ia às aulas para me habilitar em muitos ramos do conhecimento. No entanto, poucas pessoas conheciam as dificuldades por trás de todo o meu sucesso acadêmico. Os reconhecimentos e benefícios que obtive devido ao meu grande sucesso levaram-me, sem saber, a suprimir os meus pensamentos e emoções reais. Sempre trabalhei duro nos meus estudos para obter bons resultados e esforcei-me para acomodar todos na minha vida para que fosse sempre vista sob a melhor perspectiva.

 No fundo do meu coração, sabia que tudo isso não tinha sentido e não era verdadeiramente feliz. No entanto, ainda me permitia ser indulgente nessa busca sem fim. Mesmo com os meus pais, reprimi os meus verdadeiros sentimentos. Continuava a apresentar por fora uma aparência cada vez mais prestigiada, mas por dentro estava ficando cada vez mais abatida.

 “Qual é o sentido da vida?”, me questionava muitas vezes. Não conseguia encontrar a resposta na minha busca por reconhecimento acadêmico e nas boas relações interpessoais e nem nas minhas leituras favoritas sobre fatos sobrenaturais que a ciência não conseguia explicar.

 Muitas vezes, deitada na cama, pensava na vastidão do universo e em como os meus pensamentos, ou mesmo a existência dos seres humanos, desapareceriam daqui a milhares de anos. Quão vazio e solitário seria um espaço como este? Uma inimaginável sensação de medo me causou arrepios na espinha e dificultou o meu sono. Embora estivesse sempre me esforçando, não tinha padrões ou princípios próprios que me guiassem. Mudava sempre de acordo com a pessoa com quem estava, tanto que isso afetava os meus pensamentos e a maneira como me expressava. Achava difícil expressar-me honestamente e temia ser crítica demais em relação a alguém ou ferir os seus sentimentos.

 O estresse da vida e os meus estudos também afetaram meu corpo e tive dores de cabeça e no peito e febre baixa. Muitas vezes, tinha que ir a hospitais e tirar licença médica para descansar em casa ou no centro médico da escola. Todas essas condições ocorreram porque havia um problema com a minha saúde mental. Mas não notei isso e também não estava disposta a enfrentar esse fato. Uma vez, como finalista do ensino médio, até pintei um quadro retratando as lembranças da minha vida, até o ponto de ele ficar totalmente negro.

(2) Encontrei o Falun Dafa e a prática de cultivo 

 Durante o período em que estive na universidade, participei de um programa de treinamento onde a professora também era orientadora e mentora: ela auxiliava os estudantes com problemas ou com questões sobre a vida. Tópicos como o conceito de vida e de morte ou problemas familiares foram trazidos à discussão durante o programa. Sentindo-me perdida e desamparada sobre os diferentes aspectos da vida, muitas vezes aproximei-me da professora do programa para conversar.

 Essa professora parecia ser muito sábia. Parecia ser capaz de entender tudo o que acontece na vida. Uma vez, durante uma conversa, ela mencionou o Falun Dafa e o cultivo e recomendou que eu lesse o Zhuan Falun. Ela me disse que esse era um livro que não iria parar de ler uma vez que o iniciasse. Fiquei muito curiosa sobre que tipo de livro poderia fazer uma professora tão sábia acreditar nele.

 Com uma atitude cética, cliquei no link do Zhuan Falun, porém fiquei chocada com tal livro celestial. As minhas emoções eram muito complexas. Estava entusiasmada, emocionada e triste. Estava entusiasmada porque havia descoberto que uma lei universal baseada em Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍) realmente existia!

 Esse livro respondia a todas as perguntas que eu tinha sobre a ciência e sobre as crenças e me ensinava sobre o significado da vida, a presença dos deuses e seres de nível superior, e como deveria viver como um ser humano a partir de então. Gritei no meu coração: “Por que eu só encontrei um ensinamento tão precioso agora?”. Ao mesmo tempo, eu senti uma vontade de chorar do fundo do meu coração. Percebi que estava triste porque a minha vida, no passado, havia se desviado muito desse ensinamento do Fa!

 Depois disso, comecei a cultivar o meu caráter baseado nos princípios Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍) e também comecei a praticar os cinco exercícios do Falun Dafa. Em termos dos meus estudos, pela primeira vez, senti a alegria de estudar no meu coração, em vez de preocupar-me apenas com os resultados. Quando mudei a minha atitude em relação aos meus estudos, estudar tornou-se uma coisa relaxante e feliz de se fazer e, na verdade, estudei ainda melhor!

 A lógica que aprendi no Falun Dafa até me ajudou a responder a algumas perguntas científicas que às vezes chocavam a professora. Em termos de saúde, não tinha nenhuma doença e podia sentir o vigor e o estado saudável do meu corpo. Porque tenho o Fa no meu coração, apenas tenho que refletir sobre o meu comportamento baseado nos princípios Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍). Portanto, eu não me sinto mais constrangida quando interajo com as pessoas ou expresso os meus pensamentos. Posso falar com as pessoas de forma muito aberta.

 Conforme o meu "xinxing" (caráter moral, ou “natureza do coração/mente”) melhora, também sou mais capaz de enfrentar os problemas e contratempos na minha vida com calma, mantendo um estado mental sereno e estável. Com isso, posso levar um estilo de vida despreocupado e satisfatório e sinto que recuperei a alegria da minha vida!

 Não faz muito tempo, o meu namorado terminou nosso relacionamento de muitos anos. Quando soube disso, ele já tinha outra namorada. Quando os meus amigos e parentes descobriram, ficaram zangados e tristes por mim. Até o meu ex-namorado ficou preocupado comigo.

Embora tenha ocorrido muito de repente, quase não tive emoções negativas. Em vez disso, ponderei com calma e até me coloquei no lugar dele e pensei sobre ele. Ele também sentiu a minha calma e gentileza. No cultivo, nós falamos de benevolência. Precisamos ser gentis com os outros e pensar sempre nos outros primeiro. Entendi que quanto mais pura a compaixão, maior a sua força, e que os outros podem senti-la também. No cultivo, nós também falamos sobre o princípio da tolerância.

 O Mestre Li disse: “Tolerância é a chave para melhorar o xinxing. Aguentar com raiva, queixas ou lágrimas é a tolerância de uma pessoa comum, que está apegada aos seus interesses. Aguentar totalmente, sem nenhum ódio nem queixa, é a tolerância de um cultivador”. (“O que é ren?”, em Essenciais para Avanço Adicional).

Antes do meu cultivo, definitivamente não poderia ter agido com calma.

(3) O Mestre e o Dafa me guiaram para fora do pântano para recuperar a alegria de viver

 Guiada pelos princípios e ensinamentos do Falun Dafa, ajustei minha atitude em relação à vida e recuperei a minha saúde. Agora falo com confiança do fundo do meu coração e sei que realmente encontrei pureza e satisfação na minha vida. Encontrei o sentido da vida em todas essas conquistas, o que não ousava pensar antes. Estou muito grata por ter escolhido ler o Zhuan Falun há três anos e começar o meu caminho de cultivo. Ainda me lembro da imagem de mim mesma no passado, lutando no pântano sozinha. Era sufocante e o futuro não estava em nenhum lugar à vista. Depois de três anos de cultivo, sou uma pessoa totalmente renovada.

 Estou compartilhando as minhas experiências de antes e depois de começar a cultivar, na esperança de que todos possam conhecer o profundo significado destas duas frases: “O Falun Dafa é bom”, Verdade, Benevolência e Tolerância (真善忍) são boas”. Obrigada, Mestre! Obrigada, Dafa!

15.7 Seul, Coreia do Sul: novos praticantes compartilham as suas experiências330

 Em 31 de janeiro de 2019, foi realizado o primeiro seminário de nove dias do Falun Gong na Livraria Tianti em Seul. No final dos nove dias, os novos praticantes realizaram uma mesa redonda para compartilhar como encontraram o Falun Gong e conversar sobre as suas experiências com a prática.

(1) Descoberta do sentido da vida

 Durante a crise econômica de 2007 na Coreia do Sul, Kang, um dos participantes do seminário, perdeu a sua propriedade. Enquanto estava à beira da falência financeira, ele estava preocupado com a sua sobrevivência. Então pensou: “Os seres humanos entram no mundo nus e deixam o mundo nus. A que devo me apegar?”.

 Ele tentou se alegrar, lendo livros, escalando montanhas, praticando exercícios e indo à igreja. Esperava encontrar o verdadeiro sentido da vida.

 “Embora seja apenas um pequeno grão de pó no universo”, pensou Kang, “posso aceitar a energia do universo e me tornar saudável”. É mais importante me assimilar ao universo do que me preocupar com riqueza”.

 Uma noite, viu os praticantes do Falun Gong praticando os exercícios perto de sua casa. Depois de ler o folheto do Falun Gong, ele pensou: “Eu deveria praticar o Falun Gong”.

 Ele foi à Livraria Tianti, onde disseram a ele que deveria ler o livro Falun Gong, o livro introdutório sobre a prática. Kang disse: “Foi como se eu encontrasse o propósito da vida depois de ler aquele livro”. Então, ele decidiu explorar mais a prática, participando do seminário de nove dias.

 O seminário consiste em assistir às palestras gravadas do Sr. Li Hongzhi, o fundador do Falun Gong, ensinando as nove palestras fundacionais e os exercícios. Enquanto Kang participou ao longo dos nove dias, descobriu que os ensinamentos tocaram o seu coração. Ele entendeu que, através do cultivo, o corpo será purificado, quaisquer toxinas serão removidas e o xinxing deve ser melhorado. Percebeu como é importante seguir os princípios do Falun Gong – Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍) – ao longo da vida.

 “Eu senti que o cultivo não é simples”, disse Kang. “Não vai funcionar sem que a pessoa se torne capaz de suportar. Preciso praticar com uma mente pura”.

 Ele costumava pensar em divindades. “Agora, sinto que posso me tornar um ser espiritual praticando o Falun Gong”.

 Kang disse que planejava ir à loja durante o seu tempo livre para aprender mais sobre a prática do cultivo, ler mais e praticar com esforço.

(2) Tornando-me saudável e sentindo uma energia forte 

 Outro novo praticante, Kim, viu uma mulher praticar os exercícios do Falun Gong em um parque uma manhã. Ele disse: “Senti uma forte energia emanando dela e os gestos das suas mãos eram muito bonitos”.

 Kim aceitou um folheto e começou a praticar o Falun Gong. Ele vai para o local de prática fazer os exercícios diariamente. Ganhou um profundo entendimento da vida e da prática de cultivo durante o último ano e meio de prática do Falun Gong. Disse que se tornou saudável após haver começado a praticar. Sempre foi muito magro, mas agora o seu peso voltou ao normal.

 “O Falun Gong não só beneficia a saúde”, disse Kim, “mas também é um ensinamento de alto nível”. Eu acho que podemos voltar a ter boa saúde se melhorarmos o xinxing quando cultivamos”.

 Kim tem experimentado um forte sentido de espiritualidade no seu caminho de cultivo. “Eu me senti como um ser divino quando entrei em tranquilidade enquanto praticava o quinto exercício, a meditação sentada”.

 Vendo as mudanças positivas do seu marido, a esposa de Kim ficou interessada no Falun Gong. Ela também assistiu ao seminário. Embora inicialmente achasse que iria apenas participar de um dia, ela assistiu a todas as nove palestras. Ela observou que estava mais bela depois do seminário de nove dias. Além disso, não sentiu nenhum desconforto em suas costas.

(3) Viver feliz guiada por Verdade, Benevolência e Tolerância 

 A Sra. Kang disse que viu os praticantes do Falun Gong praticando os exercícios quando escalava as montanhas no ano passado. Dois meses depois, ela participou do seminário de nove dias mas sentiu que precisava aprender mais. Então, participou de outro seminário de nove dias, então decidiu participar de um terceiro seminário em janeiro passado, em Seul.

 A Sra. Kang disse: “Eu senti que o meu corpo havia ficado muito relaxado após a prática dos exercícios. Especialmente depois de praticar hoje, me senti muito bem!”. Ela gosta de ler os livros do Falun Gong durante o seu tempo livre e quando viaja no metrô. Ela disse que já leu o livro do Mestre Li, o Zhuan Falun, 30 vezes.

 “Eu me sinto muito feliz ao ler os livros do Falun Gong”, disse ela. “Eles me ajudam a me assimilar à Verdade, à Benevolência e à Tolerância (真善忍)”.

15.8 Manhattan: Livraria Tianti oferece uma maneira conveniente de aprender o Falun Gong

 A Livraria Tianti opera on-line há mais de dez anos. Devido à crescente procura na região de Nova York, foi aberta uma livraria física no centro de Manhattan em 10 de outubro de 2013. Tianti, como o nome indica (tianti em chinês significa “céu” ou “paraíso”, e ti significa “escada”), tem como objetivo proporcionar aos leitores uma forma de autoaperfeiçoamento através da prática do Falun Gong.

 Em 1º de julho de 2013, a Livraria Tianti abriu a sua segunda loja em Toronto, Dia do Canadá. Localizada na região predominantemente chinesa de Toronto, no Pacific Mall, o maior shopping chinês de interiores da América do Norte, a loja é dedicada a fornecer livros e multimídia sobre o Falun Gong.

 Por último, mas não menos importante, a Livraria Tianti abriu uma nova filial em Seul, para facilitar o acesso das pessoas aos livros e materiais didáticos do Falun Dafa e ensinar a prática de meditação. Holly, que participou de um seminário em vídeo de nove dias na livraria de Manhattan, disse a outros participantes que já havia praticado outras disciplinas de meditação antes, mas nunca havia chegado a um estado de espírito tão pacífico como chegou com o Falun Dafa.

Capítulo 16: Apoio da comunidade internacional

 Organizações de direitos humanos, funcionários públicos e órgãos legislativos em todo o mundo se manifestaram para pedir o fim da perseguição na China. Tribunais na Espanha e na Argentina acusaram os principais oficiais do PCC por tortura e genocídio. O Departamento de Estado dos EUA e a Comissão Executiva do Congresso sobre a China (CECC) destacaram a perseguição ao Falun Gong em seus relatórios anuais e o primeiro está agora reforçando o seu controle de vistos para negar a entrada de violadores de direitos humanos, incluindo os perpetradores na perseguição ao Falun Gong.

16.1 Oficiais chineses são processados em outros países

 Tribunais em vários países abriram processos contra os principais perpetradores da perseguição, incluindo Jiang Zemin, sob o princípio legal de jurisdição universal, que permite aos tribunais nacionais ouvir casos de genocídio e crimes contra a humanidade, independentemente do local onde eles ocorrem.

16.1.1 Tribunal Espanhol indicia oficiais do alto escalão do Partido Comunista Chinês por tortura e genocídio

 Em uma decisão sem precedentes, um juiz espanhol indiciou cinco oficiais do alto escalão do Partido Comunista Chinês (PCC) pelo seu papel nos crimes de tortura e genocídio cometidos contra os praticantes de Falun Gong. O anúncio do tribunal em 2009 indicou que se eles fossem condenados, os réus enfrentariam pelo menos 20 anos de prisão e multas financeiras. Os cinco réus, Jiang e os seus quatro seguidores, que foram os principais responsáveis pela implementação da perseguição, tiveram quatro a seis semanas para responder e, posteriormente, poderão sofrer a extradição se viajarem para um país que tiver um tratado de extradição com a Espanha.

 Após uma investigação de dois anos, o juiz espanhol, Ismael Moreno, notificou o advogado Carlos Iglesias, da Fundação Judicial de Direitos Humanos (FJDH), que o tribunal havia concedido uma petição para enviar cartas rogatórias (cartas de pedido) aos cinco réus na China com perguntas relacionadas ao envolvimento de cada indivíduo na perseguição ao Falun Gong. As decisões a favor do querelante seguiram uma série de submissões ao tribunal feitas por Iglesias e outros funcionários do FJDH.

O advogado Iglesias disse: “Esta decisão histórica de um juiz espanhol significa que os líderes do Partido Comunista Chinês, responsáveis pelos crimes brutais, estão agora um passo mais perto de serem levados à justiça. Quando se pratica o crime de genocídio ou tortura, é um crime contra a comunidade internacional como um todo e não apenas contra os cidadãos chineses. A Espanha está emergindo como defensora dos direitos humanos e da justiça universal”.

 Entre os acusados, Jiang Zemin foi amplamente reconhecido como o principal instigador da campanha lançada em 1999 para “erradicar o Falun Gong”. Quem também está enfrentando acusações é Luo Gan, que foi quem supervisionou a Agência 610, uma força-tarefa policial secreta e nacional que tem liderado a violenta campanha. Os advogados chineses compararam a Agência 610 à Gestapo da Alemanha Nazista por sua brutalidade e autoridade extralegal.

 Os outros três acusados são Bo Xilai, ex-secretário do Partido para Chongqing e ex-ministro do Comércio; Jia Qinglin, o quarto membro mais alto da hierarquia do Partido; e Wu Guanzheng, chefe de uma comissão disciplinar interna do Partido. As acusações contra eles são baseadas no seu avanço proativo da perseguição contra o Falun Gong quando serviram como altos funcionários na província de Liaoning, Pequim e na província de Shandong, respetivamente.

 Em uma reportagem premiada com o Pulitzer, Ian Johnson, do The Wall Street Journal, descreve como Wu impôs multas aos seus subordinados se eles não reprimissem suficientemente o Falun Gong, levando os oficiais a torturarem os residentes locais, em alguns casos, até a morte.

