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"Vá para Manipur": Recordação dos dias que antecederam o lockdown (Parte 1 de 3)

21 de Janeiro de 2021 |   Por uma praticante do Falun Dafa na Índia

(Minghui.org) Desde que o lockdown do coronavírus da Índia teve início em 22 de março de 2020, todas as escolas permaneceram fechadas sem data definida para reabertura. As viagens também foram restringidas à medida que o número de casos de infecção continuava a aumentar e, muitas vezes sem aviso prévio, surgiam "pontos vermelhos" em todo o país. Como resultado, os dias em que os praticantes do Falun Dafa viajavam para lugares distantes na Índia para realizarem sessões da prática nas escolas e outras atividades públicas, parecem sonhos perdidos.

Uma praticante que efetuou muitas dessas viagens desejam compartilhar uma inesquecível experiência ocorrida em julho de 2018. Ela escreve esse artigo com sentimentos não só de nostalgia, saudades de casa, gratidão e aventura, mas também com alguma dor por estar presa no mesmo lugar durante meses.

Para onde ir?

Desde a infância, a praticante é fascinada por diferentes países e especialmente pela natureza, estilos de vida simples e cultura tribal. Por isso, ela sente uma profunda afinidade com os estados nordestinos da Índia, bem como com os Sikkim e Ladakh.

Durante o verão e a estação das chuvas, a sua casa na Índia é extremamente quente e úmida. Todas as escolas estão fechadas devido as longas férias de verão e quase nenhum turista está por perto. Todos os anos, ela consegue alguns preciosos meses de “liberdade” longe da família, da casa de hóspedes e de outras obrigações, então ela quer passar esse tempo com sabedoria. Dada a vastidão da Índia e uma enorme variedade de culturas, pessoas, religiões, línguas e climas, ela muitas vezes tem dificuldade em decidir para onde ir. Em abril e maio de 2018, a praticante terminou suas visitas as escolas tibetanas na Índia de forma rápida e inesperada.

Inesperadamente, a praticante tomou a decisão de participar da conferência de troca de experiências do Falun Dafa no mês de junho de 2018 em Washington, DC. Ela esperava que durante sua estadia nos Estados Unidos, encontrasse praticantes de todo o mundo que a ajudariam a decidir para onde ir ou talvez que algum tipo de percepção, repentinamente, pudesse surgir durante a conferência. No entanto ela não teve nenhum insight.

No seu voo de volta para à Índia, do nada, uma voz interior, inequivocamente, lhe disse: "Vá para Manipur". Com essa dica, ela se sentiu subitamente leve, como se um fardo pesado tivesse sido removido do seu coração.

Ao chegar em Nova Deli, ela cancelou sua passagem de ônibus para casa e reservou um voo para a cidade Imphal em Manipur. Essa seria a primeira vez que ela estaria voando para o nordeste. Nas visitas anteriores, ela sempre utilizou transportes terrestres como ônibus, vans e jipes para poder levar grandes quantidades de materiais do Falun Dafa para distribuição.

Manipur é um estado no nordeste da Índia, limitado pelos estados de Nagaland a norte, Mizoram a sul, Assam a oeste, e Myanmar a leste e parcialmente a sul. O nordeste da Índia é constituído por sete estados, frequentemente chamados "as sete irmãs", cujas culturas e línguas são muito diferentes das da Índia. As permissões para entrar nas cidades e as preocupações com a segurança, desanimam a maioria dos viajantes, no entanto, a população local está entre as mais simpáticas de todo o subcontinente.

Os grupos étnicos de Manipur praticam uma variedade de religiões. O hinduísmo é a principal religião, depois vem o cristianismo e também o islamismo, budismo, judaísmo, jainismo, sikhismo e religiões folclóricas. O estado de Manipur, tal como outros do nordeste, está na sua maioria isolado do resto da Índia.

O nome Manipur significa "terra de pedras preciosas" ou literalmente "uma terra de joias". Aninhado no interior de um exuberante canto verde do nordeste da Índia, o estado tem um vale oval no centro, rodeado por colinas azuis. É rico em arte, tradição e repleto da glória imaculada da natureza. No entanto, tem também uma longa história de rebeliões, violência interétnicas e violações dos direitos humanos.

Em 2016, a praticante visitou três outros estados no nordeste e também queria ir para Manipur, mas as pessoas que ela conheceu nesses estados que eram originalmente de Manipur disseram a ela para não ir lá por questões de segurança de conflitos internos. Eles a aconselharam a esperar por uma oportunidade mais segura no futuro. Parecia que julho de 2018 era finalmente o momento e a oportunidade certos para visitar Manipur.

Chegada a Manipur

A praticante não conhecia ninguém em Manipur e não conseguia encontrar acomodações pela internet, mas estava confiante que podia pedir aos moradores locais no aeroporto ou no avião informações sobre onde ir e onde ficar, como havia feito anteriormente quando visitava locais desconhecidos. Para sua surpresa, ela não conseguiu encontrar nenhum morador local, pois a maioria dos seus companheiros de viagem eram visitantes de outras partes da Índia.

Esta foi a primeira vez que ela não tinha um único contato local ou lugar para ficar. Mesmo em 2016, primeira vez que ela foi para Arunachal Pradesh, ela tinha apenas o nome de um pequeno hotel por preço razoável, onde ela realmente acabou ficando.

Na maioria dos estados do nordeste, os visitantes precisam de uma permissão e necessitam se registrarem na chegada. Inesperadamente, o registro teve que ser feito no próprio aeroporto e quando ela não pôde preencher o endereço onde ficaria, ela pediu recomendações ao oficial. Ele, gentilmente, lhe deu o nome de um lugar e até a levou para fora do aeroporto a um motorista de riquixá, a quem ele explicou o endereço e também fixou o preço da sua corrida.

No caminho, ela viu muitas crianças saindo de uma escola. Ela anotou o nome da escola e descobriu, para seu deleite, que a mesma ficava perto do lugar onde ela deveria ficar e por isso poderia ir a pé. Inesperadamente, a praticante também conseguiu um quarto de hotel muito barato.

No dia seguinte, ela caminhou até à escola com a sua habitual pasta de apresentação contendo cartas de apreciação de outras escolas, fotografias e folhetos. A diretora, uma freira católica, estava sentada no seu escritório em uma ligação, aparentemente, interminável. Parecia estar resmungando e mal tinha percebido a presença da praticante sentada à sua frente durante muito tempo. Várias vezes a praticante considerou se levantar e ir embora.

Embora achasse difícil lidar com esse tipo de “recepção” incomum, pacientemente, ela sentou até que a conversa e a apresentação finalmente começaram. A diretora concordou em fazer, exatamente na mesma noite, uma sessão do Falun Dafa para as crianças residentes.

Quando a praticante perguntou sobre os nomes de algumas outras escolas cujas as sedes em outros estados do nordeste tinham sido visitadas por ela, a diretora disse que conhecia os dois diretores muito bem e imediatamente sugeriu acompanhá-la para visitá-los, pois considerava que não era seguro para a praticante ir sozinha até lá.

Então, a praticante sugeriu chamar os dois diretores para certificar-se de que eles estariam presentes quando os visitasse. Quando a diretora ligou para eles, para sua surpresa, os dois podiam estar a caminho ou concordaram que as duas fossem até as suas escolas. Ambos chegaram em menos de uma hora e concordaram com as datas para que, nos próximos dias, as três escolas tivessem sessões do Falun Dafa.

(Continua)