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Enfrentando o ambiente sinistro com nobreza e franqueza (Parte II)

27 de abril de 2009 |   Por Lu Zhengyan

(Minghui.org) (Continuação da Parte I)

Perigo iminente

Em 1996, Xu Guangchun, vice-ministro do Departamento Central de Propaganda, chamou os principais editores dos dez principais jornais oficiais. Xu ordenou ao Guangming Daily que publicasse artigos difamando o Falun Gong e aos outros para que mencionassem esses artigos.

Mais tarde, a Divisão Publicitária de Notícias do Departamento de Propaganda enviou uma nota interna para suspender a publicação de todos os livros do Falun Gong porque eles "defendiam a superstição". Na época, os livros do Falun Gong Zhuan Falun e Falun Gong estavam entre os dez mais vendidos. Isso sinalizou uma mudança na política de "não interferir, promover ou atacar qigong e habilidades supernormais".

Entretanto, muitas pessoas que trabalhavam nos principais jornais oficiais praticavam o Falun Gong. Havia mais praticantes ainda trabalhando no Ministério da Segurança Pública. Uma carta de agradecimento da Fundação Chinesa da Justiça e Coragem declarou que Wang Fang, chefe do Ministério, ficou curado da sua doença através da prática do Falun Gong.

Na época, muitas pessoas no Ministério eram apaixonadas por qigong e conheciam o Falun Gong. Muitos funcionários do sistema de segurança pública eram praticantes. Ye Hao e Li Chang, primeiros membros do Centro de Pesquisa do Falun Dafa, eram Diretor Adjunto e Chefe de Divisão do Ministério.

Em 1996, a repressão ao Falun Gong acabou antes mesmo de começar porque centenas de milhares de cartas chegaram ao governo central para esclarecer a verdade sobre o Falun Gong.

No início de 1997, Luo Gan ordenou ao Ministério da Segurança Pública que conduzisse uma investigação nacional na tentativa de encontrar uma "evidência" do Falun Gong ser um culto. Os relatórios das agências de segurança pública em todo o país não encontraram problemas. Em julho de 1998, a Primeira Delegacia do Ministério emitiu o Aviso 555 "Informações sobre a investigação do Falun Gong". No Aviso, ele alegou que o Falun Gong era um "culto" e propôs "ter um cúmplice com informações sobre as atividades do Falun Gong e fazer investigações mais profundas se quaisquer evidências pudessem ser encontradas".

Luo Gan primeiro condenou o Falun Gong, e depois decidiu procurar provas. Na época, para realizar a investigação, muitos funcionários do serviço secreto e muitos policiais fingiram ser praticantes do Falun Gong. Depois de conseguirem um bom entendimento do Falun Gong, muitos deles se tornaram praticantes regulares. Para a surpresa de Luo, não foi encontrada nenhuma evidência de crime em todo o país. Porém, a investigação de Luo provocou incidentes em várias regiões.

Em 1998 o Departamento de Segurança Pública da Cidade de Zhaoyang, na província de Liaoning, emitiu o aviso nº 37: "Aviso para Proibir as Atividades Ilegais do Falun Gong". Alguns praticantes foram multados em um total de 4 mil Yuanes. Mais de 40 praticantes foram apelar ao Ministério, e mais de mil assinaram uma petição para acusar o Departamento de Segurança Pública de Zhaoyang de violar seus direitos civis.

Em 21 de julho de 1998, a Primeira Divisão do Ministério emitiu novamente um aviso a todos os departamentos locais. Os departamentos locais de segurança pública nas províncias de Xinjiang, Heilongjiang, Hebei e Fujian dispersaram os praticantes dos locais da prática em grupo, invadiram suas casas e confiscaram a propriedade privada dos praticantes.

As duas tentativas de Luo de estigmatizar o Falun Gong como um culto e criar razões para a supressão não foi porque o Falun Gong fez algo errado. Luo era o Secretário do Comitê Central Político e Jurídico. Ele estava na posição mais elevada que poderia estar e para ir mais alto, ele tinha que fazer algo politicamente significante.

Mais tarde Luo descobriu que muitas pessoas no Ministério da Segurança Pública conheciam e praticavam o qigong. Em 1996, ele removeu aqueles que estavam no comando e que praticavam qigong .