 Outras evidências consideradas pelo juiz durante a sua investigação incluíram depoimentos escritos de 15 praticantes do Falun Gong e depoimentos orais de sete praticantes, incluindo vítimas de tortura e parentes de indivíduos que foram mortos sob custódia chinesa. O juiz também se baseou em relatórios da Anistia Internacional, da Human Rights Watch e da Comissão de Direitos Humanos da ONU para chegar à sua decisão, disse o advogado Iglesias. 

16.1.2 Juiz federal na Argentina ordena prisão dos perpetradores, Jiang Zemin e Luo Gan 

 Após uma investigação de quatro anos, o juiz Octavio Araoz de Lamadrid, do Tribunal Federal n° 9 da Argentina, tomou uma decisão histórica em 17 de dezembro de 2009. O juiz Lamadrid emitiu mandados de prisão para o ex-líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Jiang Zemin e Luo Gan, ex-chefe da Agência 610, por seus papéis na perseguição ao Falun Gong. Os dois altos oficiais do PCC foram acusados de crimes contra a humanidade. O juiz Lamadrid ordenou que o Departamento da Interpol da Polícia Federal da Argentina realizasse as prisões. Em um documento legal de 142 páginas, o juiz avaliou detalhadamente a perseguição do PCC contra os praticantes do Falun Gong na China e o envolvimento de Jiang e Luo.

 O juiz Lamadrid explicou em sua decisão que “a estratégia de genocídio que foi concebida abarcava toda uma gama de ações com total desprezo pela vida e pela dignidade humana”. O fim concebido, a erradicação do Falun Gong, justificava todos os meios utilizados. Dessa forma, tormento, tortura, desaparecimentos, mortes, lavagem cerebral e tortura psicológica foram a moeda da perseguição de seus praticantes”.

 O juiz Lamadrid disse em sua decisão: “Entendo que no presente caso o princípio da jurisdição universal deve ser aplicado, em vista da [gravidade dos] crimes, do número de vítimas afetadas e da natureza ideológica das ações tomadas contra os membros do grupo religioso Falun Gong”. 

 16.1.2(a) Jiang e Luo tornaram-se os réus 

 Durante a visita de Luo Gan à Argentina, em 12 de dezembro de 2005, a presidente da Associação Argentina do Falun Dafa, Fu Liwei, confiou aos advogados Adolfo Casabal Elas e Alejandro Guillermo Cowes uma ação judicial contra Luo Gan no Tribunal Federal de Punição Criminal, Tribunal nº 9. As acusações contra Luo foram crimes de genocídio e tortura. O Tribunal Federal da Argentina aceitou a ação e o juiz Octavio Araoz de Lamadrid tratou do caso.

 Enquanto cuidava do caso, o juiz considerou que Jiang Zemin, superior de Luo Gan, foi o iniciador da perseguição ao Falun Gong. Ele, portanto, incluiu Jiang Zemin no caso de Luo e tratou dos dois casos juntos. Os fatos da perseguição sobre Jiang também foram adicionados ao seu documento. Ele acusou Jiang dos mesmos crimes que Luo Gan.

 O PCC tem repetidamente interferido no caso, inclusive exercendo pressão sobre os advogados do demandante, mas todas as suas tentativas de impedir que o caso prosseguisse falharam. O juiz Lamadrid passou quatro anos investigando e recolhendo evidências e então decidiu ordenar a prisão de Jiang e Luo e levá-los ao tribunal.

 16.1.2(b) Para investigar os fatos sobre a perseguição, o juiz viajou pessoalmente para os Estados Unidos para recolher evidências

 O Tribunal Criminal Federal n° 9 da Argentina começou a investigar os crimes de Luo Gan contra o Falun Gong na China no início de 2006. O juiz Lamadrid recolheu evidências de múltiplas fontes relativas ao caso. Durante esse período, os praticantes do Falun Gong de diferentes países foram à Argentina para testemunhar; pessoas que não são praticantes também foram à Argentina para testemunhar, incluindo David Kilgour, ex-secretário de Estado canadense para a Região Ásia-Pacífico, e David Matas, advogado de direitos humanos.

 O juiz reuniu o depoimento de nove testemunhas no Tribunal Federal de Buenos Aires, entre 3 de abril de 2006 e 26 de março de 2008.

 O juiz Lamadrid foi a Nova York para se reunir com mais vítimas em abril de 2008, com a aprovação e assistência financeira do Supremo Tribunal da Argentina. Como a maioria das vítimas buscava asilo após haver fugido da China, não tinham passaporte para ir à Argentina para testemunhar. De 28 de abril a 5 de maio de 2008, o juiz foi ao Consulado Geral da Argentina em Nova York e recolheu provas de dez testemunhas que moravam nos EUA.

 Durante a investigação, o juiz também incluiu em seus arquivos investigações das Nações Unidas e de muitas organizações a respeito da perseguição de Jiang e Luo ao Falun Gong. O PCC tentou repetidamente impedir que o caso prosseguisse, mas o juiz Lamadrid persistiu e finalmente completou a sua investigação e tomou uma decisão oficial para ordenar que os dois réus fossem presos.

16.2 Ações de governos nacionais

16.2.1 Governo australiano assiste o resgate dos praticantes do Falun Gong 

 Em 1º de dezembro de 2003, o Senado Australiano aprovou a Moção n° 704, que define o compromisso da Austrália em apoiar os parentes próximos de cidadãos australianos que estão detidos pelo motivo de que eles praticam o Falun Gong, e apela ao governo australiano para inserir a questão no contexto do diálogo sobre os direitos humanos331.

 A porta-voz dos Negócios Estrangeiros dos Democratas Australianos, a senadora Stott Despoja, disse: “Os democratas apreciam a importância da relação entre o governo australiano e o governo chinês. No entanto, nunca devemos sacrificar as questões dos direitos humanos por oportunidades comerciais. A relação da Austrália com a China, embora significante, deve ser qualificada pela nossa firme oposição a qualquer conduta que viole os direitos humanos fundamentais. Os democratas continuarão a destacar os abusos dos direitos humanos na China, em particular a perseguição e os assassinatos dos praticantes do Falun Gong”. 

 Despoja continuou: “As histórias de assassinato, tortura e prisão dos praticantes do Falun Gong são verdadeiramente horripilantes. Muitos 
cidadãos australianos têm familiares na China que estão sendo submetidos a tal perseguição e seria errado não usar o Parlamento para falar em seu nome e destacar a sua situação”. 

 “Moções como a aprovada pelo Senado hoje, não só enviam uma mensagem ao governo chinês, como também à comunidade do Falun Gong na Austrália: sua luta é reconhecida e apoiada”, concluiu ela. No dia em que a moção foi aprovada, cerca de 200 praticantes do Falun Gong de toda a Austrália se reuniram em frente ao Parlamento em Camberra. Eles entregaram 21,7 mil assinaturas em uma petição do povo australiano em apoio à moção.

 Ao mesmo tempo em que expressaram apreço ao governo australiano, membros do Parlamento, organizações não-governamentais e ao público pelos seus esforços para salvar a Sra. Li Ying, a noiva do cidadão australiano Li Qizhong, também apresentaram condolências a Ouyang Ming, o irmão mais novo do cidadão australiano Ouyang Yu; Ming faleceu por causa da tortura em um campo de trabalho chinês, apesar do seu nome haver sido incluído quatro vezes em listas de familiares que o Departamento Australiano de Negócios Estrangeiros e Comércio apresentou ao governo chinês durante os Diálogos Bilaterais Austrália-China sobre os Direitos Humanos.

 Os oradores na manifestação incluíram o líder democrata, Andrew Bartlett, o presidente da Federação para uma China Democrática, o Sr. Qin Jin, e o secretário do Partido Trabalhista Chinês da Seção Australiana, o Sr. Ruan Jie.

 Outros esforços de resgate assistidos pelo governo australiano incluem o da praticante do Falun Gong, Nancy Chen, que foi libertada pelas autoridades chinesas em 30 de janeiro de 2003, como resultado dos esforços conjuntos do Departamento Australiano de Relações Exteriores e Comércio, do Nancy Chen Urgent Rescue Team e de muitas outras partes interessadas332. Quando a Sra. Chen foi detida oito dias antes, os praticantes em todo o mundo realizaram telefonemas e enviaram fax para todos os níveis de governo na província de Sichuan, China. Os meios de comunicação na Austrália relataram frequentemente o seu caso e a Rádio ABC transmitiu várias histórias no seu programa de notícias.

 Oficiais do Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio da Austrália em Camberra telefonaram para o marido da Sra. Chen imediatamente após receberem atualizações da China. Além disso, a Embaixada da Austrália em Pequim entrou em contato com os pais da Sra. Chen em Sichuan para informá-los sobre o prolongamento dos esforços de resgate e um representante voou pessoalmente para a cidade de Chengdu para mediar a situação com as autoridades competentes na China.

 O governo australiano também ajudou no resgate da Sra. Xie Yan, a noiva do cidadão australiano Philip Law333. Xie foi torturada no conhecido Campo de Trabalho Forçado de Chatou, em Guangzhou, aos 24 anos de idade. O membro do Partido Liberal NSW, Anthony Roberts, disse que iria contar aos seus colegas sobre sua situação. O ministro-chefe, Jon Stanhope, MLA de Camberra, realizou um inquérito com a Embaixada Chinesa sobre ela e os detalhes da sua recusa em conceder um visto a Philip Law para a China.

 O deputado John Murphy escreveu ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, solicitando ao Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio que levasse o assunto às autoridades chinesas. O Sr. Downer indicou às autoridades chinesas que haviam violado a convenção dos direitos humanos. O Sr. Murphy contatou ainda o Consulado Australiano em Guangzhou, pedindo a eles que a ajudassem a chegar à Austrália o mais depressa possível. O jovem casal foi reunido em 31 de julho de 2004, quando Xie Yan chegou em segurança ao Aeroporto Internacional de Sydney.

16.2.2 O governo canadense ajuda a resgatar dois irmãos presos na China334

 Em 2002, o Parlamento Canadense aprovou a Resolução M-236 proposta pelo deputado Scott Reid, solicitando ao primeiro-ministro que resgatasse 13 praticantes do Falun Gong na China. Um deles é Lin Shenli, que foi resgatado com sucesso com a ajuda do governo canadense e da Anistia Internacional em 2002. O seu irmão, Lin Mingli, foi libertado mais tarde, em 2011. Os irmãos foram reunidos em Toronto após ficarem separados durante 13 anos, tendo sido presos em 1999 por praticarem o Falun Gong.

 “Estou grato ao governo canadense, ao ministro da Imigração e ao deputado Scott Reid, que me ajudaram a ser resgatado da China”, disse Lin Mingli após aterrissar em Toronto. Ele também agradeceu aos praticantes do Falun Gong no Canadá pelos seus esforços para resgatá-lo. Nas duas semanas anteriores à libertação de Lin Mingli, dois deputados canadenses escreveram para o campo de trabalho forçado onde Mingli foi preso para exortar o campo a libertar Mingli imediatamente335.

 Em 20 de março, o deputado Rob Anders realizou uma conferência de imprensa no Parlamento em Ottawa, juntamente com Lin Shenli, e disse que se esforçaria para ajudar a resgatar Mingli. 

 A deputada Liza Frulla escreveu em sua carta: “Embora eu compreenda que é uma questão sensível comentar os assuntos internos de outro país, eu gostaria de juntar a minha voz com a de meu colega, Sr. Irwin Cotler, membro do Parlamento da Mount Royal, e outros canadenses de todo o país que estão exigindo a libertação imediata de todos os praticantes do Falun Gong detidos ilegalmente na China e decretar a contínua violação dos direitos humanos que a prisão de Mingli Lin representa” .

 Em 2000, o Sr. Lin Mingli foi enviado a um centro de lavagem cerebral pela primeira vez, onde lhe disseram para renunciar ao Falun Gong. Ele se recusou. Em 2001, foi enviado para um campo de trabalho forçado, onde ficou confinado até março de 2003.

 Em outubro de 2005, foi preso novamente. Desta vez, foi sentenciado a seis anos. “Na prisão, eles tiraram as minhas roupas, me penduraram com cinco cordas e me bateram com paus de bambu”, disse o Sr. Lin. “Eles me batiam muitas vezes e não me deixavam adormecer. Muitas vezes me disseram para renunciar ao Falun Gong e me bateram quando disse que não o faria”.

 “Eles também tocaram gravações de áudio que atacam o Falun Gong e me forçaram a ouvi-las”.

 "Eu os vi espancando um praticante do Falun Gong na prisão até ele desmaiar. Então eles o levaram para o hospital. Uma vez, eu os vi batendo em outro praticante. A cabeça dele estava sangrando, mas eles não o levaram para o hospital".

 Mais de 20 praticantes e apoiadores deram as boas-vindas ao Sr. Lin no aeroporto.

 Ele disse: “Estou muito feliz hoje. Obrigado a todos. Ainda há muitos praticantes que estão sofrendo torturas inimagináveis. Eles ainda mantêm firmemente a sua crença, apesar de toda a tortura”.

16.2.3 Taiwan nega a entrada de oficiais chineses envolvidos na perseguição 

 Em 2017 Taiwan negou a entrada a pelo menos três oficiais chineses que estiveram envolvidos na perseguição ao Falun Gong. Também foi negada a entrada aos delegados liderados pelos oficiais. 

 Chiu Chui-Cheng, vice-chefe do Conselho de Assuntos do Continente, confirmou que o conselho está restringindo licenças para os violadores de direitos humanos da China. Os oficiais chineses são imediatamente impedidos de entrar se tiverem um registro de perseguição contra os praticantes do Falun Gong e pertencerem à Agência 610, uma organização extralegal do Partido que supervisiona a perseguição ao Falun Gong. Isto é para enfatizar e executar as políticas de Taiwan, que valorizam e protegem os direitos humanos, de acordo com Chiu.

16.2.4 Ações do governo dos Estados Unidos

 16.2.4(a) Departamento de Estado dos EUA expressa preocupação em relatório anual 

 A China é “uma organização própria quando se trata de violações dos direitos humanos”, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo, ao apresentar os Relatórios Anuais do Departamento de Estado sobre Práticas em Direitos Humanos, em 13 de março de 2019.

 O relatório documenta violações em quase 200 países e territórios; 120 páginas eram sobre a China. A perseguição ao Falun Gong foi mencionada seis vezes.

 O relatório identificou o problema da extração forçada de órgãos na China, sobre a qual a Câmara dos Representantes aprovou por unanimidade a Resolução 343, em junho de 2016, “expressando a preocupação com relatos persistentes e credíveis sobre a extração forçada sistemática de órgãos de prisioneiros de consciência, sancionada pelo governo na República Popular da China, incluindo um grande número de praticantes do Falun Gong e membros de outros grupos religiosos e de minorias étnicas”.

 Segundo o relatório: “Alguns ativistas e organizações continuam a acusar o governo de extrair órgãos de prisioneiros de consciência, sem o consentimento deles, especialmente dos praticantes do Falun Gong”.

 Duas praticantes do Falun Gong, Bian Lichao e Ma Zhenyu, que estão atualmente presas na China, foram mencionadas no relatório.

 Bian Lichao é professora premiada no 10º Colégio em Kailuan, cidade de Tangshan, província de Hebei. Ela foi condenada a 12 anos de prisão em 2012. Ma Zhenyu foi engenheira no 14º ano do Instituto de Pesquisa do Grupo de Tecnologia Eletrônica da China. Ela foi condenada a três anos de prisão pelo Tribunal Intermediário de Nanjing em 2018.

 O relatório enumera vários abusos graves contra os direitos humanos na China, incluindo aqueles executados pelo governo: “mortes arbitrárias ou ilegais pelo governo; desaparecimentos forçados pelo governo; tortura pelo governo; detenção arbitrária pelo governo; prisão e condições de detenção penosas e ameaçadoras; prisioneiros políticos” e muitos outros.

 O relatório também detalha como os praticantes do Falun Gong têm sido vítimas de “tortura sistemática sob custódia” por parte do Partido Comunista Chinês.

 O relatório aponta que ativistas políticos e crentes religiosos, incluindo praticantes do Falun Gong, têm sido detidos em centros de tratamento de dependência química; a detenção mais longa foi de dois anos.

 Também foi relatado que alguns advogados que ajudam ativistas políticos e seguidores espirituais foram destituídos de suas licenças profissionais. Alguns deles foram detidos, molestados, ameaçados ou proibidos de se reunir com os seus clientes. Alguns advogados que ajudaram os praticantes do Falun Gong até desapareceram. Acredita-se que eles tenham sido secretamente presos. Um exemplo é Gao Zhisheng, que não é visto desde agosto de 2017.

 O Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado publica o relatório de direitos humanos a cada ano. Esse é o seu 43º relatório.

 16.2.4(b) Relatório Anual do CECC 2018: A perseguição ao Falun Gong continua na China 

 A Comissão Executiva do Congresso sobre a China (CECC) emitiu seu relatório anual de 2018 em 10 de outubro, destacando o agravamento das condições dos direitos humanos na China. Em particular, o regime comunista chinês continua a perseguir os praticantes do Falun Gong, os advogados de direitos humanos, como Gao Zhisheng, e as minorias étnicas.

 A extração forçada de órgãos também foi mencionada. “Várias organizações internacionais expressaram preocupação com relatos de que numerosos transplantes de órgãos na China têm usado os órgãos de prisioneiros detidos, incluindo de praticantes do Falun Gong”, afirmou o relatório de 324 páginas, que está disponível no website do CECC.

