(Minghui.org) Um grande conjunto de evidências sobre a extração forçada de órgãos realizada pelo Partido Comunista Chinês (PCC) surgiu nos últimos anos. Numerosos livros também foram publicados sobre essa atrocidade que vitimiza os praticantes do Falun Gong, como Bloody Harvest (2009), State Organs: Transplant Abuse in China (2012) e The Slaughter (2014).

Em 2019, o Tribunal Penal Internacional da China publicou sua sentença final sobre esse crime contra a humanidade, declarando: “A extração forçada de órgãos vem sendo praticada há anos em toda a China em larga escala”. O relatório do Tribunal concluiu que os praticantes do Falun Gong têm sido uma — e provavelmente a principal — fonte de fornecimento de órgãos. Essas conclusões também foram apresentadas ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 2019.

Em 2016, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade a resolução H.Res.343, expressando preocupação com a extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong com o aval do Estado. O Parlamento Europeu adotou uma resolução semelhante em 2022, instando a UE e os seus Estados-Membros a tomarem medidas adicionais.

As evidências mostram que, impulsionado pelos lucros exorbitantes, esse crime se espalhou para o público em geral na China. Após ser explorado, repetidamente, pelo PCC nas últimas décadas, os cidadãos chineses às vezes se autodenominam “jiu cai” (alho-poró), uma planta fácil de cultivar e que pode ser colhida diversas vezes.

Nos últimos anos, os chineses têm se considerado ren kuang (minas humanas). Esse termo se refere àquelas pessoas que passam 20 anos estudando, pagam hipotecas de imóveis por 30 anos e ajudam hospitais a gerar lucro por 20 anos. O termo implica que o povo chinês é tratado como produto de consumo desde o nascimento, conforme relatado pelo The Diploma em janeiro de 2023. Comparado ao alho-poró, uma “mina” humana é um recurso não renovável, no qual partes do corpo de um cidadão chinês podem ser utilizadas para servir ao Partido.

Estudantes universitários desaparecidos

Em 2014, um grande número de estudantes universitários desapareceu, foi assassinado ou agredido. A maioria tinha entre 16 e 22 anos de idade e os casos seguiam um padrão semelhante. Frequentemente, eles desapareciam após entrar no carro de um estranho, pegar um táxi clandestino, trabalhar em um emprego de verão ou viajar sozinhas. Algumas chegaram a desaparecer perto do campus.

Por exemplo, antes do 19º Congresso Nacional do PCC, o misterioso desaparecimento de mais de 30 estudantes universitários na cidade de Wuhan, província de Hubei, foi noticiado on-line em setembro de 2017. Em vez de procurar os desaparecidos, as autoridades prenderam internautas que publicaram as notícias para encobrir o caso. Embora os pais desses estudantes soubessem que as notícias eram verdadeiras, foram silenciados e as publicações on-line foram removidas.

Em 2020, o PCC intensificou as campanhas nos campos universitários para incentivar a doação de órgãos. Universidades em toda a China mobilizaram estudantes para se inscreverem nessas atividades. Alguns estudantes se tornaram doadores de órgãos, seja voluntariamente ou passivamente. Enquanto isso, um número crescente de estudantes desaparecia.

Em Wuhan, uma grande cidade no centro da China com dezenas de universidades, rumores começaram a circular em 2025. Zhang Yu, uma ex-enfermeira de Wuhan, disse: “Estudantes que entram em táxis clandestinos nunca mais voltam”. Quando os pais entraram em contato com as universidades após o desaparecimento de seus filhos, os funcionários se esquivaram da responsabilidade, alegando que as imagens de vigilância mostravam que os estudantes haviam deixado o campus. Segundo Zhang, isso deixou ela e outros pais muito preocupados com a segurança de seus filhos.

É intrigante que a polícia não tenha abordado essas questões e até mesmo punido os cidadãos que divulgaram as informações on-line. A faixa etária desses jovens adultos desaparecidos, tanto homens quanto mulheres, certamente sugere uma ligação com o tráfico de órgãos.