No segundo semestre de 1998, vários membros aposentados do Congresso Nacional do Povo, liderados por Qiao Shi, fizeram uma investigação detalhada sobre o Falun Gong e chegaram a uma conclusão: praticar o Falun Gong tem somente benefícios e nenhum dano. No final do ano, eles apresentaram o relatório ao Politburo Central. Na ocasião Jiang Zemin era o chefe do Politburo.

Falsos cientistas confundem o certo e o errado

Depois de tudo o que Luo fez, o ambiente político em torno do Falun Gong tornou-se cada vez mais suscetível. Na época, havia repórteres e funcionários que ousaram apoiar abertamente o Falun Gong. Havia também aqueles que agiam como uma situação imposta e aqueles que queriam acumular benefícios políticos. Eles moldaram e difamaram o Falun Gong e plantaram as sementes para a perseguição que deveria seguir.

Em maio de 1998, He Zuoxiu, cunhado de Luo, levantou um rumor na sua entrevista com a Beijing TV (BTV). Ele disse que um estudante de pós-graduação com o sobrenome Sun ficou psicótico por causa da prática. Na verdade, os problemas mentais de Sun não tinham nada a ver com o Falun Gong e o colega de quarto e de classe de Sun havia esclarecido isso muitas vezes com fatos concretos.

He manteve sua declaração na BTV. Muitos praticantes do Falun Gong foram à BTV para esclarecer os fatos. Depois que um vice-chefe da BTV viu o protesto pacífico dos praticantes, se conscientizou do que realmente tinha acontecido, e sem se desculpar pela declaração errônea anterior, e para compensar, ele fez uma divulgação de notícias sobre a prática ao ar livre do Falun Gong. Este incidente então ficou esquecido.

He Zuoxiu era um político oportunista. Em novembro de 1950, Yu Guangyuan, vice-chefe da Divisão de Análise do Departamento Central de Propaganda, foi à Universidade de Qinghua para conversar com os alunos. Na ocasião, He era aluno, estava no encontro e conheceu Yu. Em 1951, depois que ele se formou, He foi designado para trabalhar no Departamento de Propaganda.

Em 21 de maio de 1952, He publicou um artigo no People's Daily(Diário do Povo)"Idealismo na Crítica à Mecânica Quântica dos Cientistas Russos". Ele propôs aplicar o idealismo à física, uma ferramenta poderosa na luta política na época. Em 1955, a questão de se destruir relíquias históricas em Pequim, provocou violentas discussões. Mao Zedong foi a principal força motriz por trás daqueles que pediam a destruição das relíquias, o professor Liang Sicheng da Universidade de Qinghua e outros defendiam mantê-las.

He aproveitou a oportunidade e publicou um artigo intitulado "As Questões do Mal Entendido de Liang Sicheng Sobre Arquitetura" e chamou o estilo da arquitetura de Liang "Cérebro chinês no corpo de um estrangeiro", e "Mutante de classes de harmonização" e "Uma teoria errada violenta diretamente a política geral do país". Liang foi forçado a "reexaminar seu problema" e começou a destruição em massa das construções históricas em Pequim.

A imagem de Pequim foi alterada de maneira radical. Em seu artigo "He Zuoxiu, Um Acadêmico Ambicioso", Publicado no People's Daily(Diário do Povo) em 1998, ele ainda se deleitou em falar sobre essa história. He acreditava que isso o fazia entender gradualmente o que era "Marxismo criativo". Ele também desaprovou a genética de Morgan e o modelo quark do laureado nobel Gell-Mann com o Marxismo, e a ideologia por trás. Mais tarde, na vida de He, ele voltou a criticar oqigong e o chamou de "pseudociência".

Por tudo o que He Zuoxiu fez para proteger a ideologia de Pequim, a Red Flag Magazine o recomendou com louvor para que fosse membro da Academia Chinesa de Ciências. Ele continuou a usar sua posição para acumular cabedal político. Em 2001, Jiang Zemin apresentou sua “Teoria das Três Representações". He Zuoxiu fez um discurso no primeiro fórum de mecânica quântica realizado pela Academia, dizendo que "o padrão do desenvolvimento da mecânica quântica se encaixa com a teoria das Três Representações de Jiang Zemin".