“Audaciosamente repressivo”

 O senador Marco Rubio e o representante dos EUA, Chris Smith, presidente e vice-presidente do CECC, apresentaram o relatório em uma coletiva de imprensa. “O Partido Comunista Chinês aumentou drasticamente o seu controle sobre o governo, a sociedade e os negócios e está empregando impiedosamente a tecnologia para promover os seus objetivos. À medida que os formuladores de políticas americanas reexaminam cada vez mais as suposições equivocadas que têm informado as relações EUA-China, devemos estar atentos às implicações globais da repressão interna na China”, comentou o senador Rubio.

 Ele disse que a perseguição aos grupos religiosos feita pelo Partido Comunista Chinês também prejudica a relação entre a China e os EUA. O PCC precisa aderir aos valores universais, não apenas para a segurança dos EUA, dos interesses nacionais e dos valores morais, mas também para ser consistente com as esperanças dos cidadãos chineses que buscam proteção para os seus direitos básicos e reformas políticas reais.

 O senador Rubio pediu sanções contra os oficiais comunistas responsáveis. Ele disse que a censura do comitê é dirigida ao Partido Comunista Chinês, não ao povo chinês. Na verdade, o povo chinês e a cultura chinesa deram grandes contribuições à civilização humana, de acordo com Rubio.

 O deputado Smith explicou: “Este relatório lança luz às falhas do governo chinês no cumprimento dos padrões universais, aos casos de prisioneiros políticos torturados e agredidos. Mesmo para os baixos padrões do Partido Comunista Chinês, este ano tem sido audaciosamente repressivo”. Ele disse que a supressão aos grupos religiosos, às minorias étnicas e aos advogados de direitos humanos é a mais severa desde a Revolução Cultural.

 O deputado Smith disse que a inclusão da extração forçada de órgãos no relatório anual significa que é necessário tomar medidas contra a prática deplorável.

 O relatório afirma: 

Como em anos anteriores, as autoridades continuaram a deter praticantes do Falun Gong e a submetê-los a tratamento severo. Organizações de direitos humanos e praticantes do Falun Gong documentaram práticas coercitivas e violentas contra os praticantes durante a custódia, incluindo violência física, administração forçada de drogas, privação de sono e outras formas de tortura. 

 O relatório do CECC observou nos números da organização sem fins lucrativos Dui Hua Foundation, sediada nos Estados Unidos, que os praticantes do Falun Gong constituíram a maioria das 800 pessoas condenadas sob o Artigo 300 da Lei Criminal da China. Esses casos a partir de 2017 estão disponíveis em bases de dados oficiais da União Europeia.

 Dentre eles, Deng Cuiping da cidade de Yuxi, província de Yunnan, estava na prisão com uma sentença de seis anos. Bian Lichao, da cidade de Tangshan, província de Hebei, foi condenada a 12 anos de prisão. Zhang Ming e Li Quanchen, da cidade de Dandong, província de Liaoning, também foram detidas no final de junho.

 Até mesmo cidadãos de outras nacionalidades foram afetados. Em 5 de janeiro de 2018, o Tribunal Intermediário de Shenzhen, na província de Guangdong, manteve a sentença sobre o recurso de Miew Cheu Siang (um ano e seis meses), cidadão malaio, e sua esposa Yu Linglan (cinco anos). Eles são acusados de posse e distribuição de materiais do Falun Gong.

 Em dezembro de 2017, o The Epoch Times relatou 29 mortes confirmadas de praticantes do Falun Gong em 2017, devido a abusos por parte de autoridades.

 Convocado para uma investigação do FBI

 O relatório também descobriu que o Partido Comunista Chinês estava “se reinserindo na vida privada dos cidadãos chineses através da coleta ampliada de dados biométricos, redes de vigilância crescentes e o desenvolvimento contínuo do sistema de crédito social”.

 O senador Rubio e o deputado Smith também divulgaram uma carta demandando ao FBI que relate como a intimidação e as ameaças “inaceitáveis” afetam as comunidades chinesas que vivem nos Estados Unidos.

 “O autoritarismo da China em nosso país ameaça diretamente nossa liberdade, bem como nossos valores e interesses nacionais mais profundos”, observou o relatório no seu Resumo Executivo. 

 16.2.4(c) Departamento de Estado impõe maior restrição na obtenção de vistos para violadores de Direitos Humanos 

 O Minghui.org emitiu um aviso em 31 de maio de 2019, informando que um funcionário do Departamento de Estado dos EUA havia dito a vários grupos religiosos que o governo dos EUA pode negar vistos a violadores de direitos humanos e perpetradores de perseguição religiosa336. Isso inclui tanto vistos de imigração quanto de não-imigração, como vistos de turismo e de negócios. Aqueles a quem já foram concedidos vistos (incluindo vistos de green card permanentes) também podem ser impedidos de entrar no país.

 O oficial disse especificamente aos praticantes do Falun Gong que eles poderiam submeter uma lista de perpetradores envolvidos na perseguição ao Falun Gong. O Minghui.org começou a compilar informações sobre esses perpetradores, incluindo suas identidades, familiares e bens, para serem submetidos ao governo dos EUA.

 Os perpetradores são tanto oficiais na China quanto indivíduos nos EUA que tentaram interferir com o Shen Yun Performing Arts, na Shen Yun Symphony Orchestra, nas conferências para trocas de experiências e nas atividades públicas dos praticantes do Falun Dafa. Eles também incluem aqueles que espalham propaganda do PCC contra o Falun Dafa em vários sites.

 As notícias sobre a fiscalização rígida dos vistos dissuadiram alguns oficiais na China de participar da perseguição337. Na província de Heilongjiang, a polícia de segurança doméstica libertou quatro praticantes do Falun Gong após 15 dias de detenção e devolveu os seus pertences pessoais. Um dos oficiais disse: “Nós não batemos em vocês, certo? Nós não ofendemos vocês. Não nos denunciem. Não posso deixar que os meus filhos sejam impedidos de ir para fora da China”. Na província de Shandong, a polícia prendeu dois praticantes e confiscou seus livros do Falun Gong. Quando os oficiais descobriram folhetos sobre o aviso Minghui entre os itens confiscados, soltaram os praticantes no dia seguinte e devolveram a sua bicicleta elétrica.

 A deputada canadense, Judy Sgro, que antes atuava como ministra da Cidadania e Imigração, pediu que medidas semelhantes fossem adotadas no Canadá338. Ela sugeriu o uso da Lei Magnitsky para condenar os oficiais chineses, especialmente aqueles que participaram da extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong.

 16.2.4(d) Líderes americanos falam sobre liberdade religiosa e se reúnem com praticantes do Falun Gong

(1) Presidente Trump se encontra com uma praticante do Falun Gong na Casa Branca

 A Sra. Zhang Yuhua foi uma das 27 sobreviventes da perseguição religiosa de 17 países que se encontrou com o presidente Donald Trump na Sala Oval da Casa Branca em 17 de julho de 2019339.

 Os 27 sobreviventes estavam na cidade para participar da Segunda Reunião Ministerial para o Avanço da Liberdade Religiosa, realizada pelo Departamento de Estado dos EUA em Washington D.C., de 16 a 18 de julho de 2019.

 A Sra. Zhang, 59 anos, contou ao presidente Trump sobre a perseguição de seu marido, o Sr. Ma Zhenyu, que atualmente está cumprindo uma sentença de três anos na Prisão de Suzhou, na província de Jiangsu, China.

 O Sr. Ma, 56 anos, foi preso em setembro de 2017 e condenado à prisão em junho de 2018 por “escrever sete cartas aos líderes do governo central em apelo a favor do Falun Gong”, como declarado no veredito.

 A Sra. Zhang disse ao presidente Trump que está muito preocupada com o seu marido. Ela conhecia outro praticante que esteve preso durante três anos nas mesmas instalações. Esse praticante vomitou muito sangue e morreu dois dias depois de ser libertado. Ela pediu ao presidente Trump que tomasse medidas sólidas contra a China pelos abusos dos direitos humanos e pela extração forçada de órgãos. O presidente disse: “Sim, eu compreendo”.

 Durante o seu discurso de abertura na Sala Oval, o presidente Trump expressou a sua solidariedade com os sobreviventes e reafirmou o seu compromisso de proteger a liberdade religiosa.

 “Cada um de vocês sofreu enormemente por causa da sua fé. Vocês têm suportado assédio, ameaças, ataques, julgamentos, prisão e tortura. Cada um de vocês agora tornou-se testemunha da importância de promover a liberdade religiosa em todo o mundo”, disse ele.

 “Na América, sempre entendemos que os nossos direitos vêm de Deus, não do governo. Na nossa Carta de Direitos, a primeira liberdade é a liberdade religiosa. Cada um de nós tem o direito de seguir os ditames da nossa consciência e as exigências da nossa convicção religiosa”.

 “Para todos aqui, vocês passaram por muito mais do que a maioria das pessoas poderia suportar e eu quero felicitá-los. É realmente uma honra estar com vocês e ficarei ao seu lado para sempre”

(2) Perseguição ao Falun Gong é apresentada na Segunda Reunião Ministerial para promover a liberdade religiosa

 No início desse dia, a Sra. Zhang deu seu depoimento sobre a perseguição que ela e seu marido estão sofrendo na Reunião Ministerial para Promover a Liberdade Religiosa. A Sra. Zhang é ex-professora de idioma russo na Universidade Normal de Nanjing. Ela foi presa quatro vezes e condenada a sete anos e sete meses de prisão por praticar o Falun Gong. Ela foi severamente torturada na prisão, inclusive recebeu choques com bastões elétricos, foi privada do sono, recebeu injeções à força com drogas desconhecida e foi obrigada a correr sob o sol escaldante por horas.

 O seu marido, o Sr. Ma, um engenheiro de design de radar, foi preso várias vezes e cumpriu sete anos de prisão antes da sua última sentença. Como as autoridades estão impedindo que seus advogados se encontrem com o Sr. Ma e vários advogados que o representaram antes foram retaliados, a Sra. Zhang disse que se preocupa com ele dia e noite: “Ele pode ser torturado até a morte como milhares de outros praticantes do Falun Gong têm sido. Ele pode ser morto por causa da extração dos seus órgãos, como um número desconhecido de praticantes do Falun Gong têm sido”.

 Ela apelou ao governo dos EUA para impor sanções sob a Lei Global Magnitsky aos oficiais chineses, “conhecidos por terem ilegalmente detido, torturado e matado praticantes do Falun Gong. Eu espero que o governo dos EUA, a mídia internacional e os grupos de direitos humanos possam ajudar a libertar meu marido e as centenas de milhares de outros praticantes do Falun Gong inocentes, ainda presos”, disse ela.

(3) Presidente da Câmara e ex-professor de Direito condenam as violações dos direitos humanos na China

 A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, também participou da conferência. Ela teve uma discussão de uma hora com o ex-congressista Frank Wolf, focando nas violações de direitos humanos na China.

 Na discussão, a Sra. Pelosi chamou a supressão da liberdade religiosa na China de “um desafio para a consciência mundial”. Ela disse: “As violações são de tal escala e tão grandes, e os interesses comerciais são tão significativos que, por vezes, temperam os nossos valores quanto à forma como devemos agir sobre essas”.

 O ex-congressista, Frank Wolf, expressou a sua preocupação com a escalada da repressão à liberdade religiosa na China e sobre como as companhias nos países ocidentais estão trabalhando com o governo chinês para reprimir grupos religiosos através do desenvolvimento de tecnologias como a vigilância generalizada e a inteligência artificial. 

 “Nenhuma empresa no Ocidente deveria cooperar com os chineses para fazer isso”, disse o Sr. Wolf. “Eu acho que eles deveriam ser processados”. Ele disse que as pessoas deveriam processar tais empresas e que as indenizações deveriam ser concedidas a grupos de vítimas, tais como uigures, tibetanos e praticantes do Falun Gong.

(4) Vice-presidente, Mike Pence, se encontra com representantes de grupos religiosos perseguidos na China, incluindo o Falun Gong

 Representantes de três grupos religiosos perseguidos na China reuniram-se com o vice-presidente, Mike Pence, e representantes do Conselho de Segurança Nacional, em 5 de agosto de 2019, para discutir a perseguição da religião na China e formas de abordar a questão340.

 Um membro da Associação do Falun Dafa de Washington D.C. falou sobre a perseguição ao Falun Gong e disse a Pence: “A perseguição ainda é severa. Nos últimos 20 anos, identificamos mais de 4 mil pessoas que morreram devido a tortura ou outras violações físicas. Devido ao bloqueio de informações, o número real seria muitas vezes maior. A extração forçada de órgãos também já dura quase 20 anos. O número de vítimas é realmente alto”. Ele lembrou-se da resposta de Pence: “Nós não vamos nos esquecer de vocês [Falun Gong]. Eu prometo”.

 Pence enfatizou a importância de abordar a perseguição religiosa nas negociações comerciais com a China. Na Segunda Reunião Ministerial, em 18 de julho de 2019, Pence disse: “...o que quer que venha de nossas negociações com Pequim, você pode estar certo, o povo americano sempre será solidário com as pessoas de todas as crenças da República Popular da China”341.

16.3 Ações por organizações não-governamentais

16.3.1 Freedom House publica relatório sobre a perseguição ao Falun Gong 

 As 22 páginas de um relatório de 142 páginas da Freedom House, esclarece e analisa a perseguição ao Falun Gong e a outros grupos religiosos na China342. “[O Partido Comunista Chinês iniciou] o pior exemplo de perseguição religiosa desde a Revolução Cultural: a perseguição contra o Falun Gong”, afirmaram as observações do relatório de André Laliberté, um proeminente estudioso da Universidade de Ottawa sobre religião na China.
Abaixo estão as principais descobertas do relatório:

 Sobrevivência: Apesar de uma campanha de 17 anos do Partido Comunista Chinês (PCC) para erradicar o grupo espiritual, milhões de pessoas na China continuam a praticar o Falun Gong, incluindo também aqueles muitos indivíduos que iniciaram a disciplina desde que a perseguição começou. Isso representa uma falha impressionante do sistema de segurança do PCC.

 Perseguição em larga escala em andamento: Os praticantes do Falun Gong em toda a China estão sujeitos à vigilância generalizada, à desocupação arbitrária, à prisão e à tortura, e eles correm um alto risco de execução extrajudicial. A verificação independente da Freedom House constatou 933 casos de praticantes do Falun Gong condenados a penas de prisão de até 12 anos, entre 1º de janeiro de 2013 e 1º de junho de 2016, frequentemente por exercerem o seu direito à liberdade de expressão, além da liberdade religiosa. Esta é apenas uma parte dos condenados. Acredita-se que milhares de outros são mantidos em várias prisões e centros de detenção extralegais.

 Rupturas na repressão: Apesar da campanha contínua, a repressão contra a prática parece haver diminuído em alguns locais. O presidente Xi Jinping não ofereceu indicação explícita alguma de plano para rever a política do PCC em relação ao Falun Gong. Mas a expulsão e prisão do antigo czar da segurança, Zhou Yongkang, e outros oficiais associados à campanha, como parte da ação anticorrupção de Xi, junto com os esforços persistentes dos praticantes do Falun Gong para educar e desencorajar a polícia de prossegui-los teve um impacto.

 Exploração econômica: o Estado-Partido investe centenas de milhões de dólares anualmente na campanha para destruir o Falun Gong, enquanto se envolve simultaneamente em formas exploradoras e lucrativas de abuso contra os praticantes, incluindo extorsão e trabalho em prisões. As evidências disponíveis sugerem que a extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong presos para venda em cirurgias de transplante tem ocorrido em larga escala e provavelmente continua.

 Resposta e resistência: Os praticantes do Falun Gong responderam à campanha contra eles com uma variedade de táticas não-violentas. Eles se concentraram especialmente no compartilhamento de informações com a polícia e o público em geral sobre a prática em si, sobre as violações de direitos humanos cometidas contra os praticantes e outros conteúdos destinados a combater a propaganda estatal. Nos últimos anos, um número crescente de pessoas que não são praticantes do Falun Gong na China – incluindo advogados de direitos humanos, familiares e vizinhos – uniu-se a esses esforços.

16.3.2 A Anistia Internacional divulga um aviso de “ação urgente”

 A Anistia Internacional publicou uma “ação urgente” em 21 de fevereiro de 2017, chamando a atenção para a praticante do Falun Gong, Chen Huixia, que já cumpria 3 anos de prisão de uma condenação perpétua por causa de sua fé, e pediu ao regime comunista chinês para libertar Chen imediatamente. A Anistia Internacional também pediu uma ação para impedir mais perseguições a Chen343.

 “Levada pela primeira vez pela polícia em 3 de junho de 2016, Chen Huixia foi amarrada a uma cadeira de ferro em um local de detenção não-oficial por mais de um mês antes de ser transferida para o Centro de Detenção Municipal n° 2 de Shijiazhuang, na província nordeste de Hebei, em 15 de julho de 2016”, declarou uma atualização da Anistia.

 Seus familiares foram proibidos de vê-la desde a sua prisão. Ela ficou sem um advogado para defendê-la até novembro de 2016 “pois 
muitos advogados que a sua família contatou se recusaram a aceitar o caso porque acreditavam que as autoridades não lhes permitiriam defender uma praticante do Falun Gong”.