Mortes misteriosas no campus

Nem mesmo morar na escola é seguro. Hu Xinyu, um estudante do ensino médio de 15 anos, desapareceu em outubro de 2022 de um internato na província de Jiangxi. Apesar das extensas câmeras de vigilância no campus, não havia explicação para o desaparecimento de um estudante como Hu. Além disso, os pais e outros parentes de Hu foram proibidos pelas autoridades de se comunicarem com o mundo exterior sobre o assunto.

Posteriormente, as autoridades concluíram que se tratava de um suicídio, mas as “provas” apresentadas não foram convincentes. Com base em informações dispersas e acessíveis ao público, internautas acreditavam que Hu possuía um tipo sanguíneo especial, compatível com o de um alto funcionário que necessitava de um transplante de órgão. Isso teria levado à sua admissão na universidade, mesmo com uma nota abaixo da mínima exigida no exame de admissão. O influenciador digital, Song Zude, chegou a “confirmar” que a morte de Hu estava relacionada à extração forçada de órgãos.

No dia 08 de janeiro de 2026, Zhu, um estudante de 13 anos, morreu misteriosamente em uma escola no condado de Xincai, província de Henan. Sem registros médicos, as autoridades concluíram, precipitadamente, que sua morte foi causada por uma doença cardíaca, algo muito raro em menores de idade. Além disso, inicialmente, as autoridades impediram que seus pais vissem o corpo. Somente após repetidas solicitações da família, os pais foram autorizados a ver o corpo. Não havia explicação satisfatória para as marcas de agulha em seu peito.

Denunciantes revelaram que Zhu, era Rh negativo, um tipo sanguíneo raro, frequentemente chamado de “sangue de panda” por esse motivo, ocorrendo em apenas 0,1% a 0,4% da população na China. Mais uma vez, as autoridades escolares se recusaram a divulgar as imagens de vigilância, reprimiram os protestos dos pais com policiais armados e até bloquearam estradas próximas para impedir as manifestações.

Com todas essas perguntas sem respostas, respostas atípicas das autoridades e boatos sobre tráfico de órgãos, muitos pais foram até a escola e transferiram seus filhos para outro lugar.

Doação voluntária de órgãos

Por razões culturais, a doação de órgãos na China tem sido incomum. Um representante da Cruz Vermelha disse à Organização Mundial para Investigar a Perseguição ao Falun Gong (WOIPFG) que apenas cerca de 100 órgãos foram doados na província de Zhejiang em 2016, e alguns deles não eram adequados para transplante.

Devido à compatibilidade de tipo sanguíneo e tecido, esses órgãos só poderiam ser utilizados em um número limitado de transplantes e essa tendência foi observada em toda a China. No entanto, os dados indicam que apenas oito hospitais na província de Zhejiang realizaram mais de 1.000 transplantes renais. Essa discrepância tornou-se uma peça-chave de evidência coletada pela WOIPFG para confirmar a existência da coleta ilegal de órgãos.

Além dos jovens adultos mencionados no início deste artigo, o PCC agora expandiu suas atividades para incluir crianças do ensino fundamental, médio e até mesmo da pré-escola. Uma blogueira de Xangai escreveu em novembro de 2025 que seu filho trouxe para casa um formulário de consentimento da escola sobre coleta de sangue, identificação de amostras biológicas e testes laboratoriais. A maioria dos pais apoiou a decisão da blogueira de não assinar o formulário para evitar o risco de possível extração de órgãos. Muitos disseram que seus filhos já haviam tido amostras de sangue coletadas na escola sem o consentimento deles.

Uma cadeia de suprimentos oculta no sistema médico

As preocupações desses pais não são infundadas, pois coincidem com padrões observados no sistema de saúde.