Vários estudiosos deixaram o fórum durante a palestra. He juntou sua "teoria" em um artigo e o publicou em 2001, volume I, no Journal of Kunming University of Science and Technology (Social Sciences) (Revista de Kunming University of Science and Technology ‘Ciências Sociais’), "O Estabelecimento da Mecânica Quântica e do Sistema de Avaliação da Inovação Científica e Tecnológica - Em Comemoração ao 100º Aniversário do Surgimento da Teoria Quântica de Planck".

Assim como Luo que queria agradar a Jiang reprimindo o Falun Gong, He não poupou esforços para difamar o Falun Gong em nome da ciência. Porém, as autoridades locais de Pequim continuaram a seguir a política existente de não interferir com o qigong e de não publicar seus trabalhos.

O Incidente de Tianjin abre a cortina da perseguição

Em 11 de abril de 1999, dando seu próximo passo contra o Falun Gong, He publicou no Journal of Tianjin Institute of Education, um artigo intitulado: "Eu sou contra jovens praticando Falun Gong". He culpou o Falun Gong por coisas não relacionadas a ele e apontadas em desastres, incluindo a destruição do país que iria acontecer se as pessoas continuassem a praticar o Falun Gong. Na época, os praticantes do Falun Gong viram o início de um movimento político para erradicar o Falun Gong e sentiram-se impelidos a esclarecer os fatos sobre a prática.

No dia 23 de abril, milhares de praticantes foram ao escritório editorial da Revista para esclarecer os fatos. Enquanto o artigo estava prestes a ser concluído e a editora estava querendo emitir uma declaração para alterar a publicação anterior de He, 300 policiais antimotim apareceram em Tianjin. Eles dispersaram os praticantes do Falun Gong e, na repressão agrediram fisicamente e prenderam 45 deles. As autoridades da cidade de Tianjin disseram aos praticantes que a repressão tinha sido uma ordem de Pequim e, os encorajaram a ir para Pequim se quisessem apelar.

Dez mil praticantes visitam Zhongnanhai

A notícia chegou a Pequim, e em 25 de abril muitos praticantes locais decidiram apelar ao Departamento de apelos do Estado. Em 25 de abril, mais de 10 mil praticantes foram ao Departamento para apelar pelo Falun Gong. Mais tarde, isso ficou conhecido como o "incidente de 25 de abril".

Depois da Grande Revolução Cultural, Pequim estabeleceu um sistema de apelações para lidar com o grande número de queixas de pessoas que sofreram com vários movimentos políticos. O direito de apelação de um indivíduo ou de um grupo faz parte da Constituição, e as pessoas não precisam de autorização dos departamentos de segurança pública antes de apelar e não precisam de nenhum tipo de aprovação especial.

As razões para os praticantes apelarem ao Departamento eram simplesmente para esclarecer a um nível superior do governo o que realmente havia acontecido. Shi Caidong, doutor do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, disse: "Na noite de 24 de abril, eu fiquei até mais tarde no laboratório para terminar o meu experimento. Fiquei até tarde com o grupo de estudo e experimento. A minha tia Li me explicou brevemente o que aconteceu em Tianjin e me disse que vários praticantes iam apelar no dia seguinte. Eu já havia escrito uma carta à Divisão de Notícias do Departamento de Propaganda para pedir que não proibissem a publicação do Zhuan Falun e não tive resposta. Em 1996, e no sentido de acabar com a propagação da superstição, a Divisão de Notícias confiscou todos os livros do Falun Gong. Muitos praticantes escreveram à Divisão e aos líderes políticos de alto nível sobre isso, mas não obtiveram resposta. Na ocasião, o único caminho a seguir parecia ser o contato direto com os altos líderes do governo central".

Praticantes valentes

Muitos dos apelantes do Falun Gong eram mais velhos e passaram por várias lutas políticas do PCC. Alguns deles eram jovens quando vivenciaram pessoalmente a brutalidade do massacre de 4 de junho. Eles não tinham ideia do que eles estavam prestes a enfrentar.