 O comunicado incitava as pessoas a escreverem uma carta, enviar um e-mail, telefonar, enviar fax ou escrever no Twitter aos funcionários relevantes para pedir que “imediata e incondicionalmente, libertar Chen Huixia, uma vez que ela foi detida apenas por exercer o direito à liberdade de crença e de expressão e, enquanto ela não for libertada, garantir que ela tenha acesso rápido, regular e irrestrito à sua família e aos advogados de sua escolha”.

 A Anistia Internacional também pediu que ela fosse protegida da tortura ou de outros maus-tratos durante a detenção. “De acordo com a sua filha, Chen Huixia começou a praticar o Falun Gong em 1998 para curar a sua doença crônica e a sua saúde precária. Ela ficou detida por aproximadamente três meses em 2003 e, após a sua libertação, a sua família foi sujeita a assédio e intimidação persistentes provocados pelas autoridades”, declarou a atualização.

 O comunicado descreveu ainda a tortura, a detenção e a prisão de centenas de milhares de praticantes do Falun Gong pelo PCC.

16.4 Resoluções, proclamações e cartas de apoio

 O Falun Gong recebeu inúmeras proclamações e cartas de apoio de governos e ONGs de todo mundo. Estas proclamações destacam os benefícios que o Falun Gong trouxe a várias regiões e comunidades e condenam universalmente a perseguição do regime chinês ao Falun Gong.

16.4.1 Apoio de todos os níveis 

 Até hoje, o Falun Gong foi objeto de 2.025 proclamações, 409 resoluções e 1.200 cartas de apoio de autoridades e governos eleitos em nível nacional, provincial e local.

 Em 3 de agosto de 1994, a cidade de Houston, nos Estados Unidos, nomeou o Sr. Li Hongzhi como Cidadão Honorário e Embaixador da Boa Vontade da Cidade. Dois anos mais tarde, emitiu uma segunda proclamação declarando o dia 12 de outubro de 1996 “O Dia de Li Hong Zhi”344. Segundo a proclamação:

Como fundador do Falun Dafa, um sistema avançado de cultivo espiritual, Li Hong Zhi ganhou o respeito e a admiração das pessoas ao redor do mundo. O Falun Dafa é baseado nos princípios de Zhen, Shan e Ren (verdade, benevolência e tolerância), as virtudes do universo. O Falun Dafa enfatiza as melhoras na saúde e conduz os praticantes sinceros à iluminação.

O Falun Dafa transcende as fronteiras culturais e raciais. Ressoa a verdade universal em cada canto da terra e faz a ponte entre o leste e o oeste... 

 Nas últimas duas décadas, oficiais eleitos e governos emitiram proclamações e cartas de apoio em reconhecimento ao Dia Mundial do Falun Dafa345. A deputada canadense Judy Sgro escreveu em uma carta congratulatória em 13 de maio de 2019346:

Sinto-me honrada em agregar o meu apoio aos vossos esforços, enquanto vocês se esforçam para ajudar a promover os valores da abertura, tolerância e liberdade de consciência e de religião aqui e no Canadá e em nível globalmente.

...

Infelizmente, muitos praticantes não-violentos e devotos vivem na escuridão e sob a constante ameaça de perseguição e até mesmo de morte. Como canadense, nós devemos fazer a nossa parte para ajudar a trazer as mudanças necessárias para corrigir esses terríveis erros.

 A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou resoluções apelando ao governo chinês para acabar com a perseguição ao Falun Gong, incluindo a Resolução Concorrente 304 da Câmara, em 2004347, e a Resolução 605 da Câmara, em 2010348, ambas patrocinadas pela Rep. Ileana Ros-Lehtinen. O congressista Frank Wolf declarou no seu discurso antes da votação: “A China tornou-se cada vez mais ostensiva nas suas violações dos direitos humanos. Diante dessa repressão, a América tem a responsabilidade de afirmar continuamente que estamos com os indefesos – com aqueles cujas vozes foram silenciadas”349.

 Por volta de 20 de julho de 2019, que marca o 20º ano da perseguição, 22 senadores e representantes dos EUA enviaram cartas elogiando os esforços dos praticantes para combater a perseguição350.

16.4.2 Alemanha condena os 20 anos de perseguição ao Falun Gong na China 

 A Dra. Baerbel Kofler, Comissária Federal para a Política de Direitos Humanos e Ajuda Humanitária, publicou um comunicado no site do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, no qual condena Pequim por sua perseguição ao Falun Gong351

 O comunicado de imprensa publicado em 20 de julho de 2019 afirma:

Durante os últimos 20 anos, o regime comunista chinês tratou violentamente os praticantes da prática de cultivo espiritual do Falun Gong. Os praticantes do Falun Gong são perseguidos e detidos sem processo legal. Muitos relatos têm mostrado que os praticantes são torturados e até morreram durante a detenção. No 20º aniversário da perseguição, eu estou profundamente preocupada que os praticantes na China ainda estejam em perigo.

 A Dra. Kofler exige que Pequim “siga as diretrizes internacionais e as leis chinesas para proteger os direitos humanos, incluindo os direitos dos praticantes do Falun Gong”. Ela pediu a Pequim que respondesse às “sérias acusações de anos de extração forçada sistêmica de órgãos dos praticantes do Falun Gong detidos” e “aumente imediatamente a transparência de suas fontes de órgãos para transplantes, bem como permita a entrada livre de observadores independentes em suas instalações de detenção”.

16.5 Resposta internacional à extração forçada de órgãos

 Após investigações independentes iniciadas em 2006, vários órgãos governamentais promulgaram legislação mais forte contra o tráfico de órgãos e aprovaram resoluções apelando pelo fim do assassinato de prisioneiros de consciência na China.

 Organizações médicas e profissionais também tomaram medidas para manter os padrões éticos, embora as autoridades de transplante chinesas e os cirurgiões continuem a ser recebidos em algumas conferências internacionais.

16.5.1 Resoluções

 16.5.1(a) Parlamento Europeu 

 O Parlamento Europeu aprovou uma resolução (2013/2981(RSP)) em 12 de dezembro de 2013 para expressar “profunda preocupação com os relatos persistentes e credíveis de um sistema de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência sancionada pelo governo na República Popular da China, incluindo de um grande número de praticantes do Falun Gong presos por causa de suas crenças religiosas, bem como de membros de outros grupos religiosos e minorias étnicas”.

 A resolução “[apelou] para que a União Europeia (UE) e os seus Estados-Membros exponham a questão da extração forçada de órgãos na China; recomenda que a União e os seus Estados-Membros condenem publicamente os abusos de transplantes de órgãos na China e sensibilizem os seus cidadãos que viajam para a China para esta questão; apela para uma investigação completa e transparente por parte da UE sobre as práticas de transplante de órgãos na China, e para instauração de processos judiciais contra aqueles que se envolveram em tais práticas antiéticas...”.

 Em 2016, 12 deputados do Parlamento Europeu emitiram uma declaração conjunta solicitando que o Parlamento Europeu investigasse a extração e tráfico ilegal de órgãos humanos pelo regime comunista chinês. Após uma audiência especial em 29 de junho, mais da metade dos Membros do Parlamento Europeu (MEP) assinaram a declaração escrita (2016/WD48), exigindo que o Parlamento Europeu tome medidas para acabar com a extração forçada de órgãos sancionada pelo governo na China352 353

 16.5.1(b) Câmara dos Representantes dos EUA 

 A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade a Resolução 343 na noite de 13 de junho de 2016. A resolução pede ao governo comunista chinês que pare imediatamente a extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong e de outros prisioneiros de consciência.

 A resolução também pede um fim imediato da perseguição ao Falun Gong, que estava no seu 17º ano. Ela também pede a libertação de todos os praticantes do Falun Gong encarcerados e de outros prisioneiros de consciência e pede uma investigação credível, transparente e independente sobre o sistema de transplante de órgãos da China.

 A H.Res.343 foi iniciada pelos representantes: Ileana Ros-Lehtinen (R-FL), presidente do Subcomitê sobre o Oriente Médio e o Norte da África, e pelo deputado Gerald Connolly (D-VA), assim como por seis outros membros do Congresso: rep. Dana Rohrabacher (R-CA), rep. Ted Poe (R-TX), rep. dos Estados Unidos. Mario Diaz-Balart (R-FL), Julia Brownley (D-CA), Sam Farr (D- CA) e David G. Valadao (R-CA). Obteve um forte apoio bipartidário, com 185 co-patrocinadores.

(1) Rep. Ileana Ros-Lehtinen: “Nós condenamos esta prática continuada de perseguição aos praticantes do Falun Gong”

 A representante Ileana Ros-Lehtinen, autora da medida, disse em um comunicado de imprensa:

A China tem perpetuado talvez algumas das mais graves e flagrantes violações dos direitos humanos contra o Falun Gong e outros prisioneiros de consciência, mas dificilmente tem enfrentado qualquer crítica e muito menos sanções por esses abusos.

A prática macabra e desumana do regime chinês de roubar a liberdade dos indivíduos, jogando-os em campos de trabalho ou prisões e depois executá-los e extrair os seus órgãos para transplantes está muito além do limite da compreensão e deve sofrer oposição universal e acabar incondicionalmente.

 Ela disse em seu discurso antes da votação:

Ao aprovar esta resolução, nós enviamos uma mensagem ao governo chinês de que condenamos esta prática contínua de perseguição aos praticantes do Falun Gong, e esta prática doentia deve parar, especialmente a extração forçada de órgãos de indivíduos sem consentimento. 

(2) Congressista Eliot Engel: A extração forçada de órgãos é “horrível e chocante”

 “O que é particularmente perturbador é que esta prática supostamente visa prisioneiros de consciência, incluindo praticantes do Falun Gong e outros religiosos e minorias étnicas”, disse o congressista Eliot Engel, de Nova York, em relação à prática do tráfico de órgãos na China.

 O congressista Engel disse no seu discurso sobre a H.Res. 343:

A extração não-consensual de órgãos, sob qualquer circunstância, representa uma grave violação dos direitos humanos. Estas alegações são particularmente graves: as autoridades nas prisões chinesas têm como alvo os prisioneiros por causa de suas crenças religiosas e depois obtêm lucros com o tráfico dos órgãos dessas vítimas. Não consigo pensar em alguma coisa que seja mais repugnante do que isso. 

 Engel chamou os relatos da extração forçada de órgãos de “horripilante e chocante” e pediu mais investigações.

(3) Congressista Chris Smith: A perseguição ao Falun Gong é “um dos grandes horrores”

 O congressista Chris Smith de Nova Jersey disse no seu discurso: 

Esta legislação é um passo importante para trazer responsabilidade e transparência para o que pode ser o grande crime do século XXI.

As evidências estão rapidamente aumentando sobre os horríveis crimes cometidos contra os praticantes de Falun Gong, incluindo essa terrível prática de extração forçada de órgãos.

Surpreendentemente, os investigadores David Kilgour, David Matas e Ethan Gutmann conduziram investigações detalhadas e estimaram que cerca de 45 mil a 65 mil praticantes do Falun Gong foram mortos devido à extração dos seus órgãos, que depois foram vendidos para se obter lucro.

 O congressista Smith disse acreditar firmemente que a campanha do regime comunista chinês para erradicar o Falun Gong na China será vista como “um dos grandes horrores”.

 16.5.1(c) Legislações dos Estados Unidos 

 Pelo menos dez legislações de nível estadual nos EUA aprovaram resoluções para condenar a extração forçada de órgãos sancionada pelo governo chinês.

 A legislação do estado do Missouri aprovou a Resolução Concorrente do Senado (SCR) nº 6 em 15 de maio de 2019, que apela ao “governo chinês para acabar com a prática da extração forçada de órgãos de prisioneiros, bem como de prisioneiros de consciência, especificamente prisioneiros de consciência do Falun Gong”.

A senadora estadual, Jill Schupp, patrocinadora da SCR nº 6, disse: "Isto está muito atrasado e a luta continua... Aqui, no estado do Missouri, não podemos suportar estas violações dos direitos humanos”354 .

 A legislação do Maine aprovou a Resolução Conjunta S.P.574 em 7 de maio de 2019, clamando pelo fim da extração forçada de órgãos na China. A resolução também incentiva a comunidade médica do estado do Maine a educar seus cidadãos sobre os riscos de viagens à China para transplantes de órgãos a fim de evitar que eles se envolvam involuntariamente em assassinatos na forma de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência355 .

 A Assembleia Geral da Pensilvânia aprovou por unanimidade a Resolução 1052 da Câmara em 8 de outubro de 2014, instando a comunidade médica a ajudar a aumentar a conscientização sobre práticas antiéticas de transplante de órgãos na China.

 Resoluções semelhantes foram aprovadas no Senado do Estado da Geórgia356 e no Congresso do Estado do Arizona357

 16.5.1(d) Senado Italiano 

 Em 5 de março de 2014, a Comissão de Direitos Humanos do Senado italiano aprovou por unanimidade uma resolução instando o governo italiano a iniciar uma investigação minuciosa sobre a extração forçada de órgãos na China através de canais diplomáticos e outros.

 Na resolução, a Comissão Extraordinária para a Proteção e Promoção dos Direitos Humanos também solicitou ao governo italiano que reconsiderasse os programas de treinamento para médicos chineses e que processasse, de acordo com as convenções internacionais, os indivíduos envolvidos no tráfico de órgãos.

 Essa resolução surgiu após uma audiência do Senado sobre o mesmo assunto, em 19 de dezembro de 2013. O advogado canadense de direitos humanos, David Matas, realizou uma apresentação na audiência, instando a Itália a rever as suas leis a fim de evitar que o país se tornasse cúmplice dos crimes da extração forçada de órgãos na China.

16.5.2 Reforço das leis de tráfico de órgãos 

 Alguns países reforçaram a sua legislação de tráfico de órgãos para incluir a jurisdição extraterritorial e proibir os seus cidadãos de viajarem para o estrangeiro, incluindo para a China, para receber um transplante ilícito. Abaixo estão alguns exemplos de tais projetos de lei que foram aprovados por órgãos legislativos, embora nem todos tenham se transformado em leis.

 16.5.2(a) Israel

 Em 2008, Israel aprovou a Lei de Transplante de Órgãos, que proíbe as companhias de seguros de reembolsarem transplantes recebidos em outros países em violação da lei israelita. Os violadores que compram, vendem ou intermediam órgãos ilícitos – inclusive fora de Israel – enfrentariam até três anos de prisão e uma grande multa358 .

 16.5.2(b) Espanha

 O Código Penal Espanhol foi alterado em 2010 da seguinte forma359 :

 1. Quem promover, facilitar ou divulgar a extração ou o tráfico ilegal de órgãos humanos ou o seu transplante será punido com prisão de seis a 12 anos nos casos de órgãos vitais e prisão de três a seis anos nos casos de órgãos não-vitais.

 2. Os receptores que consentirem em receber um transplante sabendo da sua origem ilícita são passíveis das mesmas penas que na secção anterior, as quais podem ser reduzidas em um ou dois graus, de acordo com as circunstâncias do crime e do transgressor.

 3. Quando, de acordo com o disposto no artigo 31 bis, uma pessoa jurídica for responsável pelas infrações abrangidas por este artigo, pagará uma multa de três a cinco vezes o lucro obtido.

 16.5.2(c) Itália

 O Senado Italiano aprovou por unanimidade, em 4 de março de 2015, um projeto de lei que puniria aqueles que vendem ilegalmente órgãos de pessoas vivas com sanções severas, incluindo pena de prisão360.

 De acordo com a nova lei, qualquer pessoa que comercialize, venda ou administre órgãos de traficantes ilegais de pessoas vivas cumprirá uma pena de prisão de três a 12 anos e pagará uma multa de 50 mil a 300 mil euros. O projeto de lei pune quem quer que incentive a publicidade ou anuncie a venda de órgãos ou apresente propaganda e anúncios para encorajar o turismo de transplantes para a China. Os médicos que promovam ou ajudem os pacientes a viajar para obter um órgão ilegalmente enfrentarão a expulsão definitiva por violação da ética médica.

 O senador Maurizio Romani, que propôs o projeto de lei, disse que ele “Estabelece equivalência entre o crime de tráfico de órgãos humanos para transplante e o crime de tráfico de pessoas”. Ele explicou: “Isso torna culpados todos os participantes, os doadores, os organizadores, os cirurgiões que realizam os transplantes e inclusive aqueles que compram os órgãos”361.

 16.5.2(d) Taiwan

 Os legisladores alteraram a Lei de Transplante de Órgãos Humanos de Taiwan em 12 de junho de 2015, proibindo a venda ilegal de órgãos362.

 A lei visa o comércio de órgãos de fontes desconhecidas e impede que isso ocorra através de alterações na lei. Estipula que os órgãos devem ser fornecidos ou recebidos sem qualquer forma de compensação [gratuitamente]. Se aqueles que compram órgãos de transplante no estrangeiro são considerados culpados de receber um órgão ilícito, a sentença máxima é de cinco anos, além disso, Taiwan aplica uma multa não superior a NT$ 1,5 milhões sobre o acusado. Além disso, os médicos envolvidos em transplantes ilegais de órgãos podem perder a sua licença. O legislador Yu Mei-nu, do Partido Democrático Progressista, disse que o governo chinês está ativamente envolvidos no comércio de órgãos, que depende muito da extração forçada de órgãos de praticantes vivos do Falun Gong.

 “Esperamos deter efetivamente o tráfico de órgãos e as suas vendas com essa emenda”, disse Yu.

 16.5.2(e) Croácia

 O Parlamento Croata votou por unanimidade, no dia 1º de março de 2019, a adoção da Convenção do Conselho da Europa contra o Tráfico de Órgãos Humanos, tornando-se a oitava nação europeia a ratificar o tratado363 .