Luo Shuaiyu, um aluno do Segundo Hospital Xiangya, na província de Hunan, morreu em circunstâncias misteriosas em maio de 2024, pouco antes de se formar. Após sua morte, sua família conseguiu recuperar algumas informações de seu computador. Um dos arquivos era uma gravação de áudio que indicava que o hospital exigia que Luo, conseguisse 12 doadores com idades entre três e nove anos. Caso contrário, ele não seria autorizado a se formar.

Luo, também havia coletado mais informações sobre como a equipe médica da instituição participava da extração forçada de órgãos. Seus pais suspeitavam que a morte de Luo estivesse relacionada à sua recusa em participar do crime.

Zhang, explicou que, com base em sua experiência trabalhando em Wuhan, a compatibilidade de tipos sanguíneos e tecidos com amostras de pacientes havia se tornado um segredo aberto. Quando uma compatibilidade era encontrada, o doador (vítima) era ocultado em uma cadeia de suprimentos de órgãos. Em grandes centros médicos, como o Segundo Hospital Xiangya, não são apenas alguns médicos isolados que participam da extração forçada de órgãos, envolve uma infraestrutura sistematizada que inclui o diretor do hospital e a equipe administrativa. E helicópteros são usados para a entrega rápida dos órgãos.

Xie Wenqing, um profissional da área médica que deixou a China em novembro de 2022, afirmou que alguns cirurgiões chineses realizaram transplantes com órgãos fornecidos por agentes, a maioria deles de hospitais militares. Para apaziguar os cirurgiões, estes alegavam que os órgãos provinham de famílias pobres do Sudeste Asiático que não tinham condições de criar seus filhos.

Como um órgão só pode sobreviver por um curto período fora do corpo humano, Xie afirmou que essas alegações eram mentira e que os órgãos na verdade vieram de indivíduos dentro da China, detidos, grupos minoritários e estudantes “desaparecidos”.

Um banco de dados de DNA perturbador

Em 2002, a mídia chinesa noticiou o lançamento de um projeto chamado Cartão de Identificação Genética. Segundo a reportagem, o cartão contém 18 códigos genéticos digitais únicos, selecionados a partir da cadeia molecular do DNA do portador. Especialistas afirmam que existem 10 bilhões de combinações possíveis, tornando a identificação praticamente infalível. A informação genética pode ser obtida a partir de uma gota de sangue, um folículo capilar ou uma célula de tecido.

Quando as pessoas precisam de transplantes de órgãos ou de medula óssea, esses IDs genéticos podem ser usados para encontrar doadores compatíveis, menciona o artigo. “Um banco de genes humanos também está sendo criado em toda a China. Uma vez concluído, os médicos poderão encontrar rapidamente os órgãos, sangue ou células com tipos de tecido compatíveis no banco de genes.”

Num país sob regime totalitário, sem independência judicial ou mecanismos de controle e equilíbrio, uma base de dados desse tipo poderia ser facilmente usada pelas autoridades para reprimir cidadãos comuns, perseguir grupos minoritários e explorar o sistema para obter ganhos financeiros.

Resumo

A boa saúde dos praticantes do Falun Gong os tornou alvos principais para a extração forçada de órgãos durante as mais de duas décadas em que foram perseguidos. Segundo um leitor do Minghui, todos os praticantes detidos no centro de distribuição da prisão de Hongshan, na província de Hubei, no verão de 2006, foram forçados a fornecer amostras de sangue. No mesmo ano, mais de 500 praticantes detidos nos campos de trabalho forçado de Chaoyanggou, na província de Jilin, também foram obrigados a se submeter a coletas de sangue.

Já se passaram 20 anos desde que a extração forçada de órgãos dos praticantes do Falun Gong, foi relatada pela primeira vez em 2006. Com uma cadeia de suprimento de órgãos tão bem estabelecida, as autoridades agora expandiram a lista de potenciais “doadores” para outros grupos minoritários, incluindo até mesmo jovens adultos e crianças.

Pode ser difícil manter-se seguro em uma sociedade repleta de “minas terrestres”. Uma mudança fundamental ocorrerá após o colapso do PCC.