Em um artigo publicado no Clearwisdom.net (minghui.org) em 20 de maio de 2002, uma praticante falou sobre sua experiência com o Incidente de 25 de abril: "Naquela noite, por volta das 23h30, recebemos alguns telefonemas sucessivos, e então percebi que a situação era extremamente complexa. Um dos telefonemas era do meu cunhado. Ele disse: 'Amanhã, vocês três (somos três irmãs que praticam Falun Gong) definitivamente não podem ir para Pequim. Eu tenho bons amigos na polícia em Pequim. Eles me disseram enfaticamente que estão preparados e não vão poupar ninguém [quem for apelar]’.

Poucos momentos depois, ele me telefonou e nos avisou novamente: ‘Já tem um grande número de tropas militares estacionadas em torno da área de Zhongnanhai. Meu amigo me disse: ‘Eu sei que sua cunhada é boa pessoa. Você deve mantê-la em casa, trancá-la e não a deixe ir a Zhongnanhai. As autoridades nos disseram que adotaram uma postura inflexível contra todos. Nós não devemos poupar ninguém, independentemente de quem sejam. Se vocês têm planos definitivos de ir, estou avisando agora’. Minha outra irmã também nos ligou para dizer: ‘Alguém chamou meu filho e disse a ele para não me deixar sair, de jeito nenhum porque está tudo preparado...’ Perguntei às minhas irmãs se elas mudariam de ideia e elas riram. Assim, nós, as três irmãs, começamos individualmente a nossa "jornada da dignidade do 25 de abril".

O que levou os praticantes a apelar sem olhar para trás? Eles não sabiam que não tinham chance contra o PCC? Eles não sabiam que as pessoas comuns não podiam vencer? Até hoje, muitas pessoas culpam os praticantes por insistirem em apelar e não praticar "Tolerância". As pessoas culparam os praticantes por "perturbarem a estabilidade da sociedade". A seguir estão algumas respostas dos praticantes sobre essas questões.

"A partir da proibição do livro Zhuan Falun em 1996 aos incidentes com a BTV e o Guangming Daily; da investigação de Luo Gan dos ‘crimes’ do Falun Gong ao incidente em Tianjin, a situação política estava ficando cada vez mais contra o Falun Gong. Como membros da sociedade, sabemos que, quando tem que haver o discernimento entre o certo e o errado e o assunto envolve política, a ‘decisão vem do alto’. Como praticantes do Falun Gong, e para melhorar nosso caráter, seguimos os princípios da Verdade-Compaixão-Tolerância em nossa vida diária. Nós não queremos nos envolver em política, mas sabemos o que é bom e o que é ruim, e o que é certo e o que é errado. A tolerância não é sermos passivos, mas sinceros e compassivos. Se todos se renderem ao enfrentar uma força irresistível, não haverá na sociedade ninguém falando quais são as bases do bem e do mal e sem nenhum padrão para o certo e para o errado. Em uma sociedade sem justiça e consciência, todos irão acabar vítimas".

"Um praticante precisa ser uma boa pessoa, independente de ser ele ou ela. Tolerância não é passividade. Isso é fraqueza. Quando acontecer a erradicação dos princípios do certo e do errado, a moral social irá desmoronar. Se todos concordarem que força significa verdade e que ganhos pessoais sempre forem o objetivo maior, então não haverá esperança. Hoje em dia na China, vemos que a sociedade perdeu a honestidade e a consciência. Não é esse o resultado de ninguém acreditar na justiça e todos procurarem apenas ganho pessoal"?

"Sendo um membro da sociedade, todos têm a responsabilidade de proteger os direitos legais básicos de um cidadão. Isso também estará protegendo seus próprios direitos legais. Se sob pressão todos renunciarem a seus direitos legais, isso estará ajudando a menosprezar a lei. Como é que vamos ajudar a estabilidade social? "

Nos últimos 60 anos da história chinesa, houve muitas lições como esta para serem aprendidas. Se em todo movimento político dirigido pelo PCC houvesse mais pessoas na sociedade que não se curvassem e pudessem ser conduzidas pelos princípios dos praticantes do Falun Gong, poderiam ter sido evitadas as tragédias absurdas que resultaram da falta de discernimento entre o certo e o errado.

(Continua)