 Além de ser criminalizar o ato de extração ilegal de órgãos, a Convenção também obriga os signatários a criminalizar a ajuda e a cumplicidade para tais atos e a solicitação de doadores ou receptores de órgãos para transplantes ilícitos.

 O Dr. Branimir Bunjac, membro do Parlamento, declarou durante o processo parlamentar: “Nossos compatriotas participam involuntariamente como usuários de tais serviços: eles viajam ao exterior, especialmente à China, para obter órgãos mais rapidamente. É preciso fazer a pergunta: como é possível que não haja um período de espera na China, ao contrário da União Europeia?”.

 Ele citou as descobertas de organizações internacionais que afirmam que a China tem realizado até 100 mil transplantes por ano durante mais de uma década, apesar da falta de um sistema de doação de órgãos.

 “Quando você pergunta às autoridades chinesas sobre a origem de tais órgãos, elas a justificam dizendo que foram obtidos de prisioneiros do corredor da morte”, disse ele. “No entanto, existem apenas 2 mil prisioneiros desse tipo na China anualmente, o que evidentemente não é suficiente para um número tão grande de transplantes”.

 “Depois desses relatórios, as autoridades chinesas responderam que esses eram números do mercado negro. No entanto, todos os transplantes na China são feitos dentro de hospitais estatais, sob a supervisão do Estado. Portanto, tal informação simplesmente não parece plausível”, acrescentou o Dr. Bunjac.

 Apontando para leis aprovadas na Itália, na Espanha e na República Tcheca, que proíbem os seus cidadãos de irem à China para obter órgãos ilícitos, o Dr. Bunjac advertiu que a adoção da Convenção por si só não resolveria o problema completamente.

 “É necessário continuar a desenvolver mais legislação, especialmente tendo em mente que a Croácia está no topo da medicina de transplante. Como tal, devemos servir de exemplo, tanto na legislação como na prática”, disse ele. O governo croata anunciou mais iniciativas para informar os profissionais de saúde e o público em geral sobre a magnitude da questão, para que eles possam reconhecer, prevenir e relatar práticas antiéticas de transplante.

 16.5.2(f) República Tcheca

 O Senado da República Tcheca aprovou a Resolução nº 131 de 20 de março de 2019, expressando apoio aos grupos perseguidos na China, incluindo praticantes do Falun Gong, cristãos, uigures e tibetanos. A resolução clama ao presidente e ao governo tcheco que exijam que a China adira às convenções internacionais de direitos humanos, pondo fim à perseguição desses grupos e libertando todos os prisioneiros de consciência. A resolução foi uma resposta à petição nacional referente ao “governo comunista chinês que executa o genocídio dos praticantes do Falun Gong”. Mais de 37 mil tchecos assinaram a petição.

 16.5.2(g) Bélgica 

 O principal órgão legislativo da Bélgica aprovou um novo projeto de lei em 25 de abril de 2019, que punirá todas as partes envolvidas na compra e venda de órgãos humanos para fins comerciais364.

 O projeto de lei é o primeiro na Europa a se referir diretamente à resolução do Parlamento Europeu de 2013 e à declaração escrita de 2016, que instou aos Estados-Membros da UE para que informassem os seus habitantes sobre as práticas de extração forçada de órgãos na China e que processassem aqueles que participassem dessas práticas antiéticas.

 Os violadores enfrentam até 20 anos de prisão, com uma multa de 1,2 milhão de euros. Se um grupo criminoso organizado estiver envolvido em tal comércio, todos os indivíduos do grupo enfrentarão punição.

 A nova lei impõe punição tanto para o vendedor de órgãos como para o receptor, assim como para quaisquer intermediários, médicos e outros funcionários médicos que participem na venda de órgãos com fins lucrativos.

 A lei também se aplica a transações que acontecem fora da Bélgica.

 16.5.2(h) Canadá

 S-240, um projeto de lei que visa o tráfico de órgãos humanos, foi aprovado por unanimidade na noite de 30 de abril de 2019, na Câmara dos Comuns Canadense365. Foi introduzido pelo Senado e já foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e Comércio Internacional (AEFA) antes da votação na Câmara dos Comuns.

 A lei altera o Código Penal para que o transplante não autorizado de órgãos no exterior seja tratado como atividade criminosa e também altera a Lei de Imigração e Proteção de Refugiados para que aqueles envolvidos no tráfico de órgãos não recebam o status de imigrantes ou refugiados.

 16.5.3 Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional destaca a extração forçada de órgãos na China 

 A Comissão Americana sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) destacou a China como um dos perseguidores de religiões mais flagrantes do mundo em seu relatório anual de 2019, divulgado em 29 de abril de 2019. O relatório também afirma que o Partido Comunista Chinês ainda está extraindo órgãos de praticantes do Falun Gong em larga escala366.

 Gary Bauer, comissário da USCIRF, transmitiu que o comitê havia recomendado que o governo dos EUA penalizasse rápida e decisivamente os oficiais e as instituições do PCC que cometem ou toleram graves violações da liberdade religiosa.

 16.5.3(a) Violação grave e persistente da liberdade religiosa 

 De acordo com o relatório, devido à sistemática e persistente violação da liberdade religiosa pelo PCC, a China foi mais uma vez listada pela USCIRF em 2019 como um “país particularmente preocupante” devido à violação da liberdade religiosa. Esta é a segunda década consecutiva na qual a China foi classificada um país que constitui especial motivo de preocupação. O relatório documenta um grande número de registros da sistemática, persistente e séria violação da liberdade religiosa do PCC em 2018.

 16.5.3(b) A perseguição aos praticantes do Falun Gong continua

 O relatório menciona que Jiang Zemin, ex-chefe do PCC, lançou a perseguição ao Falun Gong em 1999 e fundou a Agência 610, uma instituição que está acima da lei e que é encarregada de eliminar o Falun Gong. O relatório afirma que os praticantes do Falun Gong são arbitrariamente detidos, sofrem choques com bastões elétricos e são sujeitos à força a serem cobaias em pesquisas médicas e psicológicas.

 Em 2018, as autoridades chinesas continuaram a assediar, deter e intimidar os praticantes do Falun Gong por causa de sua crença. Tem sido relatado que muitos praticantes que foram detidos sofreram espancamentos, foram submetidos a agressões mentais e sexuais, foram forçados a tomar drogas desconhecidas e foram privados de sono.

 De acordo com informações fornecidas pelos praticantes do Falun Gong, o PCC prendeu e deteve pelo menos 931 praticantes em 2018. No verão passado, vários praticantes que enviaram mensagens pedindo apoio ao Falun Gong através da mídia social ou que distribuíram materiais informativos sobre o Falun Gong em público foram presos.

 O relatório discutiu as alegações do PCC, de que a partir de 1º de janeiro de 2015 havia acabado com a prática de extrair órgãos dos prisioneiros (acredita-se que muitos prisioneiros eram praticantes do Falun Gong). Entretanto, em 2018, ativistas dos direitos humanos, profissionais médicos e investigadores forneceram mais evidências de que o PCC ainda continua a extração forçada de órgãos em larga escala. O relatório declarou que, em novembro passado, o Escritório Judicial Changsha, na província de Hunan, China, suspendeu dois advogados durante seis meses porque eles defenderam os praticantes do Falun Gong no tribunal.

 16.5.3(c) Deterioração contínua da liberdade religiosa 

 Em novembro de 2018, durante a revisão periódica da China pelas Nações Unidas, os Estados Unidos questionaram o problema da perseguição ao Falun Gong e o fechamento das igrejas cristãs em um questionário escrito, enviado previamente.

 Gary Bauer, comissário da USCIRF, disse na conferência de imprensa do Relatório Anual da USCIRF que a situação na China ainda está se deteriorando. Para esse fim, a Comissão fez uma série de recomendações à Administração, incluindo que todas as negociações bilaterais entre os Estados Unidos e a China, especialmente nas negociações comerciais em curso, coloquem às claras a liberdade religiosa e as questões de direitos humanos.

 A comissão também recomenda que o governo dos EUA processe pronta e decisivamente as autoridades e instituições chinesas que cometem ou toleram graves violações da liberdade religiosa. Finalmente, a comissão insta os EUA e outros governos a pressionarem o governo comunista chinês para libertar incondicionalmente os prisioneiros de consciência.

16.5.4 Tribunal popular conclui que a extração forçada de órgãos continua atualmente 

 Um tribunal popular independente em Londres, estabelecido para investigar a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência na China, anunciou as suas conclusões em 17 de junho de 2019.

 O tribunal concluiu que o Partido Comunista Chinês (PCC) tem extraído órgãos de praticantes vivos do Falun Gong na China por muitos anos e que essa brutalidade continua até hoje367

A extração forçada de órgãos tem sido cometida há anos na China, em uma escala significativa, e os praticantes do Falun Gong têm sido uma e, provavelmente a principal, fonte de suprimento de órgãos. A perseguição concomitante com testes médicos nos uigures é mais recente e possivelmente a evidência da extração forçada de órgãos deste grupo possa emergir no devido tempo. O tribunal não apresentou evidências de que a infraestrutura significativa associada à indústria de transplantes da China tenha sido desfeita e, na ausência de uma explicação satisfatória sobre as fontes de órgãos prontamente disponíveis, conclui que a extração forçada de órgãos continua até hoje.

 Presidido por Sir Geoffrey Nice QC, que trabalhou no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e liderou a acusação contra Slobodan Milosevic, o tribunal de sete membros chegou à sua conclusão depois de interrogar “mais de 50 testemunhas, especialistas, investigadores e analistas durante cinco dias de audiências públicas, em dezembro de 2018 e abril de 2019, e fazer a revisão de alegações escritas, relatórios de investigação e trabalhos acadêmicos”.

Apêndices: Três fatos principais sobre a perseguição ao Falun Gong

 Na China totalitária, as “notícias” são cuidadosamente elaboradas pela mídia controlada pelo governo chinês para promover os interesses do Partido Comunista Chinês. Essa vasta máquina de propaganda tem desempenhado um papel importante na perseguição ao Falun Gong.

 Ao inundar as transmissões, os jornais e as revistas com incontáveis histórias difamatórias contra o Falun Gong e o seu fundador, o Sr. Li Hongzhi, o Partido Comunista Chinês convocou toda a sociedade para as fileiras dos perseguidores. As pessoas ouvem as mentiras tantas vezes repetidamente que, no final, passam a acreditar nelas. Isso criou um ambiente no qual os praticantes não tinham direitos nem segurança. Eles podiam ser atacados impunemente e tornou-se fácil para o povo chinês fechar os ouvidos aos gritos dos inocentes torturados.

 A propaganda também tem enganado muitos no ocidente, que desenvolveram percepções imprecisas sobre o Falun Gong devido a isso. Os três capítulos seguintes desmascaram as mentiras mais comuns que o PCC usou para tornar a opinião pública contra o Falun Gong.

Principais destaques 

 O apelo pacífico com mais de 10 mil praticantes do Falun Gong em 25 de abril de 1999, foi falsamente caracterizado como um “cerco ao complexo central do governo” por Jiang Zemin, que o usou para justificar o prosseguimento da perseguição. Os manifestantes estavam apelando em nome de 45 praticantes que foram espancados e presos em Tianjin e haviam sido instruídos a ir ao escritório de apelação nacional em Pequim para fazer isso. O apelo pacífico e ordeiro foi resolvido pacificamente depois dos representantes dos praticantes se encontrarem com o primeiro-ministro Zhu Rongji.

 Em 23 de janeiro de 2001, cinco indivíduos supostamente se incendiaram na Praça Tiananmen, mas eles não eram praticantes de Falun Gong, como alegado pela mídia controlada pelo governo chinês. O evento foi planejado com antecedência, filmado de vários ângulos em uma área segura e transmitido para toda a China imediatamente após haver ocorrido. Mesmo que a autoimolação tenha sido, mais tarde, considerada uma encenação, ela foi usada com sucesso para voltar a opinião pública contra o Falun Gong.

 As autoridades chinesas alegaram que o Falun Gong “levou a mais de 1.400 mortes” de seus seguidores, mas os casos encontrados foram inventados. As alegadas vítimas que foram investigadas não praticavam o Falun Gong ou simplesmente não existiam. As autoridades chinesas alegam falsamente que os ensinamentos do Falun Gong proíbem os praticantes de tomarem medicamentos e procurarem por tratamento médico.

Apêndice 1: Manifestação pacífica de 25 de abril de 1999

A1.1 Visão geral368

A1.1.1 Contexto

 Em 23 e 24 de abril de 1999, a polícia de Tianjin, uma cidade perto de Pequim, agrediu e prendeu dezenas de praticantes do Falun Gong que haviam se reunido do lado de fora do escritório de uma revista para discutir erros em um artigo recentemente publicado que atacava o Falun Gong. Conforme se espalhava a notícia das prisões e mais praticantes do Falun Gong questionavam os oficiais, foi dito aos praticantes que levassem os seus apelos a Pequim. No dia seguinte, 25 de abril, mais de 10 mil praticantes do Falun Gong reuniram-se espontaneamente no Escritório Central de Apelações em Pequim, como haviam sido instruídos a fazer pelos oficiais de Tianjin. A reunião foi pacífica e ordeira. Vários representantes do Falun Gong foram chamados para se encontrarem com o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, e membros da sua equipe. Naquela noite, as preocupações dos praticantes do Falun Gong foram sanadas, os praticantes detidos em Tianjin foram libertados e todos foram para casa.

A1.1.2 O problema

 De acordo com várias fontes dentro do governo chinês, nos meses seguintes a 25 de abril, uma luta política feroz seguiu-se dentro dos escalões superiores do PCC. Então o líder do PCC, Jiang Zemin, pediu ao governo para “destruir” o Falun Gong, enquanto outros membros do Politburo não viam qualquer ameaça na prática. O analista da CNN, Willy Lam, citou altos funcionários que disseram que a supressão ao Falun Gong havia se tornado muito “pessoal” para Jiang Zemin. Em julho, Jiang ordenou formalmente a perseguição ao Falun Gong. A reunião de 25 de abril foi rapidamente requalificada, não como o apelo pacífico que foi, mas sim como “cerco” ao complexo central do governo e a “evidência” de como o Falun Gong era uma ameaça.

A1.1.3 Por que isso importa?

 A deturpação do 25 de abril como “cerco” do complexo central do governo politizou o Falun Gong, tanto na China como no exterior. Assim, ao invés de ver a perseguição do PCC como a violenta supressão de uma minoria religiosa, uma narrativa de que o Falun Gong e o PCC lutavam pelo poder começou a evoluir. Além disso, alguns observadores chineses no Ocidente acreditavam que o Falun Gong trouxe a perseguição sobre si mesmo, “desafiando” o governo em 25 de abril. Essa narrativa corroeu o entusiasmo de muitos dos prováveis apoiadores dos direitos humanos e religiosos e continua a ser o maior fator no fenômeno que culpa a vítima e que permeia a investigação e a divulgação de informações sobre a perseguição ao Falun Gong de forma mais ampla.

A1.2 Fatos resumidos369

A1.2.1 Por que os praticantes do Falun Gong apelaram ao Comitê Central do PCC?

 No início de junho de 1996, o Departamento Central de Propaganda estruturou vários níveis de governo para criticar o Falun Gong. O Guangming Daily lançou a primeira onda com o artigo intitulado Alarm Bell Keeps Ring (“O alarme continua tocando”). A Agência de Publicação de Notícias, subsequentemente, proibiu a publicação, a distribuição e a venda de livros do Falun Gong.

 Antes de 25 de abril, a polícia em toda a China já havia começado a apreender os livros do Falun Gong e a interferir com os locais de exercícios de grupo. As prisões de praticantes pela polícia de Tianjin foram uma escalada na perseguição .

A1.2.2 Como tantas pessoas foram apelar em 25 de abril de 1999?

 Do Portão Sul do Parque Beihai até o lado oeste do Portão Xi'na e da Rua Fuyou ao beco a oeste dela – só nestes dois lugares, havia 30 mil pessoas. Os praticantes que foram mais tarde foram parados nas periferias mais exteriores. Os praticantes de fora da cidade foram proibidos de sair das estações de trem ou foram bloqueados nos pontos de controle da rodovia e não puderam entrar em Pequim. O governo chinês só reconheceu um número muito reduzido de 10 mil, mas o número real excedeu em muito a isso.

A1.2.3 Quais os pedidos dos praticantes?

 Eles tinham três pedidos na época:
 1. Para a polícia de Tianjin libertar os praticantes do Falun Gong que foram levados sob custódia.
 2. Que os praticantes do Falun Gong tenham um ambiente não hostil no qual possam praticar.
 3. Que a impressão dos livros do Falun Gong seja permitida.

A1.2.4 Qual o comportamento dos manifestantes?

 Na rua principal do Parque Beihai até o Portão de Xi'an, o tráfego fluiu suavemente durante todo o dia. Alguns praticantes tomaram a iniciativa de garantir o fluxo suave do tráfego de veículos e pedestres. Os praticantes caminharam ao longo da beira da estrada, permitindo que os pedestres usassem a calçada. Eles eram calmos e pacíficos.

A1.2.5 Como o apelo terminou?

 Por volta das 22h, chegou uma mensagem do Portão Oeste de Zhongnanhai: “Os representantes retornaram e transmitiram os pedidos dos praticantes aos líderes do Comitê Central. Todos os praticantes presos pela polícia de Tianjin foram libertados. Agora todos podem ir para casa”. Os praticantes limparam o ambiente e até recolheram bitucas de cigarro deixadas pela polícia. Em menos de 20 minutos, todos os praticantes foram embora.

A1.2.6 Um caso não resolvido:

 O primeiro ministro Zhu Rongji perguntou aos representantes do Falun Gong se haviam lido o seu comentário sobre o Falun Gong. Os representantes do Falun Gong disseram que nunca o viram. Muitos se perguntaram quem havia retido o comentário e porque foi retido. Isso permanece desconhecido até hoje.

A1.3 Análises370

A1.3.1 Sequência de eventos

 Um estudioso chamado He Zuoxiu, da Academia Chinesa de Ciências, publicou um artigo intitulado “Eu não concordo com adolescentes praticando qigong” na Ciência e Tecnologia para a Juventude (uma revista publicada pela Faculdade de Educação de Tianjin). No artigo, ele inventou histórias em que o Falun Gong levava a doenças mentais e implicou que o Falun Gong poderia se tornar uma organização similar aos Boxers, que lideraram uma rebelião no século XIX, a qual destruiu a nação.

 Alguns praticantes foram para a Faculdade de Educação de Tianjin, entre 18 e 24 de abril para conversar com os editores da revista para esclarecer a difamação e transmitir as suas próprias experiências na prática do Falun Gong. As conversas foram calmas e pacíficas. Entretanto, o Escritório de Segurança Pública de Tianjin enviou a polícia de choque nos dias 23 e 24 de abril, que espancou os praticantes e prendeu 45 deles.

 Quando outros praticantes foram ao governo da cidade de Tianjin para obter a sua libertação, receberam a notícia de que o Ministério da Segurança Pública estava envolvido e que não podia libertar os praticantes sem a aprovação de Pequim. A polícia de Tianjin disse aos praticantes: “Vão a Pequim. Só indo a Pequim podem resolver o problema”.

 Em 25 de abril, os praticantes reuniram-se fora do Escritório Nacional de Apelações em Pequim para pedir: 1) a libertação dos praticantes detidos em Tianjin, 2) um ambiente aberto e legal para a prática dos exercícios do Falun Gong e 3) a revogação da proibição da publicação dos livros do Falun Gong.

 Vários policiais disseram aos praticantes no escritório de apelação que um lugar não era seguro e que o outro lugar estava fora dos limites. Seguindo instruções da polícia, os praticantes dividiram-se em dois grupos ao lado de Zhongnanhai. Mais tarde, He Zuoxiu chegou e tentou provocar os praticantes, que não lhe responderam.

 Segundo uma testemunha, na noite de 24 de abril, alguns praticantes que trabalhavam no Departamento de Segurança Pública já haviam submetido suas identidades a Zhongnanhai, pedindo uma chance de discutir a situação. Não houve resposta. Às 21h, os praticantes começaram a se reunir na Rua Fuyou, perto de Zhongnanhai, alguns com bagagem, outros com esteiras de meditação.

 Às 6 da manhã do dia 25 de abril, uma testemunha foi até a entrada norte da Rua Fuyou e descobriu que a polícia estava bloqueando o caminho para Zhongnanhai. Nenhum dos praticantes tentou forçar a passagem. A polícia primeiro conduziu os praticantes do lado leste da rua para o lado oeste, e depois os orientou a caminhar para o sul em direção a Zhongnanhai. Entretanto, outro grupo veio da direção oposta, também liderado pela polícia, e ambos os grupos se encontraram do lado de fora da entrada principal de Zhongnanhai. Segundo a mídia, havia mais de 10 mil praticantes reunidos do lado de fora de Zhongnanhai.

 Logo, havia praticantes se aproximando de todas as direções. Eles encheram todas as calçadas do lado de fora de Zhongnanhai. Mas o trânsito não estava de todo bloqueado; mesmo o percurso para os deficientes permanecia livre. Havia homens e mulheres nos seus 80 anos, mulheres grávidas no final da gestação, e mães que seguravam os seus recém-nascidos. Os praticantes não vagueavam pelas ruas, não gritavam slogans, não faziam sinais em grupo, nem começaram brigas.

 Na China, apelar ao governo não requer uma autorização do Gabinete de Segurança Pública. Cada praticante foi representar suas próprias opiniões e relatar os maus-tratos que eles e seus amigos vinham sofrendo. Eles não violaram quaisquer leis ou regulamentos. Uma vez que os praticantes pensaram haver alcançado o objetivo de expressar as suas preocupações e buscar compreensão e apoio do governo, eles se dispersaram calmamente.

A1.3.2 Causas da manifestação

 Aparentemente, o apelo do 25 de abril parece haver sido desencadeado pelas prisões de Tianjin e uma reportagem contra o Falun Gong, escrita por He Zuoxiu. A razão subjacente surgiu da ansiedade das autoridades centrais sobre a popularidade sem precedentes do Falun Gong. Sete anos após a primeira palestra pública do Sr. Li Hongzhi, em 1992, havia cerca de 70 a 100 milhões de praticantes do Falun Gong na China continental. Um entendimento completo do incidente é muito complexo, pois este teve causas de longo e curto prazo e estava relacionado a lutas políticas dentro do Partido Comunista Chinês.

 (a) Causa de longo prazo

 A causa de longo prazo do apelo de 25 de abril foi a contínua perseguição ao Falun Gong. Com a rápida disseminação do Falun Gong, a liderança central do Partido temia perder o controle ideológico sobre o povo. O governo estava, portanto, tentando prejudicar o Falun Gong através da mídia, da proibição de livros, da condução de investigações secretas e da perturbação dos locais de prática de exercícios nos anos anteriores. O governo já estava tentando destruir o ambiente dos praticantes do Falun Gong. Os praticantes não tinham outra maneira de divulgar os fatos sobre a perseguição a não ser apelando para as autoridades centrais. A reunião de 25 de abril teve como objetivo fazer exatamente isso.

 As autoridades centrais começaram a criticar o Falun Gong em 17 de junho de 1996. Nesse dia, o Guangming Daily (a voz oficial do Conselho de Estado que produz reportagens que refletem apenas as opiniões dos funcionários do governo) publicou um artigo criticando o Falun Gong como “anticiência” e “superstição” e rotulou os seus praticantes como “estúpidos”. 

 Em 24 de julho de 1996, o Gabinete de Publicação de Notícias da China emitiu um aviso para confiscar imediatamente cinco livros em todo o país, incluindo o Falun Gong (anteriormente chamado de China Falun Gong). Dezenas de jornais e revistas logo se juntaram à campanha contra o Falun Gong. Alguns estudiosos oficiais, como He Zuoxiu, também estavam ativos na campanha. O Escritório Central de Publicações Nacionais e o Departamento Central de Propaganda também ordenaram a todas as editoras que não publicassem livros relacionados ao Falun Gong.

 No início de 1997, Luo Gan (membro do Comitê Permanente do Politburo e secretário do Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos) ordenou ao Ministério de Segurança Pública que conduzisse uma investigação em todo o país sobre o Falun Gong para recolher provas de que a prática se tratava de um “culto do mal”. A investigação terminou após os departamentos de segurança pública não terem encontrado quaisquer atividades criminosas no Falun Gong.

 Em maio de 1998, o programa Beijing Express da Beijing TV Station (BTV), transmitiu um trecho de reportagem de He Zuoxiu que difamava o Falun Gong, usando material sem relação com a prática. Após a transmissão, centenas de praticantes do Falun Gong nas regiões de Pequim e Hebei escreveram para a estação de TV para apontar as informações falsas que foram mostradas no programa. Em 2 de junho de 1998, a BTV transmitiu uma correção reconhecendo o erro do programa anterior. Vale notar que He Zuoxiu, mais tarde, usou o mesmo conteúdo difamatório em sua reportagem na revista.

 Também em maio de 1998, a Administração Geral do Esporte da China iniciou uma investigação abrangente sobre o Falun Gong. Em 20 de outubro do mesmo ano, o investigador chefe das cidades de Changchun e Harbin declarou que o Falun Gong foi eficaz em melhorar a saúde e a cultura espiritual das pessoas. Investigações em Pequim, Guangdong, Dalian e Wuhan chegaram a conclusões semelhantes.

 Em julho de 1998, sob ordens de Luo Gan, o Ministério de Segurança Pública emitiu o Aviso [1998] nº 555 para investigar o Falun Gong. A notificação primeiro concluiu que o Falun Gong era um “culto maligno”, antes de ordenar aos departamentos locais de segurança pública e proteção política que procurassem por evidências de atividades criminosas de praticantes do Falun Gong. Em outras palavras, o Ministério culpou a prática antes de conduzir a investigação. 

 Depois desse documento ser emitido, muitos escritórios locais de segurança pública anunciaram que as atividades do Falun Gong eram consideradas reuniões ilegais. Eles dispersaram os grupos de exercícios, confiscaram a propriedade pessoal dos praticantes, os detiveram, os prenderam, os espancaram e os agrediram verbalmente. Em algumas regiões, os praticantes foram multados e os livros relacionados ao Falun Gong foram banidos. Os praticantes tentaram muitas vezes apelar através dos canais normais, mas não tiveram sucesso.

 O PCC permite somente a voz oficial na esfera pública. A essa altura, muitas reportagens que criticavam, caluniavam e difamavam o Falun Gong haviam sido publicadas. Nenhuma reportagem defendendo o Falun Gong recebeu autorização de ser publicada. Sob essas condições, os praticantes do Falun Gong não tiveram outra opção a não ser ir a Pequim e pedir ao governo para lhes proporcionar um ambiente irrestrito para praticar a sua fé.

 (b) Causas políticas

 A campanha de repressão do governo, que levou ao apelo de 25 de abril, estava provavelmente relacionada com as lutas políticas entre os altos funcionários públicos. Diferentes grupos dentro do governo central tinham uma variedade de pontos de vista sobre o Falun Gong. Entre eles, alguns tentaram lucrar com a destruição do Falun Gong a fim de avançar em suas carreiras políticas. De acordo com um relatório da Agência Central de Notícias (5/4 de Taipé), o esquema político do governo por trás do incidente do 25 de abril poderia ser classificado como uma “abertura antes de captura” e uma “cilada baseada no sofrimento [do governo] antes de acusar [o Falun Gong]”. O objetivo era fazer Zhongnanhai parecer estar sob pressão e depois proibir o Falun Gong, permitindo ao governo demonstrar a sua força na destruição da assim chamada ameaça.

Já em 1996, o rápido desenvolvimento do Falun Gong chamou a atenção da liderança central do Partido. Luo Gan, secretário geral do Conselho de Estado na época, ordenou ao Ministério de Segurança Pública que conduzisse uma investigação secreta. O pessoal da segurança pública participou disfarçado em várias atividades do Falun Gong, mas não encontrou qualquer evidência de conduta criminosa.

 Mesmo com a falta de provas, ainda havia duas opiniões dentro do governo sobre como lidar com o Falun Gong. Um lado achava que o Falun Gong não era um problema político e, portanto, não deveria ser banido. O outro lado estava preocupado com a crescente popularidade e influência do Falun Gong e pensou que, potencialmente, poderia se tornar uma força contrária ao Partido Comunista Chinês. Luo Gan defendeu a proibição do Falun Gong, o primeiro ministro Zhu Rongji rejeitou a ideia e o presidente Jiang Zemin não expressou uma opinião.

 Luo Gan é parente de He Zuoxiu, que usou a mídia para criticar o Falun Gong e criar incidentes que levariam todos os níveis do Partido Comunista Chinês a concordar em banir o Falun Gong. Após o incidente do 25 de abril, Luo Gan relatou que o Falun Gong tinha dezenas de milhões de seguidores, que era de natureza “religiosa e supersticiosa” e que o Sr. Li Hongzhi, que vivia em Nova York, era suspeito de ter uma rede complexa de conexões internacionais. Ele relatou que o Falun Gong era, portanto, uma ameaça potencial à estabilidade social. Essas opiniões foram amplamente difundidas para Hong Kong e para a mídia internacional visando exagerar a ameaça potencial do Falun Gong.

 Na verdade, o Falun Gong é uma prática vagamente organizada, sem nenhuma hierarquia ou filiações, e os seus praticantes não poderiam ter sido “bem organizados e dirigidos” como alegado.

A1.3.3 Alguns esclarecimentos

 (a) Os praticantes foram enganados pelas autoridades para ficarem em torno de Zhongnanhai

 O PCC alegou que os praticantes do Falun Gong “cercaram” Zhongnanhai. Como discutido anteriormente, essa ação foi estabelecida pela polícia, que levou os praticantes do Falun Gong a tomar duas rotas que convergiram na entrada principal de Zhongnanhai e formaram um círculo. Mesmo quando a testemunha estava descrevendo o que viu, não percebeu o resultado do arranjo.

 Três dias antes do apelo de 25 de abril, a polícia havia recebido informações sobre a reunião iminente e estava monitorando de perto a situação. No entanto, optaram por não comunicar as informações. Quando foi pedido a He Zuoxiu que comentasse o incidente, ele disse: “Por enquanto, eu não vou comentar porque não quero estragar todo o arranjo”.

 (b) Os praticantes foram a Pequim apenas para apelar

 Os praticantes foram para Pequim e Tianjin porque não havia outra maneira de expor os fatos e buscar a reparação pela calúnia que estava sendo espalhada contra eles.

 O artigo 41 da Constituição Chinesa concede aos cidadãos o direito de criticar e fazer sugestões a respeito de qualquer órgão ou função do Estado. O 10º Código do “Códigos de Apelo” chinês estabelece que as questões no processo de apelo devem ser submetidas aos departamentos executivos apropriados ou a um nível superior, uma vez que esses departamentos têm o direito legal de tomar decisões.

 Desde que os praticantes foram presos em Tianjin no dia 23 de abril, outros praticantes se reuniram no Escritório de Apelações do governo da cidade de Tianjin. O apelo não foi bem recebido e mais de 40 praticantes foram presos nesse lugar. Como resultado, os praticantes tiveram que apelar para o nível acima do governo da cidade de Tianjin, o qual é o governo central de Pequim. Os apelos em Tianjin e Pequim não violaram qualquer regulamento do governo.

 (c) O encontro de 25 de abril não foi idealizado pelo Sr. Li Hongzhi

 Em um relatório de 10 mil palavras do Ministério da Segurança Pública, o Sr. Li Hongzhi, o fundador do Falun Gong, foi acusado de organizar nos bastidores o apelo de 25 de abril. Na verdade, o Sr. Li estava fazendo uma escala em Pequim, a caminho da Austrália, para participar de uma conferência do Falun Gong, mas ele não estava em Pequim em 25 de abril. Para reduzir o custo da sua passagem de avião, ele fez escala em Pequim e em Hong Kong. Ele esteve em Pequim por 48 horas antes de partir para Hong Kong no dia 24 de abril.

 (d) Como 10 mil pessoas se reúnem sem serem “organizadas”

 O governo chinês questionou como, sem qualquer organização, tantas pessoas chegaram a Zhongnanhai ao mesmo tempo. As notícias das prisões de Tianjin se espalharam rapidamente de pessoa para pessoa, assim como o próprio Falun Gong espalhou-se rapidamente de um para outro, enquanto os praticantes contavam aos seus amigos e familiares como haviam se beneficiado com a prática. Essa rede permite que a informação flua para muitas pessoas sem uma organização ou planejamento por uma figura central.

 Alguns observadores notaram que os praticantes fora de Zhongnanhai foram mais disciplinados do que a polícia, sugerindo que a multidão foi treinada extensivamente. Entretanto, devemos notar que os ensinamentos do Falun Gong encorajam os praticantes a disciplinar a si mesmos, evitar respostas emocionais impulsivas e considerar os outros antes de si mesmos. Esse comportamento calmo é o padrão que eles mantêm diariamente. Ao invés de uma multidão disciplinada, era uma multidão de indivíduos disciplinados.

 (e) Resumo: Quem realmente “perturbou a estabilidade social?”

 Como mencionado acima, os praticantes do Falun Gong são ensinados a serem cidadãos exemplares e trabalhadores diligentes e honestos, ao mesmo tempo que consideram com leveza o ganho pessoal. Na cidade de Changchun havia um ditado entre os empregados: “Nós contrataremos quem quer que pratique o Falun Gong, porque a prática deixa as nossas mentes tranquilas”. Em casa, os praticantes esforçam-se para ser bons maridos, boas esposas e bons filhos, trabalhando para garantir uma vida familiar pacífica e harmoniosa. Eles são ensinados a examinar a si mesmos para observar suas falhas quando encontram conflitos interpessoais.

 Essas qualidades não perturbam a ordem social, mas, em vez disso, a garantem. Isso está de acordo com o desejo declarado do governo chinês de ter “estabilidade acima de tudo”.

 Porém, em vez de abraçar esses valores, o governo alienou dezenas de milhões de pessoas inocentes. Os pais foram presos e levados para campos de trabalho ou prisões, deixando seus filhos para trás, às vezes até sem assistência. Famílias e comunidades têm sido dilaceradas. Mães têm difamado suas filhas, filhos denunciam seus pais e vizinhos à polícia e denunciam uns aos outros. Estudantes foram expulsos da escola por praticarem o Falun Gong e trabalhadores foram demitidos dos seus empregos e multados com valores exorbitantes por não renunciarem à sua fé. Todos foram proibidos de permanecer neutros e a perseguição alcançou o oposto da estabilidade social.

Apêndice 2: A farsa da autoimolação na Praça Tiananmen

A2.1 Visão geral371

A2.1.1 Contexto

 No final de 2000, um ano e meio depois que o Partido Comunista Chinês (PCC) lançou a perseguição ao Falun Gong, a campanha falhou em conseguir apoio entre muitos dos escalões do PCC. O líder do Partido, Jiang Zemin, havia visitado as províncias do Sul no início de 2000, na esperança de conseguir mais apoio para a campanha entre os líderes locais. Enquanto isso, o apoio público para a campanha havia diminuído. Em 23 de janeiro de 2001, cinco indivíduos supostamente se incendiaram na Praça Tiananmen, em Pequim. O evento inteiro foi filmado de vários ângulos. Apenas horas após o evento, a mídia estatal foi inundada com reportagens de que os autoimoladores eram praticantes do Falun Gong. Essas reportagens incluíam imagens horríveis das vítimas, retratando os ensinamentos do Falun Gong como sendo diretamente responsáveis pela tragédia.

A2.1.2 O problema

 Nas semanas que se seguiram ao evento, uma grande quantidade de evidências que não foi abordada (incluindo um artigo do Washington Post que descobriu que dois dos autoimoladores nunca haviam praticado o Falun Gong) indicou que o incidente inteiro foi encenado. Enquanto as pessoas dentro da China não tinham acesso a essas informações, a mídia estatal chinesa continuava a sua campanha bombástica para retratar os “autoimoladores” como praticantes do Falun Gong. As pessoas em toda a China passaram de respeitar e simpatizar com o Falun Gong a se enfurecerem com ele e atacarem a prática. Os crimes de ódio contra os praticantes de Falun Gong aumentaram e o PCC aumentou a sua perseguição com o aumento das prisões, torturas, assassinatos e a extração forçada de órgãos.

A2.1.3 Por que isso importa?

 Com 70 a 100 milhões de praticantes do Falun Gong na China, em 1999, a disciplina tradicional era um nome amplamente familiar e respeitado por isso. A encenação da “autoimolação”, no entanto, mudou tudo da noite para o dia e, até hoje, continua sendo o fator mais influente no ódio e medo do povo chinês pela prática do Falun Gong. A resultante apatia e hostilidade em relação ao Falun Gong na China tem facilitado muito a tentativa do regime de erradicar a prática.

A2.2 Fatos resumidos

False Fire: China’s Tragic New Standard in State Deception (Fogo falso: o novo padrão trágico da China em fraude do Estado), um documento produzido pela NTD Television, que mostrou como a autoimmolação foi encenada e que ganhou um Certificado de Menção Honrosa no 51st Columbus International Film & Video Festival.

 A organização de Desenvolvimento Internacional da Educação (DIE) condenou a perseguição aos praticantes do Falun Gong na China e referiu-se a ela como “terrorismo de Estado”. “Obtivemos um vídeo desse incidente que, do nosso ponto de vista, prova que esse evento foi encenado pelo governo. Temos cópias desse vídeo disponíveis para distribuição”, disse uma declaração do DIE para as Nações Unidas em 14 de agosto de 2001. Numerosos presentes também testemunharam de forma independente que a lei marcial foi aplicada na Praça Tiananmen naquele dia, o que teria impedido os praticantes do Falun Gong de entrar na praça.

 Com base nessas evidências, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) também considerou o incidente de autoimolação uma encenação.

A2.3 Análises

 Abaixo está uma seleção de fatos que revelam como a farsa da autoimolação na Praça Tiananmen foi encenada pelas autoridades chinesas para fins de propaganda372. Esses são corroborados pelos relatos de pelo menos dez testemunhos oculares e seis informantes que viram ou tiveram conhecimento antecipado do evento.

A2.3.1 A vítima, Liu Chunling, não praticava o Falun Gong e morreu de traumatismo craniano

 A execução do programa da TV Central Chinesa (CCTV) reproduzida em câmera lenta mostra que uma das mulheres, Liu Chunling, que na versão dos eventos da Xinhua, supostamente morreu de queimaduras, na verdade recebeu um forte golpe na testa com o que parece ser uma barra de metal, por um homem usando um sobretudo do exército. Ela é vista caindo instantaneamente no chão e muito provavelmente morreu por causa desse golpe. O homem com o casaco militar não realizou qualquer tentativa de resgatar Liu Chunling.

 Na cena em que Liu Chunling recebe o golpe mortal, seu cabelo queimava. Isso significava que ela não podia estar em chamas por mais do que alguns segundos. No entanto, os policiais começaram a apagar o fogo desde o início das chamas e teriam sido capazes de apagar as chamas antes de ela ser ferida mortalmente.

 Em 4 de fevereiro de 2001, o Washington Post publicou uma reportagem investigativa na primeira página intitulada “Fogo humano inflama mistério chinês: motivo para queima pública intensifica a luta contra o Falun Gong”373. A reportagem afirmou que Liu Chunling não era de Kaifeng, como alegado, e que ninguém jamais havia visto Liu praticar os exercícios do Falun Gong.

A2.3.2 Inúmeras inconsistências em torno de Wang Jindong

 Um dos autoimoladores, Wang Jindong, supostamente usou uma garrafa de plástico verde de Sprite cheia de gasolina para se molhar com o líquido inflamável. Uma garrafa de plástico cheia de gasolina deveria ser uma das primeiras coisas a derreter em um incêndio. No entanto, as imagens de vídeo mostraram que a garrafa estava intacta entre as pernas de Wang.

 De acordo com a reportagem oficial, a polícia extinguiu as chamas em menos de um minuto. O cabelo humano é altamente inflamável e queima totalmente em apenas alguns segundos em contato com o fogo. No vídeo, no entanto, o cabelo de Wang não queimou, enquanto o seu rosto parecia queimado até ficar cinza claro. Apesar da Xinhua afirmar que Wang estava coberto de chamas e fumaça, as filmagens da CCTV nunca o mostram em chamas ou emitindo fumaça.

 As filmagens da CCTV também mostram um policial esperando atrás de Wang enquanto este está sentado na Praça Tiananmen. Só depois de Wang gritar alguns slogans é que o policial o cobre com uma manta antichamas, como se estivesse esperando por um sinal. Se isso fosse realmente uma questão de vida ou morte, ele teria sido coberto imediatamente.

 Finalmente, enquanto oficiais do governo disseram que Wang Jindong era um praticante do Falun Gong e que era responsável por coordenar a autoimolação, nem as palavras que Wang gritou nem sua posição de meditação eram consistentes com o Falun Gong.

 Wang tentou dar uma explicação em uma entrevista em abril de 2003 para a Xinhua: “Enquanto eu acendia o isqueiro, instantaneamente as chamas me engoliram. Não tive tempo de me sentar na postura Dapan, então me sentei na postura de uma perna cruzada”. No entanto, o termo “Dapan” não faz parte do Falun Gong e Wang não se sentou com uma perna cruzada no vídeo do circuito interno.

 Alguns espectadores observaram que Wang Jindong sentou-se exatamente como um soldado chinês. De acordo com uma fonte confiável da China, a pessoa no vídeo era na verdade um oficial do Exército de Libertação do Povo.

A2.3.3 Menina de 12 anos canta depois da traqueostomia

 Em uma traqueostomia, é feita uma incisão na traqueia e um tubo é colocado na garganta abaixo das cordas vocais para que o paciente possa respirar. O paciente não consegue respirar pela boca ou pelo nariz e o ar não consegue chegar às cordas vocais e à laringe, de modo que o paciente não consegue falar. Leva muitos dias para um adulto se ajustar a isso e muito mais tempo para uma criança. Se um paciente quer realmente falar, ele tem que cobrir a abertura do tubo, mas a voz será intermitente e pouco clara.

 No entanto, em uma entrevista de Liu Siying, a vítima de 12 anos, pela Agência de Notícias Xinhua, retratou a menina cantando e falando com os entrevistadores em voz alta e clara apenas quatro dias após uma traqueostomia. Isso é clinicamente impossível.

 As autoridades não permitiram que outros repórteres, além dos da Xinhua, entrevistassem Liu Siying, nem permitiram que membros da família dela a visitassem. Ameaçaram a sua avó a tal ponto que ela ficou demasiado aterrorizada para ser entrevistada.

 Liu Siying morreu subitamente em 17 de março de 2001, quando estava pronta para receber alta. Um dos médicos da equipe que tratou Liu Siying disse: “Liu Siying morreu repentinamente no momento que suas queimaduras estavam mais ou menos curadas. Ela tinha basicamente se recuperado e estava pronta para ter alta do hospital. A causa da sua morte é muito suspeita”.

A2.3.4 A polícia estava com equipamento de combate a incêndios pronto no incidente

 O jornal Beijing Evening News realizou uma reportagem em 16 de fevereiro de 2001: “Havia três ou quatro policiais apagando o fogo de cada autoimolador”. No total, eles tinham cerca de 25 equipamentos de combate a incêndio.

 Essa história diferiu significativamente do programa transmitido pela CCTV, que mostrou que havia apenas dois veículos da polícia no local. Os policiais que patrulham a praça normalmente não carregam equipamento de combate a incêndio e as filmagens não mostram qualquer equipamento de combate a incêndio na própria praça Tiananmen. O edifício mais próximo ficava a pelo menos 10 minutos a pé.

 Um praticante nos Estados Unidos lembrou o que viu no dia da autoimolação374:

A polícia forçou oito de nós, estudantes universitários, a entrar por um lado do Monumento dos Heróis, mas nós não sabíamos o porquê. Em pouco tempo, ouvimos um som incomum a menos de dez metros de distância e depois vimos uma bola de fogo. A bola de fogo estava correndo.

Em um minuto, muitos os policiais apareceram e apagaram o fogo com extintores e cobertores. Alguém estava gritando slogans, e por um tempo os policiais ficaram atrapalhados com corpo em chamas. Não tínhamos ideia do que estava acontecendo e apenas esticamos o pescoço para tentar ver, mas fomos expulsos para uma grande distância pela polícia.

Um dos meus colegas disse: “De onde vem esse cheiro forte de gasolina?”. Outro respondeu: “Certamente era a gasolina que estava queimando”. Quando voltamos, vimos passar quatro pessoas, todas encharcadas de gasolina. Logo que percebemos o que estava acontecendo, ouvimos o som da gasolina se incendiando e as quatro pessoas pegando fogo.

Enquanto isso, um grande grupo de policiais saiu correndo, de repente, do monumento, carregando extintores, mantas antichamas e macas. Eles rapidamente começaram a apagar o fogo e, ao mesmo tempo, bloquearam a nossa visão com as macas. Ficamos todos surpresos e exclamamos: “Eles têm tudo preparado; eles estavam prontos para o fogo! Talvez haja alguma cobertura na TV esta noite”, comentou um colega de classe.

A polícia apagou os incêndios rapidamente, mas não vimos qualquer ambulância chegando. Alguns turistas, incluindo estrangeiros, tiraram fotografias. A polícia correu para tirar suas câmeras, sem importar quem eles fossem. Nós não conseguimos descobrir o que estava acontecendo e nunca pensamos em relacionar aquelas pessoas queimando com o Falun Gong.

Enquanto isso, um sujeito de aparência honesta da minha turma foi parado pela polícia na passagem subterrânea perto da Praça Tiananmen. Eles ordenaram que ele lesse uma frase caluniando o Falun Gong em um pedaço de papel que eles lhe entregaram. Quando perguntou o porquê, um agente voltou e disse: “Se não o fizer, o prenderemos como membro do Falun Gong”. Ele ficou muito assustado, por isso leu e depois fugiu.

A2.3.5 O Falun Gong proíbe suicídio e assassinato

 A citação abaixo é do livro principal do Falun Dafa, o Zhuan Falun, publicado em 1995:

A questão de matar vidas é muito delicada, e para os praticantes nossos requisitos são comparativamente mais estritos: praticantes não podem matar vidas. Seja na Escola Buda, na Escola Tao ou nas práticas Qimen, não importa o caminho ou sistema, desde que seja uma prática de cultivo de Fa reto, todas consideram essa questão de forma absoluta e proíbem matar vidas; é algo definitivo. Como matar vidas traz sérias consequências, temos que explicar este assunto detalhadamente a todos. Nos ensinamentos originais de Sakyamuni, matar vidas referia-se principalmente a matar seres humanos, e isso é o mais grave. Mais tarde, matar criaturas grandes ‒ animais de criação e outras criaturas maiores ‒ também foi considerado algo muito sério. Por que no mundo do cultivo matar sempre foi considerado tão seriamente? No Budismo, desde o passado é dito que as vidas que são mortas, mas que ainda não deveriam morrer, tornam-se almas solitárias, fantasmas desamparados. O ritual para redimir almas do qual se falava no passado é precisamente para essas vidas. Sem tal ritual, essas vidas sofreriam de fome e sede, a situação delas seria terrível. É o que no passado se dizia no Budismo. (Zhuan Falun, “A questão de matar vidas”)

 A seguinte citação é de uma das palestras do Mestre Li Hongzhi em Sydney, em 1996, respondendo diretamente à pergunta de um praticante sobre suicídio:

Pergunta: A terceira pergunta é a questão de matar como mencionada no livro. Matar é um grande pecado. Se uma pessoa comete suicídio, é considerado pecado ou não? 

Mestre: Sim é considerado pecado. Atualmente, a sociedade humana já não é boa e todo tipo de coisas estranhas surgiu. Elas falam da chamada eutanásia, em dar injeções para fazer alguém morrer. Todos sabem disso. Por que dão injeções para fazer alguém morrer? Elas acham que ele está sofrendo. Porém, nós entendemos que tal sofrimento está eliminando carma. Quando ele reencarnar na próxima vida, ele terá um corpo leve, sem carma e uma grande felicidade espera por ele. Quando ele está em meio à dor e eliminando carma, definitivamente, não é uma situação agradável. Se você não permite que ele elimine carma e o mata, isso não é um assassinato? Se ele se vai levando carma, ele terá que pagá-lo na próxima vida. Então, o que vocês acham que é certo? Cometer suicídio é outro pecado. A vida de uma pessoa está pré-planejada. Você interrompe todo o esquema planejado por Deus. Por meio das obrigações que vocês têm na sociedade, existe uma forma de relacionamento entre as pessoas. Se a pessoa morre, isso interrompe todo o esquema planejado por Deus, não é? Se você interrompe isso, ele não deixará isso ficar assim. Portanto, o suicídio é um pecado. (Expondo o Fa em Sidney, 1996)

 Baseado nesse ensinamento, nenhum praticante genuíno do Falun Dafa consideraria se autoimolar. Descobriu-se que os atores que realizaram a encenação da “autoimolação” não eram praticantes. Não há relatos válidos ou sólidos de praticantes do Falun Gong matando ou cometendo suicídio antes ou depois deste evento.

Apêndice 3: 1.400 mortes alegadas

A3.1 Visão geral375

A3.1.1 Contexto

 As autoridades chinesas alegaram que “a prática do Falun Gong levou a mais de 1.400 mortes” de seus seguidores. Embora o Falun Gong tenha sido amplamente praticado na China durante os anos 90, esta alegação foi feita pela primeira vez apenas em julho de 1999, após o regime haver iniciado a perseguição ao Falun Gong. A alegação tem sido repetida por publicações e porta-vozes do governo chinês desde então.

A3.1.2 O problema

 Embora o ônus da prova recaia sobre as autoridades chinesas, que continuam a fazer esta afirmação, nunca foram apresentadas provas. Além disso, nunca foi permitida qualquer investigação independente. Quando indivíduos conseguiram investigar, foram encontrados casos forjados das alegadas mortes induzidas pelo Falun Gong, sendo que algumas das alegadas vítimas nunca existiram. Também não ocorreram mortes fora da China, onde o Falun Gong é praticado livremente. A alegação também é baseada em uma distorção dos ensinamentos do Falun Gong sobre a saúde e a medicina, muitas vezes descrevendo a prática do Falun Gong como perigosa ou insalubre. Entretanto, mesmo nos seus próprios termos, a alegação falha em resistir à análise.

A3.1.3 Por que importa?

 Várias declarações falsas sobre o Falun Gong e sobre os seus membros, criadas por funcionários e publicações comunistas chinesas, procuram desacreditar o grupo (retratando-o como perigoso, mal orientado ou nefasto) e prejudicar o apoio do mundo livre. Dentro da China, em particular, a propaganda em torno das “1.400 mortes” tem desempenhado um papel central no incentivo à repulsa e à animosidade em relação ao Falun Gong entre um grande segmento da população. Paralelos históricos recentes como a Alemanha nazista sugerem que tais deturpações podem ter consequências devastadoras.

A3.2 Análise376

 Embora não exista acusação mais assustadora por parte do governo chinês de que o Falun Gong pode levar a problemas de saúde, doenças mentais, suicídio e morte, também não há pretensão mais enganosa e imaginativa. O Falun Gong recebeu elogios e o apoio de muitos cientistas de elite e profissionais médicos de Pequim. Várias pesquisas de saúde descobriram que a prática do Falun Gong é eficaz em curar doenças em mais de 90% das vezes (com uma “taxa de cura” de quase 60%) e melhora muito a saúde mental e a qualidade de vida em geral. A enorme popularidade do Falun Gong tem sido, em grande parte, devido aos seus excepcionais benefícios para a saúde. De fato, foi isso que levou o governo chinês a incentivar a prática nos seus primeiros quatro anos, antes que os ventos políticos mudassem desfavoravelmente.

 A explicação “causal” para os supostos efeitos colaterais do Falun Gong está fundamentada em uma das duas afirmações fictícias. A primeira é a sugestão de um nexo de causalidade oculto entre a prática do Falun Gong e a psicose ou tendências suicidas. No entanto, essa é uma alegação para a qual não há qualquer base médica ou legal conhecida, e sequer alguma foi oferecida por oficiais chineses. Se essa conexão fosse estabelecida, ela rapidamente estaria estampada nas capas das revistas médicas do Leste e do Oeste.

 Em segundo lugar, o governo chinês alega que o Sr. Li Hongzhi proíbe os praticantes de Falun Gong de tomar medicamentos, colocando-os em risco. Avaliando os ensinamentos do Sr. Li, revela-se que este é um argumento totalmente incorreto, pois nunca impediu – nem poderia impedir – que os praticantes procurassem tratamento médico. Ao proibir o Falun Gong, o governo chinês está assim “protegendo” o povo chinês de algo que não existe.

 Se os riscos das acusações do governo chinês não fossem tão altos, eles poderiam até se mostrar divertidos pelas suas características fantasiosas e ilógicas. Uma vez que essas afirmações, por mais erradas que sejam, encontraram o seu caminho na mídia ocidental e foram tema de várias publicações do governo chinês em idioma inglês, nós oferecemos esclarecimentos abaixo.

 De acordo com fontes do governo chinês e da mídia estatal, o número oficial de mortes atribuídas ao Falun Gong foi fixado em 1.400. Apesar dos repetidos pedidos de mais informações sobre essa estatística, fontes chinesas nunca foram capazes de dizer como chegaram a esse número.

 Um porta-voz do Ministério de Segurança Pública declarou que o Falun Gong foi o culpado pelas mortes desses 743 “seguidores”. Mesmo que, nos sete anos anteriores à perseguição ao Falun Gong, nunca foi relatado nenhum desses 743 ou 1.400 casos.

A3.2.1 A alegação de que o Falun Gong induz à psicose e ao suicídio 

 Primeiro, considere a alegação de que o Falun Gong “causou” doenças mentais graves, resultando até em comportamento irracional, suicídio e morte.

 A doença mental é um problema sério que a China enfrenta hoje: mais de 16 milhões de pacientes mentalmente doentes estão distribuídos por todas as ocupações e grupos sociais na sociedade chinesa. A maior questão, no entanto, reside na atribuição de doenças mentais ao Falun Gong. Pode-se esperar que nenhuma dessas 16 milhões de pessoas tenha decidido praticar o Falun Gong, independentemente da advertência do Sr. Li para que pessoas com doenças mentais não o fizessem?

 Dado que todos os ensinamentos do Falun Gong estão disponíveis para visualização ou download gratuito na internet e não há qualquer organização, liderança ou membros, qualquer um poderia começar a praticar o Falun Gong. Entretanto, pessoas com doenças mentais são incapazes de viver de acordo com os princípios do Falun Gong e não experimentarão os benefícios proporcionados à saúde pela prática do Falun Gong. Assim, elas estão fadadas a sofrer os mesmos sintomas e desafios de antes.

 O governo chinês também errou ao afirmar que algumas das alegadas “1.400 mortes” são suicídios induzidos pelo Falun Gong. Primeiro, pode-se dizer que onde há suicídio há distúrbios mentais; muito provavelmente alguma forma de doença mental, seja comum (como a depressão) ou grave (como a psicose). Assim como não há base médica conhecida para afirmar que o Falun Gong poderia induzir doenças mentais, não há qualquer evidência de que o Falun Gong induza ao suicídio.

 No entanto, o governo chinês tentou incriminar o Falun Gong sobre este assunto. Em várias ocasiões, cartas supostamente do Sr. Li Hongzhi foram forjadas por escritórios do governo. Essas cartas fizeram uma variedade de declarações sem sentido, tais como “certifique-se de vir a este lugar nesta data para o suicídio em grupo” ou “está na hora de deixarmos este mundo”. Essas cartas falsas têm tentado induzir os praticantes ao suicídio – um crime punível na maioria das nações. No entanto, em nenhuma ocasião foi relatado que algum praticante tenha aparecido.

A3.2.2 Ensinamentos do Falun Gong sobre a medicina e o tratamento médico 

 O Falun Gong é mais precisamente chamado de “prática de cultivo” (xiulian), muito parecido com o “autocultivo” no Ocidente, embora genericamente seja mais uma forma de prática de qigong, pois inclui cinco exercícios suaves de qigong. Como uma prática de cultivo, a ênfase da prática do Falun Gong está no aprimoramento do xinxing (caráter moral, ou “natureza do coração e da mente”). O cultivo do xinxing é principalmente uma questão de assimilação à natureza essencial do universo: Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍). Tal assimilação é o objetivo da prática de cultivo, que, por sua vez, permite que o praticante desenvolva a sua sabedoria e alcance a “iluminação”, uma aspiração básica das práticas espirituais orientais, tais como o Taoísmo, o Budismo etc.

 O objetivo do Falun Gong, portanto, não é saúde e aptidão física, como em uma prática de qigong convencional. No entanto, a cura frequentemente ocorre como um subproduto do cultivo do xinxing na prática do Falun Gong. Portanto, muitas pessoas têm sido atraídas pelo Falun Gong pelas suas habilidades de cura.

 O Sr. Li Hongzhi deixou claro em inúmeras ocasiões que o objetivo da prática do Falun Gong não é curar as doenças de alguém. Ele foi explícito sobre esse assunto em seus ensinamentos escritos e palestras e se recusou a admitir pacientes gravemente doentes em suas palestras ou aulas. No livro mais lido do Falun Gong, o Zhuan Falun, o Sr. Li diz: “Aqui não falo sobre curar doenças e tampouco curamos doenças” (pág. 3). Ele continua mais adiante: “No entanto, alguns vêm aqui apenas para serem curados. Não permitimos que pessoas seriamente doentes assistam às aulas porque estão apegadas à busca de serem curadas, elas não podem abandonar a ideia de estarem doentes. Gravemente doentes e sofrendo muito, como elas poderiam deixar de pensar nisso? Elas não são capazes de cultivar” (pág. 38).

 Da mesma forma, o Sr. Li declarou que pacientes com doenças mentais graves (psicose) estão proibidos de participar de suas aulas ou praticar o Falun Gong, por serem incapazes de se controlar. Um requisito estrito para praticar o Falun Gong (e não diferente do qigong em geral) é que se deve ter autocontrole, tanto mental quanto físico. Deve-se ter atenção mental e deve-se estar ciente de onde se está e o que se está fazendo o tempo todo. Se a pessoa não pode satisfazer esses requisitos, então ela não pode se conduzir de acordo com o padrão de um praticante. O Sr. Li tem sido firme: pessoas que sofrem de psicose e de coisas semelhantes, devem procurar ajuda em outro lugar.

 Uma segunda questão que precisa ser esclarecida é a relação entre a prática do Falun Gong e o uso de medicamentos. O governo chinês tem repetidamente afirmado que o Sr. Li proíbe todos os praticantes do Falun Gong de tomarem remédios. No calor da sua perseguição ao Falun Gong, o jornal chinês China Daily, dirigido pelo governo chinês, publicou quatro artigos denegrindo o Falun Gong e o Sr. Li. Para a campanha contra o Falun Gong, forçar os “seguidores” a não tomarem remédios é supostamente o maior crime. Tais reportagens confundem completamente a questão, de qualquer forma, sugerindo dependência semelhante ao culto e à suspensão da escolha pessoal, pouco importando que isso deturpasse claramente o que o Sr. Li ensinou e como os praticantes têm considerado o seu ensinamento.

 Considere as próprias palavras do Sr. Li sobre a questão de tomar remédios, como declarado no China Falun Gong (o primeiro livro introdutório). Em resposta à pergunta: “Já que se pratica gong, é necessário ainda tomar remédios?”. O Sr. Li respondeu: “Sobre esse assunto, você deve pensar e decidir por si mesmo” (pág.122). Também, em uma palestra em Nova York de 1997, que desde então foi lida por quase todos os praticantes, o Sr. Li afirmou: “Uma pessoa comum precisa tomar remédios quando fica doente. Mas sendo um cultivador, também não estou proibindo de tomar medicamentos”. Ele também acrescentou: “Algumas pessoas querem danificar [o Falun Gong], e dizem coisas sobre não tomar remédios como: ‘Não podemos tomar remédios uma vez que começamos a praticar’. Na verdade, não é que eu não permita que tome medicamentos”377. No entanto, o governo chinês e a mídia traduziram tal ensinamento para passar o sentido exatamente oposto.

 A confusão sobre este assunto deriva do fato de que muitos praticantes do Falun Gong escolheram não tomar mais remédios, depois de começarem a prática de cultivo. O termo chave aqui é a “escolha”. Como em todos os outros aspectos da prática do Falun Gong, como cuidar da saúde é uma escolha livre. Como a maioria dos praticantes do Falun Gong se tornam ou são saudáveis, eles escolhem não tomar remédios simplesmente porque não é mais necessário.

A3.2.3 Como o governo chinês incriminou o Falun Gong

(a) Autoridades chinesas admitem que reportagem foi totalmente inventada

 Zhang Zhiwen matou a sua filha, depois ela própria, declarou um jornal controlado pelo governo chinês. O artigo foi reimpresso por muitos outros meios de comunicação. O único problema é que os investigadores independentes descobriram que Zhang nunca existiu.

 Hai Tao, um jornalista da Voice of America, apresentou esta reportagem em Los Angeles: Desde que o governo chinês começou a perseguir o Falun Gong em julho de 1999, todas as agências da imprensa estatal começaram a atacar o Falun Gong, o seu fundador, e os seus principais membros.

 Em 28 de novembro, uma reportagem especial escrita por Li Xingang foi publicada no jornal Xi'an Worker. A reportagem relatou que Zhang Zhiwen, uma mulher que vivia na região de Weinan, na província de Shanxi, queimou a sua filha de seis meses e depois cometeu suicídio ao incendiar a si mesma, protestando contra a perseguição do governo ao Falun Gong.

 Essa reportagem causou agitação em todo o país e foi publicada por muitos jornais em Shenzhen, Harbin, Xangai e outros lugares. O Centro de Informação dos Direitos Humanos e Movimentos Democráticos de Hong Kong investigou e descobriu que a reportagem foi uma invenção total.

 O Centro disse, citando autoridades chinesas, que as pessoas, o país, o local e a história da reportagem foram todos forjados. Um oficial chamado Wu, do Comitê de Assuntos Políticos e Jurídicos de Weinan, da província de Shanxi, testemunhou que não houve absolutamente suicídio algum por queimadura e, além disso, nenhuma mulher chamada Zhang Zhiwen existia. Além disso, muitas agências de notícias na China ligaram para verificar e obtiveram a mesma resposta.

 Quando os praticantes do Falun Gong perguntaram ao autor do artigo do Xi'an Worker porque ele fabricou a “notícia”, a resposta do autor foi: “Eu estava escrevendo ficção”.

(b) Família nega que a morte da mãe foi causada pelo Falun Gong

 A televisão estatal chinesa divulgou amplamente a morte de Ma Jinxiu como um dos “1.400 casos de mortes devido ao Falun Gong”.

 Depois do marido dela saber dessa reportagem, ele disse: “Isso não é verdade”. Ela teve diabetes durante quase 20 anos e teve um derrame duas vezes antes de praticar o Falun Gong”378. A filha da Sra. Ma, Jin Youming, escreveu em uma reportagem para explicar a morte de sua mãe379:

A minha mãe morreu claramente de um aneurisma cerebral. Enquanto estava hospitalizada, ela foi cuidadosamente atendida e tomou todos os medicamentos e injeções que os seus médicos lhe receitaram, mas mesmo assim, ela morreu. Então, por que não disseram que ela morreu como resultado do tratamento no hospital? Como é que as autoridades poderiam dizer que ela morreu por ter praticado Falun Gong só porque ela praticou o Falun Gong uma única vez?

(c) A mãe da vítima suicida esclarece a verdade sobre a história380

 A mãe de uma vítima de suicídio diz a verdade sobre a morte do seu filho e a coerção enfrentada pela sua nora viúva: 

O meu nome é Xia Zurong. O meu marido e eu somos ambos praticantes do Falun Dafa. Eu sou a mãe de Long Gang, que cometeu suicídio pulando em um rio. A sua morte foi relatada pela TV Central Chinesa (CCTV) como um de seus “1.400 casos de morte” falsamente atribuídos ao Falun Gong. Nós moramos na Rua Shuangqiao, 70, na vila Shuangshi, no distrito de Yongchuan, Chongqing.

Como pais, nós certamente saberíamos se o nosso filho tinha um problema mental e ele, de fato, tinha um problema mental. Na época em que pulou no rio, ele estava tendo um surto psicótico, que não tinha nada a ver com o Falun Gong. Como seus pais, nós devemos dizer o que é verdade. Não podemos, contra as nossas consciências, ver o governo usar o nosso filho para difamar o Dafa.

Depois de o nosso filho morrer, um repórter com o sobrenome Du veio entrevistar a minha nora, pedindo que ela afirmasse que o seu marido era um praticante do Falun Gong. O repórter escreveu em uma folha de papel algumas palavras difamando o Falun Gong e disse a ela para que as lesse. Naquele momento, a minha nora cedeu à pressão deles e fez o que disseram a ela para fazer. No dia seguinte, ela recebeu 200 yuans em dinheiro. Aqueles que fazem o mal muitas vezes usam dinheiro para comprar consciências e as manipulam para fazer o mal. Até ensinaram o meu neto (o filho do meu filho morto) a caluniar o Dafa. Foi assim que as “notícias” na TV foram fabricadas.

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SOBRE O FALUN DAFA

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 O Falun Dafa, também chamado de Falun Gong, é um caminho ancestral e avançado de autocultivo, baseado nos princípios do universo, Verdade, Benevolência, Tolerância (真善忍). Todos os ensinamentos originais do Falun Dafa estão no principal livro, Zhuan Falun. De acordo com o Zhuan Falun, o cultivo da mente e do caráter de alguém é a chave para o aumento do Gong (potência de energia).
 O Falun Dafa também inclui o cultivo do corpo, o qual é realizado pela prática de cinco exercícios meditativos do Dafa e do cultivo do próprio caráter

Gráficos e fotos

Maio de 1992 a julho de 1999

 O Falun Gong foi inicialmente introduzido ao público na China em maio de 1992.
 Rapidamente, se espalhou de boca em boca graças aos seus princípios (Verdade, Benevolência, Tolerância) e ao extraordinário impacto na saúde e no bem-estar. 

 Em julho de 1999, apenas sete anos depois, havia 100 milhões de pessoas, ou cerca de um em cada dez chineses, praticando o Falun Gong.

 Antes de julho de 1999, todos os dias ao amanhecer, muitas pessoas iam aos parques para praticar os exercícios do Falun Gong, antes do trabalho ou da escola. A cena era bela e serena. Porém, os meios de comunicação chineses raramente reportaram esse fenômeno.
 A reportagem acima, de um jornal de Guangzhou, intitulada “Pessoas de todas as idades praticam o Falun Gong”, é uma raridade, que mostrou a verdadeira situação do Falun Gong.

 97,9% viram melhora na saúde

 Uma pesquisa de saúde conduzida em 1998 em Pequim, China, mostrou que 97,9% das pessoas, que estudaram o Zhuan Falun, o livro principal do Falun Gong, e praticaram os cinco exercícios do Falun Gong, apresentaram melhora na sua saúde.

  Entre os 12.553 praticantes que participaram da pesquisa, 51,6% tinham mais de 50 anos, e 48,4% tinham menos de 50.

 Dos que responderam, 10.475 sofriam de uma ou mais doenças. Depois de praticar o Falun Gong por dois a três meses, 77,5% dos que sofriam de doenças se recuperaram e 20,4% relataram haver melhorado.

Os praticantes realizam os exercícios do Falun Gong na Ilha Lantau, Hong Kong, antes do início da perseguição.

Prática de exercícios em grupo em Guangzhou antes da perseguição. Na faixa está escrito: “Local de instrução voluntário do Falun Dafa”.

Pessoas de todas as idades e profissões se reúnem em parques públicos para praticar os exercícios do Falun Gong. A foto acima foi tirada em Chengdu, província de Sichuan, no início de 1999.

Prêmios oferecidos ao Sr. Li Hongzhi, o fundador do Falun Gong, na Exposição Oriental de Saúde de 1993, realizada em Pequim.

Julho de 1999 até hoje

 Nota: Os dados nesta seção incluem apenas casos que o Minghui.org relatou durante a perseguição em andamento na China.
 Devido à censura do PCC e à perseguição ao Falun Gong, tais relatórios trazem grandes dificuldades e riscos. Por isso, esses números refletem apenas um pequeno subconjunto de todos os casos que ocorreram, e muitos mais ainda precisam ser compilados e relatados por nossas equipes.

 Depois que os praticantes do Falun Gong foram espancados e presos em Tianjin, eles ficaram em fila do lado de fora do escritório de apelações nacional ao lado do Complexo Central do Governo em Pequim. Eles ficaram na calçada em silêncio, lendo livros e esperando que os funcionários os recebessem. Esse apelo pacífico em 25 de abril de 1999 foi posteriormente descaracterizado pelo PCC para justificar a perseguição ao Falun Gong (Veja o Apêndice 1 para mais detalhes).

 Os campos de trabalho foram as instalações mais convenientes na perseguição do PCC ao povo chinês e as mais relatadas no Minghui.org. Em 2013, os esforços globais dos praticantes do Falun Gong encerraram o sistema de campos de trabalho.